quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sing Street


Foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme - Musical ou Comédia esse filme irlandês escrito e dirigido por John Carney (de Apenas Uma Vez e Mesmo Se Nada Der Certo) sobre um grupo de garotos de Dublin formando uma banda nos anos 80 pra impressionar uma garota. 

É tipo um Superbad mas mais inocente, sem os palavrões, que mostra de forma divertida as tolices que os garotos fazem pra conquistarem garotas na adolescência (e confirma uma velha impressão minha de que a maioria dos músicos entram no ramo não por uma paixão específica pela arte, mas apenas como uma estratégia pra se tornarem mais atraentes pro sexo desejado - e tomam todas as suas decisões artísticas não baseados em preferências estéticas pessoais, mas no quão "sexy" eles irão parecer pros outros, rs).

Em termos de execução o filme não tem nada de muito virtuoso - é apenas bem feito, simples (como comédias em geral devem ser), e funciona pelo carisma dos atores, personagens, pela premissa divertida e o ótimo senso de humor (que vem sempre acompanhado de diálogos e insights inteligentes que revelam uma camada surpreendente de maturidade no roteiro).

É um filme despretensioso sobre pessoas adoráveis se juntando em busca de um objetivo positivo e se divertindo no processo. Destaque pra seleção de músicas dos anos 80 e pras canções originais que em geral são muito boas. (Já está disponível no Netflix.)

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Sing Street / Irlanda, Reino Unido, EUA / 2016 / John Carney

FILMES PARECIDOS: Mesmo Se Nada Der Certo (2013) / Superbad: É Hoje (2007) / Pequena Miss Sunshine (2006) / A Garota de Rosa Shocking (1986)

NOTA: 7.5

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

NOTAS DA SESSÃO:

- Muito bonita a fotografia. Lembra filmes dos anos 80.

- O monstro aparece muito rápido no filme, sem preparo. Não é nada realista, fica claro que é tudo uma fantasia na cabeça do garoto - e isso tira o sentido das cenas em que o filme tenta criar suspense em cima da presença física da árvore (o portão que abre sozinho, a árvore mudando o centro de gravidade e puxando as coisas pra ela, etc). Achei que fosse ser um filme real de monstro, mas claramente ele está indo mais pra um lado psicológico.

- A relação com a avó é mal construída. Por que ele detesta tanto ela? Ela parece uma pessoa perfeitamente razoável com o neto. Parece que é só pra mostrar que ele tem uma infância difícil.

- A primeira história que o monstro conta é horrorosa. Ele quer ensinar relativismo moral pro garoto: que ninguém é perfeitamente bom ou mau, que há sempre algo de imoral por trás de uma fachada inocente, etc.

- O filme não tem uma trama interessante - o propósito todo é fazer a gente ter pena do garoto por ele ser tão sofredor (como se isso em si fosse uma virtude). Ele não tem nenhum objetivo positivo, não há nada pra plateia desejar na história - apenas assistir uma vítima reagindo a eventos desagradáveis. A única coisa que ele "quer" é não sofrer - não ficar totalmente arrasado na hora que a mãe morrer.

- A segunda história do monstro também é péssima: um conflito desagradável entre 2 homens de caráter duvidoso, e que ainda fica promovendo misticismo. Eles destruírem a casa do pai que acabou de perder as 2 filhas é de uma maldade abominável. O que o garoto irá tirar de útil desses contos?

- Odioso o garoto quebrar o relógio antigo da avó! O filme quer glamourizar o fato dele ser perturbado emocionalmente, confuso. Mas quando a confusão dele começa a prejudicar pessoas inocentes não dá mais pra simpatizar pelo personagem.

- Todas as relações do filme são conflituosas, desagradáveis. O protagonista com a avó, com o monstro, com o pai, com os bullies, com a diretora da escola...

- SPOILER: Pavorosa a moral da quarta história, quando o monstro faz o menino acreditar que ele queria que a mãe morresse pra ele parar de sofrer. Pensamento típico de quem tem um Senso de Vida malevolente - a ideia de que há um certo alívio em perder as coisas que mais gostamos. Em nenhum momento ao longo do filme foi sugerido que ele tinha sentimentos mistos em relação à mãe, que isso era um conflito interno dele. A mãe era a única pessoa que ele parecia gostar de fato na história.

- SPOILER: O filme gosta tanto de sofrimento que não criou 1, mas 2 cenas de leito de morte com a mãe. A segunda quando ela finalmente morre claro que é comovente, até pela reação mais amadurecida do garoto, etc. Mas ainda não sei o que as histórias todas do monstro serviram pra isso, e o que esse reconhecimento (de que ele "queria" que a mãe morresse) ajudou no luto.

