sexta-feira, 18 de março de 2016

Zootopia: Essa Cidade É o Bicho




Zootopia / EUA / 2016 / Byron Howard, Rich Moore

FILMES PARECIDOS: Operação Big Hero / Enrolados / Detona Ralph

NOTA: 5.0

39 comentários:

Djefferson disse...

Eu vi com a esposa e achei muito comum, não gostei mas não desgostei. A coelha principal realmente parece a Rapunzel e aquela uma lá do Frozen. Estava aguardando vossa crítica para ver se também reparaste na semelhança.

Eu fui assisti-lo esperando uma comédia e cheguei a dar risada, mas como tu disseste, a crítica política é muito presente e a mensagem genérica.

E mesmo assim está com 99% no Rotten Tomatoes conforme críticos especializados e 8,4 no IMDB conforme o público. No IMDB até eu entendo, pois o mundo inteiro vota. Mas no RT eu penso: "será que é medo dos críticos serem taxados de racistas e preconceituosos?"

Eu discordo com veemência da filosofia de que devemos perseguir os sonhos nossos. A posição que tenho é de que devemos buscar o sucesso paralelo a realização pessoal. Muitos colegas de trabalho durante a minha vida exerciam uma função contrária as suas vontades, mas abraçavam a situação e hoje são profissionais bem sucedidos com uma família, casa e uma gorda aposentadoria. Estão felizes por ter aceito a realidade da vida e não ter buscado sonhos incertos.

Como eu sempre bato na mesma tecla, os jovens de hoje acham que largar a faculdade, o emprego e inventar algo revolucionário os transformará no próximo Bill Gates. Na maioria dos casos eles são apenas preguiçosos e preferem buscar o sonho falso de um sucesso repentino do que trabalhar duro para conquistá-lo com certeza.

Caio Amaral disse...

Me surpreenderam também as notas altas pro filme... mesmo sabendo que crítico adora esse discurso da diversidade, etc.

Olha, quanto a seguir os sonhos.. Acho que cada um sabe o que é melhor pra si.. Nem todo mundo tem uma paixão intensa, sem a qual a vida parece não fazer sentido.. Pra algumas pessoas pode não parecer um sacrifício muito grande seguir uma carreira que não tenha muito a ver com seus sonhos.. pra ter uma vida confortável, etc.. outras já preferem passar fome do que abandonar um determinado objetivo.. as pessoas são muito diferentes.. de qualquer forma, acho um pouco irresponsável a mensagem do Zootopia de que "qualquer um pode ser qualquer coisa".. e a partir daí mostrar uma coelhinha minúscula buscando uma carreira onde força física é algo essencial.. assim como o Kung Fu Panda que apesar de preguiçoso e obeso pode ser extremamente ágil no kung fu.. Fica parecendo uma fantasia, e não algo que de fato motiva.. Sou otimista no sentido de que acho sim que podemos atingir nossos sonhos, DESDE QUE eles sejam racionais e que levemos em conta nossas habilidades naturais, características, pontos fracos, etc.

Anônimo disse...

Acho péssimo filmes em que a história é só um pretexto para doutrinações, ainda mais de natureza política.
Nunca tive lá grande simpatia por Zootopia, sempre me pareceu pretensioso. Os trailers iniciais mostravam didaticamente o conceito de animais antropormóficos, como se fosse coisa nunca dantes vista. Se era ironia, não achei graça:
https://www.youtube.com/watch?v=CzvH6_e2a-U

Realmente Disney está conseguindo ser mais Dreamworks que a própria Dreamworks, de quem copiou os heróis envergonhados, o humor meio duvidoso (há quem diga que a Dreamworks immita o estilo dos velhos desenhos da Warner, mas a diferença é que os Looney Tunes eram realmente engraçados) e a as referências a filmes que as crianças só vão ver quando adultos, como o Poderoso Chefão, e a adoção de temas 'adultos', pra conquistar elogios da crítica e prêmios. Não duvido que Zootopia garanta à Disney o Oscar do ano que vem. Ela já monopoliza esse prêmio já faz tempo.
Pedro.

