quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A Morte Te Dá Parabéns!

NOTAS DA SESSÃO:

- Demora um pouco até a gente simpatizar pela protagonista. No começo ela fica parecendo extremamente antipática, mas mais pra frente, entendemos que o filme fez isso de propósito, pra que ela pudesse evoluir ao longo da história.

- O filme tem um clima de entretenimento sem culpa incomum pros tempos de hoje - parece algo feito nos anos 90.

- Depois que a Tree já morreu a primeira vez e já percebeu que está vivendo o mesmo dia de novo, é meio forçado ela voltar no lugar em que foi morta, se surpreender com a caixinha de música, etc.

- Meio ridícula a sequência em que ela vai pro quarto do garoto, daí ele transforma o quarto numa espécie de balada, depois o assassino aparece lá dentro, mata ele, mas a Tree não ouve pois a música está alta... É tudo muito absurdo - a gente não sabe mais se o cineasta está se inspirando em Pânico ou em Todo Mundo em Pânico.

- A passagem de tempo com a música Confident (da Demi Lovato) é divertida mas fica parecendo deslocada no filme (Tree andando sem roupa no meio da faculdade, etc). É como se, agora que a Tree está presa num mesmo dia, ela estivesse aprendendo a se soltar, a ter mais confiança... Mas isso não tem nada a ver com o tema do filme. O problema da Tree não era falta de confiança, ou que ela não sabia se divertir - e sim que ela era "confiante demais", a ponto de maltratar os outros, etc.

- O filme é bem intencionado, não tem medo de brincar com a plateia, a atriz tem personalidade... Mas muitas vezes isso vem às custas da qualidade, da lógica da história, etc. Tudo que envolve a trama do assassinato é muito mal feito. Já passou 1 hora de filme e a gente ainda não sabe por que alguém poderia ter qualquer motivo para matá-la. Parece que o diretor no fundo só queria fazer um filme sobre uma garota se divertindo, aprendendo a ser uma pessoa melhor na faculdade... e enfiou uma trama genérica de terror "slasher" no meio só pra apimentar as coisas.

- Como ela conclui que o tal do Joseph Tombs que está sendo mantido no hospital só pode ser o cara que a matou? Ele teria alguma motivação? Ela viu algo no mascarado que associou depois ao Tombs quando o viu na TV? As coisas vão ficando cada vez mais confusas.

- Divertido o dia em que ela resolve ser legal com todo mundo - come comida calórica pra defender a garota do bullying, beija o menino na frente de todos, etc. É nessa zona que o filme funciona melhor.

- Pra acabar com a "maldição" do dia sempre se repetir, a Tree precisa apenas matar o assassino? Ou precisa corrigir seus erros, deixar de ser uma pessoa má com as outros? O filme não explica a relação entre essas 2 coisas - o que foi que provocou esse "loop" no tempo, por que isso aconteceu justamente com a Tree, etc. É simplesmente por ser o aniversário dela? O fato dela fazer aniversário no mesmo dia da mãe tem alguma relevância? O roteirista juntou a ideia do Feitiço do Tempo com o tema da "menina malvada" se redimindo e ainda por cima acrescentou uma trama de serial killer - sem sentar nem meia hora pra tentar amarrar tudo isso de maneira convincente. Uma "mean girl" presa eternamente num mesmo dia da faculdade até aprender a ser uma boa pessoa, isso faz sentido e já seria o bastante pra um filme satisfatório. Mas um assassino mascarado em cima disso tudo é simplesmente confuso.

- SPOILER: A reviravolta final é ridícula (Tree sacar que morreu durante o sono, pois comeu o cupcake pela primeira vez, etc). Não faz o menor sentido essa roommate ser a assassina.

------------------

CONCLUSÃO: O filme diverte e funciona bem quando foca na transformação pessoal da Tree, mas o lado suspense / terror é muito mal desenvolvido.

Happy Death Day / EUA / 2017 / Christopher Landon

FILMES PARECIDOS: Fragmentado (2016) / A Visita (2015) / Premonição (2000) / Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997) / Pânico (1996)

NOTA: 6.0

Nenhum comentário: