quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Educação


Este é o filme inglês do ano. Baseado nas memórias da jornalista Lynn Barber, o drama se passa em Londres no início dos anos 60 e conta a história de uma garota de 16 anos que precisa escolher entre ir para Oxford ou abandonar os estudos para se casar com um playboy sedutor de trinta e poucos anos que aparece em seu caminho oferecendo uma vida de viagens, champagne e glamour. O centro do filme é a atriz Carey Mulligan, que dá uma performance impressionante em seu primeiro papel de destaque no cinema. Ela está indicada ao Oscar de melhor atriz, e já tem gente a comparando com Audrey Hepburn.

Difícil dizer por que gostei do filme. É uma história com um apelo universal, os atores estão todos perfeitos, a direção é precisa (feita pela dinamarquesa Lone Scherfig, de Italiano para Principiantes), o roteiro é vivo, envolvente, bem humorado (do famoso Nick Hornby, de Alta Fidelidade). Logo nos créditos iniciais sente-se que é um filme especial, com um nível de inteligência acima da média. Não é que a história é super original, ou que há cenas fantásticas, grandes emoções... O filme é rico em seus detalhes. Cada cena é interessante, você quer ouvir cada fala de cada personagens, quer saber o que vai acontecer em seguida. Acho que esse texto da autora do livro define bem o tom do filme:

"O que eu ganhei com Simon? Uma educação - aquilo que meus pais sempre quiseram para mim... Eu aprendi sobre restaurantes caros, hotéis de luxo, viagens para o exterior, aprendi sobre antiguidades, filmes do Bergman e música clássica. Mas no fundo eu ganhei um prêmio bem maior que este. Minha experiência com Simon curou completamente minha ânsia por sofisticação. Quando cheguei em Oxford, eu não queria nada além de conhecer garotos gentis, decentes e corretos da minha própria idade, sem me importar se eles eram desajeitados ou virgens. Eu iria me casar com um deles eventualmente e permanecer casada por toda a minha vida e por isso, eu suponho, eu tenho que agradecer ao Simon."

Indicado a 3 Oscars: Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan) e Melhor Roteiro Adaptado.

An Education (ING/FRA, 2009, Lone Scherfig)

INDICADO PARA: Quem gostou de Notas Sobre um Escândalo, A Lula e a Baleia, Beleza Americana, etc. AMIGOS: Diego E, Givago, Leslie, Wellington, Manoela A, Márcio B, Márcio L, Mariana M, Marlene, Oghan, Rafa V, Viviane S.

NOTA: 7.5

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Idas e Vindas do Amor


Um filme tão desesperado em agradar a todos que acaba se tornando meio repulsivo. Ele tem no mínimo 20 estrelas no elenco, a cantora teen do momento, o astro teen do momento, os personagens usam o sapato do momento, falam no telefone do momento - e assim que acabar este momento, o filme estará morto. E na tentativa de ser democrático, o filme se torna desonesto, sem personalidade, algo extremamente planejado e artificial. Temos uma branca que se apaixona por um negro, um casal gay atraente, referências à cultura indiana... Imagino os produtores fazendo uma lista de assuntos pop que não podem ficar de fora.

O que mantém o pique do filme mesmo são os astros na tela (como Anne Hathaway é boa!), mas o roteiro é fraco e os diálogos são comuns. O filme conta a história de vários casais que passam por momentos decisivos no dia dos namorados. São várias historinhas que se cruzam, mas fiquei com a sensação de que nenhuma delas era particularmente especial. 10 histórias mais ou menos boas não se transformam num filme excelente, e sim num filme mais ou menos bom. Serve como um bom passatempo, mas não espere se envolver ou ter insights interessantes como em Ele Não Está Tão a Fim de Você.

Do mesmo diretor de Uma Linda Mulher. Mas se o poster fosse realmente honesto, ele diria "Do mesmo diretor de Noiva em Fuga".

Valentine's Day (EUA, 2010, Garry Marshall)

INDICADO PARA: Quem gostou de Simplesmente Amor, embora este seja um pouco mais fraco. AMIGOS: Carolina K, Felipe E, Henry, Kenzo, Oghan.

