terça-feira, 30 de agosto de 2011

Onde Está a Felicidade?


Comédia romântica com clima de autoajuda sobre uma mulher que é traída pelo marido (ele brinca com outra pela webcam mas não chega ao ato físico) e resolve que tem que fazer o Caminho de Santiago de Compostela pra se recuperar e mudar de vida.

É um filme de viagem como se fosse um Comer, Rezar, Amar brasileiro só que mais cômico e menos pretensioso. O filme não é grande coisa nem traz mensagens muito profundas, mas admiro Bruna Lombardi que além de bonita e boa atriz é uma roteirista interessante (já tinha gostado de O Signo da Cidade, que ela também escreveu, estrelou e o marido Carlos Riccelli dirigiu).

Não gosto muito dessas comédias sobre as diferenças dos sexos (tipo Cilada.com) que querem dizer que homens e mulheres pensam de forma diferente e que a mulher tem que aceitar que o homem é desonesto, trai, mas mesmo assim gosta dela, e essa é a vida, etc. E pra mim a personagem da Bruna é tão confusa e supersticiosa quanto a Julia Roberts no Comer, Rezar, Amar - a diferença é que aqui o filme é cômico e apenas mostra uma mulher independente tentando encontrar a felicidade e se divertindo no processo; não está tentando nos dizer que ela é uma mestra da sabedoria e nem que devemos seguir o seu exemplo.

(BRA / 2011 / 110 min / Carlos Alberto Riccelli)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Comer, Rezar, Amar, Sob o Sol da Toscana, etc.

NOTA: 6.0

Amor a Toda Prova


Steve Carrell faz um típico pai de família (mas meio loser e que não sabe se vestir) com uma vida estável quando sua esposa de mais de 20 anos (Julianne Moore) pede o divórcio e conta que traiu ele com um amigo do trabalho (Kevin Bacon). Arrasado, ele começa a sair toda noite pra encher a cara num bar, onde eventualmente conhece Ryan Gosling, um conquistador do tipo Hitch que se oferece para ensiná-lo a seduzir mulheres.

Paralelamente, há outras histórias de desencontros amorosos - o filho pré-adolescente de Carrell apaixonado pela babá 4 anos mais velha, o próprio Ryan Gosling, que apesar de não acreditar no amor acaba se apaixonando por Emma Stone, etc. Ou seja, é uma dessas comédias românticas com tramas paralelas que vão se costurando até o final.

Acima da média, com personagens verdadeiros, ótimo elenco... A parte cômica funciona bem (Marisa Tomei faz uma participação hilária como uma mulher insegura com quem Carrell tem um caso). A parte romântica já não me agrada tanto. O filme tenta passar uma mensagem positiva do amor, acredita no casamento, diz que devemos lutar por nossas almas gêmeas, etc, só que no fundo isso soa falso, um otimismo meio amargo, pois baseado no que o filme mostra de fato - pelos casais que vemos na tela - a gente fica com a impressão de que o conceito de amor aqui não é tão colorido assim. Nesse ponto o filme só deve agradar mesmo quem tiver expectativas mais modestas, uma visão mais "conformista" dos relacionamentos. Se você está solteiro, não é o tipo de filme que faz você achar que está perdendo muita coisa. Mas o público em geral deve sair satisfeito.

Crazy, Stupid, Love. (EUA / 2011 / 118 min / Glenn Ficarra, John Requa)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Idas e Vindas do Amor; Comer, Rezar, Amar; Sem Reservas; Simplesmente Amor; etc.

NOTA: 6.5

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Planeta dos Macacos: A Origem


Não, não é um mash-up de Planeta dos Macacos com A Origem e sim uma "prequel" da história já conhecida sobre macacos dominando o mundo, revelando como tudo começou. A história foi bastante modificada mas o IMDb ainda considera o filme um remake de A Conquista do Planeta dos Macacos, que foi o 4º da série original. Até onde sei, o macaco César no original era vindo do futuro, e liderava uma revolta contra os humanos após ver os maus tratos a que eram submetidos seus ancestrais primatas. Aqui, César (interpretado digitalmente por Andy Serkis, que fez o Gollum em O Senhor dos Anéis) é filho de macacos de laboratório, que eram usados em experimentos genéticos na busca da cura pro mal de Alzheimer. O cientista Will Rodman (James Franco) leva o macaquinho bebê pra casa pra evitar que ele seja sacrificado no laboratório, mas resolve criar o animal em segredo quando percebe que ele tem uma inteligência fora do comum, mostrando um novo potencial pra droga que desenvolveu. Todo mundo sabe que mais tarde quando o bicho crescer as coisas vão sair do controle, e o filme consegue um ótimo suspense adiando esse momento o máximo possível.

