sexta-feira, 17 de abril de 2015

Chappie

- Premissa interessante, embora lembre os muito a de RoboCop. Efeitos especiais são ótimos.

- A história é contada com clareza no começo. Acho legal que demora até o Chappie aparecer - dá tempo da gente ser apresentado a todos os personagens, entender o contexto da história, etc.

- O problema é que algumas coisas parecem muito forçadas: Deon conseguir tirar o robô de dentro da empresa tão facilmente - e a coincidência enorme dele ser sequestrado justamente nesse dia por bandidos interessados em um robô.

- Não faz sentido os bandidos expulsarem o Deon do esconderijo deles depois que ele liga o Chappie. Ele não estava sequestrado? E se ele avisar a polícia?

- Chappie não é um personagem carismático. Ele tem a aparência de um robô, se veste como um gângster, se movimenta como criança, e fala como o Jar-Jar Binks. É simplesmente estranho. O fato dele não ter expressões faciais também não ajuda.

- Por que essa obsessão do Neill Blomkamp com favelas? Em Distrito 9 ele transformou alienígenas em favelados. Aqui ele transforma um robô num favelado. O lance dele parece ser levar a ficção-científica pra favela (dica para o próximo filme: "Jurassic Guetto").

- Não é nada prático o plano dos bandidos. Primeiro eles precisam criar o Chappie que é apenas uma criança mentalmente. Depois precisam lidar com o fato de que ele tem livre arbítrio - precisam persuadi-lo a ser alguém mau, o que não é tão simples. É um projeto a longo prazo e sem garantias. E isso tudo só pra fazer alguns roubos. O Chappie nem é tão poderoso e forte assim pra justificar esse trabalho todo. Na cena em que o Hugh Jackman arrancou o braço dele, Chappie foi mobilizado facilmente por alguns homens, que o seguraram com as próprias mãos.

- Se Chappie tivesse uma consciência humana, ele não acharia tão normal esfaquear pessoas! Ele aceita isso como se fosse um robô programado, sem nenhuma empatia - mas a ideia é que ele é o primeiro robô com sentimentos reais. O filme entra em contradição. O filme parece querer provar a teoria de que as pessoas são produto do meio, não têm livre-arbítrio, e pra isso manipula os personagens de maneira artificial pra criar um argumento.

- SPOILER: A trama vai ficando cada vez mais falsa e ilógica: Ninja abandona o Chappie sozinho na cidade? Hugh Jackman consegue facilmente desativar todos os policiais da cidade? Chappie mal sabe falar e consegue operar aquele capacete? A bateria do Chappie é mesmo impossível de ser trocada? Deon não sabe o que é a consciência, mas consegue carregá-la num HD externo? A ideia de transferir a consciência de corpo é tão mais fantástica do que a própria inteligência artificial, que isso nunca seria uma descoberta acidental de 1 cientista isolado. A própria inteligência artificial já seria uma revolução na humanidade - a Sigourney Weaver não iria dispensar a descoberta como algo inútil (se ela fosse um personagem minimamente realista).

- Hugh Jackman é um cara tão genial pra desenvolver um robô daquele e ao mesmo tempo é um maníaco? O filme quer falar mal da indústria, de empresários (são "gananciosos"), da tecnologia, e ao mesmo tempo negar o livre arbítrio - proteger criminosos. Neill Blomkamp parece estar usando o cinema como meio de propagar sua ideologia falsa.

- SPOILER: A "mãe" do Chappie era uma criminosa irritante... A volta dela não é um clímax emocionante como o filme sugere.

CONCLUSÃO: Bem produzido mas intelectualmente mal intencionado, com personagens pouco carismáticos e uma trama altamente irracional.

(Chappie / EUA, México, África do Sul / 2015 / Neill Blomkamp)

FILMES PARECIDOS: Elysium / Dredd / Gigantes de Aço / Distrito 9 / Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles

NOTA: 4.0

2 comentários:

Anônimo disse...

huehehuehue "Jurassic Guetto". Ri litros.

O filme deve ir bem na bilheteria brasileira. O Brasil é obcecado com favelas, morro, essas coisa.

Caio Amaral disse...

Acho que nem aqui vai dar Ibope!! É um filme confuso... o nome "Chappie" dá a impressão de que vai ser uma comédia familiar.. tipo "Chappie - o Robô Camarada", rss.. mas não tem nada de adorável o personagem..