sexta-feira, 12 de junho de 2026

Dia D

Filmes modernos do Spielberg muitas vezes se tornam das experiências mais indigestas pra mim no cinema, pois meu apego por seu passado me torna emocionalmente refém... Não consigo simplesmente menosprezar o que estou vendo, descartar como uma estreia fraca que não é pra mim. Me sinto como a Ripley em Alien - A Ressurreição, naquela que pra mim é uma das cenas mais horrorizantes da história do cinema: quando ela entra no laboratório onde se depara com seus clones abortados, mal-sucedidos. Ela não consegue permanecer fria diante das monstruosidades que está vendo, matá-las a sangue frio, pois elas têm seu próprio rosto. Dia D pra mim é como ver Contatos Imediatos do Terceiro Grau no estado daqueles clones — elementos daquilo que eu amo ainda são reconhecíveis, forçando empatia, mas aparecem distorcidos, conectados por protuberâncias aleatórias e membros mal-formados que causam repulsa.

O que tornou o filme indigesto pra mim se divide em várias categorias.

Assim como West Side Story, Dia D pra mim foi decepcionante pois é um projeto que parecia uma tentativa de Spielberg de recuperar um senso perdido de deslumbramento, de encanto, e isso acaba não ocorrendo. Temos aqui uma história que cai mais na categoria de filmes como Snowden ou Todos os Homens do Presidente do que de E.T. e Contatos Imediatos — um thriller jornalístico sobre pessoas vazando um escândalo político para a mídia, mais focado em hard drives e arquivos secretos do que no fascínio pela vida extraterrestre. Até porque a existência de extraterrestres não é novidade para alguns dos protagonistas. A surpresa ocorreu meses ou anos antes do filme começar (imagine se E.T. começasse no 3º ato, focando só na perseguição até a nave). Este tom mais político/social do que escapista fica evidente nas cenas em que vídeos dos aliens são mostrados para alguém: a reação é de choque, dor, indignação, como quem está vendo uma matéria sobre um genocídio, crimes contra a humanidade (às vezes parece até que os maus-tratos aos aliens nos vídeos são mais relevantes que a própria existência deles).

Extraterrestres não têm um significado emocional intrínseco. Se os associamos a algo mágico, é por causa de símbolos criados pelo próprio Spielberg no passado. Em E.T. e Contatos Imediatos, aliens representam esperança, sonhos. Mas em Guerra dos Mundos, eles já passaram a simbolizar o medo pós-11 de Setembro. Agora, em Dia D, refletem a desconfiança das instituições — viraram ganância corporativa e corrupção estatal.

Ainda que não seja meu "modo" favorito do Spielberg, consigo imaginar um filme respeitável dentro dessa proposta. O problema é que, além dessas questões conceituais todas, Dia D tem um roteiro terrível. A história é simplesmente conturbada, mal contada.

SPOILERS

Pegamos a narrativa de Daniel Kellner (Josh O'Connor) já no meio — não há muita introdução de personagem, contextualização inicial, o que limita nossa identificação com ele e sua jornada. Nossa ponte acaba sendo mais a Margaret (Emily Blunt), que é quem não sabe de nada ainda. Porém, as reações dela aos eventos do início causam estranhamento. Em vez de ficar perplexa ao começar a falar novas línguas, ler mentes, ela nunca parece realmente entender a gravidade do que está acontecendo. Ela reage a tudo de maneira casual, frívola, como se estivesse possuída, o que cria distanciamento e diminui a grandiosidade do evento.

