quarta-feira, 11 de março de 2015

Por que a arte se tornou feia?

Texto brilhante do Stephen Hicks sobre arte moderna e pós-moderna que explica a origem histórica de muitas das tendências que eu, de um ponto de vista mais leigo, costumo criticar aqui no blog. É longo mas muito enriquecedor!



Link:
http://www.libertarianismo.org.br/por-que-a-arte-se-tornou-feia/

15 comentários:

Anônimo disse...

Porque a arte se tornou feia? Talvez porrque o mundo tenha se tornado mais feio.

Anônimo disse...

Não cheguei a ler este texto por falta de tempo mesmo, mas quando me formei em arte, formulei os seguinte pensamentos sobre a arte moderna e pós-moderna, que inclusive fez parte da tese que defendi perante a banca examinadora:

- "As pessoas vivem suas vidas cotidianas sem significado, portanto, procuram significado nas coisas cotidianas." -

Conforme a arte foi evoluindo através dos séculos, ela foi ficando cada vez mais popular e acessível à população, o que é uma coisa boa. Mas com isso o conceito de arte foi se deteriorando e ganhando novo significado, pois nem todos tinham senso crítico.
Por exemplo, hoje arte é definida em resumo como manifestação de suas emoções ou pensamentos conscientemente. Ou seja, os rabiscos de giz de cera que você fez quando tinha 03 anos de idade é considerado arte. Para alguns "artistas" que vomitam tinta em uma tela também sua obra deve ser considerada arte.
Quadrinhos, cinema e videogames são artes consideradas novas e do tipo mais popular.
Por isso hoje em dia, qualquer um pode ser considerado "artista" ou crítico de arte, sem saber fazer escultura ou pintar uma tela ou ter senso crítico e formação em determinada arte, como cinema por exemplo. E com isso em mente, algumas pessoas aproveitam-se disso e se comunicam com seu público criando com coisas do dia-a-dia das pessoas algo para que chamem de "arte". E os "críticos", com medo de se passarem por desentendidos, encontram significados inexistentes nesta arte feia.
Em resumo, quanto mais popular a arte, pior será sua manifestação.
No caso de cinema, vide os grandes blockbusters sem mente pensante por trás. Um caso que costumo pensar sempre é "Uma aventura LEGO". Quando anunciaram os concorrentes ao Oscar de melhor animação e esta não estava entre os escolhidos, as pessoas ficaram CHOCADAS. Isto é puro exemplo de conceito distorcido de arte. Pois desde que o "artista" comunique-se com seu público adequadamente, o seu público será um crítico favorável à sua obra e cada vez mais menos esforço é envolvido, e quanto menos esforço, mais artistas preguiçosos surgem.

Caio Amaral disse...

Olha, tem várias coisas aí..

- Existe arte, e existe arte popular (uma expressão menos intelectual, menos filosófica, direcionada ao grande público). As 2 coisas sempre vão existir - o fato da arte popular existir em maior quantidade não significa que os artistas e o público estejam ficando cada vez mais preguiçosos.. é que realmente ela apela pra um público maior.

- Essa arte de "vômitos", etc, não pode ser considerada popular... é algo direcionado mais para os intelectuais, etc. É quase uma "anti-arte", uma tentativa de negar o conceito de arte, provocar debates, etc. Está numa categoria muito diferente do filme do Lego, por exemplo - que apesar de ter valores muito suspeitos, ainda pertence a uma tradição relativamente saudável de arte popular. Não é um filme mais "preguiçoso" que Procurando Nemo, por exemplo.. É um filme narrativo, com personagem central, trama, se comunica com a plateia de uma maneira racional, é tecnicamente sofisticado, etc.. Apenas tem umas ideias meio deturpadas.

Agora vomitar numa tela já é negar totalmente a comunicação, a objetividade da arte, a habilidade envolvida no processo criativo.. está numa categoria totalmente diferente. Abs!!

Anônimo disse...