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CONCLUSÃO: Visualmente bonito e com uma cena emocionante no final, mas a história não tem muita coerência psicológica e é totalmente focada no negativo.

A Monster Calls / EUA, Espanha / 2016 / J.A. Bayona

FILMES PARECIDOS: O Bom Gigante Amigo (2016) / Onde Vivem os Monstros (2009) / Um Olhar do Paraíso (2009) / O Labirinto do Fauno (2006)

NOTA: 5.0

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

La La Land: Cantando Estações

NOTAS DA SESSÃO:

- Não me empolga muito a cena inicial no trânsito. O plano sequência parece apenas pra chamar atenção pro diretor, não pra criar uma cena melhor. A música não é muito boa, nem a coreografia. Só se destaca pelo simples fato de ser uma sequência musical nos dias de hoje - não por apresentar algo de especialmente criativo ou bonito.

- Visualmente o filme também não sabe falar a língua dos musicais. Planos-sequência dão um senso de improviso, realismo, deixam momentos de vazio - o que é o oposto da atitude do gênero musical. Detalhes como a cena em que a câmera fica no centro da piscina girando enquanto as pessoas dançam em volta revelam a falta de tato do cineasta. Pra que colocar "Cinemascope" no início do filme, ficar fazendo referências saudosistas à Hollywood, se a intenção do filme na verdade era a de desconstruir os musicais? Minha postagem Romantismo Reprimido resume bem o filme.

- A personagem da Emma Stone não é apresentada como alguém especialmente interessante, carismática. O filme quer que a gente se identifique com ela pelo fato dela não ter sucesso.

- A direção é ruim. O diretor fica exibindo seu estilo às custas da história. Está tão preocupado com seus planos-sequência que mal registra o rosto do Ryan Gosling quando o personagem é apresentado (em compensação, não hesita em fazer pequenas sequências com cortes rápidos, closes em objetos aleatórios, pra dar a impressão de que o filme é "bem editado").

- Romantismo Reprimido: o filme não é um musical de fato. Ele é feito por alguém que considera musicais (e entretenimento popular em geral) algo superficial (veja como eles zombam de forma horrível do pop dos anos 80). A própria expressão "La La Land" já é carregada de cinismo, e a tagline do pôster diz "Para os tolos que sonham"!). Musicais de verdade são sobre beleza, espetáculo, talento, diversão, otimismo. Esse aqui é um filme (bem mediano) sobre realismo, frustrações da vida adulta, que apenas faz referências aos musicais como maneira de enfatizar a frustração dos personagens. É um "musical" muito mais como Once (Apenas Uma Vez) - mas que age como se estivesse honrando os musicais da MGM - e é essa contradição que torna tudo decepcionante (Once não tinha esse problema).

- O romance não é envolvente. Não há conflitos interessantes, não ficamos torcendo por eles. Se o filme tivesse diálogos inteligentes, personagens bem escritos, maturidade, eu poderia perdoar o fato dele fracassar como musical e curtir como se fosse um filme do Woody Allen. Mas ele também não é bom dessa forma.

- É sintomático que o personagem do Ryan Gosling seja um amante de jazz - alguém que provavelmente despreza os musicais (pelas coisas que ele diz). O discurso dele em defesa do jazz é muito mais energético do que qualquer coisa que o filme diga a respeito de Los Angeles, Hollywood, etc (embora seus argumentos sejam terríveis).

- Não gostei de nenhuma música até agora (um piano calmo e uma voz aerada não tornam uma música automaticamente sofisticada - sou bem mais a canção da Moana). E as sequências musicais não são bem integradas à narrativa. Quando o Ryan Gosling canta "City of Stars", é uma cena sem nenhuma relevância pra história que poderia ter sido cortada. Não é como se ele tivesse acabado de conhecer a Emma Stone e estivesse encantado (tipo "Maria" de West Side Story). Eles já se viram várias vezes.

- A cena do vôo no planetário representa bem o que digo em Romantismo Reprimido (faz o romance parecer uma coisa meio fútil, fantasiosa, um sonho distante). E não faz sentido eles criarem um grande momento na cena do beijo, como se fosse um grande acontecimento no roteiro. Foi a primeira vez que eles se beijaram? O que estava impedindo antes? Que mudança interna ocorreu em algum deles?