Kellner, que já roubou os arquivos secretos quando o filme começa, precisa agora apenas escapar dos agentes da Wardex e divulgá-los para o mundo. Por que ele não faz logo um upload de tudo na internet é algo que nunca é realmente justificado. Ele passa 2h de filme sendo perseguido, correndo risco de vida, sem saber o que deve fazer, até que depois de muito tempo recebe ordens para levar os arquivos até uma estação de TV (como se a TV aberta ainda fosse imprescindível para comunicação em massa). Toda essa ação do miolo do filme, portanto, não parece muito coerente, nem necessária. O vilão também é fraco, caricato, pois não há uma motivação crível por trás de sua maldade e obsessão pessoal em proteger o segredo. Mais mal explicado ainda é o "pit stop" que precisa ser feito antes dos dois chegarem à emissora — a sequência no galpão onde está o personagem de Colman Domingo. Lá, Margaret se depara com uma réplica exata de sua casa de infância, que servirá de ferramenta psicanalítica para desreprimir memórias antigas. Mas por que isso precisa ser feito antes da divulgação dos dados? Por que a casa de Margaret, e não a de Daniel, já que ele também não lembrava de sua abdução? E como Colman Domingo já estava construindo a casa de Margaret no início do filme, sendo que ele só descobre quem ela é depois? Se ele tinha tantos dados sobre a garotinha, não seria fácil descobrir o nome dela e achá-la adulta?

Dia D começa de forma propositalmente intrigante, mostrando coisas misteriosas sem explicar nada para o público. Isso prende a atenção inicialmente porque achamos que tudo será amarrado depois... Mas quanto mais o filme avança, mais vemos que as peças não se encaixarão direito. Por exemplo: quando Hugo (Colman Domingo) diz para Daniel "Há dois de você. Sempre houve apenas 2 de vocês" e na sequência surgem círculos na plantação ao redor de Daniel — o que isso significa? Quando um filme cria ganchos mas depois não entrega as recompensas, o espectador se sente traído.

Em E.T. e Contatos Imediatos, há alguns "furos" desse tipo que vêm de Spielberg priorizar o emocional, o divertido, não o plausível. Mas não eram furos constantes que comprometiam os alicerces da história. Os filmes se passavam em um universo racional, onde o mágico tinha uma origem clara e delimitada. Dia D já parece escrito por alguém que realmente acredita no esotérico, que não sabe diferenciar o objetivo do subjetivo, fatos de emoções, que vê "poesia" no irracional etc. Nesse ponto, Spielberg se aproxima do subjetivismo típico da ficção científica moderna — a casa de Margaret seria sua versão da biblioteca do final de Interestelar. O problema é que Spielberg é muito menos eficaz nesse tipo de coisa do que Nolan, que tem o irracional como língua nativa. Muito da trama acaba dependendo de intuições mal explicadas, de poderes sem regras, efeitos sem causas claras. O artefato alienígena, por exemplo, pode ao mesmo tempo servir de telefone, controlar mentes e corpos, tornar qualquer coisa invisível, religar a energia... A eventual vitória dos mocinhos é frustrante pois deve-se a esse artefato mágico que resolve tudo.

Outro problema do roteiro de Dia D é querer abordar uma série de questões e temas intelectuais sem saber se aprofundar na maioria deles. A relação dos traumas de Margaret com os aliens poderia ter sido foco de um filme inteiro (alguém entendeu a crise de pânico no meio dos pianos?), os dilemas religiosos renderiam outro filme, os conflitos geopolíticos outro, a discussão sobre lógica vs. empatia outro (supostamente, tanto Margaret quanto Daniel foram imbuídos com superpoderes, mas o filme nunca explora os de Daniel!). Em vez de adicionar camadas e tornar a história rica, isso gera apenas ruído, poluição cognitiva.

Os filmes antigos do Spielberg eram simples. Havia sofisticação na execução, mas as histórias eram baseadas em desejos básicos. Eram como deliciosos cheeseburgers. Hoje, talvez Spielberg tenha perdido o paladar para esses sabores elementares. Ou talvez tenha se tornado tão lendário, haja tanta pressão e auto-importância em seus projetos, que ele acha que precisa enfiar todo tipo de ingrediente exótico no cheeseburger para impressionar, abafando no processo o sal, a gordura, o açúcar — os sabores que realmente dão prazer. Dia D é um filme que parece não localizar onde está o prazer do espectador — algo que já foi especialidade e meta explícita de Spielberg. A história está sempre desviando do que seria realmente interessante, complexificando o que não precisava ser complexo, causando pequenos estranhamentos gratuitos (pense na escolha de abrir o filme com uma imagem desconexa de um lutador de wrestling saltando na câmera).

