segunda-feira, 11 de julho de 2016

A Era do Gelo: O Big Bang

NOTAS DA SESSÃO:

- Péssima a sequência inicial do Scrat no espaço. Se fosse tudo um sonho ainda seria aceitável, mas isso ser realmente a premissa do filme é ridículo. E por que o filme se chama o "Big Bang" se a história é sobre um asteroide? O "bang" seria o impacto do asteroide na terra?

- O humor é muito primitivo e se resume a personagens desesperados gritando o tempo todo.

- Herói Envergonhado: não há protagonista, todos os personagens são losers, sidekicks, etc.

- O desejo dos personagens não é interessante... Eles só querem "não morrer". E como eles vão fazer pra impedir o asteroide de bater na Terra? Não consigo imaginar uma série de ações que eles possam tomar pra atingirem o objetivo.

- O plano da doninha não faz o menor sentido (usar ímãs pra atrair o asteroide). Como eles vão lançar os cristais no espaço? Vão usar o disco voador do Scrat? E qual a necessidade dessa tempestade elétrica que vem de Júpiter? Desde o começo o filme apresenta uma ideia burra atrás da outra. Não é porque um filme é infantil que ele não pode ser inteligente.

- As sub-tramas também não são nada interessante (os dinossauros voadores atrás deles, o conflito do pai com a filha). O futuro genro é tão bobo que eu não torço nem pelo casamento, nem pela aproximação dele com o pai.

- Mais ideias horríveis: o coelho massagista que vive dentro do asteroide, a Shangri-Lhama, a Preguiça que consegue destruir o asteroide inteiro só por tirar um cristal da parede, a ideia dos bichos não envelhecerem lá dentro, o plano de colocar os cristais dentro do vulcão... É como se o filme estivesse de propósito tentando criar a história mais ridícula possível. E isso tem tudo a ver com o conceito de Herói Envergonhado e Romantismo Reprimido. É uma forma do filme dizer pra plateia: "Viram, isso tudo não passa de um besteirol infantil... Aventura, inteligência, salvar o mundo - nós não acreditamos nessas tolices".

- Final péssimo. A sub-trama do casamento da filha nada tinha a ver com a principal do asteroide. A do Scrat também. O filme não tem nenhum senso de unidade estética. E esse final clichê com música alegre e todo mundo dançando também não dá mais.

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CONCLUSÃO: Lixo comercial oportunista sem um pingo de autenticidade.

Ice Age: Collision Course / EUA / 2016 / Mike Thurmeier, Galen T. Chu

FILMES PARECIDOS: Angry Birds: O Filme / Cada Um Na Sua Casa / Minions / Os Croods

NOTA: 3.5

10 comentários:

Andy disse...

Não vi o filme, mas uma coisa me chamou atenção aqui. Não consigo pensar em um objetivo de personagem que possa ser julgado tão superficialmente, sem incluir o contexto. Se o objetivo de um personagem é interessante ou não, depende da história apresentar ele de forma que o espectador queira que tal objetivo seja alcançado.
Desta forma, "não morrer" vai ser um objetivo interessante se o personagem for um personagem que não mereça a morte ou cuja vida seja importante para o espectador.
De qualquer forma, não consigo imaginar este filme alcançando tal feito. Nenhum personagem, baseado nos filmes que eu vi da franquia, apresentam valores importantes, fazendo o objetivo deles de sobreviverem serem sem substância, não por natureza do objetivo, mas por falha dos personagens mesmo. Consigo me imaginar assistindo ao filme e não dando a mínima se eles morrerem no fim.

Andy disse...

À parte disto, gosto muito das suas análise, Caio. Continue o bom trabalho!

Caio Amaral disse...

Tudo bem Andy? Acho que além da questão básica da sobrevivência, os filmes deviam ter algo interessante pra plateia desejar.. Por exemplo: o fortalecimento de uma amizade, um interesse romântico, o desenvolvimento das habilidade do herói, a solução de um mistério, ou simplesmente o prazer de viver uma aventura.. É só por causa desses "positivos" que filmes de desastre como Jurassic Park, Titanic, etc, são agradáveis.. não é tanto o objetivo de "não morrer" que prende a gente à história, acho eu... Mas pra isso os personagens têm que ser bem desenvolvidos, formar relações atraentes.. a ação tem que ter um mínimo de credibilidade.. coisa que não vi nesse filme.. hehe. Obrigado por seguir o blog Andy, abs!

Marcus Aurelius disse...

A Era do Gelo já faz algum tempo que é associado a filmes de péssima qualidade. Me pergunto o que leva alguém como você a se torturar com um treco destes. Nem em casa eu assistiria isso.

Caio Amaral disse...

Kkkkk... Marcus... em casa eu também não assistiria pq pra eu ver filme em casa tem q ser muuuito bom... mas o ritual de ir ao cinema, sentar no escuro com a plateia, comer pipoca, é algo que eu adoro desde criança... então quando não tem filme bom, eu vou ver os ruins mesmo, hehe. Mas só desses gêneros que eu gosto.. entretenimento, etc.. não fico procurando filme iraniano por aí só pra sair de casa, haha.

Anônimo disse...

Era do Gelo foi algo que larguei faz tempo: o um assisti achei um bom filme, mas não memorável. O 2 eu vi no cinema: esperava uma evolução, mas achei mais ou menos. O 3 assisti quando passou na Record com meu filho, nem me chamou atenção quem gostou mais foi ele por causa dos dinossauros.

Anônimo disse...

Tenho a impressão de que os próprios roteiristas já estão cansados dos personagens e não sabem mais o que fazer com eles, mas são obrigados a continuar por razões comerciais. Acho que esse filme foi o jeito que encontraram para dizer que gostariam realmente de mandar Scrat 'para o espaço'.

Caio Amaral disse...

Pode ser.. Lembro q até o 3 eu via alguma graça, mas os 2 últimos achei péssimos (embora os roteiristas sejam os mesmos basicamente).. quem sabe não era o Carlos Saldanha que, enquanto estava dirigindo, dava alguma graça pra série..

Marcus Aurelius disse...

Olá Caio, estou na metade de "A Nascente" e me surgiu uma dúvida que acredito que tu deve saber melhor, por acaso o estilo arquitetônico de Howard Roark é "Art Decó"?
Pensei que talvez fosse, pois é o utilizado nas capas dos romances de Ayn Rand, ou posso estar enganado de estilo mas tenho certeza absoluta que é o caso.

Se de fato o estilo for este, a atitude de Howard Roark determinar seus projetos com base em um estilo específico (ou no movimento modernista) não estaria contradizendo com sua mentalidade de ser original em seu trabalho?

Sem spoilers, por favor... Os Simpsons quase estragaram tudo rs

Caio Amaral disse...

Oi Marcus.. não seria Art déco não.. algumas ideias pro estilo do Roark vieram do arquiteto Frank Lloyd Wright.. mas no contexto do livro ele não estaria imitando ninguém não, nenhuma tendência específica...
Kkk.. Simpsons vs. Ayn Rand.. a saga.. :-P