Caio Amaral disse...

Oi Pedro! A ideia dos animais antropomórficos não é nova mesmo.. eles se inspiraram em Robin Hood (1973) e em outros desenhos mais antigos pelo que li.. mas talvez a geração mais nova não tenha visto nada parecido recentemente né..

Não consigo comparar com os desenhos da Warner também. Pernalonga.. Papa Léguas.. eram "espertalhões" que ridicularizavam os vilões de forma cômica e estavam sempre vários passos à frente.. tipo um Pica-Pau, Bart Simpson ou mesmo o Kevin de Esqueceram de Mim.. não se encaixam no que chamo "herói envergonhado". Abs!

Zonijeda disse...

Batman vs Superman está com 32% no Rotten Tomatoes e 49 no Metacritic. To com medo da decepção... Oh Deus! A dúvida permeia.

Você vai ir ver quando Caio? Acho que vou esperar seu veredito para decidir se vale a pena o investimento. Mas confesso, o hype tá lá em cima.

Caio Amaral disse...

E 9.3 no IMDb! Quem será que está com a percepção alterada? hehe. Eu devo assistir amanhã à noite, Marcus.. talvez na Quinta já poste sobre..!

Marcus Aurelius disse...

Ah, como disse o Djefferson o IMDB não conta, os fãs dos personagem vão dar 10 sem nem ao menos assistir. E dá para criar várias contas falsas e votar várias vezes.

Consegui mudar meu nome, uhull!! primeira vez que tento e era tão fácil...

Caio Amaral disse...

É, desde que vi o trailer eu não to botando muita fé não..!
Haha. Achei q fosse de propósito o 'Zonijeda'.. abs!

Anônimo disse...

É mesmo uma pena que a memória das pessoas ande tão curta, e a maioria delas só se lembre de filmes muito recentes, mesmo quando os mais antigos estão disponíveis na internet, em DVDs ou na Tv por assinatura. Um dos canais da Disney exibiu recentemente o Robin Hood, talvez por conta da promoção de Zootopia.
De certa forma, a Disney se beneficia da desmemória do público e de muitos críticos, pois assim pode receber elogios por veicular mensagens supostamente revolucionárias, mas que não sao novas: 'você não pode casar com algúem que acabou de conhecer' já havia sido dito em Encantada (de resto, é um conselho meio desnecessário, pois a maioria das pessoas hoje adia ao máximo o casamento); 'Seja o que o você quer ser'/'não seja preconceituoso' foi a mensagem, talvez um pouco menos enfática, de Ratatouille e, de certo modo, também de Meet the Robinsons, onde a excentrica família adotiva do protagonista parecia estar lá apenas para promoção da tão falada 'diversidade'.

Caio Amaral disse...

As mensagens positivas como "seja o que você quer ser", etc, são atemporais.. podem ser repetidas milhares de vezes em histórias diferentes, de maneiras diferentes, e ainda têm sua função.. motivação é um exercício diário.. assim como manter a saúde física, comer bem.. é bom estar sempre sendo relembrado de certos conceitos.. o que me irrita em alguns filmes não é nem o fato da mensagem não ser original, e sim o fato dela ser moralmente duvidosa.. nociva.. Se ainda por cima o filme tentar se passar por 'inovador' quando na verdade não é.. isso só aumenta minha irritação, rs.

Marcus Aurelius disse...

Caio, você no seu vídeo "Ayn Rand e Sexo" falou que ela não era especialista em psicologia. Duas coisas que eu quero perguntar na sua opinião: o homossexualismo não é um fator inteiramente biológico?

Não quero passar a impressão de alguém criticando, tipo aquelas pessoas que fala "ah, mas para você achar tal coisa ruim você tem que tem que entender do assunto", mas é só curiosidade mesmo: você é especialista em psicologia ou estudou na área?

Por favor não interprete o tom da minha última pergunta de forma equivocada.