Quando entrei na sala, eu queria ver pessoas se maravilhando com a aparição de aliens; céticos se deparando com o impossível. Isso não acontece — ou as pessoas já sabem sobre eles, ou não eram céticas pra começo de conversa, e reagem com um espanto indefinido, não maravilhado, mas também não apavorado (o que ainda seria divertido). Eu queria ver uma profissional ambiciosa, subvalorizada no emprego, tendo a chance de apresentar o maior furo de reportagem de todos os tempos. Isso não acontece, pois não há foco suficiente nas ambições profissionais de Margaret; não é enfatizado que ela é subvalorizada, e ela sinceramente parecia ter mais vocação para garota do tempo do que para âncora de jornal. Eu queria desvendar os segredos por trás de um grande mistério — o que não ocorre porque toda a mitologia dos aliens e a backstory são confusas, mal explicadas. Queria ver a aventura aproximando personagens gostáveis, formando laços novos e profundos — mas saímos nos lembrando mais da deterioração de dois namoros do que da aproximação entre Margaret e Daniel, que mal dá tempo de acontecer no meio de toda a correria (a única cena que achei de fato tocante no filme foi o primeiro encontro entre os dois, quando Margaret resgata Daniel de dentro do trailer dos vilões, e temos um gostinho desse vínculo). Eu queria ver um mundo afundando em guerra e pessimismo sendo transformado para melhor com a revelação dos aliens — o que não chegamos a ver porque o filme acaba de forma abrupta, no meio da transmissão, antes daquilo ter qualquer consequência.

Nem mesmo as cenas de ação pura achei eficazes, pois há descuidos que as fazem parecer meio tolas, como a maneira como os agentes da Wardex nunca enxergam Daniel escondido atrás de galhos secos e espaços totalmente abertos; ou o carro que engancha no trem de forma impossível só para ter alguma movimentação.

Outra decepção vem de uma tática desonesta de marketing, que inseriu no trailer aquela cena da nave saindo de dentro da nuvem à la Independence Day, como se fosse o grande momento do filme. Certas imagens no trailer fazem todo mundo pensar que Dia D envolverá abduções dramáticas, uma chegada espetacular dos aliens, sendo que essas cenas fazem parte apenas de flashbacks ou imagens de arquivo que passam em um monitor, tornando o final ainda menos satisfatório. Em vez de pessoas boquiabertas olhando para um evento cósmico nos céus, o grande evento aqui é uma jornalista fazendo uma transmissão — que por acaso tem aliens como assunto.

A verdade é que Spielberg talvez nunca tenha tido um grande controle sobre o impacto emocional de seus filmes. O encanto não era resultado de valores sólidos, técnicas conscientes, mas das circunstâncias de um período de sua vida, onde diversos fatores e motivações se convergiram para produzir aquele tipo de cinema. O que é consistente ao longo de sua filmografia, e que continuamos vendo em Dia D, é o domínio da imagem — a comunicação visual expressiva, estimulante, e o alto valor de produção. Mas isso também tivemos nos fracassos, como 1941 e O Bom Gigante Amigo. O Spielberg que me emociona, que é o grande expoente do Idealismo no cinema, infelizmente não é esse constante, intencional, mas aquele que foi possível durante duas décadas quando os astros se alinharam.

Disclosure Day / 2026 / Steven Spielberg

★★

7 comentários:

  1. Faz um bom tempo que eu não ia ao cinema. Não vi trailer nem li sinopse desse filme. Queria ser pego de surpresa, como nos anos 90, quando não havia tanta informação, mas infelizmente a decepção foi gigante.

    O pior é que não estamos falando de qualquer diretor, estamos falando do nosso querido Steven Spielberg!

    Existem algumas teorias da conspiração bizarras sobre sósias tomando o lugar de astros de Hollywood e da política americana. Outras dizem que demônios e/ou seres interdimensionais estão possuindo os corpos dessas celebridades. Tem também aquela teoria do “clube do olho roxo”,(muitas celebridades, políticos, empresários e até o papa Francisco apareceram com o olho roxo). Essa teoria afirma muitas coisas, inclusive que isso seria uma forma de injetar uma espécie de parasita capaz de tomar o controle total do hospedeiro. Parece roteiro de vários filmes B que conhecemos, hehehehe.

