segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Chatô - O Rei do Brasil

NOTAS DA SESSÃO:

- Por que esse começo bizarro? Essa montagem incoerente de momentos da vida do Chatô? O filme não apresenta os personagens, parece que estamos vendo um trailer...

- O personagem do Chatô é desprezível e o ator (Marco Ricca) está detestável. Em vez de uma crítica e uma condenação dele, o filme parece achar graça no comportamento inconsequente de Chatô. A trilha sonora é frequentemente cômica. Tenta tornar o personagem carismático, como se as coisas que ele fizesse fossem crimes banais, algo de que se pode rir, quando na verdade ele é uma pessoa animalesca, imoral. Só pode ser exagero do filme. Não é possível que uma pessoa tão irracional se tornaria bem sucedida em qualquer carreira.

- O filme tem bastante energia e as cenas individualmente prendem a atenção, mas uma cena parece não se conectar direito com a outra. A história parece estar sendo contada por um esquizofrênico... É como se o filme tivesse sido pra ser uma mini-série, e o que estamos vendo é uma montagem aleatória dos momentos mais importantes.

- A produção parece pobre pros dias de hoje e feia visualmente. Pra um filme que na época foi um dos nacionais mais caros de todos os tempos, acaba sendo decepcionante.

- Não há uma trama planejada, uma mensagem ou ideia que integre os eventos da história. É só um retrato jornalístico excêntrico da vida dele. Roteiro ruim.

- Será possível ele ter feito essas coisas todas? Chantagear o presidente da república pra conseguir de volta a guarda da filha?

- O final é tão teatral e bizarro que não dá pra entender se o que está acontecendo é real ou uma alucinação.

- A cena de sexo final no hospital é ridícula e nojenta. O filme acaba do nada, sem nenhum propósito.

CONCLUSÃO: Conteúdo explosivo que podia ter rendido um bom filme se não fosse pela abordagem positiva do personagem e pela narrativa caótica.

(Chatô - O Rei do Brasil / Brasil / 2015 / Guilherme Fontes)

FILMES PARECIDOS: O Lobo de Wall Street

NOTA: 4.5

16 comentários:

Djefferson disse...

Esse filme é de 1995 conforme você colocou no post? Se sim, essa história dos filmes nacionais mais caros aconteceu mesmo em 95?

Caio Amaral disse...

Oi Djefferson... mudei pra 2015 o ano... tinha colocado 95 pq é quando a maior parte do filme foi produzida (e pq no site AdoroCinema tá como 95), mas o mais correto acho que é colocar o ano em que o filme foi lançado né... Alguns entendidos dizem que ele ainda é o filme brasileiro mais caro da história.. tendo custado em torno de 12 milhões (e acho que em cima disso vai inflação).. Mesmo que já tenha sido ultrapassado, ainda é bem caro pros padrões nacionais.

Djefferson disse...

Não conhecia essa história por trás do filme. Lembra um pouco Boyhood, mas que foi forçado a demorar tanto. Me entristece saber que nosso dinheiro está sendo usado de tal forma. Doze milhões dá pra quitar a dívida externa do estado do RS inteiro. De qualquer forma, ao ler suas anotações, visualizei Christoph Waltz no papel principal. Será que funcionaria?

Caio Amaral disse...

Acho que foi o maior escândalo do cinema nacional, até onde sei.. o diretor Guilherme Fontes foi condenado e vai ter que devolver mais de 60 milhões pro governo (não sei pq isso tudo, já que o filme custou bem menos)..
Christoph Waltz seria perfeito pra um remake americano, hehe.

Anônimo disse...

Faz muito tempo que li o livro do Fernando Morais e não lembro dos detalhes, mas acho muito difícil que Chateaubriand pudesse ter chantageado Getúlio, ainda mais considerando que na época dos fatos Getúlio governava como ditador e poderia simplesmente ter prendido Chateaubriand e/ou fechado ou expropriado seus jornais. O que parece ter havido foi mais um arranjo de interesses.
Falando de Getúlio no filme, nunca entendi porque Paulo Betti foi escolhido para o papel dele, em vez de alguém que tivesse pelo menos alguma semelhança física com o ex-presidente, como, digamos, Sérgio Mamberti. Fazer adaptações de fatos históricos com atores que não se parecem nada com as figuras que eles representam faz tudo parecer muito artificial, e as vezes até ridículo, como foi o caso duma serie péssima da CBS chamada “Hitler: The Rise of Evil”, onde praticamente ninguém do elenco se parecia com os personagens envolvidos, e onde o falecido Peter O’Toole fazia o papel do Marechal Von Hindenburg, usando roupas com enchimentos para parecer mais gordo, o que dava um ar de programa humorístico às cenas em que ele aparecia.

Caio Amaral disse...

Pois é, em vários momentos do filme eu achei que eles estavam exagerando na caracterização do Chatô.. que ele nunca poderia ter feito certas coisas..

Eu não lembrava muito bem da cara do Getúlio, então não me incomodei com o fato do Paulo Betti não ser parecido... Mesmo assim, ficou a sensação de que o Toni Ramos foi um Getúlio mais convincente...

Anônimo disse...

