segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dois Caras Legais

NOTAS DA SESSÃO:

- Não vejo muita graça nesses personagens nem acho a relação entre os 2 divertida (o Russell Crowe em particular não combina com papéis cômicos).

- O humor parece forçado e inapropriado em alguns momentos: o garoto da bicicleta oferecendo pra mostrar o pinto, as piadas sexuais envolvendo a filha do Ryan Gosling...

- A trama não tem o menor interesse (a investigação dos crimes). Os personagens não têm nenhum desejo pessoal pra buscar, e também não há nada de tão misterioso ou promissor assim na investigação pra deixar a plateia envolvida até o final. No máximo iremos descobrir o que houve com a atriz pornô ou com a Amelia - personagens que nem conhecemos e pelos quais não nos importamos.

- O foco deveria ser no desenvolvimento da amizade entre os 2 protagonistas, mas os personagens são superficiais, caricatos, desinteressantes. As tentativas de dar mais dimensão a eles são terríveis (o diálogo na piscina onde o Russell Crowe conta sobre seu passado, ou então a tatuagem na mão do Ryan Gosling... Isso não revela nada de interessante sobre o caráter dos personagens, algo que esteja sendo afetado por essa investigação e sofrendo uma transformação).

- A Amelia (que é o centro da investigação) quando aparece é uma menina tola e burra. Não um personagem interessante com um grande segredo por trás, algo que faça a plateia ficar curiosa e mais envolvida na trama.

- A história não é particularmente engraçada. O humor muitas vezes só existe porque os personagens são atrapalhados. Mas não há uma razão lógica pra eles serem tão atrapalhados assim (não são personagens comuns disfarçados de detetives, e sim detetives de verdade).

- A história vai ficando cada vez mais impossível e artificial. É ridículo por exemplo a filha do Ryan Gosling ter toda essa coragem, conseguir render o vilão... Ou então a história da tia da Misty ter confundido uma projeção na parede com a própria sobrinha... A plateia não vai querer usar neurônios numa trama onde as coisas acontecem sem nenhuma lógica.

- E tudo isso é só pra impedir um filme de ser exibido, porque o filme tem uma mensagem política controversa. E daí? A Amelia já está fazendo protestos pela cidade. Que diferença 1 protesto a mais iria fazer? Quem iria absorver a mensagem do filme num ambiente como essa exposição de automóveis? E mesmo que absorvessem, as pessoas provavelmente iriam apenas ignorar a mensagem do filme. Não é que a vida de pessoas está em risco... Que uma grande tragédia pode acontecer caso os protagonistas fracassem. A história toda é uma chatice sem fim.

- A ação no final vai ficando cada vez mais forçada e sem graça. A negra escorregando no café e desmaiando... O Ryan Gosling caindo de cima do prédio e vendo o Nixon na piscina... Toda a perseguição pelo rolo de filme... O filme não sabe se é um filme de ação normal, que apenas tem protagonistas engraçados, ou se é uma comédia absurda onde tudo é possível. Em filmes como Máquina Mortífera, há humor no meio, mas a parte policial é levada a sério e por isso prende a atenção do espectador.

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CONCLUSÃO: Se o humor funcionasse, daria pra perdoar a trama desinteressante e sem sentido. Se a trama funcionasse, daria pra perdoar a falta de humor.

The Nice Guys / EUA / 2016 / Shane Black

FILMES PARECIDOS: Vício Inerente / Trapaça / Red: Aposentados e Perigosos / Beijos e Tiros

NOTA: 3.0

Um comentário:

Cintia Araujo disse...

Interessante texto! Dois Caras Legais superou as minhas expectativas ❤️ O ritmo da historia nos captura a todo o momento. Quero vê-la novamente! Se vocês são amantes dos filmes de detetives, este é um que não devem deixar de ver. :)