sábado, 28 de setembro de 2013

O Tempo e o Vento (anotações)

- Algumas imagens lindíssimas!! Raro esse nível de produção no cinema nacional.

- Tipo de história que quando aparece o título você já está com preguiça.

- Que absurdo! Matam o homem que ela ama e a Cléo Pires continua vivendo com a família??

- "Vida", "morte", "amor", "guerra", "honra", "família".. Filme parece muito preocupado em soar épico e "importante" mas não tem uma trama envolvente. Naturalismo. Tudo soa vago e clichê assim como o título.

- Pra que Montenegro está narrando a história dos avós dela? Qual a importância dos antepassados pra sua vida atual? Por que a plateia deveria se importar?

- Thiago Lacerda está muito bem!

- Romances da história são superficiais. Pessoas trocam olhares e estão apaixonadas sem nem terem tido uma conversa. É o equivalente a pegar alguém na balada - o fato deles estarem com roupas antigas não torna o amor mais épico.

- Cena do primeiro duelo envolvente.

- Filme tenta projetar uma história grandiosa, personagens heróicos, mas não consegue, pois acha que virtudes vêm de fatores externos - da "terra", dos laços de sangue, deles viverem em tempos históricos... Não de qualidades individuais.

- Por que uma música em inglês nos créditos?? Titanic?

CONCLUSÃO: Tentativa interessante de fazer um E o Vento Levou brasileiro, mas material é superficial e falta uma narrativa mais forte.

FILMES PARECIDOS: Olga, Casa de Areia.

NOTA: 6.0


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6 comentários:

Anônimo disse...

Como todo bom Gaúcho resolvi ler "O Tempo e o Vento" após assistir a série exibida a algumas décadas atrás aqui pela Globo. Descobri que a série aborda somente uma parte de uma TRILOGIA de SETE livros!!! Levei quase cinco anos para ler tudo, é maior que a bíblia!! Pensando bem, é bem parecido com a bíblia, pois relata eventos históricos verídicos que realmente aconteceram no desenvolvimento do país, mas as histórias e os núcleos de personagens são fictícios.
Pois bem, quando anunciaram este filme, a primeira coisa que pensei foi: Qual das três partes adaptarão?? Descobri que nenhuma, pois não aproveitaram nem um dos sete livros inteiros, que dirá um dos três capítulos. Este filme é tipo "Efeito Hobbit ao contrário".
Enquanto assistia preferia estar vendo "A Casa das 7 Mulheres".

Caio Amaral disse...

Haja paciência...! Os livros devem ser muito bons então.. pra vc ter lido todos! Julgando pelo filme, achei tudo muito superficial, entediante.. não dá pra entender o motivo dos livros terem sido um sucesso.. não deve ter sido uma adaptação muito boa imagino..

Anônimo disse...

Horrível a adaptação. Os livros não são nenhuma obra prima para o povo urbano. Porém, para o pessoal rústico do sul, para quem cresce no campo, longe da cidade grande as obras tocam profundo nos sentimentos, pois conta nossa história.
Alguém que mora em São Paulo por exemplo não tem interesse em ler sobre a vida dos tropeiros na época, ou como se domava um cavalo, como se carneia e assa uma ovelha inteira, e os livros são bem detalhistas nestes aspectos, e descrevem com nitidez a paisagem rural.
Mas o principal é a próprio linguajar, como você deve imaginar nós gaúchos temos nosso próprio idioma, não apenas dialeto ou sotaque, mas um vocabulário inteiro diferente do resto do Brasil, inclusive incorporamos o castelhano e uruguaio em nosso modo de falar.
O filme mostrou muito poucas paisagens, não mostrou o cotidiano das pessoas, as histórias dos personagens estão incompletas, e os atores não chegaram perto de falar gaúcho.

Caio Amaral disse...

Olha, pelo que você está falando os livros são bem Naturalistas, então eu provavelmente não iria gostar tanto deles também.. prefiro livros com temas universais, etc.. De qq forma, acho que o certo seria manter o espírito do livro na adaptação, né... fazer um filme na mesma linha.. abs!

Anônimo disse...

É aí que você se engana Caio, os livros não são nem um pouco naturalistas (eu li seus artigos sei o que você quer dizer com isso), eles são descritivos e detalhistas. As histórias tem um bom ritmo e reviravoltas dramáticas. Narra a chegada ao continente, a imigração dos alemães e italianos para nossa terra, a guerra dos farrapos e os fatores que desencadearam o movimento separatista do sul. Lembra muito "E o Vento Levou" nas questões políticas (sul/norte), mas com muitas gerações de famílias (se eu não me engano são 7 ou 8 gerações) em vez de duas. Cada qual com conflitos e contextualização característica de seu período, seja colonial ou em meio a guerra, por isso tanta descrição, senão o leitor fica boiando.
A grande questão é que quando a literatura é fictícia, como a obra de Tolkien ou Martin, o leitor não se importa em ler vários capítulos de descrição de cenário, arquitetura, raça e origens. Ou quando é literatura de origem inglesa, o leitor sabe o quão descritivo o escritor será em detalhar as coisas (vide Charles Dickens) e continua lendo vários capítulos sem história, apenas com descrição.
Mas quando se fala de literatura nacional, não é tão interessante para quem não conhece a cultura do sul, o patriotismo (a bandeira de REPUBLICA sul rio-grandense pouco mudou desde a guerra dos farrapos em 1835), as cidades, os memoriais jesuítas, as rotas dos tropeiros, Sepé Tiaraju, etc. Essas coisas não interessam para quem mora em São Paulo e podem parecer naturalismo para quem espera um "Guerra e Paz".
De qualquer forma, acredito que uma adaptação cinematográfica seria impossível. Teriam que fazer um seriado no estilo de Game Of Thrones para "...manter o espírito do livro na adaptação [...] fazer [...] na mesma linha".
Um abraço pra ti Caio, gosto de ler teu blog.

Caio Amaral disse...

Essas coisas puramente descritivas acho que nunca são muuuito interessantes (pra mim pelo menos), a não ser que sejam essenciais pra contar a história.. quando se trata de fantasia, há um apelo maior pois muita coisa é inventada, então há o elemento de criatividade, escapismo, etc.. em histórias que se passam em lugares muito incomuns, ou em outras épocas, também há uma curiosidade meio que "turística".. mas há um limite né.. logo a gente se habitua ao novo cenário, e o que importa passa a ser a história de novo.. os personagens, acontecimentos, a mensagem, etc.

Legal, brigadão.. espero que continue lendo e comentando! : )