quinta-feira, 31 de maio de 2012

Os melhores filmes para a família

Uma seleção de filmes clássicos e contemporâneos para crianças, adolescentes e pra toda a família (muitos aqui são pra crianças acima dos 7, 8 anos, por exigirem maior concentração na história).

Em Busca do Ouro (The Gold Rush, 1925)

O filme mais criticamente aclamado de Charlie Chaplin, a história mostra o vagabundo como um explorador de ouro no século 19. Contém a famosa cena onde Chaplin, faminto, janta uma bota.






O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939)

Clássico imortal de Victor Fleming sobre a garota Dorothy e seu cão Toto que, durante a passagem de um tornado, são transportados pra terra encantada de Oz. Inclui a canção "Over the Rainbow" e algumas das frases e personagens mais celebrados do cinema.





Agora Seremos Felizes (Meet Me in St. Louis, 1944)

Algumas das melhores canções de Judy Garland estão nesse musical alegre e nostálgico dirigido por Vicente Minnelli (com quem Judy iria se casar) sobre uma família de St. Louis na virada do século. Se tornou o maior sucesso da MGM na época, atrás apenas de E o Vento Levou.




A Felicidade Não Se Compra (It's a Wonderful Life, 1946)

Dirigido por Frank Capra, esse clássico popular e sentimental conta a história de um homem comum à beira do suicídio que é salvo por um anjo e irá descobrir o valor de sua vida.






Meu Melhor Companheiro (Old Yeller, 1957)

Filme da Disney que já partiu o coração de milhões de pessoas e fala sobre o amor de um garoto por seu cão.






Mary Poppins (1964)

Sucesso musical da Disney que combina filme com animação e deu o Oscar de Melhor Atriz pra Julie Andrews, em sua estréia no cinema, como a babá excêntrica e com poderes mágicos que desce das nuvens em seu guarda-chuva pra transformar a rotina de uma família londrina.




A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965)

Adaptação do musical da Broadway de Rodgers e Hammerstein, o filme conta a história real de Maria von Trapp, a noviça inquieta que é enviada pra ser governanta de 7 crianças numa mansão austríaca durante a ocupação nazista. Venceu 5 Oscars incluindo Melhor Filme e substituiu E o Vento Levou como a maior bilheteria de todos os tempos. A trilha sonora é composta de clássicos como "The Sound of Music", "Edelweiss", "My Favorite Things", "Do-Re-Mi", "Sixteen Going on Seventeen" e "Climb Ev'ry Mountain".


Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977) e suas 2 sequências (1980, 1983)

Primeiro episódio da saga criada por George Lucas. A aventura de ficção-científica mostra Luke Skywalker e seus amigos numa batalha épica contra as forças do mal, na missão de salvar a princesa Leia das mãos de Darth Vader. O filme foi uma revolução nos efeitos especiais, quebrou vários recordes e iniciou um culto que continua ganhando forças até hoje.



Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977)

Aventura mágica de Steven Spielberg que, ao contrário dos filmes do gênero anteriores a ele, faz um retrato benevolente e otimista dos extraterrestres. A história mostra um pai de família que vê luzes misteriosas no céu e passa a ficar obcecado com um misterioso formato de cone que ele enxerga em todos os cantos. Foi indicado a 8 Oscars.



Superman - O Filme (Superman, 1978)

Dirigido por Richard Donner, foi a primeira grande adaptação de uma história em quadrinhos e abriu portas para o gênero que domina os cinemas hoje. Com Christopher Reeve, Margot Kidder, Marlon Brando e Gene Hackman.





Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981) e as sequências (1984, 1989, 2008)

Criado por George Lucas e dirigido por Steven Spielberg, o filme  apresenta Harrison Ford como Indiana Jones, o professor e arqueólogo aventureiro em busca de tesouros sobrenaturais. A aventura de ação non-stop foi inspirada nos seriados cinematográficos dos anos 30 e 40 e deu origem a uma das séries mais bem sucedidas do cinema.



