terça-feira, 31 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Veja a versão em vídeo da crítica no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=NIb-KkQKa2A

Terceiro e último filme da série Batman de Christopher Nolan, o filme se passa 8 anos depois do segundo episódio, onde Batman foi responsabilizado pelos crimes de Harvey Dent. Recluso em sua mansão desde então, Bruce Wayne (Christian Bale) resolve voltar à ativa quando surge um novo vilão - o troglodita Bane, que tentará instalar a anarquia em Gotham, só para depois destruí-la numa explosão nuclear. Na aventura, Batman será ajudado pela misteriosa ladra Selina Kyle - a Mulher Gato (Anne Hathaway).

Pensei que fosse me incomodar com o tom negativo e pretensioso da série, mas esse episódio me pareceu menos sádico que o último. Embora o filme ainda foque no mal - nas fraquezas do herói e nos aspectos negativos da história, aproveitei a produção como um grande espetáculo cheio de imagens grandiosas e bons atores.

Minha principal crítica (e não se trata de um detalhe, mas algo que envolve o filme como um todo) é uma crítica à mentalidade confusa e fragmentada de Nolan (que além de dirigir o filme, escreveu o roteiro com seu irmão Jonathan). Ele falha naquilo que pra mim é um pré-requisito fundamental de qualquer filme: que ele seja inteligível. Do conto infantil mais simples até as obras mais complexas da literatura, é preciso entender racionalmente os eventos de uma história pra que se possa tirar qualquer significado ou emoção verdadeira dela. Clareza é uma qualidade estética essencial.


(SPOILERS) No filme, desde a sequência de ação inicial no avião, passando pela fuga de Wayne da prisão, pela revelação da identidade de Miranda, até o desfecho ambíguo da história, Nolan se demonstra um charlatão como contador de história, garantindo que a gente nunca saiba claramente o que está acontecendo e por que as coisas tiveram que ser assim - e é desse jogo de espelhos que ele pretende tirar o seu prestígio. Ele não quer que a gente entenda nada - apenas aumenta o som dos trombones e espera que não façamos perguntas. Ele quer apenas que a gente tenha sensações - a sensação de que o herói realizou um grande feito (sem explicar os detalhes que tornariam grande tal feito), a sensação de que o roteiro teve uma reviravolta genial (sem estabelecer os fatos que validariam essa surpresa). Pra completar o processo de desorientação, Nolan usa o seu grande truque: o final ambíguo, misterioso, que deixa questões importantes no ar. Ele parece acreditar que ambiguidade é sinônimo de inteligência. E assim, confuso e deslumbrado, o espectador sai da sala com a sensação de ter visto uma grande obra-prima, mas sem saber explicar exatamente o porque.

The Dark Knight Rises (EUA, Reino Unido / 2012 / 164 min / Christopher Nolan)

INDICAÇÃO: Quem gostou dos outros da série, de Homem de Ferro 1 e 2, Tropa de Elite 1 e 2, A Origem, etc.

NOTA: 5.0

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