sábado, 3 de novembro de 2018

Update - Novembro 2018

Os últimos filmes vistos!

CINEMA:

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald / 2018) - 4.0

Bohemian Rhapsody (2018) - 8.0

A Casa que Jack Construiu (The House That Jack Built / 2018) - 7.5










STREAMING:

O Outro Lado do Vento (The Other Side of the Wind / 2018) - 4.0

Serei Amado Quando Morrer (They'll Love Me When I'm Dead / 2018) - 6.5

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Update - Outubro 2018

Tenho visto filmes normalmente mas sem postar crítica aqui. Essas foram as notas que dei para os últimos:

CINEMA:

Halloween (2018) - 7.5

Podres de Ricos (Crazy Rich Asians / 2018) - 7.0

O Primeiro Homem (First Man / 2018) - 7.5

Nasce uma Estrela (A Star is Born / 2018) - 8.5

Venom (2018) - 4.0







STREAMING:

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin / 2018) - 4.5

O Conto (The Tale / 2018) - 8.0

Domando o Destino (The Rider / 2017) - 8.0

Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim: Uprising / 2018) - 5.0

Sicário: Dia do Soldado (Sicario: Day of the Soldado / 2018) - 6.0

Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle) - 4.0

A Festa (The Party / 2017) - 2.0

Quincy (Documentary, 2018) - 7.5

Visages Villages (Documentary, 2017) - 7.0

Spielberg (Documentary, 2017) - 8.5

Distúrbio (Unsane / 2018) - 6.0

David Lynch: A Vida de um Artista (David Lynch: The Art Life / Documentary, 2017) - 8.0

domingo, 23 de setembro de 2018

Princípio do Contraste


Nas minhas postagens sobre Idealismo, estou sempre dizendo que, na minha visão, a arte deveria focar em valores positivos - mostrar uma realidade mais interessante que a do dia a dia, personagens atraentes, proporcionar prazer para o espectador, etc.

Mas isso não significa que qualquer coisa negativa que exista num filme seja uma fuga do Idealismo. Na realidade, elementos negativos são praticamente obrigatórios num filme, mesmo que a intenção do cineasta seja a de criar a experiência mais prazerosa possível para o espectador. Isso porque nossa mente precisa de contexto, referências, parâmetros - contrastes pra que ela consiga absorver melhor uma ideia ou vivenciar uma experiência. Esse é um princípio fundamental que um filme precisa colocar em prática pra comunicar ideias e provocar emoções de maneira eficiente.

Pra que qualquer emoção positiva numa história seja satisfatória e chegue até o público de maneira objetiva, tem que existir uma dose do oposto daquela emoção incluída na obra como forma de tornar mais claro o valor positivo e realçar o seu "sabor" - assim como muitas sobremesas surpreendentemente levam sal na receita ou têm algum toque mais azedo ou amargo que criam um contraponto para o doce.

Então se você quer inspirar o espectador e criar um senso de autoestima, possibilidade, talvez seja essencial mostrar que o herói tem certas fragilidades e incertezas também, antes de mostrá-lo sendo vitorioso. Se você quer passar a ideia de que o mocinho é inteligente, sensato, talvez isso fique mais evidente se ele estiver rodeado de tolos ou personagens menos brilhantes. Se você quiser criar um senso de otimismo, de que o universo é um lugar bom, talvez você tenha que incluir tragédias ou personagens convincentemente malvados na trama, pra que depois eles sejam superados. Se você quiser transportar o espectador pra um lugar incrível, divertido, mágico, talvez você tenha que incluir uma referência do comum, do banal, do cotidiano, do realista - e por aí vai.

Isso não quer dizer que podemos pegar qualquer coisa maligna num filme e interpretá-la como sendo um "contraste". Uma das regras aqui é que o negativo deve ser incluído apenas em função do positivo, mas nunca como um fim em si mesmo. Se você quiser fazer como Hitchcock por exemplo, e "torturar" a plateia por alguns minutos, prolongando uma cena de suspense pra depois ter um pay-off satisfatório e gerar alívio, ótimo. Mas se o propósito for apenas gerar desconforto, daí isso não será um contraste para nada. 