Caio Amaral disse...

Oi Marcus.. não se sabe o que leva alguém a se tornar homossexual.. Pode ser algo biológico, psicológico, uma mistura dos dois.. não importa (meu palpite é que seja algo psicológico mesmo, que acontece nos primeiros anos de vida, tanto que gêmeos podem crescer com orientações diferentes, etc).. o que se sabe é que é algo que se estabelece bem cedo e que a vasta maioria das pessoas não tem nenhum poder de alterar isso.. então deixa de ser uma questão moral. Não sou especialista em psicologia não.. mas me interesso pelo assunto, venho fazendo terapia desde os 15 anos, tenho psicólogos na família, e por ser gay acho que tenho informações mais de primeira-mão do que a Rand tinha na época.

Anônimo disse...

Outra coisa nesses filmes novos de ‘mensagem’ da Disney é que a tal mensagem nunca é facilmente traduzível para o mundo real. Zootopia vende sua alegada mensagem anti-racista dizendo como não se deve prejulgar os predadores, mas quem são os ‘predadores’ na sociedade humana? É uma mensagem razoável ensinar a não desconfiar de ‘predadores’? Soa um pouco como a piada que alguns fazem sobre Enrolados, dizendo que o filme ensina às garotas que elas não devem ter medo de entrar em um bar cheio de brutamontes mal-encarados, pois talvez sejam todos almas sensíveis e delicadas. Os filmes novos da Disney parecem como construídos como uma espécie de teste de Rorshcach, no qual o espectador vê o que seu espírito lhe predispõe a ver, e a Disney colhe o mérito. Elsa foi explicada como representação de histeria, depressão, ansiedade e homossexualidade reprimida. Até a Vanelope, a menininha chata do Detona Ralph, foi tratada como representação de muitos tipos de desordem mental, de hiperatividade, dislexia, síndrome de Tourette e até autismo.

Caio Amaral disse...

Eu acho que o 'equivalente' aos predadores de Zootopia seriam os negros... Pois esse debate está sempre em alta nos EUA... A ideia de que a polícia prende mais negros do que brancos... que negros são acusados injustamente de crimes por causa da cor... Então o filme quer ensinar que nunca devemos desconfiar das pessoas por questões de raça... O problema é que, no contexto de Zootopia, faz sentido a coelha desconfiar dos predadores... Então realmente a mensagem não se traduz da melhor forma.

Anônimo disse...

É uma comparação possível, a sociedade americana está fraturada, divida por rancores de etnia, gênero e religião. Parece que as pessoas estão constituir para si 'tribos' que lhes dêem algum sentido de pertença. E não se vai resolver esse problema simplesmente atribuindo a culpa de tudo a algum vilãozinho, como nos filmes novos da Disney.

Caio Amaral disse...

Sim.. Uma observação interessante q não fiz no vídeo é que, no filme, vários personagens preservam suas características originais de animais: a preguiça é de fato preguiçosa, os lobos todos começam a uivar instintivamente quando ouvem um outro uivando.. Mas na hora que a coelha pensa que os predadores possam ser violentos (por observar que vários deles estão de fato atacando animais).. ela é julgada como preconceituosa. "Claro".. antes de julgar ela devia ter pensado na explicação mais "lógica".. que há uma vilã usando uma droga mágica pra tornar os predadores violentos.. rs.

Diogo Bazar disse...

Assisti essa semana em DVD.

Sério, não consegui entender a ideia de preconceito trabalhada no longa: você tem um conflito entre duas espécies (presas x predadores), mas não dá uma explicação convincente do porquê eles deixaram de ser selvagens. O preconceito tratado mais me pareceu uma vitimização do predador (Nick a raposa) com a presa (Judy a Coelha) simplesmente pela apresentação dos fatos que ele mesmo presenciou enquanto eles investigavam o desaparecimento de um dos predadores.


Muita desonestidade intelectual dentro de um filme só.

Caio Amaral disse...

Oi Diogo. Pois é, não é pra fazer sentido.. é só pra cair nas graças dos 'progressistas'.. O filme é forte candidato ao Oscar 2017 de animação. abs.

Valeria Lozano M disse...

Os últimos filmes da Disney , este tornou-se o meu favorito. Em Zootopia, uma cidade com grandes avanços tecnológicos, muito bem organizado, onde tudo parece fluir naturalmente e normalmente, Chega o dia em que o caos invade a cidade e resolver o mistério do que está acontecendo, parece Judy Hopps um conejita polícia deu tudo para alcançar seu maior sonho. Aqui onde presas e predadores coexistiram sem problemas, coisas estranhas acontecem. O prefeito, um leão, é quem detém as rédeas da cidade.

Anônimo disse...

Uma animação que teve uma temática parecida com a de Zootopia, mas que a meu ver foi bem melhor foi "Cats Don't Dance", lançado pela Warner em 1997. Não fez muito sucesso, mas adquiriu status de cult. A história se passa numa Hollywood imaginária, onde animais antropomórficos vivem como gente mas só podem fazer figuração nos filmes, onde os papéis principais são exclusivos dos humanos. A história, mais ao espírito dos anos 80/90, segue uma linha de superação, com os animais conseguindo provar seu talento e passando a estrelar filmes.

https://www.youtube.com/watch?v=k6SXyLGohZ8

Cats Don't Dance também tinha a vantagem de apresentar logo seus vilões, possibilitando o melhor aproveitamento deles, em vez dessa mania boba dos tempos atuais de vilões ocultos.

https://www.youtube.com/watch?v=ispXde5ZQB8

Pedro.

Caio Amaral disse...

Valeria, vc deu uma breve sinopse do filme, mas não disse nada a favor dele.. não disse pq ele se destaca dos demais, que valores vc aprecia na produção, etc.

Pedro, nunca vi esse Cats Don't Dance.. mas pelo que disse já dá pra sacar que a história tem um espírito diferente do de Zootopia..! Abs.

Anônimo disse...

De fato, a 'mensagem' de Zootopia era só mesmo para agradar aos progressistas, um pouco como a Dreamworks fez na série Shrek, fazendo do ogro herói um vegetariano, e dos personagens maus comedores de fast food. O que não impediu o estúdio de lançar brinquedinhos do Shrek em redes de fast food, mesmo tendo feito piada com essa prática em Shrek 2.
Enquanto isso, a nova Disney, supostamente tão ciosa do valores da diversidade, engavetou o projeto da animação "O Rei dos Elfos" por alegados 'problemas de roteiro', coisa inacreditável, tendo em conta os últimos lançamentos da casa do rato, sendo mais provável que a razão real da desistência tenha sido porque que o protagonista da história era negro, e eles ficaram receosos que o filme fracassasse como "A Princesa e o Sapo".

Caio Amaral disse...

Nem lembrava que Shrek era vegetariano..! Mas não espere consistência total no discurso dos progressistas.. eles vão sempre apresentar um monte de contradição, tipo socialista de iPhone, etc. Esse Rei dos Elfos nunca ouvi falar.. mas a Disney anda tão animada pra quebrar com suas tradições.. vai ver o problema era mais com o roteiro mesmo, não com a raça..

Anônimo disse...

No caso de Shrek acho mais hipocrisia mesmo, inserir cenas zombando das cadeias de fast food e seus brinquedinhos, e no entanto botar brinquedinhos do Shrek no McDonald's.

