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O filme se sustenta basicamente em cima de 1 sacada estilística central, que é a de colocar um fantasma tipo Scooby-Doo dentro de um contexto de filme dramático, causando um contraste estranho entre o visual sério da produção e a figura cartunesca no cenário, que se torna ao mesmo tempo ridícula e assustadora.
O problema é que passada a curiosidade inicial gerada por essa imagem, o filme não se propõe a oferecer algo mais interessante em termos de história, desenvolvimento de personagem (há uma tentativa de um plot-twist no final que pra mim não fez o menor sentido, pois o filme não tinha uma trama em primeiro lugar que pudesse ser "revirada").
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Há 1 momento curioso no filme que acho interessante mencionar, onde um homem numa festa faz um longo discurso sobre niilismo para os outros convidados (é o momento mais verbal do filme, que em geral é bem silencioso), que na minha visão pode ser visto como o cineasta tentando se justificar pro público, explicando por que ele fez um filme tão nonsense quanto esse. É como se ele dissesse: "Vejam espectadores, a vida não faz sentido, então por que o meu filme tem que fazer?" - o que é engraçado, pois o leva a à contradição inevitável que discuto na postagem Pessimismo.
O filme tem um apelo visual forte, é ousado, mas está longe do valor artístico/intelectual que parece querer atingir.
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FILMES PARECIDOS: Mãe! (2017) / O Lagosta (2015) / Sob a Pele (2013) / Tio Boonmee (2010)
A Ghost Story / EUA / 2017 / David Lowery
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