terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

The Square: A Arte da Discórdia


Acho sempre uma perda de tempo discutir filmes Subjetivistas seriamente, tentar dar uma interpretação para os eventos, entrar em reflexões filosóficas sobre arte, sociedade, etc, pois o propósito desses filmes raramente é o de transmitir algo específico, demonstrar virtudes, passar uma mensagem coerente, e sim o de "desconstruir", virar a arte de cabeça pra baixo, confundir o espectador, gerar debates em cafés após a sessão, etc. Tudo o que tenho a dizer essencialmente está na postagem sobre Subjetivismo.

Dito isso, esse é o tipo de filme Subjetivista que ainda consegue me entreter. Primeiro porque não vejo algo de explicitamente maligno no conteúdo (diferente do último desse diretor, Força Maior, que fazia um ataque odioso contra os "privilegiados"). Aqui, se há algum ataque, ele vai mais contra o mundo da arte moderna, artistas pseudo-intelectuais, marketeiros pretensiosos, a mídia atual - coisas que de fato merecem ser satirizadas. 

Depois, porque há um esforço consciente em surpreender, chocar, gerar humor, não deixar o filme cair na monotonia... Ou seja, há um elemento de Diversão que nem sempre se encontra em "filmes de arte" assim. E pra fazer isso, o cineasta acaba tendo que demonstrar certo domínio sobre a plateia, criatividade, conhecimento sobre o comportamento humano, sobre arte e cultura, então não é um filme totalmente desprovido de inteligência. Ainda assim, são elementos que aparecem de maneira desestruturada, não integrados a um propósito maior, o que eventualmente impede o filme de proporcionar uma experiência satisfatória.

A cena do homem-macaco no jantar (mostrada no pôster) representa bem qual é o "barato" do diretor: o de ver o irracional destruindo o civilizado, o caos destruindo a ordem, etc.

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The Square / Suécia, Alemanha, França, Dinamarca / 2017 / Ruben Östlund 

FILMES PARECIDOS: Força Maior (2014) / Holy Motors (2012)

NOTA: 5.0

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