terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O Fantástico Sr. Raposo


Adaptação do livro do escritor inglês Roald Dahl (o mesmo que escreveu A Fantástica Fábrica de Chocolates), feito em animação stop-motion, estilo A Fuga das Galinhas. A diferença é que os personagens são cobertos de pelos, criando uma textura bem diferente. Visualmente o filme é interessante por 10 minutos, depois disso sentimos falta de história e envolvimento emocional. Mas mesmo a animação não achei grande coisa. Os bonecos tem olhos inexpressivos e as bocas são mal acabadas, dando a impressão que todo mundo está com os dentes podres e os lábios estragados toda vez que a câmera chega mais perto. Pra dirigir bonecos você tem que ser um diretor de atores excelente - qualidade que Wes Anderson não possui. Ainda mais sabendo que ele dirigiu o filme por e-mail de seu flat em Paris - esta revelação do diretor de fotografia gerou tanta polêmica que o mesmo recebeu ameaças de morte!

Anderson (Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou) tem um público pequeno e fiel que adora tudo que ele faz. Em mim, seus filmes provocam no máximo sono, indiferença, e às vezes um pouco de irritação. Mas a irritação principal não vem diretamente do filme e dos personagens, e sim da idéia de que existe gente que acha aquilo o máximo. Anderson faz filmes pra ele próprio. Ele coloca suas idiossincrasias antes da comunicação, ambiente antes de história, estilo antes de substância, design antes de emoção e intelecto. O resultado é um exercício visual frio que terá seu público mas fracassará nas bilheterias e não resistirá ao teste do tempo.

O filme tem vozes de George Clooney, Meryl Streep, Bill Murray e Owen Wilson. Infelizmente a vozes acrescentam muito pouco à experiência como um todo. Teria gostado mais de ver um filme com George Clooney e Meryl Streep dublado por raposas!

Fantastic Mr. Fox (EUA/RU, 2009, Wes Anderson)

INDICADO PARA: Quem gostou de Wallace & Gromit - A Batalha dos Vegetais, e fãs incondicionais de Wes Anderson.

NOTA: 2.5

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Myers Briggs Type Indicator (MBTI)


Neste site http://www.inspiira.org/ você poderá realizar o Myers Briggs Type Indicator (MBTI) em português - um teste de personalidade muito usado no mundo todo baseado nas teorias de Carl Jung. Você faz um cadastro rápido no site e logo começa o teste que tem em torno de 70 perguntas, cada uma com 2 opções de resposta.

No final vem um texto que pra mim foi o melhor "horóscopo" que eu já li. São 16 tipos psicológicos principais; o meu é o INTJ, que corresponde a 2% da população. Depois vale a pena procurar no Google ou no Wikipedia pessoas famosas que pertencem ao seu grupo. Fiquei feliz em encontrar alguns dos meus ídolos entre os INTJ, como Stanley Kubrick e Stephen Hawkins - vários sites organizam inclusive personagens de filmes entre os 16 tipos. Se houver qualquer precisão nesses dados, estarei no mesmo file de Ellen Ripley, Don Corleone e Hannibal Lecter! Quem fizer me manda o resultado!

Humpday


Comédia independente sobre 2 velhos amigos heterossexuais que decidem produzir um vídeo pra um festival de filmes pornôs de arte - o detalhe é que os protagonistas seriam eles próprios! Disso surgem várias complicações; uma delas é que um deles é casado - imagine qual seria a melhor forma de contar à sua esposa que pretende fazer sexo com outro homem em frente às câmeras. E que não é por dinheiro! A idéia pode parecer meio improvável, mas a história se desenrola de maneira bem convincente.

O legal do filme é que, além de ele te fazer pensar sobre coisas estranhas, os atores estão incrivelmente naturais e trazem um realismo pra tela que raramente se vê. Existe uma química natural entre eles e muitos dos diálogos são improvisados, dando a impressão de que todos devem ser ótimos amigos nos bastidores.

É um filme pequeno, com senso de humor, atores carismáticos e um bom conflito. Pagando Bem, Que Mal Tem? tinha uma história parecida, mas enquanto ele apostava mais nas risadas e no choque, este aqui vai mais pra sensibilidade e reflexão.

Humpday (EUA, 2009, Lynn Shelton)

INDICADO PARA: Mulheres e gays.

NOTA: 7.0

sábado, 5 de dezembro de 2009

Abraços Partidos


Abraços Partidos é um melodrama com elementos de film noir e suspense (uma das sub-tramas envolve um garoto com uma câmera que de cara nos remete a Peeping Tom (1960), que inclusive é citado no filme). Mas um filme de Almodóvar não tem gênero, assim como um filme de David Lynch ou de Fellini não tem gênero. É um universo próprio; como sempre, vão ter prostitutas, traições, drogas, acidentes trágicos, personagens gays, pessoas obsessivas e vermelho - muito vermelho!

Esta história em particular se passa em torno de uma problemática produção cinematográfica. Acho interessante que muitos diretores que também escrevem roteiros acabam criando histórias que se passam no mundo do cinema, ou então personagens que sejam escritores, atores, etc. Nada mais natural - Almodóvar faz filmes há mais de 30 anos e este é certamente o assunto que mais domina.

Penélope Cruz está muito bem, como sempre que trabalha com ele. Mas a maior performance do filme acho que é a do próprio Almodóvar por trás das câmeras. Ele é um desses diretores exibidos que estão sempre chamando a atenção do público pro aspecto da direção - mas ele faz isso com estilo e sempre nos momentos certos. Há uma demonstração brilhante numa sequência onde o cineasta dentro do filme assiste a uma montagem ruim do longa que está produzindo; apenas um grande diretor como Almodóvar poderia mostrar a mesma cena 2 vezes; uma mal dirigida e a outra bem dirigida!

Abraços Partidos talvez não seja tão brilhante quanto Volver, seu último trabalho, mas ainda assim é um filme pra todo mundo ver. Tem alguns cineastas que são simplesmente incapazes de serem desinteressantes.

Los Abrazos Rotos (ESP, 2009, Pedro Almodóvar)

INDICADO PARA: Todo o público adulto.

NOTA: 7.5