Eu teria gostado mais se fosse um filme-catástrofe sobre macacos atacando a humanidade, mas a história toma um tom meio político; o macaco César adquire uma expressão de injustiçado-orgulhoso à la Sidney Poitier, e a revolta fica parecendo mais O Encouraçado Potemkin; uma luta contra o "sistema" onde nós estamos do lado dos macacos e os principais vilões são os cientistas ou algo de "errado" na natureza humana.

(SPOILER!) Também reclamo que o momento "Tire suas patas sujas de mim, seu macaco imundo!" foi mal aproveitado e poderia ter sido a grande cena do filme se tivesse acontecido no laboratório, na frente de todos os investidores e cientistas céticos.

Mesmo assim é um filme bem mais inteligente e bem feito que a média das superproduções. História envolvente, boa direção, ótimos efeitos (da equipe de Avatar), e várias referências divertidas aos outros filmes da série, incluindo uma macaca chamada "Cornilla" (mistura de Cornelius e Zira) e uma aparição de Charlton Heston na TV, numa cena de Agonia e Êxtase.

Rise of the Planet of the Apes (EUA / 2011 / 105 min / Rupert Wyatt)

INDICAÇÃO: Quem gostou do Planeta dos Macacos do Tim Burton, Avatar, Eu Sou a Lenda, Do Fundo do Mar...

NOTA: 7.0

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Professora Sem Classe


Cameron Diaz leva um fora de seu noivo rico e nerd (que percebe que ela não estava com ele por amor) e tem que voltar a trabalhar como professora de primário pra se sustentar - profissão que ela também não escolheu por amor ou vocação mas porque as férias são longas (o método de ensino dela se resume a passar filmes pros alunos enquanto bebe whisky atrás da escrivaninha).

Lá ela conhece Justin Timberlake (que faz um professor substituto ainda mais nerd e ainda mais rico que o seu ex) e começa a juntar dinheiro para conquistá-lo (a cirurgia para aumentar os seios, logicamente), correndo o risco de perdê-lo para sua rival, a professora "certinha" da sala ao lado.

Achei o filme divertidíssimo, criativo, bem escrito, com ótimas performances... Uma das melhores comédias que vi esse ano - claro, pra quem gosta de humor negro, subversivo. De qualquer forma, acho que o filme fala de conflitos universais e tem história o bastante pra pelo menos manter a curiosidade de quem não estiver na mesma sintonia das piadas.

Bad Teacher (EUA / 2011 / 92 min / Jake Kasdan)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Quase Irmãos, As Loucuras de Dick e Jane.

NOTA: 7.5

sábado, 20 de agosto de 2011

Lanterna Verde


Estão acabando os heróis pra adaptarem pro cinema então começam a aparecer essas coisas que a gente nunca ouviu falar (ainda aguardo o filme do The Flash e o do Chapolin!). O filme é fraquinho em todos os aspectos; o herói, o vilão, a história é muito confusa e poluída pra quem não conhece os quadrinhos, etc. Mesmo o ator Ryan Reynolds é uma escolha questionável pro papel (o Rubens Ewald acha que os "olhos juntos" não transmitem inteligência, rsss). Mas o que chama atenção aqui mesmo é a péssima qualidade das ideias do filme. O pessoal por trás da produção parece não ter nenhuma noção do que é uma ideia interessante, de como criar "produtos" atraentes pro público (claro que estavam limitados pelo material do gibi).

Esse é um aspecto secundários dos filmes que eu nunca tive que colocar em palavras antes, mas que é um elemento fundamental nesse tipo de entretenimento.

Por que certas ideias ou objetos são mais atraentes que outras? Por que o nome "Superman" é mais interessante pra um super-herói do que o nome "Lanterna Verde"? Por que o anel desse filme não é uma arma tão legal quanto um "sabre de luz", por exemplo? Por que o monstro desse filme (um "polvo cósmico" do tamanho de uma cidade com cara de demônio) não é em nada interessante ou assustador? Pense nas cenas clássicas do cinema... Por que é melhor um garoto voar numa bicicleta em vez de simplesmente sair voando sem nada? Por que é melhor um casal apaixonado se beijar na proa de um navio do que na popa ou num corredor lateral? Claro que a base de um bom filme é o roteiro, os personagens, etc, mas essa capacidade de inserir cenas inesquecíveis, ideias atraentes, imagens memoráveis numa história me parece ser o fator "X" que todo grande entretenimento tem - e que esse filme ignora espetacularmente.

