terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Um Santo Vizinho

- Divertida a apresentação do personagem. Bill Murray faz muito bem esse tipo fracassado / rabugento.

- Legal ver a Melissa McCarthy num papel mais fofo, e não fazendo uma sem-noção como de costume. O garoto que faz o filho dela é excelente também!

- É interessante a relação do garoto com o Vincent. Um pode aprender algo com o outro (principalmente o Vincent com o menino!) e você torce pela amizade.

- História é simples mas bem apresentada (Vincent topar tomar conta do menino por estar sem dinheiro, etc). Parece um pouco filme dos anos 80/90, quando os roteiros tinham uma estrutura mais clássica.

- Mas a trama é um pouco morna demais. Faltam conflitos mais sérios, expectativas maiores. A sensação que dá é que nada de muito ruim pode acontecer, nem nada de muito satisfatório. É apenas uma história divertidinha, mas amena, esquecível.

- Em uns 45 minutos de filme, o Vincent e o garoto já se tornaram melhores amigos. O que vai acontecer daqui pra frente? Não há mais nada pra aguardar! Nem o conflito do Oliver com o bully da escola existe mais.

- Bonita a cena da Melissa contando sua história pro diretor da escola e para o professor. O filme tem certa sensibilidade psicológica.

- O roteiro vai ficando sem rumo na segunda metade. Vincent perde dinheiro no jogo, depois tem um derrame... É como se eles não soubessem mais como deixar a história interessante até o final.

- No fim o filme todo parece servir pra promover o altruísmo, o que me irrita um pouco. Vincent é ladrão, bêbado, desonesto, namora uma prostituta - mas no fim das contas, como ele se sacrificou pelos outros (cuidou de doentes, comeu mal pra poder comprar ração pro gato), então ele ganha status de santo!

- Muito previsível a homenagem final, e nada emocionante. Se os dois tivessem tido um grande desentendimento, se a gente estivesse torcendo pra uma reconciliação ou algo do tipo, talvez tivesse mais impacto. Mas nada de muito sério aconteceu. A cena final do jantar é tão sem graça que é um desfecho imperdoável pra história (a cena durante os créditos também é morna - a plateia fica sentada aguardando algo hilário, e nada acontece).

CONCLUSÃO: Bons atores e um começo bem feito, mas o roteiro vai perdendo o rumo e a mensagem final é horrível.

(St. Vincent / EUA / 2014 / Theodore Melfi)

FILMES PARECIDOS: Larry Crowne / Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada / Um Grande Garoto

NOTA: 6.0

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Selma: Uma Luta Pela Igualdade

- Chocante a garotinha sendo explodida na igreja!

- Oprah está ótima na cena em que tenta registrar pra votar.

- Não há como questionar a causa do Martin Luther King - ele está certíssimo e é ótima a explicação dele pro presidente da importância do voto para os negros. Meta do personagem é clara, importante e bem estabelecida.

- David Oyelowo está muito bem como Martin. Passa autoridade, simpatia... Quando ele faz discursos é muito convincente. Incrível a persistência e a convicção do personagem.


- Esse tipo de filme anti-racismo é um pouco clichê e "seguro" demais. O filme pra se destacar devia contar a história por um ângulo mais original, ou se destacar mais no estilo: na direção, na inteligência dos diálogos, na parte técnica, aprofundando a discussão ética, etc. Acaba soando meio "genérico", sem muita criatividade, mas ainda assim, um filme bem realizado e moralmente correto.

- Lindo o diálogo no carro, quando Martin está pensando em desistir da próxima marcha, e o amigo conta a história de como Martin o inspirou.

- Satisfatório o final - o discurso do presidente, seguido da marcha com milhares de pessoas. O discurso final do Martin é de arrepiar.

CONCLUSÃO: Filme anti-racismo um pouco genérico mas bem intencionado, com boas performances e realizado corretamente.

(Selma / Reino Unido, EUA / 2014 / Ava DuVernay)

FILMES PARECIDOS: O Mordomo da Casa Branca / Histórias Cruzadas / Milk: A Voz da Igualdade

NOTA: 7.5

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Bob Esponja: Um Herói Fora d'Água

- Há um toque de cinismo que me incomoda, de Romantismo Reprimido - como se o filme quisesse ser infantil e ao mesmo tempo ridicularizar esse universo (Bob Esponja é retratado como ridículo por gostar de algodão doce e coisas relacionadas ao mundo infantil). O próprio personagem do Bob Esponja já é uma figura meio ridícula, caricata - não é um personagem charmoso como um Pica-Pau por exemplo).

