sábado, 8 de julho de 2017

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

NOTAS DA SESSÃO:

- Interessante a introdução - mostrar os trabalhadores que limparam os destroços em Nova York depois da batalha dos Vingadores, etc. Dá um toque realista que torna todo o universo Marvel mais convincente.

- Tom Holland convence no papel, é simpático, mas o personagem em si não é dos mais empolgantes (há alguns sinais do Herói Envergonhado). O maior esforço aqui está em mostrar como ele é comum, desastrado, um garoto como qualquer outro da plateia, e não alguém excepcional.

- Outro sinal de que o filme está querendo agradar os politicamente corretos são esses personagens coadjuvantes (como Ned) que parecem ter sido escalados só pra dar um ar "multicultural" pra produção - e não porque eles são particularmente carismáticos e convencem no papel.

- Referência a Curtindo a Vida Adoidado: se a ideia era que Peter Parker lembrasse Ferris Bueller, os produtores realmente não devem ter assistido ao clássico.

- Michael Keaton é sempre bom ator, mas o vilão em si é fraco. Por que ele vira do mal se era um cara normal no começo? Excesso de poder? Qual sua motivação? Não sabemos que perigo o Homem-Aranha corre. Parece um vilão de segunda-linha, e não uma grande ameaça pra cidade. E também não fica claro o que Peter Parker irá ganhar se derrotá-lo. Se irá de fato ser "promovido" a Vingador pelo Stark ou não, etc.

- O romance também é um tédio. A relação entre os dois não tem nenhum drama, não faz o espectador torcer, não acreditamos que Peter está de fato apaixonado por ela. Tudo que acontece no filme parece mecânico: Peter lutar contra criminosos, se apaixonar... Nada parece vir de dentro dele, de suas convicções, emoções, desejos...

- O traje do Homem-Aranha desenvolvido pelo Stark é ótimo. Divertido ele tentando usar a roupa no "modo avançado" e se confundindo com os novos comandos.

- Desnecessária e sem propósito toda essa sequência em que ele fica preso dentro do galpão. E a cena depois no obelisco é bem tensa e vertiginosa, porém é motivada por um acidente banal, desnecessário (não foi um evento provocado pelo vilão, algo necessário pra trama, etc).

- Fraca a cena de ação na balsa de Staten Island. Dá a impressão que quando o Homem-Aranha tenta ajudar, muito mais desgraça acaba acontecendo. Se o vilão fosse deixado em paz, ele simplesmente estaria traficando algumas armas. Mas quando entra o Homem-Aranha em ação, a cidade começa a ser destruída, a população entra em risco, etc. Sem falar que a ideia da balsa ser partida ao meio e depois remendada sem afundar beira o ridículo.

- Peter ser despedido do "estágio" pelo Stark é legal... Cria uma nova motivação, agora ele precisa se provar e tem a desvantagem de não ter mais o traje.

- SPOILER: Não faz o menor sentido o vilão ser justamente o pai da garota que ele está a fim. É uma coincidência totalmente aleatória que demonstra displicência dos roteiristas (a intenção de integrar o vilão com a vida pessoal de Peter é positiva, mas foi tudo muito mal feito). A maneira como o Michael Keaton descobre que Peter é o Homem-Aranha (na cena do carro) também é bem forçada.

- Que chatice Peter estar sempre decepcionando a menina que ele gosta, largar ela no baile sozinha, etc. Nem faz sentido ele descobrir algo no meio do baile e ter que sair, e daí ser atacado pelo Shocker.. Como o Shocker sabia o que ele iria fazer, etc?

- Não convence também que agora sem o traje, Peter iria conseguir vencer essas pessoas todas que nem antes ele conseguia derrotar. Que chances ele teria contra o Michael Keaton sem o traje? Por que ele vai ao encontro dele naquele galpão então? Óbvio que iria dar errado (como dá). É meio tolo também aquela roupa do Vulture (com tecnologia alienígena) não ter poder pra derrotar o Homem-Aranha, e ser mais prático derrubar o teto do galpão na cabeça dele (!).

- Confusa visualmente (e forçada) toda a sequência de ação no avião. Mais uma vez o Homem-Aranha provoca um desastre muito maior do que seria necessário pra combater o tráfico das armas. Sem ele o avião não teria caído.

- SPOILER: No fim o Michael Keaton não é pego por mérito do Homem-Aranha, e sim porque o traje dele dá um defeito inesperado.

- Parece que matar o vilão hoje em dia é muito cruel, então o Homem-Aranha tem que mostrar compaixão, tentar salvar sua vida, etc.

- SPOILER: O final é uma chatice. Não só o "romance" termina num tom desagradável, a menina sem entender porque Peter a tratou mal o filme inteiro... Como depois ele é promovido a Vingador pelo Stark, recebe tudo o que sonhava, mas daí rejeita o convite!!!!!! É patético. O filme quer mostrar que o herói é "maduro" por abrir mão do sucesso, por sacrificar sua glória em nome de "metas pessoais" mais nobres que nem entendemos direito quais são.

------------------

CONCLUSÃO: "Padrãozinho" da Marvel prejudicado por alguns descuidos de roteiro e algumas das tendências ruins da atualidade.

Spider-Man: Homecoming / EUA / 2017 / Jon Watts

FILMES PARECIDOS: Capitão América: Guerra Civil (2016) / Homem-Formiga (2015)




NOTA: 5.5 

6 comentários:

Dood disse...

Falando em heróis achei esse texto aqui e gostaria de compartilhar com você:

https://osantuario.com/2013/03/27/o-questao-steve-ditko-e-o-objetivismo/


Caio Amaral disse...

Curioso, Dood... nunca tinha ouvido falar deste herói... objetivismo e cultura popular costumam ser 2 coisas meio incompatíveis... mas vale a tentativa, hehe. abs!

Dood disse...

Ele apareceu no Liga da Justiça Sem limites:

http://pt-br.ligadajustica.wikia.com/wiki/Quest%C3%A3o

A personalidade parece que foi meio alterada, ele é meio fissurado em conspirações e meio viajado e nenhum momento ele fala sobre Objetivismo de maneira explícita.

Caio Amaral disse...

É... falar de objetivismo de maneira explícita é sempre perigoso... rs. Acabaram de postar no meu face esse vídeo com várias referências à Rand na TV e no cinema... Repare como é quase sempre em tom de deboche:

https://www.youtube.com/watch?v=6rpf3GcaEGo&feature=share

Marcus Aurelius disse...

Falando em Ayn Rand, assisti The Passion of Ayn Rand de 99 e não gostei nem do filme nem da "personagem" da Ayn. Mas não conheço os detalhes de sua convivência íntima, nem de sua personalidade na vida privada. Apesar de não ter base, eu sinto que o filme foi tendencioso com a intenção de denegrir a imagem da filósofa.

Caio Amaral disse...

Oi Marcus..! É, eu também não gostei muito... Eu gostei bastante do livro The Passion of Ayn Rand... que apesar de criticar muitas atitudes de Rand, era escrito com grande admiração e respeito pelas realizações dela... mas ao adaptar pras telas eles deram um tom diferente... a diminuíram em estatura.