    Óbvio que não acredito em absolutamente nada disso, mas, quando assisti Dia D, essas besteiras me vieram à mente, porque parece que Spielberg faz parte disso e que o que vimos foi um parasita ou uma entidade com pouca criatividade tentando dirigir um filme profundo.

    Depois que vi o filme, li algumas em que Spielber tentou polemizar, dizendo que não se trata apenas de uma ficção científica sobre descobertas, que faria os cristãos questionarem suas crenças. Sinceramente, os temas foram tão rasos que nenhuma pessoa duvidaria de sua fé por causa desse filme.

    Enfim, perdemos a oportunidade de assistir a um grande filme de um grande diretor que admiramos desde a infância, numa época em que a criatividade de Hollywood respira por aparelhos e espera que alguém puxe a tomada.

    É como se estivéssemos animados para ver um eclipse total da lua, mas justamente nessa noite o céu ficasse nublado.

    Quem sabe na próxima ele acerta? Só nos resta torcer... ¯\_(ツ)_/¯


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    1. Olá Korvoloco! Hehe... Acho que causas não-sobrenaturais já dão conta de explicar essas oscilações do Spielberg, que não são novidade. Nesse projeto ele ainda teve uma participação grande no roteiro, que pode não ser seu forte... Vale mencionar também a questão da idade. Já vi muitos diretores em forma até os 70 e poucos anos... mas são raríssimos os que chegam aos 80 mantendo altos padrões cinematográficos. Só que no caso do Spielberg, ele continua tão lúcido e afiado em entrevistas que não acho certo ainda interpretar por esse ângulo.

      Quem falou isso sobre as mensagens religiosas? Eu duvido que uma figura tão diplomática e politicamente correta como o Spielberg teria uma agenda como essa... Pra mim, a inclusão da personangem da freira foi mais pra tentar tornar vida extraterrestre compatível com o cristianismo — ou seja, apaziguar o público cristão que poderia ter um pé atrás com a temática — do que pra tentar abalar a fé de qualquer pessoa. Ainda mais hoje, que religião está em alta e seria um tanto "risqué" mexer nesse vespeiro.

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  2. Sim, você tem um ponto. Talvez ele chegou num ponto e está como o Clint Eastwood, por exemplo, que está longe do brilhantismo do passado, mas mesmo assim continua fazendo filmes pra não ficar parado.
    Mas assim, ainda prefiro ver Spielberg errando em um filme ambicioso que a Marvel acertando. Não é por nada não, mas fiquei com tanto nojo de filmes de super heróis da Marvel nesses últimos anos que qualquer coisa que não envolva heróis de quadrinhos, super produções genéricas de streaming ou terror genérico que qualquer filme fora disso vejo como uma vitória.

    Sobre as mensagens religiosas, vi em alguns sites nacionais de notícias.
    E revendo a notícia agora, percebi que a tradução foi um tanto sensacionalista, a fala real dele foi mais ou menos esta:
    “E o filme também assume o ponto de vista da Igreja. O que isso faz com as crenças fundamentais que muitos de nós temos? Deus é nosso Deus apenas neste planeta? Ou Deus é um Deus para todo sistema onde há civilização, vida inteligente e até vida em desenvolvimento?”.

    Bom, em Hollywood temos Tom Cruise com aquela cientologia bizarra que é bem mais polêmica e ninguém liga, hahahahah

    Acho que o "choque" no que Spielberg disse foi mais, como você falou, por ser uma figura diplomática e politicamente correta, e claro, pelos simbolismos e temas justamente numa época conturbada com governos admitindo presença de OVNIs etc.
    Até porque, mesmo ele sendo judeu, muitos de seus filmes, cristãos foram representados de forma respeitosa até.

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  3. Só deixando claro que o texto acima é meu, só esqueci de logar...

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    1. Concordo, filmes ambiciosos que erram o alvo ainda são mais interessantes do que essas produções enlatadas...

      Considerando a real fala do Spielberg, você ainda achou a afirmação polêmica? O que o filme sugere é que o Deus dos cristãos poderia "atender" também os extraterrestres... ou seja, continuaria sendo o único Deus. Me parece uma posição bem diplomática, mas também não tenho noção de como isso se chocaria com outras crenças etc. Spielberg, até onde sei, nunca foi uma pessoa religiosa e o judaísmo é mais uma identidade cultural. Fé é um tema que aparece pouquíssimo em seus filmes.. Dia D acho que é o que lidou de forma mais direta com religião nesse sentido.

