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A definição de comercialismo vazio, do cinema baseado em fórmulas, clichês e fan service, sem um pingo de inspiração ou inteligência. O que mais me impressionou é o quanto o filme parece ignorar a possibilidade do espectador ter um cérebro funcional. Somos reduzidos à condição de um bebê de 3 anos olhando pra um iPad, cuja atenção precisa ser renovada momento a momento por objetos coloridos se movendo freneticamente na tela, sem que nenhuma linha de raciocínio se sustente por mais de alguns segundos.
Por exemplo: em certo momento, uma enorme chuva de meteoros preenche o céu, embasbacando os heróis e criando um espetáculo visual que faz você pensar que algo grandioso está ocorrendo — no fim, é só a chegada de um personagem secundário que veio pedir ajuda a eles. Em outro momento, o castelo da princesa é arrancado inteiro do chão e erguido ao céu pela nave espacial do vilão. Há uma luta de braço dentro do castelo, que logo cai de volta no solo. Qual a necessidade da chuva de meteoros? Do castelo levitar? Nenhuma... É só pra agarrar momentaneamente a atenção do público. No minuto seguinte, aquilo já não importa mais. E assim o filme prossegue por 1h40, num desfile de personagens genéricos e piadinhas enlatadas.

Quando vi opiniões divididas sobre Super Mario Galaxy, ficou claro pra mim um problema recorrente: a linguagem dos videogames não pode simplesmente ser transportada pro cinema sem uma adaptação bem pensada.
ResponderExcluirVideogame e cinema contam histórias de formas completamente diferentes. No jogo, a experiência é interativa — você vive a jornada. Já no cinema, tudo depende de construção narrativa, ritmo, desenvolvimento de personagens e, principalmente, um bom roteiro.
Enquanto você descrevia o filme, não consegui deixar de lembrar de Angry Birds: O Filme, que pra mim foi uma experiência vazia justamente por não conseguir traduzir o que funcionava no jogo para uma narrativa cinematográfica envolvente. E olha que Angry Birds tem menos lore - um universo a explorar, que Mario.
Pelo que tenho visto, esse novo filme parece muito voltado pra quem já é fã — cheio de fanservice. O filme quer se sustentar por um nicho, mas como obra vai ser algo sem alma.
Eu gosto muito do personagem e também acho Nintendo incrível no que faz com seus jogos — o próprio Mario no Wii é extremamente divertido de jogar. Mas cinema é outro nível de linguagem.
E esse erro não é exclusivo daqui. A própria Marvel Studios já mostrou algumas vezes como adaptar sem entender a mecânica do cinema pode resultar em algo raso: pegar elementos que funcionam em outro formato e simplesmente transportar, sem reconstruir pra narrativa cinematográfica envolvente.
No fim, não basta ser fiel — precisa saber contar a história do jeito certo.
Olá Dood! Sim, adaptar games requer uma certa interpretação... No caso do Mario, nem seria uma missão tão complicada (quanto Angry Birds), pois os jogos clássicos já têm narrativas lineares, objetivos e conflitos claros, ascensão, heróis, vilões, etc. Se encaixa muito bem num esquema "jornada do herói". O problema desses filmes da Illumination pra mim não é nem tanto o conceito de narrativa.. mas a falta de qualidade do roteiro mesmo. A história poderia continuar sendo sobre Mario e Peach tentando resgatar a outra princesa, lutando contra o filho do Bowser, passando por várias "fases" etc... só que sendo um bom filme: tendo ganchos sólidos, cenas de ação bem construídas, um mínimo de lógica, humor inteligente etc. Do jeito que está... funciona só pra esse tipo de fã que fica maravilhado de reconhecer as referências na tela... e crianças. E esse deve ser justamente o público-alvo do filme... pais de 35-50 anos que jogavam Mario na infância, e seus filhos. O filme já garante $1 bilhão aí... pra que fazer mais? rs.
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