quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Amy

O documentário tem uma narrativa poderosa que se deve em muito à realidade da vida de Amy Winehouse - o carisma, o talento, o enorme sucesso, a vida pessoal turbulenta e sua auto-destruição. Há algo nesse tipo de história que quase que automaticamente gera um filme envolvente. O documentário é cheio de vídeos privados que nos dão a oportunidade de ver a vida de Amy de dentro, pelo ponto de vista dela, o que é muito curioso e causa certo sentimento de culpa no público, que na época em que Amy era viva se "divertia" com sua imagem decadente (que às vezes parecia um jogo de marketing), pois não sabia da gravidade da situação. Pessoalmente eu sempre achei que havia sim algo de publicitário na imagem de Amy - no sentido de que no fundo a auto-destruição era sua marca. Acho que Amy sabia disso e passou a promover essa imagem, mesmo que subconscientemente - pois quanto mais decadente ela era, mais "Amy" ela era, e mais icônica se tornava.

O problema é que ela realmente vivia esse personagem, não apenas na frente das câmeras (como alguns artistas que só são auto-destrutivos em videoclipes), o que resultou em sua morte. É um pensamento meio mórbido mas, como ela "vendia" auto-destruição, sua morte de certa forma foi um grande sucesso pra sua "marca" - da mesma forma que Jesus (que vendia altruísmo) se tornou imbatível no momento em que foi pra cruz pela humanidade - um ato muito mais autêntico e icônico do que se ele tivesse casado, tido filhos e uma vida confortável.

Apesar de todos problemas e de eu não exatamente fã da imagem que Amy vendia, ela me pareceu, vendo o documentário, uma garota doce, talentosa, que queria ser melhor, que tinha um brilho especial e boas intenções artisticamente (ao contrário da Nina Simone, como se vê em What Happened, Miss Simone?), e que apenas não tinha força e estrutura psicológica pra suportar o sucesso e as dificuldades de sua vida pessoal.

(Amy / Reino Unido, EUA / 2015 / Asif Kapadia)

FILMES PARECIDOS: What Happened, Miss Simone? (2015) / Elena (2012) / O Show Deve Continuar (1979) / A Rosa (1979) / Nasce uma Estrela (1976)

NOTA: 8.0

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Evereste

ANOTAÇÕES:

- A história tem um objetivo claro e o filme apresenta muito bem os obstáculos e os perigos de escalar a montanha, criando bastante apreensão.

- Imagens fantásticas das montanhas, das "cascatas de gelo", eles atravessando a ponte de corda, etc. Ver em IMAX 3D realmente vale a pena e aumenta a sensação de perigo.

- O filme consegue criar personagens convincentes e um universo bastante realista - pra um LEIGO, eles parecem realmente entender de alpinismo. Às vezes parece que estamos vendo um documentário da Discovery ou algo do tipo.

- Não me identifico muito com essas pessoas e acho que elas estão se colocando em perigo sem necessidade - então não é totalmente trágico que elas sofram as consequências. Mas ainda assim é possível entender o desejo dos personagens de superarem um desafio, de verem uma paisagem rara - ou mesmo de fugirem da depressão como no caso de um deles. Eu jamais estaria ali, mas consigo compreendê-los o bastante pra entrar na história.

- O elenco é incrível! Muita gente famosa fazendo papéis secundários, o que dá um tom urgente e grandioso pra produção.

- Roteiro muito bem estruturado. A escalada do Evereste já é interessante por si só e cheia de momentos tensos, mesmo antes das coisas começarem a dar errado.

- Bonita a chegada no topo da montanha! Adoro a japonesinha.

- Suspense forte e bem construído! O cara que chega atrasado no topo, o outro que começa a enxergar mal, o oxigênio que começa a acabar, a tempestade se aproximando, etc. Lembra o momento "iceberg" do Titanic - inclusive a trilha sonora é boa e lembra a de Titanic nesse momento.

- SPOILER: Ótima a cena da nuvem subindo. Chocado com o Doug se jogando na sequência.

- Quem foi que caiu tentando tirar o casaco??? Nessa hora da tempestade fica difícil reconhecer quem é quem. Não dá pra ver o rosto de ninguém - está todo mundo encapuzado e cheio de gelo.