Num filme que está em harmonia com princípios Idealistas, o foco do cineasta está sempre nos valores positivos. O objetivo final é proporcionar prazer, inspiração, satisfação - e os negativos são usados apenas de maneira estratégica para atingir esse objetivo.

Um ponto final que é importante esclarecer é que existem contrastes adequados e contrastes inadequados: enquanto uma pitada de sal pode tornar um doce melhor ainda, enquanto a presença do biscoito pode impedir o recheio da bolacha de se tornar enjoativo demais, uma pitada de veneno ou de vômito não seria "contraste" algum, apenas algo repulsivo que destruiria o aproveitamento do valor positivo.

Por exemplo: tudo bem Spielberg fingir que E.T. morreu no meio do filme, pra depois ressuscitá-lo e fazer a gente vibrar. Mas se ele incluísse uma longa discussão intelectual no meio da história, divagasse sobre a falta de sentido da vida, da arte, os males do capitalismo, filmasse algumas cenas fora de foco pra parecer mais avant-garde - isso não seria um "contraste" para a diversão e sim a implosão do filme inteiro.

sábado, 22 de setembro de 2018

Buscando...

Assim como Amizade Desfeita (2014), a história aqui é inteira contada através de telas de computadores, celulares, TVs, o que impõe ao cineasta uma limitação criativa interessante, mais ou menos como ocorre no gênero found-footage. No começo a ideia estava me entediando um pouco, pois além de ser meio monótono e esteticamente frustrante ir ao cinema pra olhar uma tela de computador, essa regra me pareceu um pouco aleatória - não parecia algo pra tornar a narrativa mais interessante pro espectador, mas apenas um gimmick pra exibir a engenhosidade do cineasta e justificar o baixo-orçamento. Apesar disso, após o incidente inicial que dá partida à história, o roteiro é forte o bastante pra que a gente esqueça um pouco desse artifício e se envolva de fato no suspense e nos conflitos dos personagens. Há uma série de observações sociais e psicológicas interessantes que dão uma dimensão maior pra história, além do mistério central que prende bastante a atenção.

O maior problema do filme pra mim é a improbabilidade de muitos dos acontecimentos (principalmente mais pro final). Algumas coisas são tão forçadas que fica óbvio que o roteirista se empolgou demais no seu desejo de surpreender o público. SPOILERS: As 2 coisas que mais me incomodaram foram (1) a ideia da garota desaparecida ter um stalker, um garoto obcecado por ela, sendo que a personagem deveria ser uma completa loser socialmente, mas principalmente (2) a ideia de que uma policial tão esperta quanto aquela faria isso tudo pra acobertar um crime sem antes confirmar que a garota havia de fato morrido.

Aneesh Chaganty me lembra um pouco o Shyamalan - um diretor com um talento visível pra contar histórias, ter sacadas interessantes pra filmes, criar suspense, finais de impacto, mas que talvez como roteirista ainda precise de um pouco mais de senso crítico. Mas pra uma estreia na direção é certamente um trabalho notável.

Searching / EUA / 2018 / Aneesh Chaganty

NOTA: 7.0

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O Predador

Apesar do título dar a impressão de um reboot ou remake, essa na verdade é uma sequência de O Predador que reconhece a existência dos filmes de 87, 90 e 2010. O filme foi co-escrito e dirigido por Shane Black (de Beijos e Tiros e Homem de Ferro 3) que é conhecido por seu humor irreverente. Em vez de ser respeitoso em relação à franquia e manter um tom coerente com o dos outros filmes, Black decidiu reinventar a série, a transformando numa pseudo-paródia, mais ou menos como temos visto em filmes como Deadpool e Thor: Ragnarok. Ao fazer isso, na minha opinião ele arruinou o filme e o transformou numa grande fraude, que atrai o público sugerindo um tipo de coisa, e na prática entrega uma "anti-coisa".

