Dentro da Baleia (Whalefall / 2026 / Brian Duffield) ★★
Resumo das impressões de Caio Amaral, elaborado por inteligência artificial a partir de suas anotações durante a sessão.
O maior mérito do filme é sua premissa high concept: um homem tentando sobreviver após ser engolido por uma baleia. A ideia sugere possibilidades de aventura, fantasia e escapismo, mas também apresenta um desafio considerável. Talvez uma das razões pelas quais essa premissa seja tão pouco explorada no cinema live-action seja justamente a dificuldade de representar o interior de uma baleia sem transformar a experiência em algo desagradável ou repulsivo.
A orientação do filme já se anuncia na primeira cena, com Josh Brolin interpretando um homem doente e decadente, em uma prolongada crise de tosse. Uma vez dentro da baleia, a execução privilegia uma representação visceral e repulsiva do ambiente, muito distante do universo fantasioso de Pinóquio.
O protagonista cospe sangue, quebra o pé, sofre queimaduras provocadas pelos fluidos digestivos e acumula ferimentos ao longo da experiência, lembrando o sofrimento físico de 127 Horas. Em vez de despertar curiosidade pelo ambiente extraordinário ou entusiasmo pela engenhosidade necessária para escapar, o filme concentra-se na deterioração do personagem.
O roteiro também apresenta problemas de ritmo e credibilidade. Com poucas possibilidades de ação dentro da baleia, a narrativa prolonga o sofrimento e as reflexões do protagonista, recorrendo insistentemente a flashbacks sobre sua relação com o pai falecido. Quando finalmente começa a elaborar um plano de fuga, surgem soluções pouco convincentes: deslocamentos improváveis pelo sistema digestivo, descobertas convenientes de objetos necessários à sobrevivência e acontecimentos que parecem pertencer a um desenho animado. Há uma contradição entre a estética realista e a lógica fantasiosa dos acontecimentos. O isolamento do protagonista ainda obriga o ator a verbalizar seus raciocínios e planos para informar o espectador.
O problema mais significativo, porém, é de orientação artística. Na avaliação de Caio, Dentro da Baleia exemplifica uma tendência do cinema contemporâneo de buscar legitimidade dramática em traumas familiares e processos de cura emocional, mesmo quando sua premissa parece prometer uma aventura extraordinária. Transformar essa situação em uma experiência genuinamente divertida ou fascinante talvez fosse um desafio difícil de superar, mas o filme parece sequer estabelecer esse objetivo como prioridade. Pela perspectiva do Idealismo, ele subordina sua promessa de entretenimento a um drama psicológico convencional, demonstrando muito mais interesse pelo sofrimento do protagonista do que pelas possibilidades imaginativas de sua situação.
Na.za (2026 / Yxxal Abrxxam, Raxxel Szxx) ●
Mais um suposto documentário do diretor de Sem Chão. Ainda que os entrevistados sejam quem eles dizem ser, o que é dito sobre as ações de Israel na Palestina me pareceu incrivelmente distorcido, infundado, mal argumentado. Mas a grande questão é que eu duvido que os entrevistados sejam realmente oficiais do exército de Israel (são todos anônimos, filmados na penumbra, com a voz alterada digitalmente, e eles só falam coisas genéricas que qualquer leigo poderia ter inventado — leia a resposta oficial da IDF ao filme). Parece mais que o diretor reuniu alguns de seus amigos ativistas e os fez se passar por membros do exército israelense para fortalecer a narrativa do genocídio em Gaza. A maneira como os soldados confessam atrocidades e admitem prontamente que são pessoas perversas é tão artificial do ponto de vista psicológico/comportamental que beira o teatro amador. O que achei mais assustador sobre o “documentário” não é o que ele revela a respeito de Israel, do Hamas, nem mesmo constatar que existe gente capaz de produzir um filme assim, mas o fato de Na.za ter sido aplaudido por 25 minutos no festival de Veneza e de tanta gente achá-lo plenamente convincente.
Sobrevivência (Animals / 2026 / Ben Affleck) ★
Filme péssimo que me fez abandonar a noção de que Ben Affleck seria um cineasta com potencial para influenciar Hollywood numa direção melhor — ideia que formei depois de Air: A História Por Trás do Logo. Copiar a premissa de Céu e Inferno do Kurosawa e não dar crédito já é bem questionável. Mas fora isso, o filme é surpreendentemente mal dirigido... Fazia tempo que não via cenas tão desengonçadas que só de extrair um clipe de alguns segundos você já tem um meme pronto. Este é o primeiro grande projeto de Affleck depois que ele se associou à Netflix e se posicionou como um pioneiro na implementação da IA no cinema. O lado bom de o filme ser ruim neste nível é que isso sugere que não será tão fácil assim para a IA camuflar as limitações do artista. No fim, a qualidade de uma obra acaba sendo moldada por quem olha para cada resultado no processo de produção e diz: “isto está bom o bastante”.


















