quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O Menino do Pijama Listrado


Um menino, filho de um oficial nazista, faz amizade com um judeu que está preso num campo de concentração próximo à sua casa. Através da cerca, os dois conversam, jogam xadrez, passam comida, sem ter noção do que está de fato acontecendo. O filme é um pequeno conto sobre o holocausto visto através dos olhos de um garoto de 8 anos.

O filme tem alguns pontos fracos, e o principal é que a história é absurda e jamais poderia ter acontecido em primeiro lugar, já que os campos de concentração eram vigiados 24 horas por dia e qualquer um que se aproximasse da cerca seria baleado imediatamente. Por outro lado as performances são tão honestas que até certo ponto a gente consegue acreditar (apesar de ficar no ar uma sensação de que o filme não é assim tão sério). Ou seja, senti falta de um olhar mais técnico sobre a história. Não sou o rei da racionalidade, mas se você se propõe a fazer um filme sobre o holocausto, faça a lição de casa né. O que salva é que os personagens são todos bem construídos e tudo faz sentido num nível emocional, que é o mais importante.

É um filme bonito, meio quadrado, com cara de filme feito pra Oscar, mas que tem uma das cenas mais chocantes que eu já vi em toda minha vida. A platéia fica em estado de choque. Sem ela, o filme não seria muita coisa. Com ela, ele se torna inesquecível, mas isso pode ser fatal pra quem já não tiver comprado a história do ponto de partida. Eu particularmente gostei.

The Boy in the Striped Pyjamas (RU/EUA, 2008, Mark Herman)

INDICADO PARA: Quem gostou de "A Vida É Bela" ou "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias".

NOTA: 7.5

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Madagascar 2 - A Grande Escapada *


Queria saber quem inventou que é engraçado ser alguém metido e ao mesmo tempo patético. Essa combinação de características na minha mente resulta num personagem detestável, e no entanto 90% dos personagens de todas essas animações 3D caem nessa categoria ("WALL-E" foi exceção). "Madagascar" é cheio dessas zebras e lêmures que falam rápido, se acham o máximo e ao mesmo tempo são imbecis! Que graça isso tem?

Enfim, não gostei do primeiro, não gostei do segundo. Quando vejo esses filmes imagino sempre um executivo burocrático e ignorante por trás, com as mais baixas noções do que é humor, do que é drama, do que é diversão. Ele se preocupa com a técnica da animação, faz uma pesquisa pra saber o que os jovens estão ouvindo, enfia centenas de referências culturais pra divertir os adultos mesmo que elas não tenham nada a ver com o filme (eles usam por exemplo a trilha do western "Três Homens em Conflito" numa cena de kung-fu!), contrata 50 celebridades pra fazer as dublagens, e aguarda o fim de semana de estréia pra saber se vai faturar o bastante pra começar a próxima sequência.

Madagascar: Escape 2 Africa (EUA, 2008, Eric Darnell / Tom McGrath)

INDICADO PARA: Quem gostou do primeiro. Esse é um pouquinho menos constrangedor até.

NOTA: 4.0

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Rede de Mentiras


Há algo de genérico em todos esses thrillers políticos que vieram com a guerra do Iraque... "Syriana", "O Suspeito", "O Reino"... Não consigo distinguir muito bem um do outro. Sei que "O Suspeito" por exemplo era com o Jake Gyllenhaal e lembro um pouco da fotografia... Mas é uma memória que pode estar vindo do trailer, dos posters ou de coisas que vi antes na internet. Não da experiência de assistir ao filme em si. Como viagens antigas que depois de um tempo a gente acha que lembra, mas na realidade só lembra das fotos.

"Rede de Mentiras" está um pouco acima da média, pois Ridley Scott é um ótimo técnico e sabe fazer imagens bonitas. Mas só. Não há nada de tão memorável na história, e os personagens são absolutamente desinteressantes. Russell Crowe está patético; sua técnica de atuação é a seguinte: franzir a testa e falar com a cabeça baixa olhando por cima da armação do óculos. Ele faz isso o filme todo. Leonardo DiCaprio é um mistério pra mim. Sempre achei ele profissional, mas nunca me cativou como ator. Não vejo profundidade, força, carisma... Apenas dedicação. Ele deve ser uma pessoa extremamente interessante fora das telas, porque muitos diretores realmente acreditam que ele é uma espécie de Robert De Niro jovem. O único que se destaca mesmo é Mark Strong, que já fez milhões de filmes e só agora começou a ser reconhecido. O resto do filme é um grande déjà vu de explosões, perseguições, gente gritando no celular e a obrigatória cena de tortura. Um filme técnico e impessoal.

Body of Lies (EUA, 2008, Ridley Scott)

INDICADO PARA: Quem gostou dos filmes citados.

NOTA: 4.5