A grande questão é a seguinte: conforme a arte popular cresce, mais pessoas se acham artistas ao seu ver e menos esforço é envolvido na criação da arte, isto acaba influenciando a arte seleta.

Vide por exemplo o Funk, quando começou como uma manifestação urbana afro americana era uma arte popular e saudável. Conforme os anos foram passando, o senso crítico foi caindo e menos esforço foi sendo envolvido. E graças ao conceito deturpado de "arte popular" que as pessoas tem hoje em dia, o Funk carioca é considerado oficialmente como descendente do Funk original e como manifestação cultural da periferia ou arte suburbana. Lembra quando diziam que "rolezinho" era manifestação popular e cultural?

Neste ponto entra outra verdade: Arte não é um negócio lucrativo. Arte popular em sua grande maioria é, como os MCs da vida, blockbusters, videogames de tiro, franquias multimilionárias, livros adolescentes entre outros. Por isso, muitos artistas de verdade acabam migrando e mudando a forma como faz a arte para que possa agradar a tudo e a todos, seja por necessidade, fama ou por dinheiro mesmo. Quantos diretores bons nas décadas passadas só fazem porcaria hoje em dia. Quando foi a última vez que ouvimos falar bem de Shyamalan? Ele é um mal diretor de verdade ou apenas concordamos com os "críticos" porque temos medo de passar por desentendidos?

Mas arte, assim como filosofia é relativo em minha opinião. Pois posso considerar ou desconsiderar determinada arte simplesmente porque o público sou eu ou não sou eu, porque foi ousado, inovador, porque é "anti-arte", porque é visceral, porque é politizada, porque é urbana, porque é clássica, porque é desconhecida (Hipsters), ou porque é excessivamente popular.
Mas de qualquer maneira, concordo com você, Caio, quando diz que a arte ficou feia. Abraços.

A propósito, você alterou o anti-spam? Tá muito trabalhoso comentar aqui. rs

Caio Amaral disse...

Ah sim... Mas é importante observar que são 2 fenômenos separados... Uma coisa é a diferença entre a arte "tradicional" e a arte moderna. São escolas opostas... Não é que os artistas foram ficando cada vez mais preguiçosos e, começando na Mona Lisa, agora vomitam na tela e conseguem agradar o mesmo tipo de público. Esses artistas estão separados por filosofias opostas, e têm um público bem diferente.

Dito isso.. pode haver sim uma tendência da arte ir se tornando cada vez menos complexa... filmes como Casablanca, nos anos 40, eram filmes populares, de estúdio.. hoje é considerado uma obra-prima.. ninguém saberia fazer um Lawrence da Arábia (1962) nos dias de hoje.. mesmo dos anos 90 pra cá vc já percebe uma queda na sofisticação.. as pessoas que consumiam o mesmo estilo de filme, agora precisam se contentar com coisas menos elaboradas... Mas isso pode estar acontecendo do lado de lá também.. na arte moderna -- antigamente vc tinha Picasso, Dalí.. artistas mais virtuosos.. que são considerados gênios perto dos de hoje..

Mas não acho que essa decadência seja necessária.. irreversível.. pra mim tudo depende da cultura.. da filosofia dominante.. os artistas do século 18 (Iluminismo, etc) produziram mais obras-primas do que os de séculos anteriores.. ou seja, em algum momento a arte evoluiu, se tornou mais sofisticada em geral do que era antes.. e depois voltou a cair.. e isso pode voltar a acontecer, quando houver alguma mudança significativa na cultura. E artistas individuais estão sempre livres pra criarem obras-primas isoladas em qualquer época, mesmo que a cultura não esteja favorecendo.. vc não precisa ser um produto do meio.

Shyamalan é um caso particular, hehe.. Acho que deu sorte em O Sexto Sentido mas depois foi mostrando que não tinha aquele domínio todo do público (se vc partir do princípio que ele queria ser um diretor de grandes sucessos de bilheteria, etc). Outros diretores podem manter o nível ou até irem melhorando em alguns casos (o mais comum é o talento e a energia criativa do artista atingirem o pico mais no início da carreira do que no final, mas essa regra é constantemente quebrada). Abs!!

