quinta-feira, 28 de julho de 2016

Mãe Só Há Uma

NOTAS DA SESSÃO:

- Naturalismo: o filme registra tudo de maneira crua, externa, tem uma fotografia sem tratamento - espera que o espectador vá tirando suas próprias conclusões a respeito da "realidade" que está vendo.

- Eventos essenciais da história não são mostrados (a mãe vai presa sem que tenha havido uma conversa entre ela e o filho sobre a situação toda).

- Naturalismo: o protagonista não tem um desejo. As coisas vão acontecendo a ele (ele é forçado a mudar de família), mas não sabemos o que ele busca internamente. Se o filme fosse sobre ele lutando pra fugir de casa ou restaurar sua antiga família, aí pelo menos a história teria uma "espinha", uma motivação externa.

- Outra cena essencial que não é mostrada: o encontro entre o Pierre e a nova família. O filme já corta pra uma cena onde todos estão no restaurante, fica mostrando a conversa do irmão mais novo no celular que não tem nenhuma relação com nada. A única função disso é mostrar pra plateia que o filme não tem uma estrutura lógica, portanto é "anti-comercial".

- Os personagens se comportam de maneira artificial. Tudo parece aleatório, incoerente: o irmão mais novo acabou de conhecer o Pierre e já fala com ele de forma íntima, entra no banheiro atrás dele no restaurante... Depois tem a cena do ensaio da banda onde o cara beija o Pierre do nada... Ou depois quando os pais biológicos da irmã chegam e tratam ela como se fosse um cachorro... As pessoas só se comportam assim em filmes de estudante.

- Alerta Vermelho: quando vai pra nova casa, o filme começa a ridicularizar a "burguesia" e se torna uma declaração de ódio contra os mais ricos, assim como Que Horas Ela Volta? (o quadro patético com o retrato da mãe na parede, etc).

- Cena em que o Pierre quebra pratos na parede: a ideia é mostrar que ele está à beira de um ataque, chegando no limite, só que isso contradiz toda a caracterização dele até aí. É uma atitude que vem do nada, sem o menor preparo. A construção dos personagens é muito pobre. O filme não demonstra uma noção realista da natureza humana. Outra cena: a mãe biológica tentando criar intimidade com o filho e insistindo pra entrar no quarto dele, quando ele obviamente quer ficar sozinho. É muito sem noção a atitude dela. E não chega a ser algo obviamente forçado, tipo coisas do Lars von Trier, que vão mais pra um lado de surrealismo. Fica parecendo algo mal atuado.

- Esse personagem da mãe é odioso, assim como a patroa em Que Horas Ela Volta? A motivação do filme é expressar ódio e atacar uma classe de pessoas que a cineasta detesta (os "coxinhas" que gostam de usar camisa polo, etc). A cena no provador onde o Pierre sai vestido de mulher é ridícula. Uma atitude que não tem nada a ver com o personagem. Ele não era um garoto transgressor e irreverente nem na própria casa, até parece que com estranhos agiria assim. E depois de todo esse escândalo, o filme mostra eles assistindo TV em casa como se nada tivesse acontecido (e o Pierre ainda de vestido). Pra um filme Naturalista não há nada de natural no comportamento das pessoas. O filme é apenas uma desculpa pra cineasta exibir suas convicções políticas.

- Alerta Vermelho: a cena da paquera no colégio (onde o irmão mais novo é rejeitado pela garota bonita) não tem nada a ver com o resto da história. Parece um sketch enfiado de qualquer jeito no meio do filme pra condenar um outro grupo de pessoas que a cineasta detesta: os "opressores" que levam em conta a beleza dos outros na hora do flerte.

- Ridículo o Pierre ir jogar boliche de vestido. Não tem nada a ver com ele essa atitude, e mesmo que tivesse, uma família conservadora como essa não estaria aí tentando se divertir em público. Eles nem teriam saído de casa se o Pierre quisesse ir desse jeito. Os personagens são tão falsos que o filme conseguiu deixar até o Matheus Nachtergaele ruim.

- Irritante o filme expressar afeto pelo personagem do irmão mais novo (ele encostando a cabeça no ombro do Pierre no final). É igual em Que Horas Ela Volta? (e em Casa Grande) que por um lado quer vilanizar toda a burguesia, mas por outro mostra o filho da patroa de forma carinhosa, como alguém que respeita os mais pobres. O que é isso? Uma tentativa furada de não parecer preconceituoso? Ou um desejo inconsciente da cineasta de ser aceita por aqueles que ela detesta?

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CONCLUSÃO: Um filme superficial, mal realizado e cheio de ódio (é como o cartaz: um retrato feio de alguém desinteressante mostrando o dedo do meio pros outros).

Brasil / 2016 / Anna Muylaert

FILMES PARECIDOS: Que Horas Ela Volta? / Casa Grande / O Som ao Redor

NOTA: 1.5

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