Quem já leu minhas postagens sobre Anti-Idealismo e Idealismo Reprimido sabe bem do que estou falando, e não cometerá o erro de enxergar a atitude do filme como "irreverência", ou apenas um erro inocente de tom. Se trata de uma tentativa consciente de ridicularizar o gênero e tudo aquilo que nos remete aos filmes dos anos 80 - ou seja, tudo aquilo que o espectador deveria buscar quando vai ao cinema ver um lançamento como esse.

O filme usa 2 estratégias principais para essa ridicularização - a mais óbvia é o uso destrutivo de humor - que é inserido não pra aumentar o carisma dos personagens ou oferecer um alívio entre cenas mais dramáticas - mas pra diminuir a estatura dos personagens e a seriedade das cenas dramáticas. Não só os supostos heróis do filme são ridicularizados, como os próprios monstros são alvos de zombaria (em determinada cena, o Predador é descrito como uma "Whoopi Goldberg alienígena" por um dos coadjuvantes). É importante constatar que zombar do vilão dessa maneira é tão destrutivo quando zombar dos heróis. As 2 coisas buscam minar a seriedade da história, o tom épico da batalha. Filmes que são pró-heróis, pró-autoestima, investem um esforço enorme em também glamourizar os vilões, torná-los ameaçadores, imponentes, icônicos - afinal, não há muita graça em superar um obstáculo medíocre.

A outra estratégia de ridicularização é a do exagero - tornar algumas ações tão forçadas, tão ilógicas, que se perde toda a realidade da situação. Pegue por exemplo a personagem da bióloga - uma cientista exageradamente esperta, que está sempre deduzindo coisas que ela não teria a menor condição de saber. Quando a vemos, ainda no começo do filme, pegando uma espingarda e saindo correndo atrás do Predador, saltando em cima de ônibus em movimento (sem que ela tenha qualquer treinamento militar ou conhecimento especial sobre a criatura), isso não é feito pra gerar admiração pela personagem. É na verdade uma forma de tornar a cena propositalmente ridícula; gerar "admiração" apenas pelo cinismo do cineasta talvez, que está claramente se divertindo ao zombar dos "filmes tolos" dos anos 80 com Schwarzenegger, Stallone ou Sigourney Weaver, onde os protagonistas eram exércitos-de-1-homem-só e pareciam poder tudo. Ou seja, o filme não foi feito por alguém que respeita o Predador original, e sim por alguém que considera o filme meio ridículo - só que em vez então de torná-lo respeitável (de acordo com seus próprios critérios) o cineasta resolveu torná-lo mais ridículo ainda, exagerando justamente aquelas características que ele considerava tolas.

É uma pena, pois dá pra ver pelas entrelinhas que Black tem bastante habilidade e energia como cineasta (não me parece desses que abraçam o Anti-Idealismo como forma de ocultar a própria falta de talento). Fica a impressão que, se ele não estivesse tão comprometido com seu cinismo, ele teria sido capaz de fazer um filme respeitável (e respeitoso), no espírito do original.

The Predator / EUA, Canadá / 2018 / Shane Black

NOTA: 2.5

domingo, 9 de setembro de 2018

A Freira


Tinha achado muito legal a figura da freira no Invocação do Mal 2, e me pareceu uma boa ideia criar um filme só pra ela, até porque não me lembro de uma outra freira maligna no cinema de horror que tenha feito sucesso. Infelizmente os acertos do filme não vão muito além dessa sacada inicial. A parte visual / física da produção é muito bem feita (como em todos os outros capítulos da franquia) o que dá certa ilusão de que o filme tem mais qualidade do que as estreias mais rotineiras do gênero. Mas naquilo que realmente importa - roteiro, direção, personagens - o filme representa o que há de mais pobre e inautêntico no entretenimento atual.