Engraçado você mencionar esta série, que aqui ficou conhecida como Hitler: A Acensão do Mal, porque assisti ela ontem. A inveracidade dos fatos é tão grande que se tivesse o logo do Monty Phyton no começo e não alterassem em nada no filme, poderia se passar por comédia. O filme retrata Hitler como um pequeno psicopata desde pequeno, que maltratava os familiares após a morte da mãe, batia em animais e cometia incesto com a prima. E a maior de todas é a maneira como o trataram em sua vida privada, como uma pessoa autoritária e gritona, ignorante aos fatos e rebaixando a todos.
Historiadores revisionistas afirmam que ele conquistava a lealdade das pessoas por meio da simpatia e educação. Nas conversas particulares era extremamente culto e erudito de modo a reafirmar a sua liderança.

Não, eu não estou defendendo, mas reconheço as artimanhas que ele usou para conquistar a Alemanha, que por sinal, nossos líderes têm usado a anos.

A série foi tão bem sucedida em vilanizar a pessoa política no pré guerra, que esqueceram-se de que a igreja católica apoiou o nazismo mas afirmava neutralidade. Os grandes nomes como Volkswagen, Henry Ford, Dr. Oetker, Bayer entre outros estavam intimamente relacionados com a acensão do partido nazista ao poder, e financiavam as atrocidades cometidas na guerra, algumas até utilizavam trabalho escravo.

Mas ora, a vitória foi do capitalismo na guerra fria, então convenientemente estes fatos foram "distorcidos". E a imagem do Führer é de um psicopata gritão e autoritário que usurpou o poder.

Anônimo disse...

Sobre a série “Hitler: A Ascensão do Mal”, o que me espantou mesmo, além da caracterização quase cômica de Peter O’Toole usando enchimento para fazer Von Hindenburg, foi a péssima escalação do elenco, que chegou ao ponto de escolherem para o papel de Adolf Hitler um ator de cabelos e olhos castanhos (todo mundo sabe que Hitler tinha cabelo preto e olhos azuis), e para o papel de Ernst Röhm um ator magro e meio calvo que não tinha um pingo de semelhança física com o verdadeiro Röhm, cujo rosto lembrava o de Oliver Hardy.
Aqui tem um site com fotos de todo o elenco da série:
http://www.aveleyman.com/FilmCredit.aspx?FilmID=30727

Anônimo disse...

Faz todo sentido comparar Chatô com O Lobo de Wall Street. Jordan Belfort e Assis Chateaubriand se equivalem moralmente.

Anônimo disse...

Parece que o filme está sendo um fracasso, apesar de todo o esforço dos críticos em vende-lo como uma grande coisa, comparando-o às chanchadas. As chanchadas nem eram essas coisas todas, foi um gênero que fez sucesso nos anos 50 e saiu de moda por que o público cansou. Era um tipo de humor semelhante ao do "Zorra Total" ou da "Praça é Nossa", que ninguém costuma achar genial.

Fred disse...

Sensacional! Excelente leitura da obra literária homônima! A disposição aleatoria das cenas, e a apresentação do julgamento póstumo de "Chatô" como em um programa de auditório foi sinplesmente espetacular! A forma como a conduta, "politicamente incorreta" e por vezes repugnante do personagem é satirizada, combina perfeitamente com o espetáculo nonsense proposto para seu julgamento final! Perfeiro! Direção genial! Recomendo!

Daniel Barros disse...

Tanto o filme como o livro são excelentes, nota 10. Não consigo ver falha alguma, mesmo fingindo não ter o "bias" brasileiro de ter orgulho de um dos filmes mais bem editados da história (não só do Brasil, do mundo). Deixei-me levar pela trama e vivi uma verdadeira catarse com os personagens caricatos e uma história esquizofrênica. Me remeteu um pouco a Chicago, a Amélie, ao Discurso do Rei, cada um por ângulos diferentes. Um filme que causa incômodo como "Slumdog Millionaire" causou na Índia (estive lá no dia da estreia e as pessoas saíam da sala). Ninguém quer ver uma chanchada, por melhor que seja. Aliás, achei tudo muito corajoso e honesto. Bravooooooooo! Quero ver ainda mais umas duas vezes.

Caio Amaral disse...

Corajoso e honesto também achei Daniel... só não achei muito *bom*... e moralmente também questiono algumas coisas...

Musica disse...

Tive o desprazer de assisti ontem a esta chanchada Chatô o Rei do Brasil. Li o livro e esperava muito mais desse filme que levou 15 anos para ficar pronto! Fiasco. Apelação sexual, muito palavrão e discurso ideológico piegas! Joguei dinheiro fora. Concordo com a análise do Blog!

Musica disse...

Tive o desprazer de assisti ontem a esta chanchada. Li o livro e esperava muito mais desse filme que levou 15 anos para ficar pronto! Fiasco. Apelação sexual, muito palavrão e discurso ideológico piegas! Joguei dinheiro fora. Concordo com a análise do Blog!

Anônimo disse...

"Apelação sexual, muito palavrão e discurso ideológico piegas!" Um apanhado dos defeitos de boa parte da cinematografia brasileira, infelizamente.