- Foi bastante irresponsável o Rob ir escalar o Evereste com a esposa grávida. É triste, mas um outro lado meu fica pensando que se a família fosse tão importante assim pra ele, ele não teria viajado nesse momento!

- SPOILER: Horrível a mão congelada do Josh Brolin!! Achei que ele estivesse morto. Não é previsível quem irá viver e quem irá morrer.

- Apavorado com o resgate de helicóptero!

- SPOILER: O Rob morreu mesmo??? Deviam ter dado mais ênfase nisso, já que ele era um dos principais personagens.

- Legal o final com as fotos das pessoas reais.

CONCLUSÃO: Aventura tensa, tradicional, com produção, roteiro, direção e elenco bastante sólidos.

(Everest / Reino Unido, EUA, Islândia / 2015 / Baltasar Kormákur)

FILMES PARECIDOS: Gravidade / As Aventuras de Pi / Náufrago / Titanic / Apolo 13

NOTA: 7.5


sábado, 19 de setembro de 2015

Maze Runner: Prova de Fogo

ANOTAÇÕES:

- O ambiente e a situação são menos interessantes em relação ao primeiro filme (onde havia o mistério do labirinto). E não há uma discussão política interessante como em outros filmes do gênero. A história se resume a um pega-pega. O objetivo dos personagens é apenas escapar, mas não há uma meta interessante além dessa.

- Como no primeiro filme, a produção é acima da média. A direção é eficiente, a fotografia é boa, a direção de arte também, etc.

- Os personagens em geral são vazios, sem muita personalidade, não há relações interessantes entre eles. Falta uma dimensão mais humana na história, além do objetivo físico.

- História vai ficando repetitiva. O filme está o tempo todo alternando entre momentos de perigo/momentos de segurança/momentos de perigo/momentos de segurança. E estamos sempre sendo introduzidos a personagens que parecem confiáveis, mas que depois se revelam não confiáveis. A história não parece estar progredindo em direção a algo interessante. Está apenas preocupada em prender a atenção de momento a momento, de maneira mecânica, e não fazendo a gente se importar pelos personagens, se envolver emocionalmente ou intelectualmente na história, etc.

-  Linda a tempestade de raios! Os efeitos especiais são bom gosto.

- Várias das Tendências Irritantes em Hollywood, em especial a ausência de diversão, o foco em relacionamentos conflituosos, desagradáveis.

- Filme longo! 2 horas e 11 minutos. Depois de 1 hora e meia vai ficando um tédio.

- O herói não faz nada de memorável. Está sempre sendo salvo pelos amigos (a tendência atual dizer de que o que importa é o trabalho em equipe, e não qualidades individuais).

- Assim como no primeiro filme (que tinha a morte do Chuck pra tentar dar um final dramático pra história), quando o menino oriental é capturado, é feito um grande drama disso, entra uma música épica, o personagem grita intensamente - só que esse japa é um personagem secundário pelo qual ninguém dava a mínima. Não é um bom evento pra marcar o fim da história.

- SPOILER: Mais "Tendências Irritantes": no fim o herói decide voltar e se sacrificar pois não pode deixar o amigo pra trás (auto-sacrifício = heroísmo).

CONCLUSÃO: Produção bem feita, mas com roteiro mais fraco que o da primeira parte e com ação menos empolgante.

(Maze Runner: The Scorch Trials / EUA / 2015 / Wes Ball)

FILMES PARECIDOS: Divergente (série) / Jogos Vorazes (série) / O Doador de Memórias / Harry Potter (série)

NOTA: 5.5

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Nocaute

ANOTAÇÕES:

- Produção de qualidade, atores competentes. Nada de notável em termos de direção, mas bem feito.

- Boxe já não é dos esportes mais interessantes, e em vez do filme fazer a gente apreciá-lo (se é que isso é possível) ele o usa mais como um pretexto pra mostrar violência e imagens desagradáveis (pessoas babando sangue, etc), sem ter um bom conteúdo pra justificar isso tudo. Pra mim é como ver certos videoclipes atuais: você não precisa de uma boa música, basta mostrar corpos sensuais, violência, e comportamento auto-destrutivo que o público irá te respeitar.

- Não gosto muito do Jake Gyllenhaal nesse papel. Apesar de empenhado, ele não convence realmente como inculto/grosseiro, da mesma forma que De Niro convencia em Touro Indomável.

- SPOILER: Inesperada (e um pouco forçada) a morte da esposa! Se o filme se tornar uma história de vingança daqui pra frente não irá funcionar. A culpa da morte dela não é de fato do rival. E os dois mal se conhecem. Não há uma disputa relevante entre eles (como existia entre os 2 pilotos no filme Rush, por exemplo).

- Billy vai se tornando cada vez mais detestável. Prejudica a própria carreira, bate o carro de propósito, perde a filha por culpa própria, perde a casa, se revolta no tribunal sem razão, etc. Se o filme fosse uma crítica ao caráter dele, seria compreensível. Mas aqui isso é feito pra ele parecer sexy, "macho", etc.

- A filha fica rebelde e com ódio do pai de maneira muito rápida e artificial. Vira um personagem diferente de uma hora pra outra. Parece desculpa pra retratar relações conflituosas (e dar um ar mais "complexo" pro filme, que na verdade é superficial psicologicamente).

- No meio do filme quando ele começa a querer se reerguer, a história fica um pouco mais positiva (e clichê). E ainda não funciona totalmente, pois, diferente de tantos filmes de esporte, Billy não é um cara "pequeno", despreparado, tentando vencer um grande oponente. Quando o filme começou ele já era o melhor do mundo, e durante o filme ele só perdeu 1 luta pois estava extremamente abalado emocionalmente. Não dá pro filme querer ser uma história motivacional, de superação, etc.

- Luta final previsível, não muito empolgante e pouco cinematográfica. Difícil se impressionar com Billy pois não vemos muito bem as técnicas dele sendo aplicadas. Só sabemos mais ou menos o que está acontecendo por causa da narração.

CONCLUSÃO: Bem produzido, mas não empolga como filme de superação, é cheio de clichês e tenta compensar o roteiro mediano com métodos baratos (violência, etc).

(Southpaw / EUA / 2015 / Antoine Fuqua)

FILMES PARECIDOS: Whiplash / Rush: No Limite da Emoção / O Vencedor / O Lutador / Rocky - Um Lutador

NOTA: 5.0

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Férias Frustradas


ANOTAÇÕES:

- Curti a música "Holiday Road" e as fotos nos créditos. O filme parece ter sido feito por fãs do original e não por pessoas que estão apenas querendo lucrar em cima da franquia.

- Tem algo um pouco de errado no humor que ainda não consegui identificar. O Ed Helms não convence muito como burro/atrapalhado no estilo Chevy Chase. Tem mais cara de inteligente/nerd.

- A viagem começa muito cedo, sem preparação. O pai mal deu a ideia e eles já estão partindo. Outra coisa ruim é que as crianças não estão nem aí pra Walley World, não há a magia da primeira viagem. 

- É muito forçado o carro que ele compra pra viajar. Parece só uma tentativa dos roteiristas de repetirem a ideia do primeiro filme (da viagem começar mal já na escolha do carro). Só que o humor às vezes cai pra um lado nonsense que não combina com a história e com os personagens (o GPS do carro, por exemplo). Parece uma tentativa de ir praquele estilo de humor absurdo dos filmes do Will Ferrell, só que não é muito bem executado. 

- Sequência na faculdade da Christina Applegate é muito forçada! Parece um sketch solto que não pertence ao filme. Essa mãe jamais se comportaria assim na frente dos filhos. 

- Os personagens são meio irreais. No original sentíamos que estávamos vendo uma típica família americana. As relações faziam sentido. Aqui parece tudo falso. A própria ideia do irmão mais velho sofrer bullying do mais novo parece artificial. E os eventos também... Eles jamais entrariam no esgoto sem perceber. As coisas que aconteciam no original eram exageradas, mas tinham justificativas melhores. A graça vinha justamente do fato do absurdo parecer plausível naquele contexto.

- Cena na divisa dos 4 estados: outra que o Will Ferrell saberia fazer num filme dele, mas aqui soa pastelão demais.

- "Without You" tocando nas corredeiras?!?! O filme é esforçado, cheio de ideias, está realmente empenhado em divertir o público... O problema é que os diretores parecem não ter muita experiência e sensibilidade pro gênero. Pelo menos o formato da série é tão bom que mesmo com esses problemas ainda dá um filme minimamente divertido. 