E.T. - O Extraterrestre (E.T.: The Extra-Terrestrial, 1982)

Henry Thomas e Drew Barrymore estrelam o clássico de Spielberg sobre o alien bondoso e com poderes mágicos que é deixado pra trás na Terra e precisa voltar pra sua casa. Foi um fenômeno cultural no início dos anos 80 e teve 9 indicações ao Oscars. Contém a imagem icônica da bicicleta voando em frente à lua, além da trilha sonora poderosa de John Williams (pessoalmente, é o meu filme favorito).



Poltergeist - O Fenômeno (Poltergeist, 1982)

Pra ser "família" um filme não precisa necessariamente ser leve e inofensivo. Essa história de fantasmas dirigida por Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica) pode ser um pouco forte pra crianças menores, mas é um entretenimento de primeira que trás o medo pra dentro de casa, transformando coisas familiares (como uma TV, um guarda-roupa, um boneco, uma árvore) em objetos aterrorizantes.



Férias Frustradas (Vacation, 1983) e a parte 3 (1989)

Escrito por John Hughes, a comédia mostra a viagem da família Griswold ao parque temático Walley World na Califórnia. Apesar de ficar do outro lado do país, o pai Clark Griswold (Chevy Chase) insiste em ir de carro pra passar mais tempo com a família, resultando numa série de tragédias - inclusive o fato do parque estar fechado para reformas. A parte 3, Férias Frustradas de Natal, também vale a pena.



Uma História de Natal (A Christmas Story, 1983)

Clássico natalino dirigido por Bob Clark sobre o garoto Ralph que sonha em ganhar uma espingarda de chumbinho de presente, mas seus pais vivem negando e dizendo que ele irá "atirar no próprio olho". Frequentemente votado nos EUA como o melhor filme de Natal.



 A História Sem Fim (The NeverEnding Story, 1984)

Fantasia épica baseada no livro de Michael Ende e dirigida por Wolfgang Petersen (Das Boot). Bastian é um garoto quieto que sofre bullying na escola até que recebe um livro misterioso de um vendedor. Ao ler o livro, realidade e ficção começam a se misturar, e Bastian embarca numa jornada pelo mundo de "Fantasia".





De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985) e as sequências (1989, 1990)

Aventura engenhosa de viagem no tempo sobre o garoto Marty McFly que volta acidentalmente pra 1955 na máquina do tempo inventada pelo seu amigo (e cientista maluco) Dr. Brown, e acaba atrapalhando o primeiro encontro de seus pais, ameaçando sua própria existência. Considerado um dos melhores filmes adolescentes dos anos 80, foi indicado a 4 Oscars e deu origem a uma das trilogias mais populares do cinema.



Os Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 1986)

Comédia sobrenatural estrelada por Bill Murray, Dan Aykroyd e Sigourney Weaver, sobre 3 estudantes de parapsicologia frustrados que resolvem abrir uma empresa especializada em casos de aparições de fantasmas. Eleita a 28ª melhor comédia americana pelo AFI.





Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986)

Escrito e dirigido por John Hughes (o mestre dos filmes adolescentes dos anos 80), a comédia acompanha Ferris (Matthew Broderick), seu melhor amigo e sua namorada, que resolvem matar aula pra passar o dia se divertindo em Chicago.






Corra que a Polícia Vem Aí (The Naked Gun: From the Files of Police Squad!, 1988) e as sequências (1991, 1994)

Baseado na série de TV Police Squad!, a comédia mostra as aventuras do personagem criado por Leslie Nielsen, o policial atrapalhado Frank Drebin, que precisa impedir o assassinato da Rainha Elizabeth II durante um jogo de baseball. Dos mesmos criadores de Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!.



Querida, Encolhi as Crianças (1989) e a parte 2 (1992)

Comédia lançada pela Disney sobre um inventor (Rick Moranis) que acidentalmente encolhe os seus filhos (e os do vizinho) para um tamanho de apenas alguns milímetros e os joga no quintal de casa junto com o lixo.





