Não me interesso pela Billie Eilish, mas fui assistir ao show/documentário por causa da direção do James Cameron — e saí continuando sem entender por que ele se envolveu com esse projeto, com uma artista que não dá match nenhum com ele, onde ele pôde contribuir muito pouco além de garantir um 3D tecnicamente bem feito, mas que acaba tendo pouco impacto até pela crueza visual do palco. (Cameron não dirigiu o show em si; apenas cuidou da captação e edição, além de fazer algumas entrevistas superficiais que não agregam muita coisa.)
Eu tenho um jeito bastante explícito, “direto ao ponto” de escrever, e uma das minhas maiores dificuldades na faculdade agora é ter que me adaptar a um estilo cognitivo totalmente diferente — a uma linguagem vaga, inespecífica, indireta, que parece ter medo de se comprometer com qualquer coisa ou de expor a mente de quem escreve.Tentando entender melhor essa diferença, encontrei um texto ótimo do George Orwell chamado “Política e a Língua Inglesa”, que explica bem por que a faculdade às vezes me faz sentir como um estrangeiro aprendendo uma língua nova, ou então como um caso muito mais grave de TDAH.
No fim, o vilão é a velha falta de Objetividade (que, segundo Orwell, é comum não só por problemas de inteligência e ética, mas também por razões políticas). No cinema, estou mais treinado pra identificar como a linguagem não objetiva e a má cognição afetam roteiros, direção, e já não deixo que isso me traga qualquer senso de inferioridade. Mas o meio acadêmico é novo para mim, e diante desses textos vagos e dos métodos irracionais de ensino, muitas vezes ainda me pego questionando minha própria sanidade.
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