"King of the elves" era um projeto da Disney que esteve em lançamento por volta de 2009-2011 com suposto lançamento para 2013, seria uma adaptação de um conto de Philip K. Dick, sobre um homem simples que vem a ajudar os elfos numa luta com os trolls. Os elfos nessa história não seriam como os do Senhor dos Anéis, mas sim criaturas pequeninas vestidas de folhas. Esse projeto foi cancelado para acelerar a produção de Frozen, cujos problemas de roteiro são bem óbvios. Penso que a Disney queria um filme que pudesse pegar carona no sucesso de Enrolados, e provavelmente teve receio mesmo de ter uma história com um protagonista negro, depois do desempenho considerado fraco de "A Princesa e o Sapo", sem contar os criticismos de progressistas, que exigem diversidade racial nos personagens, para depois criticar os personagens não-brancos por não serem deste ou daquele jeito, como criticaram bastante Tiana, Pocahontas, Mulan, Aladin e Jasmine. O próximo lançamento da Disney, Moana, já está sendo criticado por alguns por como um dos protagonistas um polinésio gordo, como se não tivesse gente gorda em toda parte no mundo:

http://moviepilot.com/posts/3985660

Isso de quebrar tradições ainda é uma repercussão do sucesso de Shrek, que faturou alto zombando da Disney, e tem se referido mais ao romantismo, que está saindo de cena ou sendo ridicularizado. A propaganda de Moana, p. ex., tem enfatizado que não se trata de uma história de amor. O romantismo se tornou meio irreal para as pessoas, nos tempos atuais. Nos Estados Unidos a cada ano aumenta a desagregação das famílias, como vão acreditar em 'felizes para sempre'? Muitos americanos estão crescendo como o Eminem, vendo a mãe cada mês com um namorado diferente. As pessoas entenderam que podem ser largadas a qualquer momento, por isso grandes amores nos filmes da Disney passaram a ser tão risíveis.

Outra quebra de tradição é o crescente interesse da Disney por continuações, anunciaram um Detona Ralph 2, Frozen 2, Encantada 2 (pra que, dez anos depois do primeiro) e falam até de um Zootopia 2, embora mesmo gente que gostou do primeiro tenha dificuldade de ver um assunto para ser explorado (Frozen 2 tem o mesmo problema, na minha opinião).

Diogo Bazar disse...

Eu adoro esse Cat's Don't Dance, assistia muito quando passava no SBT. Além de ver uma história de superação de um personagem sendo altamente discriminado por não poder ser um ator tinha um quê de desenho clássico com suas excentricidades. Andei pesquisando vi que não saiu em dvd infelizmente.

Quanto a Sherk somente gostei realmente dos 2 primeiros filmes, apesar da excessivo ataque ao romantismo o primeiro filme me marcou mostrando que ao menos você pode conseguir o amor mesmo que você seja rejeitado (até porque é um sentimento que carreguei durante muito tempo em minha vida).

Mas realmente esse padrão que o Sherk colocou no cinema infantil virou um câncer: agora é moda criar personagens assim imperfeitos e histórias ruins e sem inspiração muito parecidas. Um exemplo: tu olha o grupo de animais do Era do Gelo e tu vê o de Madagascar e tu não nota diferença, não são marcantes e não mostram nada épico.

Caio Amaral disse...

Anônimo, só pra esclarecer, quando eu falo em romantismo, não estou falando sobre romance necessariamente, menos ainda sobre a ideia de casamentos duradouros.. um filme poderia ser sobre uma personagem solteira, não ter nenhuma história de amor, e ainda assim ser romântico nesse sentido que falo.. o fato das pessoas se divorciarem mais hoje em dia não tem tanta relação com isso, acho eu.. abs!!

Caio Amaral disse...

Diogo, o que vc comentou do Shrek é o que falo na postagem Herói Envergonhado:

http://profissaocinefilo.blogspot.com.br/2011/06/heroi-envergonhado.html

"Heróis são feitos pra provocar inspiração - as crianças saem do cinema imitando seus gestos, querendo ser como eles. Um "herói envergonhado" é feito pra amenizar a baixa auto-estima, dar um senso de conforto pro espectador, de "inclusão", dizendo que ninguém é grande demais - que todo mundo é inseguro, tem falhas, portanto não há por que se sentir inferior."

Nunca me empolguei muito com heróis assim, mas de repente há certo valor terapêutico em algumas dessas histórias, hehe.

Diogo Bazar disse...

