quarta-feira, 20 de abril de 2016

Ave, César!

NOTAS DA SESSÃO:

- Bela fotografia do Roger Deakins. Todo o universo de Hollywood dos anos 50 é muito bem recriado. Pra quem se interessa por história do cinema, o ambiente e as referências aos clássicos são um prato cheio.

- Como é de se esperar dos irmãos Coen, o filme tem um tom cínico que não me agrada. Em vez de mostrar grandes filmes sendo feitos, ele foca em produções medíocres. A mensagem é: vejam como o sistema de estúdios (ou seja: o capitalismo) produz coisas toscas, sem nenhum valor artístico; vejam como os astros que as pessoas tanto endeusavam na vida real eram pessoas meio vulgares e sem real talento.

- Como o filme tem uma mentalidade liberal, além do capitalismo ele zomba de religião também - mas esses trechos já me divertem mais, rs.

- De qualquer forma, embora eu não simpatize pelo tom do filme, ele é bastante bem feito: a direção é boa, as cenas são originais, divertidas, os atores são excelentes, etc.

- Falta um pouco de foco na história. Há vários temas misturados: o ator que não sabe interpretar, o sequestro do George Clooney, a história da bomba nuclear, os comunistas.. Nem tudo se conecta de uma maneira harmoniosa. Parece que os cineastas são cinéfilos e estão apenas se divertindo explorando o universo de Hollywood daquela época, sem um objetivo muito claro.

- Tilda Swinton está hilária como a colunista! Aliás, todas as participações especiais são muito boas.

- A sequência musical com os marinheiros (Channing Tatum imitando Gene Kelly em Marujos do Amor / Um Dia em Nova York) é meio perturbadora. Os cineastas parecem ser grandes fãs de cinema, criaram aqui uma sequência longa (que nada tem a ver com a história e foi inserida apenas pra diversão deles), tecnicamente complicada, com vários detalhes que apenas um cinéfilo saberia (por exemplo, as referências à dança famosa de Casa, Comida e Carinho) - só que junto com a homenagem, há um tom de deboche que torna tudo indigesto e meio repulsivo. É um exemplo típico de Romantismo Reprimido - os cineastas secretamente gostam da inocência de Hollywood, mas são cínicos demais pra fazer uma homenagem sem culpa.

- Politicamente o filme também fica em cima do muro. Começa zombando do capitalismo, mas quando chegam os comunistas, zomba deles também. O filme não valoriza nada, não é a favor de nada, apenas observa tudo com uma leve expressão de deboche.

- Hahaha, demais o Josh Brolin dando tapas na cara do George Clooney (quando ele conta tudo o que aprendeu conversando com os comunistas).

- Desfecho um pouco morno, afinal a história não era particularmente envolvente e não havia um tema muito claro. Não dava pra se interessar realmente pelos personagens, pela história do sequestro, não havia uma mensagem política específica... O tempo todo o filme parecia mais uma desculpa pros diretores explorarem a história de Hollywood e fazerem suas observações sarcásticas.

CONCLUSÃO: Apesar do tom cínico e "em cima do muro" que me incomoda, é uma produção talentosa, com um elenco incrível, que irá divertir principalmente os cinéfilos.

Hail, Caesar! / Reino Unido, EUA, Japão / 2016 / Ethan Coen, Joel Coen

FILMES PARECIDOS: Trumbo - Lista Negra (2015) / O Miado do Gato (2001) / E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (2000) / O Jogador (1992) / A Rosa Púrpura do Cairo (1985)

NOTA: 7.0

2 comentários:

Anônimo disse...

A Scarlet Johansson ficou parecendo a tinkerbell naquele musical.

Caio Amaral disse...

Hehe.. não fiz essa associação.. mas achei que ela combinou nesse papel de atriz da era de ouro..