- Decepcionante a participação especial do Chevy Chase e da Beverly D'Angelo. Não é nem engraçado nem nostálgico.

- Família cantando na montanha-russa: outra cena ruim. E pra piorar o passeio é interrompido. 

CONCLUSÃO: Tentativa honesta e esforçada de fazer um reboot de Férias Frustradas, mas os diretores não têm muito dom pro gênero e as situações cômicas parecem forçadas.

(Vacation / EUA / 2015 / John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein)

FILMES PARECIDOS: Quero Matar Meu Chefe 1 e 2 / Tudo por um Furo / Família do Bagulho / Se Beber, Não Case

NOTA: 5.0

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Love

ANOTAÇÕES:

- Naturalismo: registro externo de pessoas e relacionamentos sem conteúdo psicológico, sem projeção de valores, julgamento moral, etc.

- Acho um tédio quando o "produto" principal do filme é sexo. Mas pelo menos os atores e as cenas são bonitas, bem fotografadas.

- História superficial. Garoto conhece garota, garoto trai garota, etc. O fato dela ser contada de forma não-linear não acrescenta nenhum conteúdo ao filme.

- SPOILER: Até que o filme é mais leve do que eu imaginava, sexualmente. Exceto por 1 tomada ou outra, já vimos coisas parecidas em dezenas de filmes como 9 Canções, Shortbus, etc. E essas tomadas mais chocantes (a ejaculação 3D, o p.o.v. de dentro da vagina) não têm grande impacto e até destoam do resto do filme, que não tem essa atitude "trash". O filme irá frustrar quem estiver esperando algo subversivo como sugeriam os cartazes.

- Pra que essas referências a filmes, os diálogos metalinguísticos pretensiosos? O garoto não convence como cineasta e isso não tem nada a ver com a história. Parece apenas o diretor querendo se enfiar no meio do filme, exibindo seu repertório, tentando engrandecer o próprio trabalho de maneira artificial. Mas o resultado é o contrário: ao discutir Kubrick, por exemplo, a gente fica apenas consciente de que o filme está muito longe de ser algo como um filme do Kubrick. É o típico caso do artista não-intelectual tentando se passar por intelectual.

- O garoto e a morena têm uma química interessante quando estão brigando. É cômico num bom sentido.

- O filme é vazio, sem enredo - mas não é desagradável de ver. Os personagens têm certo charme, etc. Se tivesse 1 hora e 20 seria aceitável, mas com 2 horas e 15 começa a ser uma tortura!

- Divertida a cena do travesti. Pelo menos sai da monotonia e a plateia tem alguma reação.

- Final entediante! Uma cena arrastada após a outra. Digno de levantar e ir embora.

CONCLUSÃO: História de amor superficial, monótona, que só se destaca pelo estilo e pelo sexo explícito.

(Love / França, Bélgica / 2015 / Gaspar Noé)

FILMES PARECIDOS: Azul É a Cor Mais Quente / 9 Canções

NOTA: 4.0

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Ted 2

ANOTAÇÕES:

- Divertido/nonsense o número musical do começo. Super bem coreografado! Seth MacFarlane leva jeito pra coisa, rs.

- Química entre Mark Wahlberg e Ted continua excelente.

- Boa direção e bom roteiro. Não só o nível das piadas é constante e bem acima da média, como a história também é divertida (conseguir esperma, a luta pelos direitos civis, etc).

- Chocado com a piada das Kardashians!!!

- Fantástico eles jogando maçãs nos corredores.

- Na hora do julgamento o filme quase começa a ficar sério/pretensioso demais querendo passar uma mensagem política, mas o humor logo volta e não deixa o clima pesar.

- Como é que a Hasbro topou ser retratada dessa forma?

- Amando as referências a Jurassic Park, Contato (embora tenha sido um pouco desnecessário o acidente de carro e todo esse trecho do filme).

- Muito apropriado o filme ir parar na Comic Con! Prato cheio pro Seth MacFarlane fazer piadas com referências à cultura pop, etc. Hilária a luta entre os visitantes.

- Não concordo muito com o Morgan Freeman e a definição do que é ser humano, etc, mas dá pra perdoar (o filme não se leva tão a sério intelectualmente).

CONCLUSÃO: Comédia de humor negro bem escrita, bem produzida, com personagens carismáticos e boas piadas.