Pra mim na época foi, posso te dizer que sim. Não sei se cheguei a comentar eu tive depressão e tudo, mas sempre me agarrei na ideia de que eu poderia ser alguém mesmo sendo eu mesmo (sim, eu tenho baixa auto estima). Pelo menos a visão do primeiro filme no qual ele salva uma princesa sendo um ogro aquilo me tocou de uma certa forma. Já no segundo ele busca aceitação pela família da Fiona, que é um outro passo que até eu me identifico em alguns momentos. É como você disse: eles servem pra te amenizar a dor.

Anônimo disse...

Curioso, eu era uma criança ingênua recém saída dos anos 90. E o que eu sempre gostei em Shrek era a ousadia de ser uma espécie de Scary Movie para crianças, onde poderia ser nojento sem ser vulgar, ser ousado sem ser imoral e ser engraçado sem ser pastelão, parodiar outros filmes assim como Scary Movie tinha feito com Matrix e ainda soar original. Era aquele filme que se fosse com atores em live action os meus pais me proibiriam de assistir, mas por se tratar de animação eles davam uma chance. Sempre pensei que o sucesso se devia a isso.

A cena que mais me marcou quando vi pela primeira vez foi ele tirando a cera de ouvido pra fazer uma vela, porque como menino era hilário ver uma piada que fazíamos tão exagerada em tela. Parece até que os criadores foram às escolas perguntar pros meninos o que eles achariam engraçado em um filme e colocaram tudo junto. Mas o mais divertido era observar as garotas chocadas, como as cenas dele comendo coisas nojentas.

Mas nunca associei isso de romantismo, desenvolvimento de personagens, repressão de sentimentos, herói envergonhado, lições de moral etc. Até não me importava se o filme fosse um monte de Gags sem qualquer conexão de história entre elas. Achava chato todas as cenas de diálogo sério.

Agora lendo os comentários acima causa uma certa estranheza ver pessoas que se identificaram com o filme e e foram capazes de criar sentimentos fortes a respeito. Me sinto até uma pessoa superficial agora, capaz de rir do humor mais baixo kkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Acho o humor da Dreamworks em geral meio irritante, ontem assisti no Discovery Kids um trecho do "Bee Movie" e não gostei nem um pouco. Além das gracinhas sem muita graça, o visual dos personagens era terrível.Em geral o trabalho da Dreamworks em CGI costuma ser inferior ao da Pixar. "O Caminho para El Dorado" e "Sindbad", em animação tradicional, ainda acho passáveis.
No Shrek, não gosto do seu tom de aberta zombaria contra a Disney, que faz o filme parecer uma vingança pessoal do Katzenberg, do seu humor de banheiro, e do CGI que não aguenta uma comparação com o de seu concorrente na época, Monstros S/A, que era muito melhor e que merecia ter levado o Oscar, ao invés do ogro. Além disso, os rostos de Fiona, na forma humana, e de Farquad (parece que esse nome é um trocadilho com um palavrão, em inglês), são um caso grave de 'uncanny valley'. Pelo menos a Dreamworks depois foi aprendendo a fazer humanos mais cartunescos, como em Monster vs. Aliens e em Como Treinar seu Dragão.

Caio Amaral disse...

Eu gosto de paródias no estilo Scary Movie.. cai em outra categoria de Shrek da maneira como eu vejo.. primeiro pq em Shrek, apesar de haver toques de nonsense, o filme humaniza o personagem, é pra plateia ter certo carinho por ele, se identificar em algum nível.. apesar do humor, o filme se coloca como "sensato" de certa forma, os momentos chave da história são sérios.. só que o personagem é um ogro sem muita coisa pra gente admirar (além do "bom coração").. em paródias tipo Scary Movie, fica bem claro que não é pra vc se identificar com ninguém, que tudo o que acontece na tela é pra ser contraditório, um absurdo do começo ao fim..