Esqueceram de Mim (1990) e a parte 2 (1992)

Escrito e produzido por John Hughes e dirigido por Chris Columbus (dos primeiros Harry Potter) a comédia é estrelada por Macaulay Culkin como Kevin McCallister, um garoto de 8 anos que é esquecido por sua família (que vai passar o Natal na França) e é perseguido por 2 ladrões que querem assaltar sua casa. Foi o maior sucesso de 1990 e tornou Culkin o herói de uma geração.



Hook - A Volta do Capitão Gancho (Hook, 1991)

Fantasia de Steven Spielberg que serve como uma sequência pras aventuras originais de Peter Pan, mostrando o que aconteceria se Peter ficasse adulto e esquecesse de sua infância. Recebido com certo cinismo pela crítica (que queria ver Spielberg "amadurecer") o filme foi sucesso de público mesmo assim e recebeu 5 indicações ao Oscar.



Mudança de Hábito (Sister Act, 1992) e a parte 2 (1993)

Comédia sobre a cantora de cassino Deloris van Cartier que testemunha um assassinato e é escondida pela polícia dentro de um convento, pra protegê-la dos criminosos. Disfarçada de freira, Deloris aproveita seus dons musicais pra dar uma "renovada" no coral da igreja.




Jurassic Park - Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, 1993) e a parte 2 (1997)

Aventura de ficção-científica de Steven Spielberg baseada no livro de Michael Crichton que foi um marco nos efeitos de computação gráfica. O filme se passa na ilha fictícia de Nublar, próxima a Costa Rica, onde um investidor bilionário e um grupo de engenheiros genéticos conseguem clonar dinossauros e criar um parque temático - até que as coisas saem fora do controle. Ultrapassou E.T. se tornando a maior bilheteria de todos os tempos (só seria superado 4 anos depois por Titanic).



Uma Babá Quase Perfeita (Mrs. Doubtfire, 1993)

Robin Williams estrela essa comédia que ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem sobre um pai divorciado que se disfarça de babá e vai trabalhar na casa de sua ex-mulher, visando participar mais da vida de seus filhos.






Riquinho (Richie Rich, 1994)

Último filme de Macaulay Culkin como astro infantil, o filme não foi sucesso de crítica mas ainda assim foi popular entre as crianças, que se encantavam com a vida do menino mais rico do mundo e sua mansão que incluía uma montanha russa particular, um McDonald's e aulas de ginástica com a Claudia Schiffer!




SELEÇÃO DE ANIMAÇÕES DA DISNEY


Claro que nenhuma lista do gênero poderia deixar de fora os clássicos da Disney, que dispensam qualquer indicação:

Branca de Neve e os Sete Anões (1937)
Pinóquio (1940)
Fantasia (1940)

Dumbo (1941)
Bambi (1942)
Cinderela (1950)
Alice no País das Maravilhas (1951)
Peter Pan (1953)
A Dama e o Vagabundo (1955)
A Bela Adormecida (1959)
A Pequena Sereia (1989)
A Bela e a Fera (1991)
Aladdin (1992)
O Rei Leão (1994)
Up - Altas Aventuras (2009)



CONFIRA OUTRAS LISTAS:

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terça-feira, 29 de maio de 2012

Homens de Preto 3


10 anos após Homens de Preto 2, a equipe original se reúne pra mais um capítulo da série - Barry Sonnenfeld na direção, Spielberg na produção executiva, Will Smith e Tommy Lee Jones no elenco (Smith não fazia filme há mais de 3 anos). Além deles, Josh Brolin e Emma Thompson fazem participações divertidas no filme.

A história gira em torno de um vilão extraterrestre chamado "Boris, o Animal" que foi preso pelo Agente K (Tommy Lee Jones) em 1969. 40 anos depois, Boris escapa da prisão (com a ajuda da Nicole Scherzinger) e viaja no tempo de volta para 1969 pra se vingar do Agente K e evitar de ser preso - ou seja, é uma aventura cômica sobre viagem no tempo que brinca com os paradoxos comuns do gênero e interfere com eventos históricos (o clímax do filme se passa durante o lançamento da Apollo 11).