Green Lantern (EUA / 2011 / 114 min / Martin Campbell)

INDICAÇÃO: Quem gostou de O Besouro Verde, Homem de Ferro, Hellboy, etc.

NOTA: 4.0

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Árvore da Vida


Vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes, é mais um filme-meditação de Terrence Malick (Além da Linha Vermelha), e foca na vida de uma família do Texas nos anos 50, ao mesmo tempo em que salta para o início do universo, mostrando a evolução da vida na Terra (tem até dinossauros no filme!), longas sequências de imagens da natureza (ondas, cachoeiras, florestas, cavernas, etc), planetas, galáxias, citações religiosas e alguns toques de surrealismo. É um filme extremamente abstrato, longo, sem história, com muita música, feito pra gente ficar contemplando a existência, o universo e os relacionamentos familiares. Apesar de alguns trechos narrativos, não deixa de ser um caso parcial de Desintegração.

O vilão invisível aqui é o industrialismo, o homem moderno, a razão (o filme tem pouquíssimos diálogos, então pelo que é dito, fica muito fácil perceber essa intenção). Nas entrelinhas, o filme está dizendo que perdemos nossa conexão com a natureza, com o cosmos, e que nos tornamos seres alienados em ternos, subindo e descendo de prédios que parecem tão extraterrestres quanto as imagens do espaço. É uma súplica para voltarmos à um nível pré-humano de existência. Abandonarmos a ilusão da realidade e voltarmos a um nível puramente sensorial, apenas "existindo" e "sentindo", amando e perdoando a todos sem julgar nem avaliar nada, num universo misterioso onde existem apenas 2 alternativas: a natureza ou a "graça", como eles dizem...

Observe como o filme rejeita a ideia de que o homem é capaz de pensar e lidar com a realidade (como o pai parece um tolo com suas patentes e normas rígidas), e como uma atenção enorme é dada a coisas puramente sensoriais - veias, células, enfatizando o físico; inúmeras cenas de pessoas acariciando a grama, closes sempre que alguém passa a mão em qualquer coisa, como se isso fosse um ato profundo. Pelo visto o jeito de "retornarmos" à natureza é literalmente entrando em contato físico com ela, rolando na lama, etc...

Ou seja, é um filme para poucos (certamente não é meu estilo); contei pelo menos umas 10 pessoas saindo da sala durante a sessão. Só não achei uma chatice completa porque as imagens da natureza são realmente bonitas e há um ou outro momento dramático entre os irmãos e o pai. Mas não chega nem perto da reflexão de um 2001: Uma Odisséia no Espaço, que é a comparação inevitável.

The Tree of Life (EUA / 2011 / 139 min / Terrence Malick)

INDICAÇÃO: Quem gostou de O Novo Mundo, A Fonte da Vida, Além da Linha Vermelha, Solaris, etc.

NOTA: 4.0

sábado, 13 de agosto de 2011

Super 8


Produzido por Spielberg e dirigido por J. J. Abrams (criador de Lost), o filme é uma aventura nostálgica que no fim é uma grande homenagem à carreira de Spielberg, reunindo elementos de E.T., Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Jurassic Park e Os Goonies (que Steven produziu) tudo num enredo só. A história se passa no final dos anos 70 e mostra um grupo de garotos que, enquanto gravam um curta-metragem pra uma competição, testemunham um terrível desastre de trem. Acontece que o trem não carregava uma carga comum, e algo misterioso escapa dali que vai gerar caos na cidadezinha que eles moram.

Adoro a intenção do filme, muito mais do que do resultado em si. O filme funciona muito bem até o desastre de trem, mas a partir daí a história parece também descarrilar e eu, como espectador, não sabia mais o que desejava ver na tela. Abrams conseguiu imitar vários aspectos dos filmes do Spielberg (que estava no set e deve ter palpitado na direção), mas não mostra o mesmo talento como contador de histórias (Spielberg sempre colocou o roteiro em primeiro lugar e sempre soube onde estava o interesse da plateia).

A produção é espetacular e várias coisas lembram de fato os filmes de Spielberg (detalhes, cenas, fotografia, movimentos de câmera, direção de atores, etc). Mas o resultado final não é em nada como E.T. ou Contatos Imediatos. É no fundo um frankenstein; pedaços físicos desses filmes costurados juntos, mas sem uma alma pra ganhar vida. Ainda assim, é um filme bem produzido, elegante, que celebra um jeito de contar histórias que hoje em dia quase não existe mais.

Super 8 (EUA / 2011 / 112 min / J. J. Abrams)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Cloverfield, Guerra dos Mundos, Conta Comigo.