(Ted 2 / EUA / 2015 / Seth MacFarlane)

FILMES PARECIDOS: A Escolha Perfeita 2 / Debi & Lóide 2 / Anjos da Lei 1 e 2 / É o Fim / Professora Sem Classe / Ted / Segurando as Pontas

NOTA: 7.5

Ricki and the Flash: De Volta Para Casa

ANOTAÇÕES:

- Meryl convence e está bem de roqueira. Legal a forma como a relação entre ela e o outro cara da banda é revelada sutilmente através das performances.

- Elenco bom e caracterizações boas. O personagem da Meryl é interessante e gera uma série de conflitos só por ser quem ela é. Bem estabelecidos os contrastes e os conflitos entre a Meryl e o resto da família (ela não saber usar a caixa postal do celular, ela impressionada ao chegar na mansão, o detalhe do ex-marido ainda chamá-la pelo nome verdadeiro - uma forma inteligente de mostrar que ele não aprova a carreira dela, etc).

- Assustadora a filha (Mamie Gummer). Não gosto muito da performance dela. Ela tem uma presença extremamente bruta, agressiva, que destoa do tom familiar do filme. De repente parece que estamos vendo um filme sério sobre o suicídio. Sem falar que ela está muito masculinizada - não convence como uma mulher romântica, sofrendo por um homem.

- Filha chegando descabelada no restaurante caro é extremamente forçado. Se era pra ser cômico, não funcionou.

- Filho: "Eu nasci gay". Meryl: "Eu nasci Ricki". Os diálogos têm bons momentos!

- O enredo é interessante. Torcemos por essa reaproximação entre a Meryl e a família; pra eles aceitarem a Ricki como ela é. Legal a cena em que ela toca violão pra filha e pro Kevin Kline, a interação entre os 2 na cozinha (hilário a Meryl falando os códigos dos produtos).

- Chata a personagem da Maureen (nova esposa). Os personagens nesse filme são tão opostos que às vezes parecem não se encaixar no mesmo ambiente.

- SPOILER: Depois que a Meryl vai embora da casa do Kevin Kline, a história perde um pouco a força (e ainda falta muito pra acabar). A missão já foi cumprida: a filha já está bem melhor da depressão e a relação entre ela e o ex-marido foi restaurada. Não há muito mais o que esperar daqui pra frente. Romance entre Meryl e o cara da banda não empolga, e os números musicais parecem estar enchendo linguiça.

- SPOILER: Clímax um pouco forçado. Se você for pensar, a Ricki é simpática, talentosa, experiente, tem bom gosto musical, e seria super apropriada nesse casamento. Não há por que as pessoas resistirem tanto à música dela. Ela teria conquistado o público instantaneamente. Se você for pensar, também parece um pouco forçado os filhos rejeitarem tanto a mãe ao longo do filme. Ela é ótima.

CONCLUSÃO: Drama familiar convencional, mas com bons atores, personagens interessantes e diálogos acima da média.

(Ricki and the Flash / EUA / 2015 / Jonathan Demme)

FILMES PARECIDOS: Álbum de Família / Jovens Adultos / Simplesmente Complicado / Coração Louco / Juno

NOTA: 6.5

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Casa Grande

Tinha perdido esse filme nos cinemas e só quis ver agora porque ele tem entrado em algumas listas de melhores filmes nacionais do ano. A sensação foi a de ver Que Horas Ela Volta? mais uma vez: um filme Naturalista cuja principal intenção é a de expressar desprezo pela classe alta (Alerta Vermelho).

Não há grandes méritos cinematográficos, uma narrativa forte, psicologia, personagens carismáticos, valor de produção, uma direção talentosa: é basicamente um filme político, que só será satisfatório pra quem estiver de acordo com as opiniões do filme (e pra quem achar que a função principal do cinema é a de expressar opiniões).


