quarta-feira, 22 de abril de 2026

Michael

Fui feliz por 2h no cinema, ainda que pudesse reconhecer os pontos fracos do filme — especialmente a superficialidade e falta de “unidade de ação” do roteiro, que salta entre os principais momentos da carreira de Michael Jackson sem muito senso de hierarquia e sem nunca ter tempo de se aprofundar em nada (John Branca aparecer mais que Quincy Jones não faz o menor sentido). E não estou dizendo que o filme deveria ter tornado Michael moralmente ambíguo ou discutido as acusações de abuso (muitos acham que revelar imperfeições de caráter é o mesmo que “aprofundar”), mas senti falta de uma dimensão minimamente intelectual/reflexiva — insights interessantes sobre a psicologia de Michael, sua arte, seus méritos criativos, etc.

O filme funciona praticamente como um jukebox musical, uma experiência audiovisual imersiva que celebra a carreira de Michael de forma respeitosa, mas não tem nada de muito interessante a acrescentar. Em termos de imagem e som, a produção é ótima; Jaafar Jackson canaliza bem a energia do tio, e o melhor de tudo é que o filme é fiel ao senso de vida idealista de Michael — o que já o torna uma experiência rara nos tempos atuais.

Mas, sim, poderia ter sido melhor enquanto filme — no mínimo, ter dado um desfecho mais satisfatório para essa primeira parte (fica claro que haverá sequência), que termina de forma abrupta durante a turnê Bad, em um ponto pouco natural para dividir a jornada. Se era para focar no conflito com o pai e acabar o filme ainda nos anos 80, deviam pelo menos ter mostrado Michael saindo da casa da família e se mudando para o rancho Neverland — um clímax para o qual o filme parecia estar caminhando, até pelas diversas referências a Peter Pan, mas que acaba não sendo aproveitado.

Michael / 2026 / Antoine Fuqua

★★★½

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