(essa mudança no anti-spam foi automática do Blogger.. não sei se dá pra voltar como era, vou pesquisar)

Anônimo disse...

As coisas referidas nesse link, como imagens mergulhadas em urina, nem sei se podem ser chamadas arte, são mais provocações, com intuito de ferir sentimenos alheios e gerar polêmica estéril.

Anônimo disse...

Acho que o melhor filme de Shymalan é corpo fechado, vejo como um verdadeiro filme de super-herói, e acredito que somente Birdman conseguiu se "comunicar" comigo da mesma forma, mas isso é muito pessoal e impossível de retransmitir escrevendo.

Com relação as demais artes, isso se deve à facilidade de produzi-las e a como o corpo humano é visto em cada era.
Nos grandes clássicos do cinema, existia muita dificuldade em fazer aqueles filmes, como Lawrence ou Casablanca, exigia maior esforço, o público era mais rígido, não tinha essa história de filme trash nem público pra isso. Era necessário conquistar o público, e público conquistado não era Fanboy, era necessário reconquistá-lo em cada filme diferente.
Conforme produzir filmes foi se tornando popular e mais viável, as coisas começaram a ficar mais cômodas e menor esforço aplicado.
Um caso raro é a trilogia O Senhor dos Anéis. Peter Jackson veio de filmes em que tinha que lidar com baixo orçamento e implicar esforço e trabalho duro, e com essa mentalidade produziu o épico. Depois de ver a facilidade da bilheteria e utilização de CGI, ficou acomodado no Hobbit.

Os artistas da era do iluminismo se sobressaíram por causa da dificuldade de sua época em esculpir e pintar, pois vinham da idade das trevas e de forte influência religiosa, da qual exigia esforço deixar para trás. Exigia que eles fossem buscar inspiração científica que não existia na época, demandando muito trabalho duro.

Na era do iluminismo, o corpo humano deixou de ser objeto de penitência, conforme a igreja pregava na idade média, e passou a ser objeto de estudo científico.
Leonardo da Vinci por exemplo, fez um estudo da beleza com a Mona Lisa, algo que não existia na idade média. E um estudo anatômico com o Homem Vitruviano. Já Michelangelo estudou a estrutura muscular do corpo masculino em Davi.

Hoje, o corpo humano não passa de um objeto de consumo, ou seja, a arte moderna barata e pobre só existe para que o tal artista enriqueça. Quanto mais chocante, mais popular, mais famoso, mais dinheiro. Basta o artista dizer ao público aquela mesma história que a gente usava nas redações da aula de Filosofia do ensino médio: "Ah! É uma crítica a sociedade", "É um protesto contra o imperialismo consumista americano", "É pra criticar a arte como a conhecemos". Este último muito utilizado por artistas que querem chocar com imagens escatológicas.

As artes que apresentavam nudez explícita antigamente tinham um contexto em cada obra, para cada artista impossível de escrever em algumas palavras. Hoje a nudez é utilizada apenas para "fazer uma crítica a sociedade". Como por exemplo mulheres nuas mas usando burca.

Tendo isso em mente podemos observar que os artistas foram influenciado conforme a contextualização de sua época, de historiadores a políticos, de religiosos a engenheiros, de melancólicos a comerciantes.

Neste caso aplica-se a frase:"A vida imita a arte", pois quando a vida é fácil demais, não existe o deleite de uma conquista nem o esforço em desenvolver o seu próprio caráter perante a sociedade. Mesma coisa a arte, quanto mais fácil produzir, quanto menos exigente for o público, mais "feio' será o artista.

Caio, você por acaso fez este post porque estava enjoado das discussões sobre Frozen? Os 6 motivos lá. Olha que vai longe eim, hehehe.