NOTA: 5.0

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Preciosa - Uma História de Esperança


Pequeno conto sobre a opressão, baseado num livro chamado Push (o filme também ia se chamar Push, mas resolveram mudar tudo pra que as pessoas não o confundissem com aquele filme de ação com a Dakota Fanning). O filme conta a história de uma menina de 16 anos (chamada ironicamente de Precious), analfabeta, negra e obesa, que além de tudo é mãe de 2 crianças que ela teve com o próprio pai, que abusava dela desde pequena e ainda com o consentimento da mãe! Apesar do tema não ser dos mais divertidos, o filme não é tão barra pesada assim quanto soa... Não é nenhum Dançando no Escuro. É uma história de esperança, às vezes até bem humorada. O que acaba sendo um dos problemas do filme - a falta de tom. O filme é cheio de sequências de sonho, onde Precious se imagina como uma cantora famosa ou uma atriz na estréia de um filme. Essas cenas deveriam servir pra nos comover, mostrando que mesmo nas condições mais desfavoráveis as pessoas ainda sonham e são otimistas. Mas como as cenas são feitas de maneira cômica, exagerada, o filme sai dos trilhos e parece mudar o foco de repente, tirando sarro da personagem principal, como se o tema da história fosse o sonho americano e seu lado negro.

Problemas de direção à parte, o roteiro também não é lá grandes coisas. É um filme pequeno, honesto, cujo maior mérito são as interpretações. Mo'Nique, a comediante que interpreta a mãe de Precious, é um dos personagens mais perturbados dos últimos tempos. Ela dá um show e deverá levar o Oscar de Atriz Coadjuvante. A principal, Gaborey Sidibe em seu primeiro papel no cinema, também está ótima apesar de muitas vezes não parecer estar interpretando. Mariah Carey segura bem, mas ainda não me convenceu que pode ser boa atriz. Suas cenas são muito editadas, vemos apenas tomadas curtas de seu rosto.

Tyler Perry e Oprah Winfrey aparecem como Produtores Executivos, mas na verdade eles só se associaram ao filme depois que ele já estava pronto, ajudando a financiar a divulgação.

Indicado a 6 Oscars: Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Edição, Atriz (Sidibe) e Atriz Coadjuvante (Mo'Nique).

Precious: Based on the Novel Push by Sapphire (EUA, 2009, Lee Daniels)

INDICADO PARA: Quem gostou de Terra de Sonhos, Monster - Desejo Assassino, etc. AMIGOS: Henry, Manoela A, Márcio L, Marlene, Oghan, Thiago P.

NOTA: 6.0

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Premonição 4


Não é tanto um quarto capítulo da série Premonição como uma quarta versão dessa trama que é sempre a mesma - adolescentes escapam de um acidente graças a uma premonição, mas depois são perseguidos pela "morte" um a um. Como os personagens são sempre novos, a série pode continuar pra sempre, basta os roteiristas continuarem bolando boas cenas de morte.

Geralmente, o melhor momento dos "Premonições" é a primeira tragédia que abre o filme. Aqui ela se passa numa corrida de carros, mas não chega a ser tão boa quanto a da rodovia de Premonição 2, por exemplo. A cena mais interessante do 4º se passa numa sala de cinema, que logicamente exibe um filme em 3D!

O maior "problema" da série acho que ainda é a falta de um vilão. A "morte" é só um conceito; e ninguém consegue ter medo de um conceito (é o mesmo problema de Fim dos Tempos, embora sejam filmes bem diferentes). Mas acho difícil falar mal de um filme de terror 3D com 80 minutos de duração. É tudo tão honesto... Premonição ainda tem uma vantagem, que é a de saber exatamente o que é e não se levar a sério. Se você estiver adaptando Dostoiévski para o cinema, muitas coisas podem dar errado. Mas se você vai ao cinema ver um slasher de 80 minutos em 3D, do que você pode reclamar? Tudo é lucro. Eu me diverti.

The Final Destination (EUA, 2009, David R. Ellis)

INDICADO PARA: Adolescentes, frequentadores de shopping.

NOTA: 5.5

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Fim da Escuridão


Thriller dirigido por Matin Campbell (Cassino Royale) sobre um policial que investiga a morte de sua filha, baleada numa emboscada aparentemente armada contra ele. O filme marca a volta de Mel Gibson às telas - apesar dele ter dirigido e produzido A Paixão de Cristo e Apocalypto, Gibson não protagonizava um filme desde Sinais, de 2002.

O filme é extremamente tradicional, mas sem parecer datado ou previsível. A maioria dos filmes comerciais está sempre tentando te roubar a atenção de uma forma barata. Escalam atores bonitos, mesmo que eles não sejam os melhores pro papel. Seguem tendências de todo tipo, como essa moda de fotografar tudo com câmera na mão... Elevam a violência a níveis grotescos, inserem músicas populares mas inapropriadas na trilha sonora... Precisam sempre estar "inovando" de alguma forma. Me dá sempre uma sensação de conforto ver um filme como este, que captura completamente a atenção do espectador apenas com os elementos fundamentais da narrativa, sem precisar apelar pra outras coisas. Pode não ser o filme do ano, mas é um filme sólido e que simplesmente funciona. Gostei também de Mel Gibson. Acho incrível como ele consegue preservar uma certa vulnerabilidade ao interpretar, mesmo após décadas de estrelato (outros como Bruce Willis, George Clooney e Tom Hanks já estão com aquela expressão dura dos canastrões).

