sábado, 19 de agosto de 2017

Corpo Elétrico

NOTAS DA SESSÃO:

- Todo o começo é tedioso e já estabelece o tom Naturalista extremo do filme: a conversa casual na cama após o sexo, as cenas de rotina no trabalho, o funcionário imigrante negro aprendendo a mexer nas máquinas da confecção, etc.

- Como sempre nesse tipo de filme, o filme tenta compensar a ausência de história e de drama mostrando algum ator bonito pelado e enfiando algumas cenas chocantes de sexo no meio pra plateia não levantar e ir embora.

- Não há história... O propósito é apenas aquilo que falei na postagem Filmes Bem vs. Mal Intencionados - conscientizar a plateia a respeito de alguma questão social, alguma sub-cultura específica. Nesse caso, os gays de classe média baixa que vivem em São Paulo. Como o filme tem essa "função social", é como se magicamente o cineasta não precisasse ter talento, se importar pelo espectador, mostrar coisas interessantes, etc.

- É tudo uma grande desculpa pro cineasta expor sua ideologia política - o filme retrata gays, drag queens, maconha, negros, imigrantes, sexo livre, vitimiza o empregado, vilaniza os patrões - e não de maneira artística, com isso tudo bem costurado em uma história, é tudo apenas jogado pra plateia em cenas aleatórias, registros do dia a dia. Teria sido mais honesto o diretor escrever "Fora Temer" na tela e deixar a plateia ir logo pra casa.

- Tudo soa amador, não-artístico, improvisado. Não há sensibilidade na direção, não há personagens bem desenvolvidos, performances convincentes, não há nenhuma análise psicológica ou cultural interessante. É um retrato cru da realidade - qualquer pessoa com um celular e um grupo de amigos seria capaz de fazer algo no mesmo nível artístico - sem planejamento, talento ou experiência com cinema. É o equivalente a tirar uma foto de um mendigo na rua sem nenhuma técnica especial, e dizer que sua obra faz um "estudo" importante da sociedade.

- As poucas cenas em que o filme foge do puro realismo cotidiano e tenta fazer algo mais dramático - quando surge um conflito mais intenso entre os personagens, por exemplo, são as cenas mais artificiais, onde os atores parecem mal ensaiados e o amadorismo da produção fica mais evidente.

- Algo que quase nunca falta nesses filmes nacionais de esquerda é um personagem atraente que faz sexo com pessoas bem menos atraentes que ele, sem muita explicação ou motivação - o que sugere um desejo dos autores por um tipo mais pessoal de "redistribuição de riqueza", além do puramente econômico.

- "Corpo Elétrico" dá a ideia de que o filme vai ser sobre um personagem bem mais radical e intenso do que esse. O Elias faz sexo algumas vezes no filme, mas está longe de ser um ninfomaníaco, alguém fora do padrão, que faz coisas chocantes. É um garoto totalmente normal nesse contexto, bem menos "elétrico" até do que alguns dos seus amigos.

- Ridícula a cena em que a patroa diz "Eu vou pra Londres, querido, não vou acampar!". É um comportamento artificial só pros patrões parecerem repugnantes.

- Pra que insistir em uma tensão homoerótica entre o Elias e o imigrante africano, sendo que depois isso será esquecido pelo filme?

- Quando Elias entra em crise e vai parar bêbado na casa do ex-namorado, podemos ver o quão superficial é o filme em termos de estudo de personagens. Não temos a menor ideia de onde veio esse colapso emocional. Não sabemos nada sobre o mundo interno de Elias. Mostrar o ator pelado não é o mesmo que revelar algo sobre sua essência. Ele é apenas um membro de seu grupo. O que importa pro filme é o coletivo, mostrar os hábitos dessa "tribo" em particular, como um documentário da National Geographic.

- A sequência final na casa de praia é outro tédio. Parece um vídeo caseiro gravado em uma viagem de Réveillon. Mas não em uma viagem com amigos interessantes, dizendo coisas inteligentes. E sim registros de conversas banais, dessas que ouvimos todos os dias em botecos, etc.

- A imagem final é o velho clichê de acabar o filme de maneira "chocante", no meio de uma cena onde nada está acontecendo (apenas mais uma afirmação sutil pró-empregado, anti-patrão), sem nenhum senso de conclusão, só pra mostrar como o cineasta despreza o conceito de narrativa e não se importa pela plateia.

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CONCLUSÃO: A miséria artística básica do atual cinema brasileiro.

Corpo Elétrico / Brasil / 2017 / Marcelo Caetano

FILMES PARECIDOS: Mãe Só Há Uma (2016) / Que Horas Ela Volta? (2015) / Boi Neon (2015) / Sangue Azul (2014) / Praia do Futuro (2014)

NOTA: 1.5

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