- Roteiro ruim, cheio de sub-tramas mal desenvolvidas. A banda do John Legend virou um sucesso? A peça que a Emma Stone escreveu já está pra estrear? Sobre o que é? Quem ajudou ela a montar? São acontecimentos importantes no filme e não participamos de nada disso. Essas pessoas têm amigos? Família? Os personagens soam meio artificiais.

- SPOILER: No fim a Emma Stone consegue o papel justamente pra um filme que não tem roteiro, e onde ela não tem que atuar no teste de elenco. Apenas conta uma história triste de sua infância e é escalada! Em vez de mostrar ela fazendo algo realmente memorável, o filme quer que o público torça pela mocinha por ela ser meio loser, desiludida e melancólica (é o que digo em Herói Envergonhado: toda a ênfase está nas fragilidades da protagonista, e pouco vemos do que ela tem de interessante).

- A sequência de sonho no final tenta homenagear musicais como Sinfonia de Paris, etc, mas acaba sendo triste ver que mais de 50 anos depois não conseguem fazer algo à altura em termos de dança, visual, etc.

- SPOILER: Muito mal explicada a ideia de que os 2 tiveram que terminar o relacionamento por causa do trabalho. A impressão que fica é que o vínculo entre os dois não devia ser tão forte assim. Mas se o Ryan colocou o nome do bar de "Seb's", quer dizer que ele gostava dela de fato. Então por que eles ficaram 5 anos sem se ver? Ninguém tem telefone nesse filme? Houve algum outro conflito que não foi mostrado? Dá a impressão que o filme é puro estilo, "conceito", não tem nenhuma preocupação com conteúdo, narrativa, coerência emocional (e ainda ousa sugerir que os musicais antigos é que eram superficiais!). É um final triste forçado, enfiado no roteiro de forma pouco convincente, só porque o cineasta deve achar que finais tristes são mais profundos que finais felizes.

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CONCLUSÃO: Não tem nem o espírito nem o talento dos musicais que finge homenagear, mas também não satisfaz como romance para o público adulto.

La La Land / EUA / 2016 / Damien Chazelle

FILMES PARECIDOS: Apenas Uma Vez (2007) / Across the Universe (2007) / Todos Dizem Eu Te Amo (1996) / O Fundo do Coração (1981)

NOTA: 4.5

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A Criada

NOTAS DA SESSÃO:

- Começo promissor. Diálogos criativos, boa fotografia, premissa envolvente, a locação da casa é interessante...

- É uma típica trama de "impostor".. As 2 mulheres formam uma amizade aparentemente genuína, porém sabemos que 1 delas está mentindo e está traindo a outra, o que cria um interesse automático na história (queremos saber quando a outra irá descobrir e o que irá acontecer - se o crime compensa ou não).

- O filme é divertido e é cheio de momentos inesperados, o que torna a narrativa estimulante: a cobra na entrada da sala do velho com a língua preta, o professor de pintura fazendo elogios forçados à aluna, a cena lésbica da banheira onde uma lixa o dente da outra, etc.

- Boa a primeira cena de sexo das duas (a ideia delas ficarem supondo o que o conde faria na cama).

- SPOILER: A reviravolta no final da parte 1 me pareceu um pouco forçada (Sook-Hee sendo internada), e a parte 2 começa um pouco confusa - mas pelo menos isso revitaliza a trama e faz a gente questionar o que está acontecendo (são interessantes os reprises das cenas vistos por outro ângulo).

- SPOILER: Muito sem sentido a cena em que a Hideko tenta se enforcar na árvore - e a revelação forçada de que ela já sabia do plano da Sook-Hee. O filme deixou de ser uma história envolvente e passou a ser apenas um desses filmes onde o diretor tem 25 reviravoltas na manga e fica tentando se provar mais esperto que o espectador.

- SPOILER: Me desconectei totalmente da história. Até porque agora, o filme passou a ser sobre um grupo de pessoas imorais, mentirosas, tentando passar a perna uma na outra. No começo, sabíamos que a Sook-Hee era mentirosa, mas achávamos que a Hideko era uma vítima inocente. Agora que todos são vilões, por quem eu vou me importar? O que eu posso esperar de satisfatório dessa história?

- Ainda assim o filme não se torna monótono - a cena do vinho envenenado por exemplo é um bom momento.

- Culto à dor: estava demorando pro Park Chan-Wook fazer o que ele mais gosta - cenas desagradáveis e apelativas de violência e tortura.

- SPOILER: A ideia do Fujiwara matar o Kouzuki com a fumaça dos cigarros também é bem forçada. O filme virou uma coisa desagradável, forçada, apelativa e meio feminista: as lésbicas androfóbicas versus os homens opressores. No fim ela saem vitoriosas e o filme pede que a gente simpatize por 2 personagens desprezíveis.