Baseado numa premiada mini-série britânica de 1985.

Edge of Darkness (RU/EUA, 2010, Martin Campbell)

INDICADO PARA: Quem gostou de Busca Implacável com Liam Neeson. AMIGOS: Carolina K, Felipe E, Mariana M, Mázio, Oghan, Rafa V, Wellington.

NOTA: 7.0

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lasermania exibe Grey Gardens


A Lasermania reinicia agora em Fevereiro a série de eventos gratuitos abertos ao público com exibição de filmes de seu acervo. A próxima sessão será de Grey Gardens, vencedor do Globo de Ouro e do Emmy de Melhor Filme produzido para a TV. O filme estrela Drew Barrymore (que levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz na categoria) e Jessica Lange (que ficou com o Emmy). O filme mostra o escândalo que ocupou as manchetes dos jornais americanos na época, quando autoridades locais tentaram expulsar as ex-socialites Edith Bouvier Beale e sua filha Edie de uma mansão decadente, onde as duas viviam isoladas há mais de 20 anos, com alegação de falta de condições sanitárias. O detalhe é que elas eram a tia e a prima de Jacqueline Kennedy Onassis.

Estarei presente na sessão comentando o filme. Apareçam!

Dia: 9/02 (terça-feira)
Horário: 20h30 (duração do filme: 104 min)
LEGENDAS EM INGLÊS

Lasermania
Rua Pedroso Alvarenga, 1256 - Itaim Bibi (a meia quadra da Rua Iguatemi e da Nova Faria Lima)
(11) 3167 0196

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

OSCAR 2010 - Indicados


Ainda não vi muitos dos filmes indicados, então só vou comentar superficialmente minhas impressões sobre o 82º Oscar. Ah, e não vou ficar listando todos os indicados; quem quiser saber entra no IMDb.

Na categoria de MELHOR FILME, fiquei feliz por Avatar e Up - Altas Aventuras, meus 2 favoritos na disputa (e minhas 2 únicas notas 10.0 de 2009 até agora). Up é a 2ª animação indicada a Melhor Filme na história do Oscar (e a primeira animação CG). A outra foi A Bela e a Fera. As 9 indicações de Guerra ao Terror são um claro exagero, e tenho certeza de que parte dessa empolgação da Academia em relação ao filme se deve ao fato de Kathryn Bigelow ser ex-mulher de James Cameron, o verdadeiro assunto na casa. E também por ser mulher - nunca uma mulher foi premiada com o Oscar de Melhor Direção, e todo ano a Academia parece escolher um tabu pra quebrar. Já teve o ano dos negros, o ano dos gays, agora pode ser o ano das mulheres diretoras. Mas nesse caso acho que ela não ganha; o trabalho de Cameron em Avatar é tão assustadoramente mais complexo que seria uma vergonha premiá-la por questões políticas. Este ano o Oscar também fez as pazes com os filmes de ficção-científica; até agora nenhum filme do gênero havia sido indicado a Melhor Filme (Star Wars, E.T., LOTR são considerados fantasias), e este ano há 2 na disputa (Avatar e Distrito 9). Os maiores erros na minha opinião são as indicações de Bastardos Inglórios (que até merece as de fotografia e edição), e Distrito 9. Este eu realmente não entendo; Star Trek, 500 Dias com Ela, Julie & Julia, seriam todos escolhas superiores.

Em MELHOR DIREÇÃO, a disputa fica mesmo entre Cameron e Kathryn Bigelow, que já ganhou o Director's Guild Award e por isso tem fortes chances. Ela é apenas a 4ª mulher indicada nessa categoria em toda a história da premiação.

Nas categorias de ELENCO, não há grandes favoritos como de costume. A maior disputa está na categoria de Melhor Atriz, entre Sandra Bullock (que foi esnobada a carreira toda e recebe sua primeira indicação por The Blind Side) e Meryl Streep, que já foi indicada 16 vezes - 13 como atriz principal, quebrando o recorde de Katharine Hepburn com Julie & Julia.

OMISSÕES:

Como já disse, teria colocado Star Trek, 500 Dias com Ela ou Julie & Julia no lugar de alguns indicados a Melhor Filme.

As melhores atrizes do ano pra mim são Jessica Lange e Drew Barrymore, que infelizmente estão num filme feito pra TV e não puderam ser indicadas.

