domingo, 27 de agosto de 2017

A Torre Negra

NOTAS DA SESSÃO:

- O filme já começa com o pé esquerdo - não por causa de algum erro grotesco e fácil de identificar, mas por uma série de detalhes que somados vão dando a impressão de que há algo de errado com a produção.  O pôster, o título, nada dá a impressão de um filme tão fantasioso, mas logo na primeira sequência já somos expostos a um universo cheio de aliens, efeitos especiais escapistas, o que cria estranhamento e um certo anticlímax. O protagonista (Jake) é mal apresentado, não é carismático... Por um lado o ator parece um sósia do Justin Bieber mais novo (da época em que ele era certinho e exemplar e ninguém gostava dele), mas daí é pra gente acreditar que o personagem é do tipo desajustado, que sofre bullying na escola, que tem problemas em casa com os pais. A trama tem uma série de clichês de filmes de fantasia dos anos 80, mas em vez de assumir o clima retrô e ingênuo, o filme fica tentando parecer moderno, criar um clima sombrio, usa uma estética de série de TV atual, etc. Há um problema generalizado de tom.

- Muito rápida a maneira como Jake encontra a casa abandonada, abre o portal e vai parar no outro mundo. E as ideias são meio ruins. Como é que existe uma casa dessa no meio de Nova York, com acesso fácil pra qualquer um? E que história é essa da casa tentar engolir ele antes dele passar pelo portal? E  por que o cérebro de uma criança pode destruir a Torre Negra? São uns conceitos estranhos e mal explicados.

- O Idris Elba é sempre respeitável, mas a química entre ele e o garoto é péssima. Saudades de Edward Furlong e Schwarzenegger em Terminator 2.

- Mal explicado o vilão e a motivação dele. Se ele quer dominar o mundo, por que ele precisa destruir a Torre Negra e deixar esses monstros entrarem? Como são esses monstros, o que eles fazem? Com eles a solta, será mais fácil pro Matthew McConaughey dominar o mundo? Eles não irão destruir tudo? E com todo o universo em perigo, será mesmo que só haveria 1 único homem interessado em deter o vilão (e capaz disso)? E só por ser um bom pistoleiro? O universo todo do filme é mal elaborado. Uma hora parece que o filme é uma fantasia futurista meio Star Trek, outra hora já estamos num vilarejo de faroeste... Existem vários mundos paralelos? Um é futurista, o outro é de época, etc? É isso? E por que as pessoas falam inglês em todos?

- É uma cena ruim após a outra: quando o Jake acha que vê o pai, daí ele se transforma naquele monstro ridículo que é facilmente assustado pelo Idris Elba. Ou depois o vilão indo até a casa da mãe do Jake e fazendo joguinhos psicológicos com ela, como se fosse um criminoso comum, e não um ser de outra dimensão tentando destruir o mundo... O filme é uma bagunça: um personagem sem nenhum carisma que vai parar num mundo fantasioso mal elaborado e pouco atraente, e lá se envolve numa briga que não é dele.

- Roteiro mal estruturado. Não sabemos o que os mocinhos devem fazer pra encontrar e matar o vilão, em que estágio da jornada eles estão, que obstáculos precisam superar... Eles mal interagem com o vilão ao longo do filme, o que torna o conflito vago e impessoal.

- SPOILER: Um horror todo esse duelo final. A cena de ação mais elaborada nem é contra o vilão e não parece ter a menor necessidade de existir (o Idris Elba naquela igreja atirando em todo mundo igual Matrix). Não sabemos quais as regras desse mundo: Jake começa a revelar poderes que nem sabíamos que ele tinha (ele abre o portal com a mente, depois praticamente ressuscita o Idris Elba). Com poderes tão épicos em jogo, seria necessário um "pistoleiro" habilidoso pra matar o vilão? O clímax é muito mal construído: o Idris usa aquela tática absurda pra atirar no vilão, e em alguns segundos o Jake já é resgatado, todo o prédio explode, e o mundo está a salvo. Não dá nem tempo da gente entrar no clima de comemoração.

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CONCLUSÃO: Simplesmente errado.

The Dark Tower / EUA / 2017 / Nikolaj Arcel

FILMES PARECIDOS: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) / O Destino de Júpiter (2015) / Dezesseis Luas (2013)

NOTA: 3.5

2 comentários:

Anônimo disse...

Pelo que vi na internet, a série de livros do Stephen King que inspirou o filme já é uma bagunça.
A descrição do garoto parece do típico clichê de história de fantasia, o personagem aparentemente banal, desajustado, mas que por alguma razão arbitrária é um "eleito", o único que pode salvar o mundo.
Acho que está havendo uma superprodução de histórias de fantasia, na literatura e no cinema. Quando se entra numa livraria o que mais se são cópias maldisfarçadas de Senhor do Anéis, Harry Potter, Jogos Vorazes, etc.
Pedro.

Caio Amaral disse...

É... não me pareceu que foi um problema apenas do filme, da adaptação, etc... e sim que o material original do Stephen King já não era dos mais inspirados...

Tenho reclamado muito de filmes de fantasia ultimamente, hehe... Não pelo gênero em si, mas por alguns desses filmes se desprenderem totalmente da realidade... como se fosse um prazer pro autor ficar contemplando o absurdo, o sem sentido, etc. Eles não se preocupam em tentar tornar a fantasia convincente, plausível...