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    2. Me perdoe pela demora da resposta...

      Assim, eu acredito em Deus e em Jesus Cristo, mas não sou um cristão praticante que frequenta a igreja. Do meu ponto de vista, não achei a fala dele polêmica de forma alguma.

      Mas, contextualizando: antes do lançamento do filme, com os trailers, inúmeros teóricos da conspiração na internet, principalmente no Twitter, observaram muitos “sinais” como se Spielberg quisesse falar algo a mais. Por exemplo, os cervos e o pássaro vermelho teriam significados bizarros (nem vale a pena explicar essas besteiras), o pôster do filme mostrando apenas um olho (referênca aos Illuminati ), e o título e o tema do filme surgindo em um período em que o governo admite a existência de OVNIs. De acordo com muitas teorias, quando o governo mundial surgir, ele mudará as políticas e, principalmente, as religiões para se adequar a esse governo e à existência de ETs e a aceitarem esse governo como uma espécie de messias no qual judeus e muçulmanos tanto esperam, enganando até mesmo cristãos, também usaria a ameaça alienígena para causar medo na população mundial e unificá-la num só propósito contra uma ameaça externa, assim como com os EUA fizeram com a população contra a URSS durante a Guerra Fria e vice versa, com o aquecimento global, burraco na camada de ozônio etc. Resumindo, para esses teóricos, esse filme de Spielberg seria uma preparação para o que está por vir, assim como os Simpsons teriam feito "previsões" de acontecimentos nos dias atuais.

      E é aí que quero chegar. Com tudo isso que criaram em cima de simples trailers do filme, numa época em que pessoas paranoicas veem “sinais” em qualquer coisa, fala ou gesto de alguma celebridade ou político americano, uma fala como a de Spielberg soa como uma “confirmação” de que ele é um propagandista da tal nova ordem mundial.

      Eu sei que parece loucura e que pode parecer que estou exagerando, mas não. Vi isso no Twitter várias e várias vezes no meu feed, com pessoas pegando trechos do trailer e analisando frame por frame à procura de alguma mensagem oculta.

      Não costumo dar audiência a essas besteiras, mas você sabe como são os algoritmos dessas redes sociais: basta você parar para ler ou assistir a algum vídeo sobre determinado assunto que na próxima vez que entrar a timeline estará empesteada desse tema.

      Mas pelo visto essa "polêmica" toda é mais aqui no Brasil, lá fora o pessoal comentou um pouco mas nada exagerado.

      E sobre o que falei do Spielberg representar cristãos de forma respeitosa, era mais no sentido de não tratar um personagem cristão de forma ofensiva em alguns de seus filmes. Um pequeno exemplo foi em "Ponte dos Espiões", que revi semana passada, sabíamos que o personagem do Tom Hanks era cristão por fazer uma oração à mesa com a família antes de ir para sua missão, acho que um outro diretor mas cínico essa cena nem existiria.

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    3. Nossa, você entrou bem mais fundo nessa toca do coelho do que eu esperava hehe. Quando saíram os primeiros cartazes promocionais do filme (com a frase "TUDO SERÁ DIVULGADO") minha empolgação não foi pensar que o Spielberg de fato iria divulgar qualquer coisa, mas com a sacada de marketing brilhante de se aproveitar das teorias da conspiração pra hypar o filme hehe. Mas quando saiu o trailer, já não senti mais essa intenção... ficou me parecendo algo assumidamente fantasioso mesmo, sem maiores pretensões.

      Não lembrava desse detalhe de Ponte dos Espiões, que só vi uma vez. Mas sim.. essa atitude respeitosa é consistente com ele, ainda mais hoje em dia. Em Contatos Imediatos, ele até inseriu um detalhe que me parece crítico à religião, que já discuti aqui antes, mas eram outros tempos... Hoje, ele é mais "culturalmente sensível" - não retrataria a cultura indiana como fez em Templo da Perdição por exemplo, etc.

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