NOTA: 7.0

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Film Socialisme


O mais novo do lendário Jean-Luc Godard, que disse que este é seu último filme. Mas pra começar, é preciso dizer que isso não é um filme. Está mais pra um anti-filme; uma tentativa de acabar com a comunicação e com aquilo que conhecemos como cinema. É o exemplo definitivo de Desintegração (leia esse texto, que serve como uma crítica ao filme todo).

Outro dia li algo sobre um compositor moderno que lançou uma música de 4 minutos de puro silêncio (nada mesmo - e ainda colocou à venda no iTunes!). A atitude deste filme é a mesma. É uma montagem absurda de cenas fragmentadas, pessoas desconhecidas soltando frases vagas sobre socialismo, guerra, judeus, Palestina, existencialismo e outros temas que soam importantes mas que nunca são desenvolvidos - e tudo editado aleatoriamente, filmado com vários tipos de câmera de vídeo, com várias estéticas diferentes, rejeitando qualquer tipo de ordem e sentido.

O filme é um ataque à comunicação em vários níveis - às vezes eu não sabia nem se o DVD estava riscado ou se os pulos na imagem eram propositais. E quando o som começou a falhar do lado esquerdo da sala, eu não sabia se isso era do filme ou se meu home-theater estava quebrado. Ainda não sei - e não faria diferença. O próprio Godard admitiu a inutilidade de seu filme e postou na internet uma versão em fast forward, resumindo tudo em 4 minutos.

Mas se você quiser ver um resumo muito melhor do que representa esse filme, recomendo esse sketch do Monty Python:


O crítico americano Roger Ebert disse que não entendeu o que Godard dizia a respeito do socialismo aqui. Mas veja a frase que abre o filme: "Dinheiro é um bem público, assim como a água". Que tipo de pessoa teria interesse em acreditar numa ideia como essa? De anular o valor do dinheiro (que representa a produtividade do indivíduo)? Quem se beneficiaria disso e quem sairia perdendo? Obviamente, quem sairia ganhando seriam as pessoas que não conseguem dinheiro por merecimento próprio. E por que isso tem tudo a ver com a tentativa de Godard de invalidar a comunicação e, por consequência, o valor de um filme de verdade? Tire suas próprias conclusões.

Film Socialisme (SUI, FRA / 2010 / 101 min / Jean-Luc Godard)

INDICAÇÃO: X

NOTA: 0.0

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quero Matar Meu Chefe


Parece um subproduto de Se Beber, Não Case (no sentido de que são 3 homens adultos irresponsáveis se metendo em confusões). A proposta é parecida mas a história é totalmente distinta: aqui são 3 amigos, cada um num emprego diferente, que são explorados por seus chefes até que decidem armar um plano para matá-los (a sinopse remete a Como Eliminar Seu Chefe com Dolly Parton e Jane Fonda).

O ponto fraco do filme é que essa história não é muito convincente. A premissa é um pouco forçada; por mais injustos que sejam os chefes, por mais ingênuos que sejam os protagonistas, o plano de assassiná-los de fato não soa nem um pouco provável. Não acreditei que aquelas pessoas, naquela situação, iriam fazer aquelas coisas. A trama se torna meio falsa e desinteressante (se fossem os Três Patetas, personagens realmente insanos e caricatos, a situação estaria explicada, mas não se trata desse tipo de comédia).

Mas aos poucos o filme vai melhorando, o humor funciona sem grosserias (sem grosserias visuais, pois há muitos palavrões e a boca mais suja é a da Jennifer Aniston), os personagens são divertidos e há várias participações especiais, como Colin Farrell, Donald Sutherland e Jamie Foxx. É menos original e extremo que Se Beber, Não Case, mas confesso que achei mais agradável.

Horrible Bosses (EUA / 2011 / 98 min / Seth Gordon)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Se Beber, Não Case, Superbad - É Hoje, etc.

NOTA: 6.5

sábado, 6 de agosto de 2011

Os Smurfs


A campanha de marketing desse filme foi tão exaustiva ("Dia do Smurf" não sei onde, uma cidadezinha inteira pintada de azul na Europa, chapeuzinhos especiais nos funcionários do McDonald's...) que começou a gerar certa desconfiança: se o filme fosse de fato um bom entretenimento, teria sido necessário implorar tanto pras pessoas irem assistir?