Os problemas aqui não são de valores, da intenção do filme... A intenção parece boa. O problema é a completa falta de noção dos cineastas do que é que constitui um filme, de como é que se conta uma história. Mais uma vez, é a falta de Objetividade que faz ruir toda a narrativa. Em vez de uma história onde os personagens têm motivações plausíveis, objetivos claros, agem de maneira convincente em um universo crível, o filme se parece mais com um pesadelo onde você nunca sabe direito se é dia ou se é noite, os acontecimentos parecem totalmente randômicos, irreais, coisas acontecem num minuto e no minuto seguinte deixam de existir, as pessoas agem de forma ilógica, seguem vultos em porões sinistros quando deveriam estar correndo deles, fazem cara de espanto quando veem algo sobrenatural, como se já não tivessem tido 200 provas antes de que o lugar é amaldiçoado... Se ao menos os Set Pieces isoladamente fossem bons, o filme teria certo valor de entretenimento. Mas as cenas de terror não têm a menor criatividade, são totalmente baseadas em clichês (não sei quantas vezes usam o recurso da câmera que gira pra um lado, daí quando volta revela um fantasma ao fundo que antes não estava lá), e a ambientação é fantasiosa demais pra gerar medo. É tudo muito óbvio: o cineasta acha que se ele colocar pessoas caminhando com lampiões num cemitério tenebroso, acrescentar névoa, teias de aranha, uma luz misteriosa, isso irá gerar mais medo... Quando na verdade é muito mais impactante ver um fantasma num ambiente que o espectador julgue familiar (se você está na selva amazônica e vê uma tarântula, o impacto é menor do que se ela saísse debaixo do seu travesseiro). 

Mas nenhum filme consegue flertar com o status de "trash" sem o auxílio de um personagem particularmente estúpido que tempere a experiência com atitudes e falas constrangedoras - função que o mocinho Frenchie cumpre brilhantemente com seus momentos "I'm french-canadian!" ou "The blood of Christ - holy shit!", por exemplo (quem achou que Jonas Bloquet com seu rosto de modelo da Abercrombie seria convincente como um aldeão do interior da Romênia em 1952, realmente precisa repensar seu futuro na área de casting).

Não-surpreendentemente, o filme faturou $131 milhões de dólares mundialmente nesse fim de semana (a segunda maior estreia de terror da história) provando que, se os cineastas estão cada vez mais incompetentes e despreparados, os marketeiros estão se tornando os verdadeiros gênios desse ramo.

The Nun / EUA / 2018 / Corin Hardy

NOTA: 3.0

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Você Nunca Esteve Realmente Aqui

Thriller psicológico escrito e dirigido por Lynne Ramsay (a mesma de Precisamos Falar Sobre o Kevin) sobre um matador de aluguel (Joaquin Phoenix) que ganha a vida resgatando escravas sexuais de cativeiros e matando brutalmente os responsáveis no processo. O filme ganhou os prêmios de Melhor Ator e Melhor Roteiro no Festival de Cannes.

Esse é o típico filme pseudo-intelectual, charlatão - daqueles que querem parecer artísticos, profundos, psicologicamente complexos, mas apelam pro Subjetivismo e pras Emoções Irracionais pra atingirem esse objetivo - tudo pra esconder o fato de que o autor não tem de fato algo substancial a dizer, não tem o intelecto nem a profundidade nem o requinte artístico que tenta passar.

Acabando o filme, a primeira coisa que fiz foi procurar uma entrevista com Ramsay no YouTube pra ver ela falando qualquer coisa, pois minha impressão era a de que o filme tinha sido feito por uma pessoa com sérias dificuldades de raciocínio e de comunicação (como pra mim a objetividade é a 1ª necessidade de qualquer filme, se você ainda não dominou essa habilidade, você não deveria se arriscar a escrever e dirigir um filme). Não estava enganado - veja essa entrevista e, caso você consiga entender pelo menos 10% do que ela fala (eu tive quase uma dor de cabeça tentando), repare no senso de caos, de imprecisão e falta de propósito e de estrutura em sua fala, na impressão de que nada é "preto e branco" em seu processo, que tudo é improvisado, aproximado, que ela pensa em termos de "sons e imagens" (ou seja, que ela não pensa - que ela filma movida por sensações que desconhece). É um exemplo incrível de como uma obra, antes mesmo de refletir seus valores, acaba sendo um raio-X do método de pensamento de um artista.