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CONCLUSÃO: Realizado com talento, mas o conteúdo é podre demais pra maiores considerações.

Ah-ga-ssi / Coréia do Sul / 2016 / Park Chan-Wook

FILMES PARECIDOS: Os Oito Odiados (2015) / Bastardos Inglórios (2009) / Oldboy (2003)

NOTA: 5.0

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Moana: Um Mar de Aventuras

NOTAS DA SESSÃO:

- Será que já vai começar a chatice politicamente correta? A heroína tem um padrão de beleza mais realista, é "eco-friendly", salva tartarugas, tem certa culpa por não ser vegetariana, etc.

- Pelo menos o filme não fica celebrando a vida na tribo - logo na segunda música, Moana mostra que quer conhecer o oceano, quebrar com tradições antiquadas, o que já é um tema mais "Disney" (lembra Valente, etc).

- A canção "How Far I'll Go" é ótima! Cena linda.

- Sentimentos mistos em relação à Moana. Não chega a ser uma "heroína envergonhada", mas ainda assim não é o que eu consideraria uma princesa ideal. O que mais me incomoda aqui é o uso frequente de humor às custas da personagem - mas pelo menos ela não tem um caráter duvidoso tipo a Elsa, etc, então já é um bom avanço.

- SPOILER: Gosto bastante da personagem da avó que é considerada a "louca" da vila - ela motivando Moana, revelando os segredos do passado, etc. Muito triste quando ela morre!

- A viagem de Moana parece um pouco precipitada - ela vai pro mar sem nenhum planejamento, experiência, nem avisa os pais. Senti falta de um preparo maior pra essa etapa da história. Um dos problemas é que a ilha em que eles vivem parece um lugar alegre, em paz, não parece estar sob uma grande ameaça que justifique essa atitude toda.

- Curioso os animais não falarem nesse filme. O galo é divertido, mas é um mascote muito unidimensional - uma piada única sem grande necessidade pra história.

- O filme quer tornar o Maui um coadjuvante divertido, mas ele tem um caráter muito duvidoso pra ser gostável. Ele não se mostra arrependido ou preocupado com o mal que causou a todos ao roubar o coração.

- Essa sequência dos cocos piratas é desnecessária. Eles surgem do nada, não parecem fazer parte da história, só atrapalham um pouco a missão e logo vão embora sem maiores consequências.

- Falta um vilão pro filme. O vilão teoricamente é o próprio Maui, mas em vez de um grande antagonista, ele é apenas um chato que fica meio relutante em ajudar a Moana - mas acaba ajudando. Sem falar que ele parece ter destruído o mundo meio que por acidente. Ele não tem objetivos maléficos que vão contra a heroína, etc. E o monstro de lava não é um vilão, é apenas um obstáculo físico que deve ser superado pra completar a missão, não é um personagem.

- Fraca toda essa sequência do siri gigante. Ele é basicamente o único animal que fala, o que destoa do resto do filme. Fazer dessa cena uma sequência musical cantada pelo siri também não faz sentido. Não é uma cena importante pra história, um personagem relevante que mereça uma canção.

- O roteiro em geral é muito fraco, sem bons conflitos, eventos... Eles ficam inventando coisas aleatórias só pros personagens terem o que fazer. Por exemplo: sem muita explicação, o anzol de Maui está com defeito - daí há toda uma sequência de treinamento onde ele aprende a dominar o anzol de novo. Depois o anzol quase quebra e o Maui desiste de tudo e vai embora, só pra ter o momento "crise" antes do clímax, etc.

- Bonito o reprise de "How Far I'll Go". Começa com uma outra música, e aos poucos a melodia vai surgindo na composição conforme Moana se empolga. A música é a melhor coisa do filme.

- SPOILER: Como digo na postagem do herói envergonhado, a vitória sobre o monstro não é convincente. Moana recebe todo tipo de ajuda sobrenatural, e no fim derrota o monstro simplesmente cantando uma canção. Sem falar que não é bem explicado por que de uma hora pra outra ela tinha que colocar o coração no peito do monstro, como ela sacou que o monstro na verdade era a Te Fiti, etc.

- No fim Maui pede desculpa e tudo o que ele fez é perdoado muito facilmente. O filme quer ser tão politicamente correto que nem um vilão de verdade ele quis criar. É como se a mensagem fosse: temos que entender o lado de todos, inclusive de nossos inimigos, no fundo todos têm boas intenções quando vemos de perto, etc.