- A sensação é a de pegar a história no meio. Não há uma apresentação dos personagens, uma trama mais elaborada, planejada para um longa-metragem - é como se fosse um episódio longo do desenho da TV, apenas uma palhaçada despretensiosa do começo ao fim. O que prende a atenção é o ritmo frenético e as milhares de ideias e piadas que deixam o espectador perplexo na poltrona (vendo o filme eu me sinto exatamente como o gato naquele sketch do Monty Python "Confuse-A-Cat": https://www.youtube.com/watch?v=2DmE8-Xg0Kg).

- O filme é sempre divertido, mas há poucas gargalhadas, piadas memoráveis e bem escritas. É tudo muito caótico, rápido - não há sequências com começo, meio e fim - um senso de estrutura.

- Divertido eles virem pro mundo real e ficarem em 3D.

- Mensagens altruístas suspeitas no fim da história (o importante é o grupo, não o indivíduo / é bonito se sacrificar pela sociedade, etc).

CONCLUSÃO: Roteiro menos sofisticado que o do filme dos Simpsons, por exemplo, mas ainda assim criativo e um bom passatempo para crianças.

(The SpongeBob Movie: Sponge Out of Water / EUA / 2015 / Paul Tibbitt)

FILMES PARECIDOS: Uma Aventura Lego / Os Simpsons: O Filme / A Era do Gelo

NOTA: 6.0

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Sniper Americano

- Bom o corte na primeira cena, quando Chris vai atirar no garotinho e corta pra infância dele, caçando com o pai.

- Bradley Cooper está carismático e convence totalmente fazendo esse americano típico, menos sofisticado que de costume.

- É legal que o personagem realmente ama o país e está pessoalmente indignado com os inimigos. Geralmente filmes de guerra são sobre pessoas cumprindo obrigações, mas aqui o protagonista parece ter uma motivação interna, o que torna tudo mais envolvente.

- É um filme de herói basicamente: um homem comum, carismático, com uma habilidade especial, que se torna o melhor do mundo e salva o país de vilões ameaçadores.

- Forte ele ter que matar mulheres e crianças! Mas o personagem não parece frio ou cruel, pois ele se mostra abalado em alguns momentos.

- Na essência é um filme no estilo Mercenários, pro público que gosta de ver machões chegando e matando um monte de gente. A diferença é que este é bem dirigido, bem atuado, tem certas sutilezas. Mas ainda assim é um filme de ação, sem uma dimensão mais abstrata, sem muita imaginação, etc.

- Boa a cena do cotovelo (onde ele descobre que o cara é um atirador). Exemplo de narrativa visual.

- SPOILER: Legal que há um inimigo principal (Mustafa), que tem a mesma habilidade do protagonista. Cena do tiro a quase 2km de distância parece um pouco forçada mas é legal reservar este momento pra maior demonstração de habilidade dele (às vezes o filme se enquadra tão perfeitamente num formato de roteiro estilo Rocky - Um Lutador que fica difícil de acreditar que a história é verídica).

- SPOILER: Chocante saber que ele foi assassinado! Muito sinistra a cara do garoto que mata ele - imediatamente sabemos que há algo de errado quando ele aparece. Demais as imagens reais no fim com o caixão sendo levado para o enterro.

CONCLUSÃO: Filme de ação/guerra envolvente, feito com eficiência, com uma performance sólida de Bradley Cooper.

(American Sniper / EUA / 2014 / Clint Eastwood)

FILMES PARECIDOS: O Grande Herói / Capitão Phillips / A Hora Mais Escura / Guerra ao Terror

NOTA: 7.5

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cinquenta Tons de Cinza

- Não há suspense, conflito: os dois se encontram logo no comecinho do filme e já fica óbvio que existe uma atração mútua. Não é criada uma expectativa em relação ao romance. Com o que serão preenchidas as 2 horas de filme?

- Ainda assim, como o filme tenta retratar um romance idealizado, fala de sexualidade, coisas interessantes para todos, acaba sendo minimamente divertido de assistir.

