sexta-feira, 8 de julho de 2016

Florence: Quem É Essa Mulher?

NOTAS DA SESSÃO:

- Meryl consegue cativar no primeiro segundo em que surge na tela - ela pendurada no teatro com uma expressão totalmente fora do contexto da cena, deixando transparecer a vaidade e a ingenuidade da Florence. Que papel incrível pra ela... Interpretar uma péssima intérprete, mas fazendo isso com talento!

- Produção de bom nível: figurinos, direção de arte, etc.

- Já o ator que faz o pianista é um desastre! Parece estar forçando trejeitos e um tipo de personalidade que não tem nada a ver com ele. Toda vez que ele aparece eu saio da história. Atores têm que encontrar o personagem dentro da natureza deles, e não tentando ser uma pessoa totalmente diferente.

- Haha. Acho demais as reações da Meryl quando alguém elogia o talento dela - em vez de agradecer como uma profissional acostumada com isso, ela fica envaidecida e disfarça, como uma criança. A caracterização da personagem é incrível. Existe muita gente assim na vida real, que se ilude em relação às próprias virtudes. Acho que todos nós temos um pouco disso em alguma área (eu certamente tenho), mas Florence leva essa falta de sensatez ao extremo.

- Hilária a primeira aula de canto da Florence. Meryl dá show. E o melhor é a maneira como o professor encontra pra fazer ela se sentir bem sem ter que mentir que ela canta bem: ele diz que ela é "única", "autêntica", que "nunca estará mais pronta", rs.

- Roteiro muito bem escrito. O desejo da Florence é bem estabelecido: ser uma grande soprano. E o do Hugh Grant também: não deixar que ela descubra a verdade. A narrativa vai se complicando e caminhando em direção ao clímax inevitável: o momento onde Florence terá que se deparar com os fatos.

- O filme poderia ser mais rico psicologicamente, revelando por que Meryl precisa viver essa ilusão... Qual a necessidade inconsciente por trás disso (como em Crepúsculo dos Deuses, onde a protagonista não quer aceitar a passagem do tempo).

- Eticamente a situação é interessante. Hugh Grant está fazendo mal em não dizer a verdade? Será que ela suportaria a verdade? Ou é como um paciente à beira da morte, que tem mais chances de sobreviver se for iludido pelo médico?

- Divertida a reviravolta dela fazer sucesso no rádio (por ser péssima), e depois o Hugh Grant tentando convencê-la a não se apresentar no Carnegie Hall, pois seria demais pra ela. A resposta dela é assustadora e fascinante - ela imediatamente descarta o "pessimismo" dele citando exemplos de pessoas de sucesso: "Se Fulano tivesse escutado pessimistas como você, ele não teria chegado onde chegou!" - coisa que toda pessoa ambiciosa se diz, só que nesse caso ela está totalmente enganada em não ouvir o pessimista (que na verdade está apenas sendo realista, rs).

- Ótima a cena da apresentação no Carnegie Hall! As coisas que ela faz com a voz, com o corpo, as expressões faciais, ela cantando a Rainha da Noite... Palmas pra Meryl!

- SPOILER: O clímax é bom (ela lendo a crítica no jornal, desmaiando, etc), embora a reação dela e a "moral" final da história sejam meio previsíveis.

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CONCLUSÃO: História divertida, bem contada, com uma performance memorável da Meryl Streep.

Florence Foster Jenkins / Reino Unido / 2016 / Stephen Frears

FILMES PARECIDOS: Julie & Julia / O Discurso do Rei / Walt nos Bastidores de Mary Poppins / Ed Wood / Crepúsculo dos Deuses

NOTA: 8.0

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