Eu tenho um jeito bastante explícito, “direto ao ponto” de escrever, e uma das minhas maiores dificuldades na faculdade agora é ter que me adaptar a um estilo cognitivo totalmente diferente — a uma linguagem vaga, inespecífica, indireta, que parece ter medo de se comprometer com qualquer coisa ou de expor a mente de quem escreve.Tentando entender melhor essa diferença, encontrei um texto ótimo do George Orwell chamado “Política e a Língua Inglesa”, que explica bem por que a faculdade às vezes me faz sentir como um estrangeiro aprendendo uma língua nova, ou então como um caso muito mais grave de TDAH.
No fim, o vilão é a velha falta de Objetividade (que, segundo Orwell, é comum não só por problemas de inteligência e ética, mas também por razões políticas). No cinema, estou mais treinado pra identificar como a linguagem não objetiva e a má cognição afetam roteiros, direção, e já não deixo que isso me traga qualquer senso de inferioridade. Mas o meio acadêmico é novo para mim, e diante desses textos vagos e dos métodos irracionais de ensino, muitas vezes ainda me pego questionando minha própria sanidade.