- Faltam qualidades na menina. O que o cara viu nela? Ela se mostra insegura, sem personalidade, submissa, fácil... O filme parece querer dizer pras meninas na plateia: basta você ser novinha e sexy que o mundo irá girar ao seu redor!!

- Faltam qualidades de caráter no cara também! A mensagem nesse caso é: basta você ter dinheiro e ser sexy que o mundo irá girar ao seu redor!

- Não há uma trama interessante, conteúdo - o filme se baseia no interesse sexual da plateia pra prender a atenção, como um filme pornô.

- Muito feio esse desejo dele de ser dominador (e o dela de ser submissa). O que atrai um ao outro é um traço negativo da personalidade deles. Acho feio e falso também o jeito infantil e ingênuo dela se comportar, principalmente quando ela mistura isso com uma uma atitude sensual. Você imagina uma criança de 4 anos fazendo sexo.

- História vai ficando cada vez mais chata e arrastada. O fato dela não ter assinado o contrato não gera uma grande expectativa pelo que vai acontecer.

- No final há algumas cenas onde ela se rebela contra o comportamento dele, e isso me faz gostar mais da personagem. O problema é que não é apenas o sadomasoquismo que é negativo na relação. Mesmo sem isso, eu já não gosto dessa relação entre uma pessoa totalmente submissa, passiva, dependente, sem autoestima, e uma outra poderosa, provedora, que toma todas as decisões e se responsabiliza por tudo - me parece algo doentio.

- Final ruim no elevador!!! Eles vão se separar mesmo? Não há um senso de conclusão, de que ela amadureceu, aprendeu algo novo, etc. As chicotadas que ele deu nela na cena final não foram tão piores, comparando com o que ele já tinha sugerido antes.

CONCLUSÃO: Curioso de assistir pelo tema apelativo, mas bastante superficial, e que mostra uma relação desequilibrada entre pessoas imaturas e desinteressantes.

(Fifty Shades of Grey / EUA / 2015 / Sam Taylor-Johnson)

FILMES PARECIDOS: A Culpa É das Estrelas / Crepúsculo

NOTA: 4.0

Dois Dias, Uma Noite

- Por que ela está tão abalada emocionalmente? Só por perder o emprego? Não dá pra entender o contexto psicológico dela.

- Naturalismo: retrato de pessoas comuns e problemas cotidianos.

- Seria muito mais interessante se nós conhecêssemos os colegas de trabalho dela, se entendêssemos a relação entre eles, o nível de amizade, o significado ético por trás da decisão de cada um de tirar o emprego dela em troca do bônus, etc. O filme é superficial - vemos tudo de fora sem entender a situação, os valores em jogo.

- O filme tenta retratá-la como vítima, mas não sabemos se ela era uma boa profissional, se ela tinha um bom relacionamento com a pessoas no trabalho. Pelo que acontece com ela e pela maneira fria com que as pessoas a tratam, a conclusão é que ela devia ser uma pessoa antipática e totalmente inútil na empresa. Ela devia ir embora voluntariamente!

- Pra que ela quer ficar num emprego onde ela é considerada dispensável e onde a grande maioria das pessoas quer que ela vá embora? Imagina o clima que vai ficar se ela continuar! Ela não tem um pingo de respeito próprio! A personagem é fraca. Fica se humilhando na frente de todo mundo. E é como se suas atitudes gritassem "vejam como eu sou pobrezinha, ninguém se sacrifica por mim!" - e ela parece ter orgulho de se comportar assim.

- O filme cria uma situação forçada, improvável, aparentemente pra fazer uma crítica ao "egoísmo". Mas nesse contexto, as pessoas não estão erradas em preferirem o bônus. Elas não estão sendo más - não é dever moral delas se sacrificarem pra salvar o emprego de uma pessoa dispensável - a não ser que todos fossem muito amigos, mas não sabemos da relação entre as pessoas. Errado está o patrão, por criar uma situação tão negativa entre os funcionários. Ele devia decidir de uma vez quem fica e quem sai, e não criar um clima de tensão e rivalidade na empresa.

- Filme repetitivo e monótono! Várias vezes ela diz que vai desistir de falar com as pessoas (esses momentos são os únicos onde eu simpatizo pela personagem) mas o marido a convence a continuar. Várias vezes ela vai na casa de alguém, daí a pessoa que ela está procurando não está em casa, mas está em algum lugar ali do lado.

