sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Jardim das Aflições

NOTAS DA SESSÃO:

- O documentário tem algumas boas imagens, e o fato de se passar nos EUA dá um ar mais sofisticado pra produção.

- Discordo: que o trajeto natural da humanidade seja o de querer abandonar o mundo real e viver num mundo falso de pensamento. Que viver no meio do mato seja viver no mundo real e viver na cidade seja viver num mundo irreal. Quer dizer que pra vida ser real as pessoas não devem usar a inteligência? Não devem interferir na natureza ao redor delas pra terem uma vida melhor?

- Discordo: que a liberdade tenha diminuído no mundo por causa da tecnologia, pois agora podemos ser vigiados à distância pelo governo, etc. Ele devia falar sobre direitos individuais, liberdade econômica, como cada governo tem agido em relação a isso, etc, e não focar em paranóias, culpar a tecnologia pelos problemas da atualidade.

- Olavo é contra o crescimento do estado, o que eu acho bom. Mas não gosto como ele diz que esse crescimento é inevitável, como se fosse um fato irreversível da natureza. Ele não incentiva ação, mudança. Como é que alguns países então são mais livres hoje do que eram há 100, 200 anos?

- Discordo: que seja mais importante saber a origem de nossas ideias do que os fatos que a suportam. Que a gente precise saber de onde um pensamento veio, se não estaremos sendo controlados por movimentos culturais. O que torna uma ideia válida ou não é sua relação com a realidade... Não importa quando ou por quem ela foi concebida.

- Há um senso de medo e perseguição por trás de tudo o que ele fala.

- Outro problema de Olavo é que ele não é claro e lógico em seu raciocínio. Vai apenas divagando sobre uma série de assuntos, se apoiando em sua enorme biblioteca pra parecer uma autoridade no que fala, mas sem explicar suas ideias racionalmente, sem estruturá-las ou organizá-las dentro de um propósito, etc. Por exemplo: ele começa a falar sobre hereditariedade, sobre o fato de nascermos com certas características que não podemos mudar. Qual o propósito dessa observação? Ele está falando sobre livre arbítrio? Sobre a felicidade humana e o que podemos fazer para atingi-la? Ele acredita que a felicidade seja o propósito da vida? Não sabemos... Não há um contexto claro, um propósito, são apenas "verdades" que ele vai jogando pros espectadores. Mesmo as coisas que eu concordo com ele, não tenho como saber se eu concordo pelos mesmos motivos, qual a razão dele acreditar naquilo, etc. Ele é contra o estado por que? Ele acredita na liberdade? Nos direitos individuais? É a favor do livre mercado? Ele nem toca nesses termos. Só sabemos que ele é contra a esquerda por algum motivo.

- Divertida a passagem onde ele diz que costuma atrair malucos (fato que não me surpreende) - mostra um lado mais leve e pessoal dele com o qual acho mais fácil de me identificar.

- Um absurdo ele, como um homem que se diz interessado no conhecimento, na realidade, dizer que o cristianismo é baseado em fatos, que não há dúvidas que Jesus existiu, ressuscitou, que milagres existem, etc. Não há nenhum esforço da parte dele de argumentar a favor disso, dar exemplos convincentes pra persuadir a plateia de forma honesta. Ele simplesmente afirma as coisas... diz "evidentemente", como se tudo fosse óbvio... O cristianismo está certo, a esquerda está errada, e Olavo só pode estar certo pois leu muito mais livros que você então ele "sabe das coisa".

- Outro absurdo é o trecho em que ele diz que ideias são como tábuas de salvação que os náufragos se agarram pra não afundarem. Que as ideias mais verdadeiras e importantes são aquelas que permanecerão com a gente até no momento da morte. Isso é puro subjetivismo. O fato de uma ideia te confortar no momento da morte não a torna real. Isso é uma tentativa de validar a religião. Ou seja: como na hora da morte ele precisará da religião pra amenizar seu medo (mais uma vez o medo parece estar ditando as crenças de Olavo), então a religião pode ser considerada a ideia mais verdadeira de todas! Não porque ela corresponde aos fatos e porque é necessária para a vida... Mas sim porque ela é necessária na hora da morte! A vida é como se fosse um grande preparo pra morte.

- Todo esse papo sobre a imortalidade também não faz o menor sentido. A ideia de que se uma folha balança numa árvore, isso é um fato eterno que nunca poderá ser desfeito... Isso significa que a eternidade existe? Que eu sou "imortal" só pelo fato de existir? O fato de que eu existo agora certamente nunca deixará de ser um fato. Mas como essa ideia poderia me confortar? Vai me alimentar? Me trazer felicidade? Sucesso? Impedir que eu adoeça, morra? Não... Mas talvez diminua um pouco meu medo na hora da morte, e pra ele isso já é o suficiente.

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CONCLUSÃO: Não acho Olavo de Carvalho mal intencionado, e em sua vida privada ele parece ser uma boa pessoa, mas como filósofo / pensador, não consigo levá-lo a sério (julgando por esse documentário e alguns vídeos que vi no YouTube).

O Jardim das Aflições / Brasil / 2017 / Josias Teófilo

FILMES PARECIDOS: Real - O Plano por Trás da História (2017)

NOTA: 4.0

2 comentários:

Marcus Aurelius disse...

Olá Caio, vi um filme que gostei muito e gostaria de sugerir e ver uma crítica tua se possível: Becoming Bond (2017).

http://www.imdb.com/title/tt6110504/

Caio Amaral disse...

oi Marcus, interessante a história.. vou tentar achar pra assistir..! Valeu pela dica!