Até onde lembro, o filme é tão divertido e bem feito quanto os primeiros e felizmente não foi "modernizado" pra atender às preferências atuais do público por violência e heróis frustrados. O filme serve como uma lembrança do quão mais positivas eram as superproduções há 15 anos atrás, e se destaca da maioria dos filmes de hoje pelo fato de ter um roteiro bem feito - uma história elaborada, personagens com profundidade, motivações convincentes, inteligência, além de uma certa amplitude emocional (cenas de ação tensas, ótimas piadas, um toque de emoção e seriedade), que é uma das marcas de todo bom entretenimento.

Men In Black III (EUA / 2012 / 113 min / Barry Sonnenfeld)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Star Trek (2009), Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Hancock, Piratas do Caribe, etc.

NOTA: 7.5

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Battleship: A Batalha dos Mares


Em 2005, a NASA descobre um planeta fora do sistema solar com condições similares às da Terra. Na esperança de descobrir vida inteligente, eles enviam um sinal em direção ao planeta. Anos depois, os alienígenas respondem o sinal - invadindo a Terra e preparando a nossa destruição. A batalha ocorre no mar entre os aliens e uma frota de navios. O herói é um tenente da marinha (Taylor Kitsch) irresponsável porém talentoso (isso é o que dizem; nós nunca vemos talento algum) e que precisa se provar pro almirante Shane (Liam Neeson), seu superior, pois pretende se casar com sua filha.

O filme foi baseado no jogo de tabuleiro Batalha Naval, mas parece muito mais baseado em Transformers e Independence Day, até pelo "detalhe" de que não haviam extraterrestres no jogo da Hasbro (!).

Comparado aos últimos Transformers, a história é mais bem contada e tem certas ousadias, mas ainda assim não há nenhum interesse dramático. Não há conflitos envolventes, o herói não apresenta nenhuma desvantagem nem parece sofrer grandes riscos. Ele não quer salvar o mundo por algum senso de heroísmo ou superação, mas pra ficar com a loira burra que paquerou no bar. Na verdade não é nem pra conquistar a loira que ele precisa salvar o mundo, e sim pra conseguir a aprovação do pai dela - o pai que nem chegou a proibir a relação pra começo de conversa (e mesmo se proibisse, seria assim algo tão sério?). Ou seja, não há conflitos ou interesse na história como um todo.


Outro problema é que não dá pra acreditar na ação do filme - que homens com canhões teriam chances contra uma inteligência extraterrestre tão mais avançada, ainda mais liderados por um garoto inconsequente. Uma coisa que facilita o combate é o fato dos aliens não resistirem à luz do Sol - o que deixa de fazer sentido se você lembrar que a NASA selecionou o planeta deles justamente por ter as mesmas condições climáticas da Terra.

Rihanna estréia como atriz mas suas cenas são curtas e nem dá muito tempo de vê-la atuando.

Battleship (EUA / 2012 / 131 min / Peter Berg)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Cowboys & Aliens, G.I. Joe - A Origem de Cobra, das séries Transformers, Piratas do Caribe.

NOTA: 4.0

domingo, 20 de maio de 2012

The Cabin in the Woods


Cinco estudantes viajam de carro pra uma cabana isolada no meio da floresta (numa situação propositadamente óbvia de filme de terror, que remete a Evil Dead, O Massacre da Serra Elétrica, etc). Paralelamente, técnicos numa indústria avançada acompanham os cinco através de câmeras escondidas, e se preparam pra uma operação misteriosa que a plateia entenderá (ou não) ao longo da trama.