- O filme parece achar que estamos torcendo pra ela converter todo mundo. Mas eu não quero que ela continue nesse trabalho! O propósito do personagem não é envolvente.

- Irreais as brigas que acontecem por causa dela, como se isso fosse uma questão de vida ou morte pras pessoas envolvidas. O diretor parece achar que a história levanta uma questão ética muito maior do que é de fato.

CONCLUSÃO: Filme naturalista monótono, superficial, promovendo um código de ética errado, com uma protagonista antipática.

(Deux Jours, Une Nuit / Bélgica, França, Itália / 2014 / Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne)

FILMES PARECIDOS: ?

NOTA: 2.0

Corações de Ferro

- Fotografia excelente, trilha sonora, som e direção também! Nível Oscar, embora não tenha sido indicado a nada.

- Violência chocante!!! Um dos filmes mais violentos que já vi - mas por algum motivo ele não soa sádico - não parece usar a violência de uma maneira vulgar, como um instrumento pra prender a atenção da plateia ou apenas para horrorizar.

- Ótimo ter no centro da história um garoto sensível, pacífico, que não tem vontade de estar na guerra. A plateia pode se identificar com ele e embarcar na história. O ator é carismático, e a relação dele com o Brad Pitt é interessante (por exemplo: quando Pitt força ele a matar o nazista, mas depois vai chorar sozinho - é como se ele visse no garoto alguém que ele já foi, e no fundo quisesse protegê-lo da realidade da guerra, mas não pode).

- Não há uma trama muito estruturada - a intenção do filme parece ser mais a de retratar os horrores da guerra. Ainda assim o filme é envolvente, pois simpatizamos pelos personagens e eles estão sempre passando por situações de perigo. É basicamente um filme de ação, mas com uma carga dramática forte.

- Boa a cena em que o Norman toca piano, depois chega a menina cantando - e a interrupção desse momento com a imagem das costas queimadas do Brad Pitt (lembrando a plateia de que a beleza na guerra dura pouco!). Bem escrito. Mas a sequência fica irritante depois que chegam os outros soldados e começam a maltratar a menina. Por que o Brad Pitt não toma uma atitude???

- Duelo entre os 2 tanques de guerra de tirar o fôlego!!! Ação muito bem feita! E a cena encerra com o Norman pela primeira vez matando os inimigos com vontade. O roteiro é bom - os eventos não vão acontecendo aleatoriamente, sem forma - cada sequência parece ter um começo, um desenvolvimento, um clímax, e uma conclusão interessante.

- O universo do filme é um pouco desagradável demais. Por mais que eu esteja achando um bom filme, estou torcendo pra acabar logo!! Não há a expectativa de algo muito positivo ou satisfatório no final. Em O Resgate do Soldado Ryan, por exemplo, havia violência, mas isso tudo estava envolto pela história bonita do resgate do soldado, da mãe que já havia perdido 3 filhos, etc. Aqui a gente tem toda a parte barra pesada mas sem uma história bonita pra equilibrar.

- Sequência final (eles enfrentando o batalhão inteiro com o tanque quebrado) é eletrizante e épica! Muito tensa e bem feita, embora a violência comece a passar dos limites do bom gosto.

- SPOILER: Que bom que pelo menos 1 fica vivo! O filme é aflitivo até o último momento. Imagem poderosa a que encerra o filme: o tanque de guerra visto do alto rodeado de corpos.

CONCLUSÃO: Filme de guerra barra pesada, violento demais pro meu gosto, mas ainda assim com uma atitude positiva, bem escrito, bem dirigido e com bons atores.

(Fury / EUA, China, Reino Unido / 2014 / David Ayer)

FILMES PARECIDOS: O Grande Herói / O Resgate do Soldado Ryan / O Barco - Inferno no Mar

NOTA: 7.5

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O Destino de Júpiter

- Bom o começo: a história dos pais da Júpiter, a cena da morte, etc. Legal que o filme começa na Terra (achei que fosse mais fantasia, sem muita referência da realidade). Gosto também do tom de entretenimento (não é do tipo de blockbuster "dark" que está na moda).

- Muito legal a bota voadora!! O filme tem umas ideias legais de tecnologia.