You Were Never Really Here / Reino Unido, França, EUA / 2017 / Lynne Ramsay

NOTA: 0.0

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Sharp Objects


Apesar do clima pesado, foi uma das poucas séries recentes que conseguiu prender minha curiosidade até o final. Um pouco pelo mistério dos assassinatos, mas mais até pelo mistério envolvendo o passado da protagonista Camille (Amy Adams está brilhante) e de sua família disfuncional. Além também da qualidade da direção de Jean-Marc Vallée (o mesmo de Big Little Lies) que é cheia de sutilezas e tem uma atenção aos detalhes que não se vê tanto na TV.

A série não chega a ser totalmente malevolente em seu Senso de Vida, pois se esforça pra mostrar que Camille é uma boa pessoa e que ela pode superar seus traumas. Ainda assim, na maior parte do tempo que gastamos vendo a série, estamos olhando pra temas deprimentes e situações negativas. Muito do incômodo vem do retrato quase exclusivo de relacionamentos conflituosos entre os personagens. As únicas relações positivas que vemos aqui estão nas poucas cenas em que Amy Adams interage com seu chefe e sua esposa. Praticamente todas as outras relações entre todos os personagens de alguma forma expressam cinismo, desarmonia, raiva, inveja, agressividade, desconfiança... E os relacionamentos entre os personagens numa história pra mim são como os acordes de uma música - eles determinam o tom geral da experiência. Essa negatividade é algo que eu percebo não incomodar muito os fãs de séries de TV (afinal a grande maioria das séries têm esse foco em relacionamentos conflituosos, então isso deve dar algum tipo de prazer pras pessoas) porém pra mim, ficar num ambiente como esse por muito tempo me coloca num mindset realmente ruim, quase como o de ter que conviver com pessoas tóxicas na vida real, me afastando da maioria das coisas produzidas pra TV hoje em dia (uma convicção minha é que pra falar sobre pessoas negativas e temas negativos, um filme não precisa colocar o espectador também num estado mental indesejável).

Ainda assim, as qualidades da série me pareciam compensar esse problema central - a sensação constante de que algo impactante estava pra acontecer nos capítulos seguintes me fez seguir em frente, e os 2 últimos episódios fizeram valer a pena.

Sharp Objects (HBO Mini-Series) / EUA / 2018 / Criadora: Marti Noxon

NOTA: 7.5

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Tipos de Subjetivismo

Estou sempre lapidando as postagens teóricas aqui no blog, e uma que me parecia pedir uma certa clarificação era a postagem sobre Subjetivismo.

Na postagem "Subjetivismo e Filmes de Arte", os conceitos de "subjetivismo" e de "niilismo" acabaram ficando misturados. Ali, eu estava falando mais especificamente de filmes Niilistas - daqueles que são anti-estrutura, anti-integração, que dialogam com a arte moderna, etc.

Mas existem outros tipos de Subjetivismo que não caem necessariamente na categoria Niilismo. Então "Subjetivismo" seria uma categoria mais ampla, que engloba tudo aquilo que é não-objetivo. Mas o artista pode ser não-objetivo de formas diferentes e por motivos diferentes:

(1) No caso do Niilismo, há uma intenção consciente de subverter a objetividade, de deixar o espectador desorientado. A preocupação do artista está mais na forma, no ato de quebrar as regras, de questionar, experimentar, desconstruir os fundamentos da arte (cineastas como Jean-Luc Godard, por exemplo) - aquilo que é discutido em mais detalhes na postagem que agora chama Niilismo e Filmes de Arte.

(2) Mas há um outro tipo de artista, que às vezes pode se parecer com o Niilista, mas que na verdade está tentando sim expressar um conteúdo específico. É o artista cujo foco principal é seu universo interno, que usa a arte como um meio para exteriorizar suas emoções e sensações mais íntimas. Só que ele não se esforça para interpretá-las de forma racional pra daí comunicá-las para o espectador objetivamente. Ele cria a obra guiado diretamente por suas emoções, intuições, e torce pra que no fim algo substancial se revele na obra e penetre no espectador de alguma forma misteriosa (seria como um paciente deitado no divã falando impulsivamente, confiando que o ouvinte será um psicólogo bom o suficiente pra fazer algum sentido daquilo tudo).