- A volta de Moana à ilha não é tão triunfante pelo motivo que já disse antes: a ilha e os moradores da vila não pareciam estar sofrendo muito, precisando de algo. Então não dá tanto essa sensação de que ela salvou a todos, transformou tudo pra melhor. Mas pelo menos ela conquistou seu objetivo pessoal de ir além dos recifes, cumprir a profecia, etc. Apesar dos problemas de roteiro, há uma estrutura de "jornada do herói" vagamente satisfatória.

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CONCLUSÃO: A história é fraca, mas o visual bonito, a trilha sonora, e o tom um pouco mais romântico que a média o tornam um entretenimento agradável.

Moana / EUA / 2016 / Ron Clements, John Musker

FILMES PARECIDOS: Procurando Dory (2016) / Frozen: Uma Aventura Congelante (2013) / Valente (2012)

NOTA: 7.0

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Animais Noturnos

NOTAS DA SESSÃO:

- Que coisa horrorosa essas gordas peladas na sequência de créditos! Isso não tem nada a ver com o espírito do resto da história, é só pra parecer "estiloso".

- Que bom pelo menos que a protagonista não gosta do tipo de arte que ela exibe na galeria.

- Produção sofisticada, ótimos atores, diálogos inteligentes, boa fotografia, etc.

- Curioso o detalhe da mulher do livro ser parecida com a Amy Adams, a ponto de você se confundir, mas não ser a mesma atriz. Isso quer dizer que a personagem é apenas inspirada nela? Não é pra ser a própria? Então por que o Jake Gyllenhaal é o ator tanto no livro quanto na vida real?

- Desagradável a cena em que a família é rendida pelos bandidos. Até porque o filme glamouriza o vilão (o personagem do Aaron Taylor-Johnson) e mostra os mocinhos como ineficazes, fracos, tomando decisões ruins e piorando a situação cada vez mais.

- O filme é bem dirigido, há subtexto nas cenas, é interessante os paralelos que são feitos visualmente entre o livro e a vida real, etc.

- Quando vemos pelo flashback o início da relação da Amy Adams com o Jake, o filme fica ainda mais intrigante - queremos saber como uma relação tão positiva deu tão errado, a ponto do Jake escrever esse livro.

- A trama policial dentro do livro também é interessante. Queremos saber o que o Jake irá fazer com os bandidos, se irá capturá-los, etc.

- Tom Ford adora colocar homens bonitos sentados em privadas né? Em Direito de Amar isso me chamou atenção, e aqui o fetiche aparece de novo.

- Qual a razão desse susto na cena da babá eletrônica?!

- SPOILER: É interessante como aos poucos o Jake vai deixando de parecer um ex-marido psicopata e vai se transformando na vítima da história. A cena em que ele descobre a esposa com o Armie Hammer é bem forte! Será que ele escreveu o livro no fim pra se vingar do Armie Hammer? Será que ele é que representa o bandido que "matou" a família dele?

- SPOILER: O final acaba sendo levemente insatisfatório. Teria sido melhor se a revelação de que o Jake é a "vítima" viesse apenas no final. Depois que já sabemos disso, a cena no restaurante se torna um pouco redundante, não é um final muito dramático. O Jake foi apenas consistente com a atitude vingativa que ele já estava tendo desde o começo do filme quando enviou o livro. A única transformação que houve desde o começo na história é que a plateia descobriu o motivo do término dos dois. Mas pros personagens em si, nada parece ter mudado ao longo da narrativa, dando essa sensação de que faltou acontecer algo.

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CONCLUSÃO: Faltam mais acontecimentos na história, mas é um drama bem realizado, com bons atores, conteúdo, e bonito esteticamente.

Nocturnal Animals / EUA / 2016 / Tom Ford

FILMES PARECIDOS: O Abutre (2014) / Grandes Olhos (2014) / Direito de Amar (2009)

NOTA: 7.5

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Passageiros

NOTAS DA SESSÃO:

- Não é uma nave muito original (lembra coisas de Alien, 2001 e outros filmes), mas é um ambiente atraente visualmente.

- Embora o Chris Pratt fique muito tempo sozinho, o filme não fica entediante pois sabemos que a Jennifer Lawrence irá aparecer e queremos descobrir por que ele foram acordados antes dos outros (algo já antecipado pelo trailer).

- Estranho quando ele sai da nave e chora olhando pro espaço a lágrima escorrer pra baixo como se tivesse gravidade.