Eu não consideraria o filme preconceituoso e mal intencionado se fosse um retrato de uma família específica, com problemas particulares, baseados em falhas pessoais - uma crítica ao comportamento irresponsável do pai em relação ao dinheiro, por exemplo. Da mesma forma que não considero Cidadão Kane um ataque a todos os magnatas - o foco do filme é a figura pessoal de Kane. Mas em Casa Grande, o retrato não é de pessoas específicas com problemas individuais. O filme não vai a fundo nas caracterizações, não nos diz muito a respeito dos personagens, da origem psicológica de seus problemas. O personagem central aqui é justamente a casa, que simboliza toda uma classe social. É um ataque generalizado, que sugere que os defeitos dessas pessoas não é de origem pessoal - resultado de escolhas que poderiam ter sido diferentes - elas são apenas frutos do meio (a visão determinista do Naturalismo). O vilão aqui não é nenhum dos protagonistas, mas a "casa grande". Seria o mesmo que fazer um filme na favela chamado "Barraco Sujo", e a partir daí retratar negros pobres se comportando de maneira detestável, roubando, etc, tudo de maneira distante, fazendo um retrato frio e odioso (mas tentando ser realista) de um grupo social.

É realmente triste a situação do cinema nacional, mas compreensível, quando você considera que é o governo que escolhe a maioria dos filmes que são produzidos. Enquanto não houver por aqui uma indústria independente forte, filmes financiados de maneira privada, continuaremos vendo esse tipo de produção sendo privilegiada.

(Casa Grande / Brasil / 2014 / Fellipe Barbosa)

FILMES PARECIDOS: Que Horas Ela Volta? / O Som ao Redor

NOTA: 2.5

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Atualização do Gráfico


O gráfico está em azul e vermelho agora (e roxo no meio, por consequência) pra deixar mais clara uma ideia:

Sempre que o filme estiver na parte esquerda/superior do eixo (área vermelha) significa que eu prefiro a qualidade estética do filme aos seus valores/senso de vida. Ou seja: acho o filme mais bem feito do que bem intencionado. 

Sempre que o filme estiver na parte direita/inferior do eixo (área azul) significa que eu prefiro os valores/senso de vida do filme à sua qualidade estética. Ou seja: acho o filme mais bem intencionado do que bem feito.

Se o filme está muito pro lado vermelho, é um filme que eu respeito, porém não gosto tanto (por exemplo: Birdman). 

Se o filme está muito pro lado azul, é um filme que eu gosto, porém não respeito tanto (por exemplo: Terremoto: A Falha de San Andreas). 

Os filmes que estão em cima do eixo estão equilibrados: eu gosto tanto quanto respeito (ou desgosto tanto quanto desrespeito). Por exemplo: O Jogo da Imitação

De qualquer forma, o que mais conta aqui ainda é a nota. Por exemplo: recentemente eu postei meus comentários sobre os filmes brasileiros Que Horas Ela Volta? e A Esperança É a Última que Morre - ambos nota 2.0 na minha opinião. Mas são notas 2.0 diferentes: Que Horas Ela Volta? está do lado vermelho (respeito mais do que gosto), e A Esperança É a Última que Morre está do lado azul (gosto mais do que respeito). Mas claro, como se trata de uma nota muito baixa, não dá pra dizer que eu de fato "respeito" Que Horas Ela Volta? e nem que eu de fato "gosto" de A Esperança É a Última que Morre. Eu nem respeito nem gosto de nenhum desses filmes: mas um eu detesto mais do que desrespeito, e o outro eu desrespeito mais do que detesto.

A Esperança É a Última que Morre


- Confuso o começo. A Dani Calabresa já conhecia os 2 caras que dão carona pra ela? A história é meio mal contada.

- É muita coincidência ela ser amiga justamente dos caras do IML. Toda a trama é forçada, falsa, o que tira boa parte da graça.

- Roteiro ruim. Não vemos eles preparando a cena do crime. O filme pula um trecho essencial da história e já mostra ela apresentando a matéria. Não soa convincente. E as cenas das matérias não são particularmente engraçadas. 

- Uma das direções mais desastrosas e bizarras que eu já vi. O diretor não sabe contar a história visualmente e não tem a menor sensibilidade pra humor. Nada destrói mais uma piada do que um diretor que está tentando ser "estiloso" e fazer enquadramentos elaborados, chamando atenção pra direção, ao mesmo tempo em que os atores estão tentando ser engraçados. Tecnicamente o filme também é amador. O som é terrível. Às vezes eles estão em ambientes grandes, abertos, e o som parece de estúdio. Não há figurantes o bastante, dando a impressão de que eles estão sempre em lugares abandonados. A sonoplastia chama atenção de tão ruim. A imagem muitas vezes está fora de foco. A fotografia vive pulando de eixo e deixando a gente confuso. Praticamente tudo é um desastre.