O CAPTCHA voltou ao normal, fique sussi... ^^ Beijos ^^

Anônimo disse...

Toda vez que assisto a Metrópolis e A Pequena Loja dos Horrores, o musical, me arrepia os pelos do corpo só de saber que hoje são incapazes de reproduzir algo tão antigo sem auxílio de computador.

Djefferson disse...

Entendi o que esse Anônimo que escreve pra caralho quis dizer: A arte ficou feia porque isso no texto do link é considerado arte, se não fosse considerado arte não seria feia porque ninguém daria a mínima.

"Anônimo que escreve pra caralho" disse...

Djefferson, realmente eu extrapolei escrevendo. Mas não foi somente isso que quis dizer.
Eu ainda disse que a arte deu um salto no renascimento porque desprendeu-se da religião da idade média. Mas acabou regredindo quando se tornou uma forma de ganhar dinheiro na idade moderna e na pós moderna.

Caio Amaral disse...

É... isso é uma coisa que eu acredito... como antigamente era muito mais difícil de se fazer um filme, apenas 'experts' chegavam na posição de roteiristas, diretores, produtores em Hollywood... pessoas com muita experiência, conhecimento... os filmes só eram produzidos pelos grandes estúdios... então o nível médio dos filmes era superior... hj quase qq um pode fazer um filme... então junto com os filmes bons vem muito mais lixo também... mas isso ainda não explica o sumiço dos 'mestres'... eles deveriam ter se multiplicado... já que muito mais gente tem a chance de se expressar, no mundo inteiro, a probabilidade de se encontrar um novo Hitchcock, ou Kubrick, ou Spielberg deveria ter aumentado infinitamente, não é...? Mas cadê esse povo? Hehe. É que nem na música.. hj qq um faz música no próprio computador.. e esses realities tipo American Idol abrem portas e vasculham o mundo inteiro atrás dos melhores talentos.. então todo ano devia estar parecendo várias pessoas no nível dos Beatles ou de um Michael Jackson.. ou mesmo de um Mozart! Se a competição e o acesso é muito maior, as pessoas não deviam estar se superando? Ou será que a aparente 'facilidade' de se chegar lá (comparado com antigamente) faz com que as pessoas se esforcem menos.. se desenvolvam menos.. afinal, o sucesso pode vir com um simples viral no YouTube..? Ou será que o nível não caiu nada, e é tudo uma ilusão nossa.. como sugere o filme Meia Noite em Paris? Heheh.

Enfim.. algum historiador deve ter uma explicação melhor pra isso tudo... De qq forma, não tenho essa visão trágica de que as coisas tendem sempre a piorar.. ou que é culpa do capitalismo, etc.. alguns dos meus artistas favoritos de todos os tempos ainda estão em atividade, ou estavam até algumas décadas atrás.. então não vejo por que ser apocalíptico..

Hahah.. não teve nada a ver com a postagem da Elsa.. postei o texto pq li e achei que tinha a ver com o que eu falo aqui..

Anônimo disse...

Na minha opinião, um problema grave que se desenvolveu notadamente a partir dos anos 90 foi uma tendência de atribuir grande mérito cultural ao que vende bem, vide a avalanche de honrarias concedidas ao Paulo Coelho.

Caio Amaral disse...

Engraçado, eu já acho o contrário.. que a tendência (pelo menos entre críticos e intelectuais) é a de desmerecer algo só por vender bem.. um preconceito contra tudo o que é comercial.. mas claro, aclamar algo só por vender tb não é o certo.. mas acho menos pior do que o primeiro exemplo.

Anônimo disse...

Com todo respeito a todas as opiniões de todas as pessoas.
Mas, alguém realmente lê esses comentários enormes?
Não é querer criticar, mas considerando o conteúdo do blog e o assunto tratado nestes comentários, parece que a pessoa entende do assunto, tem um tom sério e tempo de sobra. Porque não escreve um livro então?

Caio Amaral disse...

Eu leio todos..! Não são muitos os q comentam aqui..