Cadê a indicação de Melhor Roteiro pra Avatar? As pessoas são burras e acham que só porque os diálogos do filme são meio cafonas, que o roteiro é ruim. Roteiro não é diálogo. O roteiro deste filme é um mundo inteiro. Lembra de quando saiu o trailer, que todo mundo ficou com um pé atrás? Se apesar disso ele se tornou a maior bilheteria de todos os tempos, é em grande parte graças ao roteiro.

Indicar Distrito 9 pra Efeitos Especiais e NÃO indicar 2012 é a maior prova de que a Academia é tendenciosa e não sabe muito bem o que está fazendo.

A canção de Avatar "I See You" também foi ignorada apesar de ser melhor que a de Nine ou as de A Princesa e o Sapo. Talvez porque uma balada romântica não seja tão apropriada pra um filme sobre aliens azuis de 3 metros, e também porque não tocou nas rádios e não virou hit.

This Is It não foi indicado a Melhor Documentário, apesar de ter sido o mais bem sucedido do ano além de um sucesso de crítica e um marco cultural.

Queria lembrar do que eu escrevi há 2 anos atrás no final da crítica de Onde os Fracos Não Têm Vez (vencedor do Oscar 2008):

"Em tempos de guerra a academia sempre premiou filmes de aparência mais "séria", mesmo que não fossem os mais populares: "Rosa de Esperança" em 43, "Farrapo Humano" em 45, "No Calor da Noite" em 68, "Perdidos na Noite" em 70, "Patton - Rebelde ou Herói" em 71, etc. Passada a crise, as coisas sempre voltaram ao normal."

Não sei quem de fato levará o prêmio este ano, mas só pelas indicações posso concluir que eu estava certo na minha previsão de que aquela fase "escura" do Oscar, indicando filmes pouco populares e com temática séria, era apenas uma fase. Agora com Obama no governo e a auto-estima recuperada, a cultura americana volta ao seu normal e começa a se reconciliar com o público.

A cerimônia acontece Domingo, dia 7 de Março a partir das 22h na TNT, com comentários do meu amigo Rubens Ewald Filho (que aliás faz aniversário no dia da transmissão!). See you at the Oscars...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nine


Adaptação para o cinema do musical da Broadway de mesmo título, que por sua vez foi inspirado pelo filme 8 1/2 de Federico Fellini - que não era musical. O título do filme de Fellini nada tinha a ver com a história. Ele se chamava 8 1/2 pois era o oitavo filme e meio de Fellini (!). Até então ele havia dirigido sozinho 6 longas, co-dirigido outro (1/2), e dirigido 2 curta-metragens (que na cabeça do diretor equivalia a 1 longa), somando 7 1/2 no total. Não espere muito mais sentido no título do musical.

O filme tem um elenco absurdo (Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren e Fergie), é dirigido pelo caprichoso Rob Marshall (de Chicago e Memórias de uma Gueixa), e foi indicado a 5 Globos de Ouro incluindo o de Melhor Filme.

No entanto, foi um fracasso de crítica e de bilheteria. Não é o novo Chicago. Pra começar, a história é meio abstrata e pesada demais. Gira em torno de um cineasta em crise - não só no trabalho como em sua vida pessoal. Acho que fica difícil achar um momento apropriado pra explodir numa canção dentro de uma história como essa. Gene Kelly falava que a melhor justificativa pra se entrar numa canção é a simples expressão de alegria e paixão pela vida. Não existe muito disso aqui. Outra coisa que irrita é que a gente tem que aceitar que todas as mulheres amam Guido Contini, que Guido Contini é um gênio, que Guido Contini é tudo, mas o filme apenas nos diz isso, não mostra, não justifica. Julgando apenas pelas atitudes que eu vi no filme, Guido Contini é um homem confuso, triste, infiel, arrogante, e não o deus que tentam nos vender. Nine daria um bom drama, mas não é exatamente material pra Broadway.

Outro problema fatal: canções fracas. Apenas "Be Italian" se destaca. E a música nova "Cinema Italiano" talvez. Algumas chegam a ser constrangedoras, e isso mata qualquer musical. Num musical, é preferível ter canções excelentes e um roteiro medíocre do que o contrário.

Só com isso, já entendo por que o filme não decolou. Apesar do show de fotografia e direção de arte, fica uma sensação de vazio, de que o filme não aconteceu, de que é desnecessário.

Ainda assim, é agradável por causa do visual e dos famosos. Mas são méritos mais superficiais. Se você tiver 8 astros na tela, até propaganda eleitoral deve ficar relativamente interessante.

Nine (EUA/ITA, 2009, Rob Marshall)

INDICADO PARA: Fãs de Broadway e de produções luxuosas.

NOTA: 6.0