- Que história é essa da fanfarra? O filme tem umas sub-tramas estranhas e desnecessárias. O romance entre a Dani Calabresa e o Danton Mello não funciona. Os dois personagens não têm química (já não estava claro no começo qual a natureza da relação deles, se eles se conhecem há muito tempo, etc). 

- Algumas piadas bobas, ofensivas com idosos e obesos. 

- Até parece que os caras da TV iriam pensar em matar a Vanessa só pra proteger a história do serial-killer. E por que haveria aquela escuta pra Dani Calabresa ouvir tudo pelo fone? O roteiro é todo muito forçado.

- Cena final do velório: constrangedor de tão ruim!!!

CONCLUSÃO: Roteiro fraco, produção precária, direção trágica e falta de senso de humor arruínam o filme.

(A Esperança É a Última que Morre / Brasil / 2015 / Calvito Leal)

FILMES PARECIDOS: Cilada.com / Casseta & Planeta: A Taça do Mundo É Nossa

NOTA: 2.0

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Expresso do Amanhã


ANOTAÇÕES:

- Alerta Vermelho: com a ideia do trem (que representa um microcosmo da sociedade), o filme cria uma versão distorcida e conflituosa da realidade pra fazer um ataque ao capitalismo, aos ricos, à indústria, etc. A ideia sugerida aqui é a de que os ricos são ditadores sanguinários que só têm o que têm porque exploram e abusam do resto da população, então esses devem se rebelar e tomar o que é deles.

- O filme não apresenta direito o personagem principal e já assume que estaremos torcendo pela causa dele, simplesmente por ele ser um "revolucionário". A meta dele de tomar a locomotiva não é tão interessante assim. E depois? Ele planeja ir pra algum lugar fora do trem? Construir uma vida? Criar uma família? O filme se passa num lugar horrível, claustrofóbico, com pessoas desagradáveis, e não há algo de muito positivo pra se esperar além do conflito.

- Chocante a cena do braço congelado! Pelo menos o filme (que foi baseado numa história em quadrinhos) tem criatividade e uma visão imaginativa do futuro.

- Meio falso os policiais estarem há anos sem balas nas armas! E depois as balas aparecerem do nada. Em nenhum momento precisaram dar um tiro nesse tempo todo?

- Forçada a ideia do vagão que parece um aquário do Sea World... E toda a noção de que o trem é autossuficiente e de que lá fora é tão frio que seria impossível sobreviver. É um universo muito irreal pra se tirar qualquer mensagem que se aplique ao nosso mundo.

- Por que essas pessoas esfaqueando o peixe?? E essa performance exagerada da Tilda Swinton? Às vezes o filme exagera demais na bizarrice. A cena na escola com as crianças é ridícula.

- As cenas de ação não são boas. Impressionam apenas pela violência. Não dá pra curtir o filme apenas pela ação como em Mad Max: Estrada da Fúria. É tudo muito irreal.

- Altruísmo: na filosofia do filme, a pessoa que não está disposta a amputar o próprio braço por outra é considerada inferior, "egoísta"!

- Por que pessoas que tinham morrido começam a acordar no final? Não estou entendendo mais nada.

- Até parece que o Ed Harris estaria disposto a passar o comando do trem pro Chris Evans.

- SPOILER: Por que agora as pessoas conseguem aguentar o frio lá fora? Era tudo uma farsa? Mas por que elas entraram no trem em primeiro lugar? No começo estava frio demais, mas ao longo dos anos o clima foi esquentando e ninguém percebeu? Esses 2 foram os únicos sobreviventes do trem inteiro? Eles conseguirão sobreviver? Final confuso e insatisfatório.

CONCLUSÃO: Visão imaginativa do futuro, mas com uma história pouco empolgante, pouco inteligente e com uma teoria política falsa.

(Snowpiercer / Coreia do Sul, República Checa, EUA, França / 2013 / Joon-ho Bong)

FILMES PARECIDOS: Jogos Vorazes / Elysium / A Viagem / O Preço do Amanhã / Filhos da Esperança / Ensaio Sobre a Cegueira / O Nevoeiro

NOTA: 4.5