segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A Qualquer Custo

NOTAS DA SESSÃO:

- Bonito o filme visualmente - os enquadramentos, as paisagens... Divertidas as primeiras cenas de assalto (principalmente as reações das vítimas).

- Não gosto desses filmes sobre personagens comuns, eventos pequenos, cidades pequenas. O filme parece acreditar que o simples fato dele retratar caipiras o torna mais artístico e digno do respeito da plateia. Eu já expliquei aqui o que é Romantismo Reprimido - mas esse filme parece ser exatamente o oposto: Naturalismo Reprimido! É como se ele fosse feito por um cineasta mais comercial, acostumado à estética de filmes hollywoodianos, e que agora resolveu tentar fazer um filme mais "indie", com uma sensibilidade mais "artística", por achar que esses filmes ganham mais prêmios - só que ele falha na tentativa, não consegue ser 100% naturalista e acaba soando inautêntico. A própria ideia de escalar o Chris Pine (um galã de blockbusters) pra interpretar um homem simples do interior já ilustra esse conflito básico da produção.

- As motivações dos personagens são mal desenvolvidas. Não sabemos ao certo se eles são imorais, se estão roubando por uma causa justa, etc.

- O filme parece sugerir que os bandidos são "vítimas do sistema" (da ganância, dos bancos, etc), mas ele não fornece informações o bastante pra gente poder acreditar nisso e ficar do lado deles.

- Não há uma boa motivação no filme. Não torcemos nem pelos protagonistas nem pelo xerife.

- O filme parece achar que está dizendo algo importante a respeito da sociedade, do homem comum americano, mas é vago demais pra gente saber se o discurso tem algum mérito intelectual.

- Algumas cenas de assalto / fuga até que são interessantes (por exemplo quando a cidade inteira sai atrás dos 2 de carro e o Ben Foster saca a metralhadora). É o que falei sobre Naturalismo Reprimido - o cineasta não tem coragem de fazer um filme totalmente chato, então de vez em quando cria um pequeno espetáculo pra entreter o público.

- Não entendi por que os irmãos resolvem fugir em carros separados (e 1 deles no carro suspeito!) no final. É um pouco ilógico: os 2 deveriam ter fugido no carro que não chamaria a atenção da polícia.

- SPOILER: Mais alguns momentos divertidos no final em termos de ação (o Ben Foster explodindo o carro, etc). Não porque estamos envolvidos pela história, torcendo pelo personagem - é só porque o filme estava tão sem sal que é um alívio ver algumas mortes, explosões, etc.

- SPOILER: A história é vazia de significado. Quando o Ben Foster é baleado e morre, não há nenhum impacto emocional, não sentimos que há um significado maior por trás disso, uma mensagem, que algum raciocínio foi concluído pelo filme, etc. Assim como o encontro final entre o Chris Pine e o Jeff Bridges. O filme tenta dar um clima de que é um duelo entre 2 grandes personagens, que eles passaram por eventos épicos, mas como o filme é superficial, não discute valores importantes, não sentimos nada disso. Soa pequeno. Apenas um conflito comum entre bandidos e policiais. O Jeff Bridges diz pro Chris Pine que esses crimes o assombrarão pra sempre. Em nenhum momento sentimos que o Chris Pine sofreu um trauma emocional, que passou por uma transformação ao longo do filme.

- O filme lembra um pouco o Onde os Fracos Não Têm Vez (que eu também não gosto muito). A diferença é que a direção do Onde os Fracos tinha uns toques de niilismo que davam uma aparência mais "moderna" e inovadora pro filme. Esse aqui é convencional demais pra enganar como cult.

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CONCLUSÃO: História morna, feita pra atrair prêmios, mas sem grande impacto emocional ou intelectual.

Hell or High Water / EUA / 2016 / David Mackenzie

FILMES PARECIDOS: O Mensageiro (2009) / Rio Congelado (2008) / Onde os Fracos Não Têm Vez (2007) / A Promessa (2001)

NOTA: 5.5

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