 O diretor Drew Goddard é obviamente fã de terror e sua intenção era revitalizar o estilo dos filmes dos anos 70, 80, explorando sustos, suspense, fantasia - indo contra a tendência atual de violência extrema e realismo ("torture porn"), o que é ótimo. O problema é que, ao introduzir o mistério ao redor da cabana, o filme acaba se distanciando do terror e virando mais ficção-científica, se transformando num quebra-cabeça intrigante no estilo Lost. Tudo o que queremos é entender o mistério por trás da trama. E, assim como em muitos filmes construídos em cima de mistérios intrigantes, a explicação não é tão inteligente ou surpreendente quanto esperávamos (Goddard foi roteirista de vários episódios de Lost e também escreveu Cloverfield, o que apoia a teoria de que ele é melhor com começos do que com meios e fins). Apesar disso, ainda é interessante pela ousadia e criatividade. 

The Cabin in the Woods (EUA / 2012 / 95 min / Drew Goddard)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Piranha 3D, Arraste-Me Para o Inferno, O Albergue, Cabana do Inferno, etc.

NOTA: 7.0

sábado, 5 de maio de 2012

"Universo Malevolente"


Juntei alguns textos aqui pra explicar o conceito de "universo malevolente", presente na maioria dos filmes considerados bons hoje em dia. Assim, consigo resumir num termo uma das minhas reclamações mais frequentes aqui no blog. É importante dizer que isso não é uma condenação estética desses filmes - um filme não é ruim necessariamente por partir dessa premissa (embora em casos extremos ela tenda a comprometer o filme como um todo). Mas esse é o principal motivo de eu, pessoalmente, não gostar de muitos desses filmes. 

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"A premissa do "universo malevolente" é a crença, geralmente aceita apenas sob a forma de uma emoção ou sentimento generalizado, de que aquilo que é bom - ou seja, aquilo que a pessoa mais valoriza e deseja - não tem chances na Terra. De que não há forma de atingir os seus valores mais profundos dentre os homens. Essa premissa geralmente é sentida como um "senso de vida", e tem a sensação de uma convicção metafísica, de uma visão fundamental de sua relação com a existência. Normalmente esse conceito é formado por um processo de generalização emocional; partindo da observação de que muitos homens são irracionais, e chegando à noção desesperada de que, por alguma razão incompreensível, os homens serão inevitavelmente irracionais." - Nathaniel Branden

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"Muitas pessoas novas hoje em dia são ensinadas que, apenas quando você está sofrendo você está em contato com a realidade. Notem que a maioria dos intelectuais consideram uma história que é trágica intrinsicamente mais profunda do que uma história que é feliz. Qual a afirmação por trás disso? Tragédia é a essência da vida. Felicidade é um evento temporário e superficial. Quem disse? Da vida de quem? Por quê? Notem que maioria da arte que é chamada de profunda também é trágica. A maior parte da literatura que é chamada de profunda é trágica. Você poderia contestar isso dizendo "mas existe muito pouca arte que expressa alegria". Verdade. Mas isso não prova que ela é menos importante, só ilustra o quão raro isso é na experiência humana, justamente por causa tipo extraordinário de conquista que representa. - Nathaniel Branden

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"A ética altruísta é baseada numa metafísica de "universo malevolente", na teoria de que o homem, por sua natureza, é impotente e está condenado - que sucesso, felicidade e conquista são impossíveis pra ele - que emergências, catástrofes e desastres são a norma de sua vida, e que seu objetivo principal é combatê-los. Como uma refutação simples dessa visão - como evidência do fato de que o universo material não é inimigo do homem e que catástrofes são a exceção - não a regra de sua existência - observe as fortunas feitas pelas companhias de seguro." - Ayn Rand

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"Se você tiver ideias equivocadas em qualquer questão filosófica básica, isso irá comprometer ou destruir a premissa de "universo benevolente". Por exemplo, qualquer distanciamento em metafísica da visão de que este mundo em que vivemos é a realidade - a realidade completa e absoluta - qualquer distanciamento disso [subjetivismo ou religião, por exemplo] irá necessariamente destruir a confiança de uma pessoa em sua habilidade de lidar com o mundo, e irá trazer o elemento de "universo malevolente". O mesmo se aplica à epistemologia: se de alguma forma você chegar à conclusão de que a razão não é válida, então o homem não tem ferramentas pra conquistar seus valores; portanto derrota e tragédia parecerão inevitáveis.