- As pessoas na Terra não enxergam os aliens??? Há uma cena de ação intensa no meio da cidade (eles voando em naves e destruindo prédios, etc), mas em vez de me envolver na cena eu só estou pensando se as pessoas não estão vendo isso tudo! A explicação só vem depois que a cena acaba e não é muito boa (ele reconstroem tudo e apagam a memória das pessoas, etc).

- Não gosto muito da atitude da Mila Kunis. Ela reage de maneira muito casual ao que está vendo. Ao se comportar de maneira meio atrapalhada, cômica, ela acaba impedindo a fantasia de parecer real pra plateia. Está constantemente nos lembrando: "isso não se passa de uma grande brincadeira infantil". Em alguns momentos ela deveria parecer realmente impressionada com todas essas descobertas - se mostrar envolvida na história.

- Não inspira muito a ideia dela ser "a escolhida" só por ter uma ligação genética com a realeza, etc. Não é por causa de nenhuma virtude pessoal dela. É algo que vem de graça, por acidente - pra plateia ela fica parecendo apenas uma faxineira sortuda, e não uma pessoa com poderes reais.

- Anticlímax a maneira em que ela vai reivindicar o seu título (passando por toda aquela burocracia, etc). Se a ideia da história era ver uma simples faxineira se revelar uma rainha do universo, essa sequência vai totalmente contra a ideia de que ela é importante.

- Falta conteúdo no filme. Apesar dele ser uma fantasia, ele precisa discutir valores com os quais a plateia se identifique, virtudes mundanas, etc. Dá a impressão que o grande "barato" aqui é o escapismo pelo escapismo - o desejo de ir pra um outro mundo que nada tem a ver com o nosso. Fugir totalmente da realidade. Esse excesso de fantasia também prejudica a ação. Parece que não há regras, que tudo pode acontecer: o Channing Tatum é ejetado da nave, mas daí encontra uma bolinha que magicamente se transforma num traje espacial, etc. É tudo muito irreal.

- A protagonista se vê no meio de uma grande aventura, mas ela pessoalmente não tem nenhum desejo forte (parece apenas querer voltar pra casa). Há o desejo dela pelo Wise, mas o romance não chega a ser bem desenvolvido.

- Ela não é uma figura muito ativa: está sempre sendo forçada a assinar algo, a se casar com alguém, e no último segundo surge o Wise e resolve a situação. Ela não parece segura e independente.

- O melhor do filme é o visual, os efeitos especiais; algumas imagens são impressionantes (por exemplo: a nave emergindo dos anéis do planeta, etc). Embora muitas das cenas de ação pareçam caóticas e desagradáveis de assistir.

- SPOILER: Chato: ninguém na vida real fica sabendo pelo que ela passou! A vida dela não se transforma pra muito melhor. O romance com o Channing Tatum tem que acontecer escondido de todo mundo. Insatisfatório esse final!

CONCLUSÃO: Fantasia visualmente marcante e criativa, mas com uma narrativa confusa e emocionalmente insatisfatória.

(Jupiter Ascending / EUA / 2015 / The Wachowskis)

FILMES PARECIDOS: Ender's Game: O Jogo do Exterminador / Círculo de Fogo / Thor

NOTA: 6.0

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Grandes Olhos

- Gosto do visual alegre, colorido (embora a cópia do cinema esteja claramente com defeito, deixando as cores estouradas, principalmente os azuis). A produção consegue transportar a gente pros anos 50.

- O filme tem aquele tom leve típico dos filmes do Tim Burton - sem muita ousadia, intensidade, emoção, mas a história é boa, Amy Adams é sempre uma presença agradável, e o filme discute temas universais e interessantes: carreira, sucesso, integridade artística versus "se vender", honestidade, etc.

- Logo de cara o Christoph Waltz já parece um charlatão. Se essa era a intenção, ele está muito bem.

- É tão odioso o que o Keane está fazendo com a esposa!! Eu começo a perder o respeito por ela, por aceitar essa situação! Ela merece o que está tendo. Não é bem explicado que o fato dela ser mulher atrapalharia seu sucesso (isso só é dito mais pra frente no filme). Não parece haver um bom motivo pra ela abrir a mão do crédito do seu trabalho. Não temos a impressão que os quadros dela não venderiam caso o Keane dissesse desde o começo que ela é a pintora.

