segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Cultura - Dezembro 2025

18/12 — Onde estão os diretores Millennials?

Lembro que há uns 10 ou 15 anos, quando ainda tinha o desejo de seguir uma carreira no cinema, eu costumava checar a idade dos diretores em ascensão em Hollywood para ver se a minha geração já tinha “chegado lá”. Idade não é um fator totalmente determinante nessa área, mas ainda assim, eu tinha a noção de que diretores bem-sucedidos costumavam fazer seus primeiros longas lá pelos vinte e tantos ou trinta anos, e que seus períodos mais férteis ocorriam entre os 30 e os 40 e poucos anos. Eu me sentia levemente pressionado por essa questão da idade e imaginava que, se eu chegasse aos meus trinta e tantos anos e ainda nem tivesse encontrado uma porta de entrada na indústria, isso me faria sentir atrasado, vendo Hollywood sendo dominada por pessoas da minha geração, e eu de fora.

O tempo passou e meus planos profissionais mudaram. Hoje, trabalhar com cinema não é mais uma prioridade. Mas o curioso é que eu já passei dos 40 anos e ainda não chegou o momento em que a indústria foi dominada por pessoas da minha geração e eu poderia me sentir relativamente atrasado. Se você pegar esta lista dos 50 principais diretores em atividade hoje em Hollywood, encontrará uma pequena minoria nascida de 1981 para frente. A grande maioria será de cineastas da Geração X, Baby Boomers e alguns até da Silent Generation. Há apenas três Millennials: Damien Chazelle (1985), Ryan Coogler (1986) e Greta Gerwig (1983). E nenhum deles chega a ser uma figura de real peso e liderança. Aos 40 anos de idade, Tarantino, Scorsese, Cameron, Spielberg, Kubrick, Nolan e Fincher já tinham feito diversos de seus filmes definitivos e eram figuras culturalmente influentes.

Não sei se os Millennials terão um “desabrochar tardio” ou se Hollywood simplesmente irá “pular” essa geração, que de repente se encontrou melhor no YouTube, em podcasts, redes sociais etc. De qualquer forma, acho que isso ajuda a explicar o senso de estagnação na indústria.


16/12 — Disclosure Day

O primeiro teaser de Disclosure Day diminuiu um pouco minhas expectativas (exageradamente altas), embora ainda seja um dos lançamentos de 2026 que mais estou aguardando. Pareceu algo mais rotineiro, assumidamente fictício, quebrando um pouco o clima conspiratório (me lembrou até as produções do Shyamalan).

Uma ficha que só caiu pra mim há pouco tempo — e que esse teaser me lembrou — é o quanto eu nunca gostei da estética e da linguagem visual de Janusz Kaminski, o diretor de fotografia “fixo” de Spielberg desde A Lista de Schindler. Às vezes, vejo até uma correlação entre a chegada de Kaminski à equipe de Spielberg e o declínio da magia que marcou os filmes dele dos anos 70 até Jurassic Park.


15/12 — A Revolução dos Bichos

A direita está indignada com o trailer da nova adaptação de A Revolução dos Bichos, dizendo que pegaram uma história antissocialista e a transformaram em anticapitalista. Eu nunca li o livro de Orwell, mas não vi nenhuma inconsistência ideológica entre o trailer e a animação de 1954, que é uma adaptação elogiada, aparentemente fiel à obra — e exala socialismo do início ao fim. 1984 talvez seja mais ambíguo, mas acho incrível alguém ler uma história como A Revolução dos Bichos e concluir que Orwell era um conservador ou liberal. O fato dele fazer críticas ao stalinismo e ao totalitarismo não o coloca automaticamente na direita. O inimigo do seu inimigo — ou o crítico dele — não é necessariamente seu amigo.


11/12 — Spielberg/Disclosure

Ontem aparentemente surgiram alguns painéis misteriosos em Nova York e Los Angeles do novo filme do Spielberg sobre aliens (marcando a 30ª parceria dele com John Williams). O título nem foi revelado ainda, mas já estão surgindo teorias da conspiração divertidas na internet sobre o teor da história, já que a frase “TUDO SERÁ DIVULGADO” no telão se aproveita do hype desses últimos anos a respeito de OVNIs e do suposto complô do governo americano. Se for isso mesmo, não poderia haver um projeto melhor para o Spielberg fazer um comeback no gênero. Isso me faz lembrar do quão importante é o entretenimento estar antenado ao zeitgeist, ao que está acontecendo no mundo, e também reforça minha crença de que o escapismo é muito mais empolgante quando mantém um pé na realidade, se esforça para tornar a ficção crível etc.


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