sábado, 27 de junho de 2026

Junho 2026 - outros filmes vistos

Citizen Vigilante (2026 / Uwe Boll)

Nunca tinha visto nada do Uwe Boll e não sei nada sobre ele... Pelo que entendi, sua fama vem do fato dele ser um diretor B muito ruim, desses que apelam para o trash e o sensacionalismo para cultivar um certo público, tipo um Ed Wood ou Roger Corman da direita. Eu nunca gostei desse tipo de coisa. Os filmes "ruins" que eu gosto são aqueles onde muitos elementos da obra são competentes, onde há uma boa intenção, mas alguma falta de noção do diretor gera incongruências e torna tudo meio cômico. Citizen Vigilante já é tosco em quase todas as dimensões, mostra um nível de amadorismo raro em lançamentos comerciais, o que pra mim é simplesmente tedioso e meio deprimente de ver. 

Além da ruindade na forma, o conteúdo do filme é igualmente péssimo... Propaganda ideológica explícita costuma estragar filmes até quando as ideias são boas. Mas aqui, o filme nem finge estar promovendo ideias decentes. Temos um homem revoltado com a sociedade que resolve sair por aí assassinando dezenas de pessoas, algumas das quais ele mesmo sabe que não são culpadas — e tudo isso é mostrado como se ele fosse um visionário, alguém cool, sexy, exemplar. Em muitos filmes ideológicos de esquerda, como Uma Batalha Após a Outra, há pelo menos uma tentativa (ainda que equivocada) de fazer a violência parecer moralmente defensável, e os revolucionários são mostrados de forma moralmente ambígua, evitando uma romantização completa de suas ações. Citizen Vigilante — que apela para a extrema-direita — é pior do que qualquer filme de esquerda que eu já vi: não só ele glamuriza o protagonista, como parece ter orgulho de seus atos não serem moralmente justificáveis.

Não acho que Uwe Boll de fato defenda tiroteios em massa ou anarquia completa. O mais provável é que ele seja apenas um oportunista que aprendeu com certos influenciadores na internet que falar coisas chocantes, imorais e até ilegais pode render muitos clicks, especialmente se seu alvo for a esquerda. É um vale-tudo por atenção e dinheiro que faz as franquias modernas dos grandes estúdios parecerem alta cultura em contraste.


Supergirl (2026 / Craig Gillespie) ★★

Daria pra ficar destrinchando várias fraquezas pontuais do filme: a subversão da heroína, a motivação boba para a ação (buscar o antídoto para o cachorro), as energias mágicas que convenientemente enfraquecem ou empoderam a protagonista conforme as necessidades do roteirista etc. Mas a verdade é que o problema principal aqui é o fato deste ser um filme genérico de estúdio, baseado em fórmulas prontas e guiado por tendências de mercado, o que acaba sendo "bom" por pelo menos um lado: assim como comentei abaixo na postagem de Mestres do Universo, os valores negativos presentes na história aparecem aqui mais por serem clichês modernos — os produtores devem achar que isso é o que vende hoje — do que por uma motivação Anti-Idealista autêntica. Em vez de um filme que empurra o conceito de "herói envergonhado" para novos patamares, fica parecendo apenas mais do mesmo: um filme rotineiro do gênero, que mostra que a ida de James Gunn para a DC nunca foi uma boa solução para a fadiga de super-heróis. O único momento que achei satisfatório é uma cena envolvendo uma espada (polêmica para os altruístas), que infelizmente é desconectada demais do que a heroína faz o filme inteiro para conseguir redimi-la totalmente. No meu mundo, Helen Slater continua sendo a única Supergirl.


Mestres do Universo (Masters of the Universe / 2026 / Travis Knight) ★★★

Assumidamente "Sessão da Tarde" — não é o tipo de filme que pega um material pop e tenta torná-lo artístico — mas é mais decente do que eu imaginava. O grande perigo aqui era o deste "não levar-se a sério" acabar caindo pro lado da autoparódia. Mas diria que em 85% do tempo, o humor do filme é benevolente, não destrutivo. Nem o fato do Esqueleto ser bem-humorado me incomodou, pois em filmes mais juvenis é aceitável o vilão ser semicômico pra história não ficar assustadora demais. Há sim alguns momentos em que o filme apela para o humor cínico estilo Guardiões da Galáxia, onde o heroísmo dos personagens se torna o alvo das piadas. Mas essas cenas acabam parecendo até deslocadas — algo que o filme insere mais pra seguir tendências do que por refletir o real espírito dos autores. Quando você analisa o conjunto da obra — o casting de He-Man, a trilha sonora, a fotografia, as mensagens, etc. — o que marca Mestres do Universo é sua tentativa de se distanciar do entretenimento envergonhado da última década em direção a algo mais honesto.