- SPOILER: Keane tem uma filha que ninguém sabia? Não há como uma mulher se casar com um cara tão desonesto e mau caráter e não perceber isso. Ela sem dúvida é responsável por estar nessa situação!!

- O filme não consegue mostrar a Margaret como uma mulher admirável. Não só pela submissão em relação ao marido, mas às vezes ela parece um pouco ingênua (falando de numerologia, etc), e seus conceitos artísticos não são bem explorados.

- SPOILER: Chocante a revelação que os primeiros quadros do Keane já não eram dele!!!

- Keane é um dos personagens mais detestáveis dos últimos tempos! E a maneira que o Christoph Waltz o interpreta, dando um tom meio cômico e inocente, deixa tudo ainda mais irritante. Pior que existe gente assim - esse tipo de pessoa mau caráter, que conquista tudo através da manipulação, do charme, sem um pingo de vergonha na cara e respeito pelos outros. E igualmente péssimas são as pessoas que consomem esse tipo de modismo, se sentindo grandes apreciadoras de arte.

- SPOILER: Chocado com a cena dos fósforos! Isso aconteceu mesmo?? Que casal doentio!

- SPOILER: No julgamento a Margaret se redime ao admitir que foi fraca, e não jogar a culpa toda sobre o marido.

- SPOILER: Demais eles terem que pintar o quadro na frente do juíz. Final satisfatório (embora continue com raiva do Keane, que morreu afirmando ser o artista!). Demais a foto da Amy Adams com a Margaret real antes dos créditos!

CONCLUSÃO: Performance de Christoph Waltz é um pouco detestável demais, e Margaret não é tão vítima quanto parece, mas é uma história curiosa, bem contada, com bons atores.

(Big Eyes / EUA, Canadá / 2014 / Tim Burton)

FILMES PARECIDOS: Philomena / Julie & Julia / Em Busca da Terra do Nunca / Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas / Ed Wood

NOTA: 7.0

A Teoria de Tudo


- Não dá pra entender direito por que os dois se apaixonam. Não só pela diferença grande de ideias e interesses (ele ateu, cientista - ela religiosa, estudante de arte), mas também por não parecer haver uma grande tensão sexual ou algo do tipo. Parece que a relação só se torna mais forte depois que ele fica doente e ela assume um papel de cuidadora, como se fosse uma mistura de amor com pena.

- Personagem de Hawking é simpático, admirável, e a meta dele de entender o início dos tempos é ambiciosa e envolvente. Eddie Redmayne está ótimo no papel - as cenas em que ele recebe a notícia da doença, e depois jogando croquet são comoventes. Incrível o controle dele da face - as micro-expressões e contrações musculares que podemos ver em close. 

- O que torna o filme comovente e assistível é a atitude positiva dele. A esperança, a paixão pela ciência, os toques de humor (a plateia está frequentemente rindo ao longo da sessão). O filme não é a história de alguém morrendo, e sim uma história de sucesso, onde no caminho o herói tem que lidar com uma doença grave. 

- Eddie Redmayne dá um show com a doença num estágio mais avançado. Performance digna de Oscar. E o interessante é que não é algo que nos distrai da história. Ele convence tanto que paramos de pensar na performance dele, e focamos no drama, no que está acontecendo em cada cena. 

- Interessante o surgimento de Jonathan na vida do casal e a discussão que isso levanta. O estranho é que parecia que o Hawking já tinha permitido que a Jane tivesse um caso com ele. A situação fica meio mal explicada. 

- Jane começa a se tornar um personagem um pouco antipático. Parece que está de má vontade, que não quer mais ter filhos do Hawking, que está de saco cheio do marido, etc. 

- Muito ingrato o papel da Emily Watson! Ela só tem 1 cena no filme praticamente! 

- Angustiante quando ele perde a voz e tem que começar a se comunicar através do quadro! Mas é um alívio quando surge a Elaine e começa a ajudá-lo.

- Incrível pensar que ele escreveu "Um Breve História do Tempo" nessas condições, apenas clicando um botão.

- SPOILER: Memorável a cena em que ele e a esposa decidem se separar (ele falando através da máquina, sem poder expressar emoções direito, e depois dirigindo a cadeira até encostar nela)! Muito bem dirigida.

- Discurso final na premiação bonito e inspirador.