- O filme tem um tom um pouco tolo, como se fosse apenas uma desculpa pra colocar um casal pop no espaço, e não um filme que se leva a sério enquanto ficção-científica. Não faz muito sentido ele não poder voltar a hibernar (até porque já vimos muitos filmes com câmaras de hibernação idênticas a essas, e sempre é possível voltar a dormir - só aqui que não dá, pois se desse a história não iria existir). Faltou uma desculpa mais convincente. Outra coisa: se a nave passaria um século vazia, e as pessoas só acordariam pouco antes da chegada, por que ela seria construída como um cruzeiro de luxo, cheia de opções de entretenimento, bartenders robôs que ficam funcionando o tempo todo, alertas que avisam os passageiros quando estão passando por algum astro bonito, etc?

- SPOILER: Muito questionável o Chris Pratt acordar a Jennifer Lawrence! Parece um conflito de um filme mais sério, sombrio, com personagens ambíguos moralmente, e não de um romance água-com-açúcar. Pelo menos isso cria mais um interesse pra trama (queremos saber se ela irá descobrir a mentira e como irá reagir).

- O romance não é empolgante. É tudo muito óbvio e fácil. Eles são as 2 últimas pessoas do mundo, são lindos, solteiros, saudáveis, compatíveis em todos os aspectos, não têm concorrência de outras pessoas, não têm grandes conflitos. E é uma relação meio superficial. Não sentimos que há uma conexão única entre eles. Principalmente da Jennifer Lawrence em relação ao Chris Pratt. Ela foi escolhida por ele (praticamente 'colhida' numa plantação), mas por que ele é o cara ideal pra ela também? Depois que ela descobre que foi acordada e os dois brigam, eles fazem as pazes de maneira meio fácil.

- Não faz sentido ele danificar o piso da nave pra plantar uma árvore! Ele cavou um buraco enorme e encheu de terra? De onde ele tirou essa árvore adulta? A nave não está numa viagem de 1 século sem ninguém acordado? Também não faz sentido a gravidade "parar de funcionar" de um segundo pro outro, afinal ela é gerada através da força centrífuga pelo fato da nave estar rodando, não seria assim que aconteceria (são detalhes como esse que vão se somando e dando um clima tolo pro filme, como se tudo fosse apenas uma desculpa pra mostrar o casal sexy).

- SPOILER: O roteiro explora muito mal os personagens. Só tem 4 personagens o filme inteiro, e 2 deles parecem totalmente inúteis: o robô, e o Laurence Fishburne, que mal aparece e já morre sem muita explicação.

- Por que tudo na nave começaria a quebrar? Coisas que não têm a menor conexão: os robôs da limpeza, a gravidade, etc? Se a situação é tão catastrófica assim, não seria esperado que muitas das câmaras de hibernação também quebrariam? Uma nave nesse estado será que irá funcionar por mais 90 anos? Os buracos provocados pelos meteoritos não acabariam com o oxigênio? Um mecânico que não entende nada sobre a nave irá conseguir consertá-la sozinho? Se ele for tão genial a ponto de fazer isso, não faria sentido ele conseguir dar um jeito de voltar a hibernar também? O roteiro é muito "nas coxas".

- Me incomoda a atitude romântica dos dois, como se fosse Jack e Rose no Titanic. Não há suporte o suficiente nessa relação pra justificar essa atitude de "amor perfeito". O cara praticamente acabou com a vida dela só pra ele ter com quem fazer sexo. Muita coisa teria que ter acontecido depois até a gente acreditar nessa poesia toda.

- SPOILER: Forçados os "sacrifícios" no final: ele ter que quase morrer pra salvar a nave, ela resolver abandonar todo seu futuro, sua carreira, seus planos, pra ficar com ele na nave fazendo nada.

- SPOILER: O trailer dizia que eles tinham sido acordados por uma razão, mas isso foi uma mentira pra intrigar os espectadores! No fim parece ter sido apenas um acidente aleatório, que por sorte acabou salvando a vida de todos (afinal o herói consertou a nave milagrosamente).

- De onde surgiram todas essas plantas no final? Tem até galinha na nave! É como se fosse pra ser uma evolução natural da árvore que ele plantou (o que é um absurdo), mas obviamente isso só pode ter vindo de uma outra parte da nave onde já haviam todas essas coisas vivas (o que também é um absurdo - as galinhas não deviam estar hibernando também? Rs).

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CONCLUSÃO: O filme tem um senso benevolente de entretenimento, mas falta o cérebro pra fazer a coisa toda funcionar direito.