E há uma diferença fundamental entre você fazer referências sarcásticas, supostamente inteligentes, zombando da inocência de outros filmes, como Shrek.. e o que paródias como Scary Movie fazem.. a atitude desses últimos é como se o filme quisesse ser romântico assim como os filmes que ele imita, porém não tivesse inteligência / maturidade / bom gosto pra fazer isso direito, resultando em algo cômico.. como já disse antes: tipo uma criança brincando de ser adulta e fazendo coisas ilógicas no processo.. então vejo esses filmes de forma inocente, eles me parecem respeitosos em relação ao romantismo dos filmes que eles citam.. estão apenas zombando da burrice do próprio filme, brincando com a plateia.. já um Shrek me passa uma atitude mais cínica, como se ele na verdade quisesse zombar dos valores dos filmes mais românticos, se colocando numa outra categoria.. abs!

Dood disse...

Personagens da Dreamworks no geral são bem ruins.

Até o Kung Fu Panda que estruturalmente poderia render boa coisa não é empolgante. Tentei assistir a série a Lenda do Dragão Guerreiro (até porque nunca vi os filmes) e achei ele um personagem meio abobalhado, totalmente descomprometido com os deveres de um guerreiro que abraça uma filosofia tão rica quanto o Kung Fu.

A ideia é boa, só que mal executada na série. Se os filmes seguirem esse caminho, eu passo longe.

Já os Pinguins de Madagascar como série eu gosto, eles estruturalmente me divertem. Tanto que só gosto mais de Madagascar 2 por causa das participações deles. Porque não suporto os principais.

Caio Amaral disse...

Não vi os Pinguins... Esse gênero de animação é complicado... como dá bastante dinheiro, acaba atraindo os piores tipos de exploradores, produtores inautênticos... faltam artistas que realmente se importem e respeitem o público infanto-juvenil.

Anônimo disse...

Infelizmente, levou o Oscar de animação. Poderiam ter premiado Moana, já que parece ter se tornado obrigatório premiar a Disney/Pixar todo ano, mesmo quando eles apresentam um filme tão inexpressivo e genérico quanto "Operação Big Hero". Mas este ano tinha que prevalecer o ativismo politicamente correto.

Dood disse...

Pior que achei Moana melhor, mas conheci pessoas que disseram que a animação era mais um Detona Ralph em comparação.

Até mesmo os valores são melhores:

http://lolygon.moe/2017/01/moana-e-o-filme-mais-conservador-que-a-disney-ja-fez/

Caio Amaral disse...

Achei Moana melhor também, principalmente por causa dos valores... Mas não por serem "conservadores" como diz esse artigo aí... Uma coisa não pode ser boa ou ruim simplesmente por ela ser a favor ou contra tradições... Depende de que tradições são essas né... do quão racionais elas são... abs!

Anônimo disse...

Moana era melhor, pura e simplesmente. Mas Zootopia tinha de ganhar porque já era saudado como anti-Trump ainda em 2016. Se Moana é 'conservador' ou não, me parece mais uma questão de ponto de vista, ainda que mais os filmes recentes da Disney estão se mostrando bastante confusos e contraditórios em matéria de mensagem. "Detona Ralph", com toda sua pretensão 'progressista' de questionamento de estereótipos, acaba sendo mais uma ode ao conformismo, onde qualquer tentativa de mudar o status quo pode levar à destruição do mundo, e a única mudança é na verdade uma restauração no poder da princesa tão liberal que não quer ser princesa, e a derrota do usurpador.

Caio Amaral disse...

Estou só vendo o povo se voltando contra esse ativismo todo daqui a pouco.. Já está explícito que virou uma fórmula pra ganhar prestígio.. Tá na Disney, em propaganda da Coca-Cola, em clipe da Beyoncé.. O simples fato de ter virado mainstream vai fazê-las buscar algo diferente pra elas se sentirem cool de novo.. rs.

Dood disse...

Pessoal somente peguei o texto pra mostrar que os valores de Moana são positivos, até mesmo se chocam com a cultura atual.

Acredito que para entretenimento vamos ver mais choques culturais assim, espero que isso venha mais pro lado positivo. Principalmente para as animações.