9 comentários:

  1. Uma pena que a série do Kevin Smith queimou a franquia e ofuscou esse filme, mas vou querer ver em algum momento.

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    1. Nem fiquei sabendo dessa série... Teve tanto impacto assim a ponto de diminuir a expectativa pelo filme?

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    2. Pelo histórico pode ter causado impacto sim. Até porque toda a franquia usa como base os fãs para ter uma bilheteria garantida, isso é observado em Star Wars: e MOTU é mais complicado porque não era uma franquia ativa, a Mattel relegou ela a nicho por anos a fio. Quando foi lançado na Netflix o enredo de Revelation causou controvérsias no público e o criador (Kevin Smith) dobrou a aposta confrontando esse mesmo público. Isso se refletiu até nas vendas dos brinquedos: eu costumo visitar um canal de colecionador de bonecos que mostrou esse impacto. E o legado de He-Man não tem tanta força como um Star Wars ou Marvel pra se auto sustentar.

      Digamos que a série da Netflix ajudou a sabotar esse ressurgimento, e também estamos saindo de uma era de um entretenimento mais puxado pelo progressismo, o público divido do nicho fica mais desconfiado a consumir. E a Mattel sempre foi uma empresa que recussita e descarta conceitos. Eu tenho que pra mim ela resgatou MOTU porque ela perdeu os direito de produção das figuras da DC para a empresa Canadense Spin Master e precisava de um apelo comercial para preencher uma lacuna de franquia, já que Max Steel não conquistou o público americano, só ficou famoso na América Latina.

      É triste constatar que decisões corporativas tem um peso grande em produções e como a Mattel tem umas ações que são previsíveis quando você conhece como ela faz com as propriedades dela.

      Até mesmo em ações com produtos que geram lucro sem precisar de um produto audiovisual como Barbie e Hot Wheels são sempre resetados e feitos em outro contexto.

      Falando nisso parece que a Mattel vai lançar um reboot (ou continuação) de um das franquias da Barbie o Vida de Sereia um longa animado lançado pro mercado doméstico que foi bem sucedido aparentemente (teve uma continuação, uma coisa que poucos filmes dela tiveram). Não sei o que vai dar.

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    3. Pra eu que não acompanho muito esse universo, fica a impressão que a Mattel como produtora de filmes praticamente não existia até Barbie... e Mestres do Universo vem como esse primeiro grande produto pós-Barbie pra tentar consolidá-la em Hollywood... É como se fosse um capítulo novo na trajetória da empresa, então talvez valha a pena esperar pra ver o que eles fazem a partir daqui, que deve ser diferente do planejamento todo no passado.

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    4. Eu espero que sim, até porque a mitologia do MOTU é bem ampla, não só no desenho, tem quadrinhos e aparentemente foi bem introduzida com o filme. Eu participo de fóruns de discussão americanos da Franquia e fico impressionado como uma marca pra vender brinquedos tem uma lore interessante.

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    5. Uma boa base parece existir... A questão agora é se bons roteiristas conseguirão aproveitá-la né. Nesse ponto, ainda não vejo grandes avanços em Hollywood.

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  2. No Letterbox vc viu um filme do grande Uwe Boll? Agora eu tô curioso kkkkk.

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    1. Sim, vou comentar nos "outros filmes vistos" pois parece que é um tópico quente, rs.

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  3. O Uwe Boll é um cara que ganha em cima de polêmica: com a predominância das ideias da esquerda no questido político social. Ele conseguiu o que queria: chamar atenção com o chocar por chocar. É o famoso Ragebait que chamam hoje em dia. Até mesmo o cinema mais obscuro tinha cineastas do filmes b que adoravam flertar com isso só pelo choque que isso ia fazer, mas não por algo criativo e algo memorável.

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