Isso também vale pra ética. Se os homens tiverem valores que são incompatíveis com a vida - como auto-sacrifício e altruísmo - obviamente eles não poderão conquistar esses valores [pois vão contra sua natureza e sua sobrevivência]; logo chegarão a conclusão de que o mal é necessário e de que eles estão condenados à miséria, ao sofrimento e ao fracasso. É um código de ética irracional que, acima de tudo, alimenta a atitude de "universo malevolente" e leva à síndrome eloquentemente expressada pelo filósofo Schopenhauer: "Não importa o que digam, o momento mais feliz do homem feliz é o momento em que ele adormece, e o momento mais infeliz do homem infeliz é o momento em que ele acorda. A vida humana deve ser algum erro."

Há certamente "algum erro" aqui. Mas não é a vida. São as filosofias usadas pra destruir o homem - pra torná-lo incapaz de viver." - Leonard Peikoff

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"Você já se perguntou por que ficou extremamente tocado e comovido quando alguém te fez uma gentileza inesperada? Você já se perguntou por que certa vez teve vontade de chorar, não ao ver algo feio, mas ao ver algo bonito? Não ao ouvir uma música triste, mas ao ouvir uma música alegre? Não num momento de sofrimento, mas num momento de felicidade? Você já se perguntou por que você acha tão difícil falar das coisas que são mais importantes pra você, mesmo com as pessoas que você confia e tem mais intimidade? Você já se perguntou por que em certa ocasião teve vergonha de ter expressado uma emoção séria e intensa, e sentiu o impulso de fazer uma piada no momento seguinte, às suas próprias custas? Você já se perguntou por que ficou quieto enquanto valores que você despreza estavam sendo celebrados, enquanto valores que você respeita estavam sendo atacados - e você ficou calado e sem protestar, não necessariamente ou exclusivamente por medo, mas também por conta de uma sensação pesada que se amontoa nas palavras "de que adianta"? O nome que demos à premissa que torna isso possível - a premissa que leva os homens a enterrarem o que há de melhor neles - é a premissa de universo malevolente" - Nathaniel Branden

Paraísos Artificiais


Do diretor do premiado documentário Estamira, o filme conta a história de 3 jovens que vivem um momento intenso num festival de música eletrônica, e depois tomam rumos diferentes.

Meu problema com o filme é que eu não gosto nem do assunto, nem dos personagens, nem do estilo de narrativa. A abordagem é Naturalista e além disso a história é contada fora de ordem cronológica. Não há um enredo; é basicamente uma alternância entre cenas de sexo (com muita nudez, como nos tempos da pornochanchada), imagens de pseudo-lésbicas se beijando e trocando sorrisos maliciosos (pra dar ao filme um ar "moderno"), e pessoas consumindo drogas.

Apesar do tom crítico do título, o filme não é uma denúncia, nem mesmo um retrato neutro, e sim uma celebração desse estilo de vida (que "infelizmente" traz algumas consequências negativas); um retrato simpatizante dessa geração de hippies endinheirados que parecem modelos e podem viajar pra Holanda pra consumir drogas.

Nós acompanhamos os personagens de festa em festa, viajando, traficando drogas, fazendo sexo sem sentido, ouvindo sons monótonos em raves, rindo histericamente num minuto e chorando sem motivo no próximo. Eles buscam todo tipo de prazer no irracional, no ato de desligar a mente, e depois vão contemplar o mar e se perguntar por que a vida é tão trágica e incompreensível (o filme está explicitamente na premissa de "universo malevolente").



Mais pro fim, são jogados alguns diálogos Freudianos que tentam enfiar na história algum significado mais profundo, sem sucesso.

O filme tem uma produção bem cuidada, imagens bonitas, mas o material é tão pobre que não vem ao caso elogiá-lo por competência técnica.

Paraísos Artificiais (Brasil / 2012 / 96 min / Marcos Prado)

INDICAÇÃO: Quem gostou de VIPs, Meu Nome Não É Johnny, etc.

