terça-feira, 13 de março de 2018

Medo Profundo

NOTAS DA SESSÃO:

- Cômica a pretensão do diretor de colocar seu nome junto do título do filme ("Johannes Roberts' 47 Meters Down") como se fosse uma grande obra literária.

- O roteiro é muito básico, vai pelo caminho mais clichê e menos criativo possível: 2 belas garotas viajando no México decidem fazer algo perigoso, e obvio que dá tudo errado. O filme ainda cria uma motivação psicológica tola pra justificar o mergulho (Mandy Moore quer impressionar o ex-namorado que pensa que ela é chata) como se isso acrescentasse mais "camadas" à história.

- Se elas foram mergulhar justamente pra postarem fotos nas redes sociais, não faz sentido a menina pedir uma câmera emprestada pro cara do barco casualmente, no último momento. Ela já devia ter uma câmera própria.

- O filme não inventa nem uma razão especial pra jaula afundar... Algum tipo de erro humano, etc... O equipamento simplesmente é podre e o cabo de aço rompe assim que elas entram no mar, sem grandes motivos.

- Um pouco contraditório o equipamento de mergulho ser tão sofisticado a ponto de ter microfones pras pessoas conversarem embaixo d'água, sendo que toda a ideia é a empresa parecer meio clandestina, ter equipamentos velhos, pra justificar o acidente.

- A situação certamente é tensa (o oxigênio limitado, a impossibilidade de nadar até a superfície rapidamente por causa da descompressão, etc). Em termos de suspense funciona melhor que Águas Rasas (2016), que tinha que ficar forçando uma série de ações falsas pra menina entrar na água e se expor ao tubarão.

- O "vilão" não é dos mais fortes - o filme não foca em 1 tubarão específico, não cria uma personalidade ameaçadora pra nenhum deles (como o Tubarão de 1975). São apenas animais selvagens aleatórios.

- São bobos esses jump scares onde o tubarão pula na tela do nada, mas daí acaba "errando a mira" e não come a heroína, só pra história poder continuar.

- Muitos filmes de terror hoje em dia acabam virando "estudos de sofrimento"... Mostram pessoas desesperadas, em situações horríveis, indefesas, e quanto mais elas gritam e se machucam, mais o filme acha que está impressionando. Em filmes como Tubarão ou Alien não era nada disso...  A aventura era agradável pro espectador, por mais que fingisse se tratar de uma tragédia. Os protagonistas estavam geralmente no comando da situação, faziam a gente se sentir seguro, e se divertiam no processo... Os obstáculos eram apenas oportunidades pra exaltar as virtudes dos personagens, o objetivo principal não era o de provocar emoções incômodas na plateia.

- SPOILER: Desnecessário haver um segundo cabo de aço no barco e o cabo quebrar de novo assim como o primeiro.

- A ação vai ficando cada vez mais artificial. A menina "pescando" o tanque de oxigênio com o arpão, ou conseguindo erguer a jaula inflando o colete, ou conseguindo espantar os tubarões só com aquele sinalizador (digo "menina" pois desde que as 2 puseram as máscaras no começo do filme, eu não sei mais quem é a Mandy Moore e quem é a irmã - e o roteiro é tão superficial que não faz a menor diferença).

- SPOILER: Chato o clímax ter sido uma alucinação, justo o momento mais dramático do filme... O grande problema do filme é que ele trai o princípio da Objetividade. Quer apenas provocar sensações no espectador, mas sensações desconectadas de lógica, da realidade... Ele se reduz ao papel de um trem-fantasma: se você pulou na cadeira, então valeu, pois pro diretor a única coisa que importa são as sensações momentâneas que ele conseguiu te provocar.

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CONCLUSÃO: Tolo, clichê, mas razoavelmente divertido.

47 Meters Down / Reino Unido, República Dominicana, EUA / 2017 / Johannes Roberts

FILMES PARECIDOS: Águas Rasas (2016)

NOTA: 5.0

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