Esse filme é a melhor prova de que Spielberg dirigiu Poltergeist, não Tobe Hooper. Antes eu achava que Spielberg tinha apenas ajudado Hooper, dado alguns toques ao longo da filmagem, mas hoje já vejo Poltergeist como um filme 100% do Spielberg. Invasores de Marte deixa isso claro porque é um filme tentando desesperadamente ser algo como Poltergeist, E.T. e Contatos Imediatos — e falhando miseravelmente. É como se o produtor Menahem Golan tivesse tido a ideia de fazer um filme comercial imitando o estilo de Spielberg, que estava em alta na época, e contratado Tobe Hooper acreditando que ele tinha dirigido Poltergeist. Agora, Hooper tinha que provar uma capacidade que não tinha e fazer mais um Poltergeist, só que sem Spielberg — como alguém que mentiu no currículo e é colocado à prova. Assim como Congo (1995), que discuti em maio, esse é mais um bom caso para estudar boa vs. má direção.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
domingo, 6 de setembro de 2026
Setembro 2026 - outros filmes vistos
Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (Practical Magic 2 / 2026 / Susanne Bier) ★★
Não tenho nenhuma nostalgia especial em relação ao primeiro filme (o que mais me recordo é que os cabelos da Sandra Bullock e da Nicole Kidman estavam lindíssimos e volumosos). Já na época achei a direção e o roteiro fracos, e o tom era menos Idealista do que gostaria (a influência da cultura alternativa dos anos 90 já estava atingindo os filmes mainstream em cheio em 98). Esta continuação achei ligeiramente inferior, porque além de não ter o fator novidade, o filme parece sem energia, entusiasmo — mais ou menos como O Diabo Veste Prada 2 me pareceu meio "murcho", com um humor mais tímido do que o original. Sandra Bullock e Nicole Kidman ficam numa posição meio mal resolvida, em cima do muro — querem em parte assumir o papel secundário das "tias velhas", dando espaço para a nova geração, mas ao mesmo tempo querem parecer jovens e reprisarem o que fizeram no primeiro filme. Nenhuma das duas coisas acaba sendo realmente empolgante. A trama também não faz muito sentido. As duas passam boa parte do filme em uma jornada física para encontrar a filha de Bullock, simplesmente porque esta decide que não vai atender o celular. Por fim, o tom continua menos Idealista do que eu gostaria. Toda a aventura e a magia servem mais de fachada para a verdadeira essência do filme, que é uma história sobre traumas, cura de feridas, sacrifícios etc.Mayday (2026 / John Francis Daley, Jonathan Goldstein) ★★★Buddy comedy mais ambiciosa do que se poderia esperar, considerando que é um lançamento de streaming. Tenta apelar para o público que gostou de Top Gun: Maverick e sente falta de um certo americanismo no cinema — quem está por trás da produção é David Ellison, CEO da Paramount Skydance, que também produziu Maverick.
O lado cômico às vezes parece forçado — o filme torna escrachados momentos em que um humor mais sutil combinaria melhor com a situação — mas há uma história interessante o bastante para que ele não dependa totalmente das risadas pra funcionar. Não é grande coisa, mas é aquele tipo de filme "nota 6" que eu digo que anda em falta: despretensioso, mas com certa personalidade, que se esforça pra entregar um entretenimento decente e não parece feito no piloto automático, de forma preguiçosa, como tanta coisa que hoje chega até aos cinemas.