O diretor Raja Gosnell tem a pior filmografia entre todos os diretores que eu conheço: Esqueceram de Mim 3, Nunca Fui Beijada, Scooby-Doo (1 e 2), Vovó... Zona, Beverly Hills Chiuaua, entre outros. Como é possível, nessa era de YouTube e de talentos incríveis aparecendo no mundo todo, alguém como Raja Gosnell ainda ser contratado pra dirigir uma produção de 100 milhões de dólares? Dos 100 milhões, acho que só uns 10 sobraram pra fazer o filme, considerando a campanha de marketing - os Smurfs são efeitos pobres e sem vida e a produção é de segunda linha, lembrando programas infantis da TV brasileira dos anos 80.

A história é nula - os Smurfs vivem uma vida sem graça numa espécie de vilarejo semi comunista quando, perseguidos pelo vilão Gargamel, vão parar acidentalmente em Manhattan (como isso acontece está além do meu poder de compreensão). Lá eles invadem o apartamento de um publicitário e sua esposa e atrapalham a vida dos dois. Boa parte da trama são os Smurfs fugindo de Gargamel e tentando conseguir um telescópio, que por algum motivo os ajudará a voltar pro vilarejo semi comunista. E há uma trama paralela, onde os Smurfs quase fazem o publicitário perder o emprego (o desfecho dessa história levanta sérias questões quanto ao caráter do homem).

Já sabia que o filme seria ruim então fui ver dublado e 2D mesmo, às vezes prefiro ver um filme horrível do que um filme fraco apenas. 

The Smurfs (EUA / 2011 / 103 min / Raja Gosnell)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Os Pinguins do Papai, Alvin e os Esquilos, etc.

NOTA: 3.5

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Melancolia


O filme é dividido em duas partes - "Justine" e "Claire" - e se passa numa mansão no campo onde 2 irmãs (que nomeiam os capítulos) reagem de maneira diferente à notícia de que um enorme planeta chamado Melancolia está cruzando o sistema solar e poderá se chocar contra a Terra. A proposta do filme é clara: reproduzir, através de símbolos e metáforas, o sentimento de depressão - a sensação de que a vida não faz sentido e de que tudo não passa de uma espera vazia pela morte (dá pra imaginar sinopse mais comercial?? Rss).

Lars von Trier é um dos meus cineastas favoritos em atividade - sempre original, filosófico, chocante, extremo; o pessimismo dele não me incomoda, pois em parte é uma farsa. A integridade artística, a ambição dos temas, o interesse em discutir valores, o desejo de chocar, de surpreender constantemente, de ser pioneiro, de transformar o sofrimento num verdadeiro espetáculo - nada disso é o produto de um artista realmente deprimido; nada feito com tanta energia assim. É desse conflito que nascem os filmes de Trier (podemos dizer que ele tem tanto Justine quanto Claire dentro de si, e algumas coisas mais). O resultado é um retrato romantizado e estimulante da melancolia.

Gostei do filme, embora não seja tão "divertido" quanto Anticristo, Dançando no Escuro, etc - até porque o estado de melancolia que o filme pretende retratar pede um filme com menos dinâmica: ele tem menos ritmo, não há conflitos tão extremos, reviravoltas, cenas chocantes, que são algumas das marcas do diretor. Ainda assim, é uma representação completamente original do apocalipse (tem elementos de Festa de Família de Vinterberg e influência de Tarkovsky), cheia de imagens inesquecíveis, boas performances (é o que mais gostei de Kirsten Dunst) e há psicologia e mistério o bastante pra manter o interesse e render uma boa discussão depois do filme.

Pra quem já viu, algumas coisas que fiquei me perguntando (SPOILERS!!!):

- Justine tem capacidades extra-sensoriais? Veja como ela percebe a nova estrela no céu antes de todos, como adivinha o número exato de grãos no pote, além da cena sugestiva dos raios saindo de seus dedos.

- Será que Justine sempre foi depressiva, ou será que no momento em que ela nota a estrela vermelha no céu, logo no começo do filme, ela já antecipa o que irá acontecer e começa a perder a vontade de viver?

- Quem está melancólico não consegue "atravessar a ponte"? Justine já não consegue atravessar desde o começo quando ninguém ainda sabe do planeta (mas talvez ela já). Claire consegue, mas não no final, quando a morte vira uma realidade concreta e o Melancolia está próximo demais pra ser ignorado.

E a intriga:

- O filme faz questão de pontuar que num campo de golfe só há 18 buracos; então porque vemos um 19º buraco no começo e no fim do filme?

Melancholia (DIN, SUE, FRA, ALE / 2011 / 136 min / Lars von Trier)

INDICAÇÃO: Quem gostou de qualquer coisa de Lars von Trier.

NOTA: 7.5