quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

NOTAS DA SESSÃO:

- Muito bonita a fotografia. Lembra filmes dos anos 80.

- O monstro aparece muito rápido no filme, sem preparo. Não é nada realista, fica claro que é tudo uma fantasia na cabeça do garoto - e isso tira o sentido das cenas em que o filme tenta criar suspense em cima da presença física da árvore (o portão que abre sozinho, a árvore mudando o centro de gravidade e puxando as coisas pra ela, etc). Achei que fosse ser um filme real de monstro, mas claramente ele está indo mais pra um lado psicológico.

- A relação com a avó é mal construída. Por que ele detesta tanto ela? Ela parece uma pessoa perfeitamente razoável com o neto. Parece que é só pra mostrar que ele tem uma infância difícil.

- A primeira história que o monstro conta é horrorosa. Ele quer ensinar relativismo moral pro garoto: que ninguém é perfeitamente bom ou mau, que há sempre algo de imoral por trás de uma fachada inocente, etc.

- O filme não tem uma trama interessante - o propósito todo é fazer a gente ter pena do garoto por ele ser tão sofredor (como se isso em si fosse uma virtude). Ele não tem nenhum objetivo positivo, não há nada pra plateia desejar na história - apenas assistir uma vítima reagindo a eventos desagradáveis. A única coisa que ele "quer" é não sofrer - não ficar totalmente arrasado na hora que a mãe morrer.

- A segunda história do monstro também é péssima: um conflito desagradável entre 2 homens de caráter duvidoso, e que ainda fica promovendo misticismo. Eles destruírem a casa do pai que acabou de perder as 2 filhas é de uma maldade abominável. O que o garoto irá tirar de útil desses contos?

- Odioso o garoto quebrar o relógio antigo da avó! O filme quer glamourizar o fato dele ser perturbado emocionalmente, confuso. Mas quando a confusão dele começa a prejudicar pessoas inocentes não dá mais pra simpatizar pelo personagem.

- Todas as relações do filme são conflituosas, desagradáveis. O protagonista com a avó, com o monstro, com o pai, com os bullies, com a diretora da escola...

- SPOILER: Pavorosa a moral da quarta história, quando o monstro faz o menino acreditar que ele queria que a mãe morresse pra ele parar de sofrer. Pensamento típico de quem tem um Senso de Vida malevolente - a ideia de que há um certo alívio em perder as coisas que mais gostamos. Em nenhum momento ao longo do filme foi sugerido que ele tinha sentimentos mistos em relação à mãe, que isso era um conflito interno dele. A mãe era a única pessoa que ele parecia gostar de fato na história.

- SPOILER: O filme gosta tanto de sofrimento que não criou 1, mas 2 cenas de leito de morte com a mãe. A segunda quando ela finalmente morre claro que é comovente, até pela reação mais amadurecida do garoto, etc. Mas ainda não sei o que as histórias todas do monstro serviram pra isso, e o que esse reconhecimento (de que ele "queria" que a mãe morresse) ajudou no luto.

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CONCLUSÃO: Visualmente bonito e com uma cena emocionante no final, mas a história não tem muita coerência psicológica e é totalmente focada no negativo.

A Monster Calls / EUA, Espanha / 2016 / J.A. Bayona

FILMES PARECIDOS: O Bom Gigante Amigo (2016) / Onde Vivem os Monstros (2009) / Um Olhar do Paraíso (2009) / O Labirinto do Fauno (2006)

NOTA: 5.0

4 comentários:

Dood disse...

Olha que eu estava com maior expectativa pra esse filme, apesar de no poster dar impressão de que ele é parecido com Bom Gigante Amigo estruturalmente.

Caio Amaral disse...

Oi Dood.. Tem um "q" de Bom Gigante Amigo sim, principalmente no começo.. Mas depois vai ficando mais dark e introspectivo.. e não tão aventura / fantasia como o do Spielberg.. abs!!

caatingascronicles disse...

Queria ter lido o blog antes de ver o filme ... Tive q ficar explicando relativismo moral e demais coisas perturbadora e deprimentes...

Caio Amaral disse...

Essas fantasias com diretores latinos / hispânicos sempre têm uma tendência à melancolia.. deve ser da cultura.. rss.