Premiado em festivais dentro e fora do Brasil (chegou até à lista dos 10 melhores do ano do A.O. Scott, crítico do New York Times), esse é o primeiro longa de ficção do crítico Kleber Mendonça Filho. O filme se passa num bairro de classe média na zona sul de Recife, onde acompanhamos a rotina dos moradores da região (destacando 2 personagens principais: um corretor de imóveis e uma dona de casa com hábitos peculiares), além dos novos seguranças que passam a tomar conta da rua.É um desses filmes obscuros onde o diretor não quer contar uma história - apenas usa o cinema como meio pra expressar certas teorias. Ele parece pensar assim: eu tenho uma crítica a ser feita a respeito da sociedade, mas não vou ser explícito - vou montar uma espécie de charada pra que apenas alguns espectadores consigam decifrar essas minhas ideias (brasileiro deve ter herdado isso da época da ditadura, onde se comunicar pelas entrelinhas era sinônimo de sofisticação).
Se você procurar críticas do filme vai ver gente dizendo que ele faz uma complexa análise social, mostrando o atrito entre as classes, expondo algo de indesejável na sociedade que ecoa da história do país... Mas essa discussão ficou muito mais na cabeça do cineasta do que na tela (não basta sugerir algo - uma boa análise deve desenvolver suas ideias, ter argumentos, fazer comparações, chegar a alguma conclusão, etc...).
O filme tem cenas marcantes, chama atenção pela direção cheia de movimentos de câmera precisos e zooms à la Kubrick, mas falta uma história pra integrar esses elementos todos numa estrutura satisfatória.
O Som ao Redor (BRA / 2013 / 131 min / Kleber Mendonça Filho)
INDICAÇÃO: Pra quem gostou de A Casa de Alice, Entre os Muros da Escola, O Pântano, etc.
NOTA: 3.0