(3) Uma terceira categoria de Subjetivismo seria o daqueles artistas que descrevo nas postagens Emoções Irracionais (Christopher Nolan, etc) e Simbolismo e Filmes Interpretativos. Esses até estão se esforçando pra se comunicar com o espectador - gerar uma emoção / passar uma ideia específica usando determinada técnica (não são como os do item 2 que estão apenas focados nas próprias emoções, ignorando como elas chegarão ao público) porém o fazem através de uma estratégia ruim - tentam apelar diretamente para as emoções, driblando a mente; usam técnicas manipulativas que agem sobre os nossos instintos, nosso lado irracional, e esperam que o espectador chegue na impressão desejada apenas por sugestão, estímulos, emoções vagas - e não por estarem conscientes daquilo que estão absorvendo (costumo chamá-los de charlatões por esse motivo).

(4) Por último, há aqueles artistas que falham na Objetividade por pura incompetência - que estão até tentando se comunicar objetivamente com o espectador, porém sofrem de dificuldades cognitivas, inexperiência, falta de técnica, e acabam fracassando no processo sem que haja a intenção (os do item 3 às vezes caem nessa categoria também).

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O Protetor 2

Vendo filmes como esse, como John Wick, ou mesmo fenômenos do mundo dos games como GTA, fica claro que existe uma enorme fatia da população que vê algo de prazeroso nesse tipo de violência, em assistir alguém descontando sua raiva fisicamente, se vingando de forma brutal... E que não se trata apenas de uma busca por justiça, algo motivado por um senso de moralidade, pois em muitos casos (como aqui em O Protetor 2) o espectador nem tem como saber se as atitudes do protagonista são justas ou não (na verdade, o simples fato dele não ter informações o suficiente antes de partir pra ação, e de nem esperar pra ver se a Justiça fará algo primeiro, já torna a atitude condenável). Por exemplo: numa cena no início do filme, Denzel Washington (trabalhando como motorista) dá carona pra uma mulher cheia de hematomas no corpo, que é colocada pacificamente no táxi por um homem. Sem que a gente saiba mais nada a respeito da situação (quem bateu nela, por que, se ela também agrediu alguém), e sem nem informar a polícia antes, Denzel volta até o apartamento dos supostos agressores e tortura / assassina todo mundo! E não, Denzel não é retratado como uma pessoa desequilibrada, imoral, e sim como um herói, um homem incorruptível, corajoso, uma espécie de mito, que está fazendo tudo aquilo que o espectador secretamente gostaria de fazer. Outra pista de que não se trata apenas de uma busca por justiça - do desejo de se livrar de um problema pra daí perseguir valores positivos (ele não busca nada positivo, sua vida é toda sobre destruir negativos - inclusive negativos que nada têm a ver com sua vida pessoal) - é a enorme ênfase na violência gráfica: o "herói" não se contenta apenas em eliminar os vilões, ele precisa torturá-los, achar maneiras particularmente grotescas de realizar o ato (e o filme faz questão de mostrar tudo em detalhes). Em determinada cena ele praticamente admite ter prazer no ato de infligir dor, e diz que se fosse possível, mataria os vilões mais de 1 vez só pela satisfação.

Infelizmente o filme inteiro é baseado em cima desse único "prazer", portanto não sobra muito pros outros espectadores apreciarem em termos de história, técnica, etc. A trama não é muito clara, demora pra engrenar, e até mesmo as cenas de ação são fracas, cheias de clichês e coisas forçadas pra darem um ar sobre-humano pro protagonista (Denzel ouve um latido de cachorro pelo telefone e já tem certeza que o garoto está em perigo; o vilão está numa cidade deserta no alto de uma torre, em vigilância, armado, e Denzel consegue escalar a torre e golpeá-lo sem que ele perceba, etc).

Não estou querendo dizer que os fãs desse tipo de filme sejam psicopatas (assim como quem joga games violentos não são pessoas sádicas necessariamente), de qualquer forma, ainda não consegui entender o mecanismo psicológico pelo qual uma pessoa com valores totalmente positivos, num estado saudável de consciência, consegue achar satisfação numa história como essa.

The Equalizer 2 / EUA / 2018 / Antoine Fuqua

NOTA: 3.5