Passengers / EUA / 2016 / Morten Tyldum

FILMES PARECIDOS: Gravidade (2013) / Oblivion (2013) / Poseidon (2006) / Armageddon (1998)

NOTA: 6.0

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

É Apenas o Fim do Mundo

NOTAS DA SESSÃO:

- Intrigante a primeira cena onde o protagonista anuncia que irá se matar. Há algo de atraente e misterioso nele.

- Estilo acima de conteúdo: quando ele chega na casa da família, as pessoas todas se comportam de maneira excêntrica sem nenhuma explicação ou contexto. O Louis e a Marion Cotillard ficam se encarando por minutos sem motivo, o Vincent Cassel fica reclamando de tudo de maneira forçada, há pausas bizarras no meio dos diálogos. Isso tudo é apenas pra dar um clima "cult" pro filme.

- Por que ele quer se matar? Por que ele ficou tanto tempo afastado da família? Por que ele se tornou famoso? O filme não desenvolve essas questões importantes e fica apenas focando em conversas banais sobre nada. O protagonista é distante, suas motivações são obscuras, o público não sabe o que se passa em sua mente (Naturalismo).

- Horrível essa cena com a música original da "Festa no Apê". O que tem a ver colocar uma música pop animada numa história como essa? É apenas uma "marca registrada" do diretor (Xavier Dolan já fez coisas do tipo em seus outros filmes) colocada de qualquer jeito pros críticos se sentirem inteligentes, mas que nada tem a ver com o resto do filme.

-Por que a premissa dramática de anunciar que o protagonista irá se matar, se o filme inteiro é sobre diálogos tediosos, momentos comuns do cotidiano? Dá a impressão que é apenas algo que foi dito no começo pra prender a atenção do espectador desonestamente - tipo esses programas de TV que ficam enrolando o espectador por horas sem nenhum conteúdo, sob o pretexto de que alguma revelação dramática será feita no último bloco.

- O personagem é pretensioso. A família fica o tempo todo bajulando ele como se fosse o messias, enquanto pra plateia ele parece apenas um garoto que ficou famoso recentemente sem muita explicação. Nada que ele faz na prática parece justificar essa pompa toda.

- O filme é uma fraude. Não é sobre nada, não mostra nada de valor em termos de cinema. É apenas uma série de cenas sem sentido, diálogos nonsense (pegue por exemplo a sequência em que o protagonista e o Vincent Cassel saem pra andar de carro e ficam horas falando sobre o café do aeroporto!), só que como o protagonista fica sempre com uma expressão triste, melancólica, desconectada, dá a impressão que o filme é "profundo" por algum motivo.

- Desintegração: Em alguns momentos a câmera faz movimentos chamativos, a trilha sonora fica dramática, tudo sem nenhum motivo (exceto os impulsos subjetivos do cineasta, claro).

- Qual o sentido dessa briga no final sobre quem irá levar o Louis ao aeroporto? Por que o Antoine está expulsando ele da casa com tanta brutalidade? E esse pássaro no fim? O filme parece obra de um adolescente pretensioso tentando imitar filmes de "arte", sendo que a única observação que ele fez a respeito de tais filmes é de que eles são "estranhos", "melancólicos" e "difíceis de entender".

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CONCLUSÃO: Besteirol subjetivista.

Juste la Fin du Monde / Canadá, França / 2016 / Xavier Dolan

FILMES PARECIDOS: Amor Pleno (2012)

NOTA: 1.5

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Capitão Fantástico

NOTAS DA SESSÃO:

- O filme prende a atenção afinal é uma situação extrema, queremos entender por que essa família vive de maneira tão selvagem no meio da floresta.

- Alerta Vermelho (anti-capitalismo). Esse pai é totalmente irracional por fazer isso com os filhos. E o problema é que o filme o retrata positivamente. Não há nenhuma coerência no fato dele condenar o "consumismo", ir morar na selva, mas daí na hora do aperto (quando precisa de hospital, comida) pegar o carro e ir usufruir das maravilhas do capitalismo.

- Alguns elementos na maneira como ele cria os filhos são interessantes, como o realismo, a honestidade na hora de abordar temas sérios (embora em muitos momentos ele passe do ponto, esquecendo que crianças não têm contexto psicológico pra absorver certas coisas). Mas em geral ele é um pai irresponsável, desagradável, insensível, que está arruinando a vida dos filhos.

- Um absurdo eles roubarem comida do mercado e ainda acharem que estão fazendo algo moralmente defensável.

- A história é um pouco Naturalista, sem uma narrativa muito linear, mas não entedia pois está sempre acontecendo algo diferente e inesperado na tela.

