segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Hora Mais Escura

Tinha um pouco de birra da Kathryn Bigelow por ela ter levado o Oscar em 2010 por Guerra ao Terror (que é um filme decente, mas superestimado), mas fiquei imediatamente atraído por esse projeto pelo simples fato dele dramatizar "a maior caçada humana da história pelo homem mais perigoso do mundo". Seria difícil se sair muito mal com uma sinopse dessas.

Quando caíram as Torres Gêmeas em 2001, todo mundo sabia que um dia fariam um grande filme sobre aquilo. Quando Bin Laden foi morto, ali também surgiu a oportunidade pra um outro ótimo filme. O grande filme sobre as Torres Gêmeas ainda não foi feito - o outro agora já temos.

Não só o filme funciona como um ótimo suspense, como também parece cumprir uma outra função na cultura popular. Depois que o mundo passou uma década se perguntando onde estava Bin Laden, o desfecho da história foi tão rápido e esquisito que ficou um senso de frustração - como um filme que te envolve num grande mistério e de repente acaba antes da hora, num anticlímax. Esse filme vem corrigir esse "erro da realidade" e apresentar a história da maneira certa, fazendo a gente mergulhar nesse episódio histórico e vivenciar todos os detalhes como se estivéssemos fazendo parte da operação.

Nunca gostei muito desses filmes sobre o Oriente Médio que surgiram depois do 11 de Setembro, mas aqui, em vez de ser um retrato chato sobre terrorismo, tortura, o filme é contado como a história de sucesso de uma jovem agente da CIA (Jessica Chastain, indicada ao Oscar). Capturar Bin Laden é a meta dela, sua obsessão pessoal, e o filme é sobre essa realização (o fato de ser uma mulher numa missão tão violenta torna a situação ainda mais fascinante).


Demora um tempo até a história engatar. No começo a personagem está distante, meio apática (Jessica demora pra se encontrar no papel). É mais depois da primeira hora (em particular depois que morre um personagem importante num atentado), que a coisa se torna pessoal e o filme ganha força. Quando Jessica diz, com uma expressão calma, "eu vou acabar com todos os envolvidos nessa operação, e depois eu vou matar Bin Laden", você sabe que não está mais vendo um documentário glamourizado sobre terroristas... Você está vendo Sigourney Weaver em Aliens ou Linda Hamilton em O Exterminador do Futuro 2 (a diretora Kathryn Bigelow foi casada por 3 anos com James Cameron - alguma coisa ela aprendeu sobre mulheres fortes).

O filme vai se tornando cada vez mais intenso e caminhando sem desvios em direção ao clímax. A partir do momento em que os helicópteros partem no voo silencioso (e belíssimo) em direção à casa onde estaria Bin Laden, é praticamente impossível piscar.

Achei um dos filmes mais envolventes e satisfatórios do ano (é talvez o melhor que já vi dirigido por uma mulher). Está indicado a 5 Oscars incluindo Melhor Atriz, Roteiro Original e Filme.

Zero Dark Thirty (EUA / 2012 / 157 min / Kathryn Bigelow)

INDICAÇÃO: Pra quem gostou de Argo, Guerra ao Terror, A Rede Social, Vôo United 93.

NOTA: 9.0

4 comentários:

Stella Daudt disse...

Caio, você acaba de elevar às alturas minhas expectativas quanto ao filme. Como gosto do trabalho de Kathryn Bigelow, acho que não vou me decepcionar...

Caio Amaral disse...

Oi Stella, já assistiu o filme? O que achou?

Fabio Allves disse...

Acabei de ver no telecine, achei o filme bacana... mas não consigo acreditar que seja real...

Acho que o Bin Laden não foi capturado... mas de qualquer forma o filme funciona muito bem como você descreveu...

Caio Amaral disse...

Fábio, também tenho dúvidas quanto a essa captura do Bin Laden..!! Mas quando o filme é bem feito, não fico tão preocupado com os fatos.. Aliás, filmes baseados em fatos reais costumam ter sérias desvantagens em termos de narrativa.. A realidade raramente é tão dramática e interessante quanto a ficção.. Deixe ela pros jornalistas.. e deixemos os cineastas livres pra nos entreter, hehe. Abs.