NOTA: 3.0

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sete Dias com Marilyn


Baseado numa história real, a produção se passa nos bastidores do filme The Prince and the Showgirl, estrelado por Marilyn Monroe (Michelle Williams) e Laurence Olivier (Kenneth Branagh), onde Marilyn teve um breve caso com um assistente de produção. O filme foi indicado aos Oscars de Atriz e Ator Coadjuvante (Branagh).

Michelle Williams é uma atriz respeitável mas não achei ela adequada pro papel. As pessoas passam o filme inteiro espantadas com a beleza de Marilyn, com seu magnetismo natural, mas o que vemos na tela não justifica essas reações. Mais do que uma atriz respeitável, esse papel precisava de alguém com "star power" ou no mínimo com o tipo de beleza de Marilyn (Rachel McAdams me vem à mente; Scarlett Johansson também não seria má ideia).

O elemento mais envolvente do filme é o que já está na sinopse; a ideia do garoto comum que vive um romance com a maior estrela do cinema. Mas o filme não vai além dessa curiosidade inicial. A relação dos dois é superficial (como provavelmente deve ter sido na realidade). Acaba não sendo uma história de amor forte, nem um estudo interessante de Marilyn, cuja caracterização só revela o óbvio (ela era famosa, vulnerável e tomava pílulas).



O que não gosto no filme é o toque de "universo malevolente" - um ar de cinismo que parece dizer "veja os mortais, e o patético anseio pelo inatingível". O filme mostra um garoto ambicioso que se aventura numa realidade muito "acima" da dele, mas que obviamente terá que cair das nuvens. Por quê? Porque o autor é pessimista; o filme não explica os porquês essenciais, nem julga nada nem ninguém. A lição aprendida é "cada macaco no seu galho", não tenha ambição, não vá além da sua casta. Apesar disso, é um filme sobre grandes personalidades e quem gosta de teatro e cinema clássico deverá achar interessante.

My Week with Marilyn (Reino Unido, EUA / 2011 / 99 min / Simon Curtis)

INDICAÇÃO: Quem gostou de A Dama de Ferro, De-Lovely...

NOTA: 6.5

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os Vingadores


Produção da Marvel Studios, o filme reúne Homem de Ferro, Hulk, Capitão América e Thor, que são recrutados pra missão de impedir Loki, irmão de Thor, de destruir a Terra. Há também outros personagens importantes (como a agente Natasha Ramanoff, feita pela Scarlett Johannson), que até onde eu entendi não são super-heróis, mas que por algum motivo também sabem fazer coisas impossíveis.

De todos os heróis, o que se destaca mais é o Homem de Ferro, provavelmente porque seus filmes foram os que faturaram mais individualmente. Achei o filme bem feito e divertido, em grande parte porque há vários astros no elenco e o filme reserva tempo pra que cada um deles tenha seu destaque na história. Os diálogos são mais inteligentes que a média, o humor funciona - o maior problema talvez seja a história que não é das mais interessantes. Embora as cenas individuais funcionem, não há algo que nos prenda à história como um todo - não há conflitos pessoais, riscos preocupantes, etc. E isso vai criando uma sensação de cansaço após 1 hora e pouco de filme (que tem quase 2 e meia).


Um erro frequente nesses filmes é não dar à plateia uma noção específica da força dos heróis; como eles parecem indestrutíveis, muito do envolvimento se perde. Há várias cenas em que eles supostamente estão correndo perigo (por exemplo quando Thor está preso dentro da caixa de vidro caindo da aeronave) mas a gente não se importa, pois temos a impressão de que eles são imortais. Se não há o que perder, não há o que comemorar também. Ainda assim o elenco, a interação entre os diversos heróis e as cenas de ação acabam divertindo.

The Avengers (EUA / 2012 / 142 min / Joss Whedon)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Homem de Ferro, X-Men, Thor, Quarteto Fantástico, etc.

NOTA: 6.5