- O filme tem consciência de que o personagem do Viggo Mortensen é questionável moralmente. Não fica apoiando cegamente o personagem - sempre faz questão de mostrar o ponto de vista dos filhos, que às vezes estão contra o pai, ou então de mostrar os argumentos dos outros parentes que acham ele é um louco. E faz isso honestamente, como se estivesse considerando os 2 lados do debate friamente, sem tomar partido. Mas fica sempre a sensação de que o filme quer que a gente simpatize pelo Viggo Mortensen, apesar de tudo que ele faz (da mesma forma que a menina diz que simpatiza pelo protagonista de Lolita apesar dele ser um pedófilo). Eu acho que são 2 casos bem diferentes - que Lolita (julgando pelo filme) retrata o personagem de forma apropriada, e este aqui não.

- O filme se baseia numa falsa dicotomia: é como se a vida fosse uma escolha entre se vender pro sistema e ter uma vida alienada e sem liberdade, ou então romper com toda a civilização, voltar pra selva, e daí ter uma vida digna. Se só existissem essas 2 opções, talvez eu preferisse mesmo ir pra selva. Mas é uma discussão tola, incompleta.

- Ridículo o Viggo Mortensen achar que a filha dele de 7 anos é mais bem informada que os meninos "civilizados" pois ele a forçou a decorar a Declaração dos Direitos dos EUA. No que isso a torna mais bem equipada pra viver do que eles?

- Péssimo o comportamento do pai no funeral da esposa. O filme é basicamente sobre um homem fazendo uma série de coisas erradas, mas querendo que a gente o ache tudo "cool", afinal ele é hippie, de esquerda, se veste de maneira estilosa, então merece o respeito automático da plateia.

- SPOILER: Em certo ponto (quando o Frank Langella consegue levar os netos pra morar com ele), o filme quase convence de que o pai sairá derrotado da história. Que a intenção do filme não era defendê-lo, mas mostrar que ele estava fazendo mal pros filhos. Mas daí há uma reviravolta e fica claro que isso tinha sido apenas pra criar um suspense - que o filme estava defendendo o pai o tempo todo.

- SPOILER: Horrível os filhos jogando as cinzas da mãe na privada e dando risada. Isso não passa a impressão de que as crianças são mais maduras, "livres" dos costumes superficiais da sociedade, e sim que elas são delinquentes.

- Com que dinheiro o filho mais velho vai viajar pro exterior? Com o do avô? E o pai aceita numa boa? Isso mostra o quão "íntegro" ele é.

- SPOILER: Não sei por que o Viggo Mortensen faz a barba, o outro raspa o cabelo. Não ficamos com a impressão de que eles se transformaram essencialmente. Eles simplesmente passaram por um momento difícil, tiveram seus valores questionados, mas no fim voltaram a ser mais ou menos como eram. Com algumas mudanças superficiais. O filme fica em cima do muro - não quer dizer que o pai está certo, nem errado, que ele teve que mudar sua filosofia, nem que continuou fiel à ela. É tudo meio cinza e vago.

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CONCLUSÃO: Filme bem realizado, interessante, autêntico, mas com uma discussão problemática e errada moralmente.

Captain Fantastic / EUA / 2016 / Matt Ross

FILMES PARECIDOS: Moonrise Kingdom (2012) / Na Natureza Selvagem (2007) / Pequena Miss Sunshine (2006)

NOTA: 6.0

domingo, 25 de dezembro de 2016

Minha Mãe É uma Peça 2

Basicamente tem as mesmas qualidades e problemas do primeiro filme. Paulo Gustavo criou um personagem genial, e em termos de humor, frases hilárias da Dona Hermínia, etc, o filme é tão bom quanto o primeiro. Infelizmente o resto do filme (roteiro, direção) não está à altura da personagem, e o filme depende completamente do carisma de Paulo Gustavo e de suas falas pra funcionar.

A história é umas série de sketches sem muito senso de unidade - a história da Dona Hermínia ser uma apresentadora de TV parece não combinar em nada com a parte do filme em que ela é apenas uma dona de casa, sub-tramas parecem ser inseridas sem ter qualquer relação com o resto da história (a visita da irmã, a doença, a tia que morre, etc). Ainda assim, em comédias desse estilo o principal são as risadas, e nesse ponto o filme não decepciona.



Minha Mãe É uma Peça 2 / Brasil / 2016 / César Rodrigues

FILMES PARECIDOS: Minha Mãe É uma Peça - O Filme (2012) / De Pernas pro Ar (2010)

NOTA: 6.5