domingo, 17 de maio de 2026

Obsessão

Gostei do set-up da história — a primeira meia hora quando conhecemos o protagonista, vemos as tentativas fracassadas de Bear de se declarar para a amiga, etc. Os primeiros momentos após Nikki ser "possuída" também funcionam, até pela maneira realista com que Michael Johnston reage a tudo, tornando convincente uma situação que seria difícil de levar a sério com uma performance menos sensível. O problema de Obsessão é que o filme não sabe muito bem o que fazer no ato 2. Nikki está claramente fora de si, e em vez de Bear comprar um outro feitiço pra tentar reverter a situação, ou então pedir socorro para os amigos, ele tenta levar uma vida normal de casal com Nikki, tornando tudo artificial demais — como naqueles filmes de casa mal-assombrada onde mesmo após o protagonista já ter tido contato direto com o fantasma, ele continua morando na casa normalmente, como se precisasse que o mesmo fato óbvio fosse esfregado 5 ou 6 vezes na sua cara até ele tomar uma atitude sensata (aí, o roteirista já enrolou o bastante e conseguiu chegar ao ato 3). Alguns clichês na caracterização do "monstro" também são frustrantes (até quando o cinema vai achar que uma mulher com cabelo pra frente estilo Samara provoca medo?), até porque Obsessão é mais sofisticado que a média do gênero, e podia ter encontrado soluções menos batidas para os momentos de terror.

Obsession / 2025 / Curry Barker

★★½

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