16/3 — Prêmios da Academia: Vencedores
Uma Batalha Após a Outra foi o grande vencedor e, como eu disse, reflete um posicionamento mais moderado da Academia — a demonstração de algum respeito ainda por técnica cinematográfica, merecimento: é como se estivéssemos nos anos 70, quando filmes mais cínicos e de teor político ganhavam o prêmio, mas pelo menos eram bem dirigidos, tinham grandes atuações etc.
Michael B. Jordan levar Melhor Ator foi o prêmio mais forçado da noite, assim como o de Melhor Roteiro Original para Pecadores. A performance de Timothée Chalamet e o roteiro de Marty Supreme pra mim eram obviamente superiores, mas o fato de Pecadores ter perdido 12 dos 16 prêmios diminui um pouco a sensação de “fim dos tempos” que tive quando saíram as indicações.
Fora isso, não acho que os resultados foram exageradamente injustos, levando em conta os filmes disponíveis. Posso não gostar da maioria dos filmes como um todo, mas não discordo que tenham mérito em categorias específicas: gosto de Amy Madigan em A Hora do Mal (uma versão mais camp da personagem de Ruth Gordon em O Bebê de Rosemary, que também venceu Atriz Coadjuvante), achei Sean Penn ótimo em Uma Batalha, a performance de Jessie Buckley não me toca, mas não havia outras muito mais premiáveis que a dela; respeito a direção de Paul Thomas Anderson, a fotografia de Pecadores, gosto dos cenários e figurinos de Frankenstein, da canção de Guerreiras do K-Pop...
Em 2025, quase não tivemos bons filmes alinhados com o Idealismo, então, pela ausência de constraste, minha sensação de injustiça nessa cerimônia foi menor que de costume.
12/3 — Hamnet: arte paliativa
A cena que mais me incomodou em Hamnet foi a cena final da apresentação da peça. Pra minha surpresa, é a cena que mais vem emocionando as pessoas. Fãs do filme parecem achar particularmente bonita a maneira como o filme ilustra o poder da arte; a maneira como a arte se torna crucial para a transformação dos personagens no final. Até aí não vejo nenhum problema. O que me impede de me conectar com a cena (além dos problemas de caracterização) é que ela só funciona sob a perspectiva da “arte paliativa”: da arte como remédio para as dores da vida, não como afirmação de valores positivos. De certa forma, é um final metalinguístico. O espectador se comove com Hamnet por ser uma história sobre luto e, no final, a protagonista de Hamnet vai a uma peça que a comove igualmente por falar sobre luto.
11/3 — Prêmios da Academia: Expectativas
Pra usar a cerimônia deste domingo como termômetro cultural, os três filmes mais importantes pra ficar de olho são Uma Batalha Após a Outra, Pecadores e Marty Supreme.
Marty Supreme é o concorrente “opressor” da temporada. Ainda que tenha toques desconstruídos, no contexto atual, ele acaba simbolizando a busca por excelência, padrões elevados e merecimento à moda antiga — por isso mesmo vem perdendo força na disputa. A única categoria na qual ainda tem chances é a de Melhor Ator. Caso Timothée Chalamet vença, será um aceno bem-vindo (e hipócrita) da Academia à meritocracia.
Uma Batalha Após a Outra é o filme militante “respeitável”. Se vencer Melhor Filme e Melhor Direção, será a Academia optando por uma alternativa menos radical. Sim, ela ainda funciona como plataforma política, continua sendo contra os valores do antigo Oscar, mas pelo menos acredita que é importante equilibrar essa agenda com um pouco de mérito, reconhecendo artistas talentosos, de bom currículo etc.
Pecadores já é o chute no balde. É o filme que jamais conseguiria ser indicado pelos critérios antigos e só tem força na disputa por questões ideológicas que nada têm a ver com a qualidade real do filme. Prêmios técnicos ou ligados à produção podem até ser merecidos, mas, se ganhar Melhor Filme, Direção, Roteiro Original e qualquer prêmio de atuação, será uma vitória da “justiça social”, a mensagem clara de que mérito e excelência não são mais os critérios, que o antigo Oscar continua morto etc. Com base nos resultados da última década, seria minha aposta para Melhor Filme.
11/3 — Todo Mundo em Pânico 6 — trailer
Os Wayans estavam afastados da franquia Todo Mundo em Pânico desde o segundo filme e agora estão voltando determinados a ressuscitar o besteirol politicamente incorreto dos anos 90/2000. Marlon Wayans disse à Deadline que seu objetivo é "cancelar a cultura do cancelamento" e que o filme é "sobre trazer a comédia de volta". Uma missão mais do que nobre e, pelo trailer, acho que eles têm tudo pra conseguir.






