CONCLUSÃO: Produção bem feita (sem muito virtuosismo técnico, mas de bom gosto), com uma história real impressionante e uma performance perfeita de Eddie Redmayne.

(The Theory of Everything / Reino Unido / 2014 / James Marsh)

FILMES PARECIDOS: O Jogo da Imitação / Uma Mente Brilhante / O Homem Elefante / A Luta Pela Esperança / Ray

NOTA: 8.0

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Cássia Eller

Não fiz anotações ao longo dessa sessão como de costume. Achei um documentário eficiente, mas como todo documentário sobre músicos, ele acaba dependendo muito do quanto você gosta do artista em questão (costuma ser diferente de ficção, onde você pode até não se interessar pelo assunto, mas aproveitar o filme num nível estético). Eu não sou um grande conhecedor ou admirador da Cássia Eller. Acho ela uma vocalista forte certamente, mas em termos de "Senso de Vida" não tenho muita simpatia (o Oswaldo Montenegro sugere o motivo logo no começo do filme - ele diz que há algo por trás da atitude da Cássia Eller que diz que o ser humano é pequeno, insignificante - só que ele diz isso como se fosse um elogio!). De qualquer forma, pros que gostam da cantora, o documentário é satisfatório e só deve aumentar a admiração por ela. Eu que não gosto saí com uma impressão um pouco mais positiva, por ver o lado gentil, sensível dela, que é bem diferente do que se vê no palco. Recomendo nesse contexto.

(Cássia Eller / Brasil / 2014 / Paulo Henrique Fontenelle)

NOTA: 5.0

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Caminhos da Floresta

- Disney + Rob Marshall na direção: não tinha como a produção não ser top, o visual não ser impecável, etc.

- Não gosto da música no começo do filme - esse estilo fragmentado, onde o ator canta um pouco, para, há uma cena, mais pra frente a música continua, etc. Sequências musicais são mais fortes quando têm um senso de unidade - começo, meio e fim. Mas é legal o momento em que todos entram na floresta (na canção "Prologue: Into the Woods").

- Meryl Streep sempre hipnotizante em cena! Tantas coisas acontecem no rosto dela...

- Cena do lobo (Johnny Depp) é fraca e a música também.

- Falta um protagonista, um drama pelo qual a gente se importe. O filme acaba parecendo mais um joguinho intelectual de misturar contos infantis, mas não evolui pra uma história independente, interessante em si, com algum significado. E também não aproveita o que há de interessante nos contos originais: a cena da transformação da Cinderela, por exemplo, acontece cedo demais, não emociona, não vemos o romance dela com o príncipe, etc.

- Não há canções boas! Isso torna qualquer musical frustrante. E as cenas não têm muita força, pois o filme não tem drama (nos melhores musicais, as canções servem pra intensificar momentos importantes da história).

- Cena em que Meryl canta "Stay With Me" pra a Rapunzel é boa! Uma das poucas que têm força.

- Alterações confusas na história!! Não faz sentido a Cinderela ir 3 noites no baile e fugir toda vez. Depois de 3 noites o príncipe ainda só conseguirá reconhecê-la através do sapato? Horrível a música e a cena em que ela canta na escadaria.

- SPOILER: Que estranho! O filme tinha que acabar depois que a Emily Blunt e o padeiro conseguem todos os ingredientes, quebram a maldição da bruxa, e ela engravida. Já foi resolvido o conflito principal da história, mas ainda falta muito pra acabar!! O que vai acontecer agora? A história até aí já não era das mais envolventes. A trama da "giganta" que ocupa a parte final do filme é um anticlímax!

- SPOILER: Estranho o príncipe trair a Cinderela e beijar a Emily Blunt!!! Que erro! Ninguém na plateia devia estar torcendo por isso. E depois ela morre??? E o padeiro ameaça abandonar o filho? E a mãe do João morre???? O que o filme quer dizer com isso? É só pelo prazer de arruinar "finais felizes"? Isso torna o filme profundo? Que bagunça!

CONCLUSÃO: Bem produzido, bem dirigido, com bons atores, infelizmente faltam boas canções e um terceiro ato mais satisfatório.

(Into the Woods / EUA, Reino Unido / 2014 / Rob Marshall)

FILMES PARECIDOS: Malévola / Oz: Mágico e Poderoso / Frozen / Valente / Os Miseráveis

NOTA: 6.0