sábado, 28 de maio de 2011

Se Beber, Não Case! 2


Repete a mesma fórmula do primeiro, só que agora na Tailândia. O problema é que esse é um daqueles filmes de uma piada só, e eu pessoalmente não vejo graça em pessoas bêbadas e drogadas (quando são mostradas de maneira simpática, pro espectador se identificar com a situação). Perder a consciência e a postura pra mim é o oposto de se divertir, e essa é a base de todo o humor do filme. A intenção dele é mostrar como seria a noite mais inesquecível de todos os tempos - a diversão definitiva. E a ideia é que pra ser realmente inesquecível, pra começar você não pode se lembrar de muita coisa. (Aliás, começa a ficar um pouco forçada nessa segunda parte a premissa de que toda vez nenhum deles se lembra do que houve na noite anterior. Esse não é o tipo de comédia que permite uma continuação. Foi um evento único, extremo, que justificou 1 filme, mas fazer tudo de novo soa falso, fica óbvio que é só uma desculpa pra ampliar a bilheteria do primeiro filme.) Outro elemento importante é que você tem que destruir muitas coisas - quebrar objetos físicos, principalmente a propriedade dos outros. Além disso, é essencial que você se prejudique de alguma forma irreversível (fazendo uma tatuagem na cara por exemplo) e que você arrisque a própria vida várias vezes. É preciso se ridicularizar, mostrar o quão desprezível você é (os "vilões" do filme logicamente são as pessoas responsáveis, como o pai da noiva). Isto é "viver intensamente".

Humor é complicado e alguma coisa aqui pra mim não funciona. Mas no geral, é apenas mais do mesmo - quem gostou do primeiro não vai se decepcionar muito.

The Hangover Part II (EUA / 2011 / 102 min / Todd Phillips)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Penetras Bons de Bico, American Pie, Cara, Cadê o Meu Carro?, etc.

NOTA: 5.0

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Noivo da Minha Melhor Amiga


Lendo o título a gente já percebe o problema principal desse filme: a personagem principal está fazendo algo tão monstruosamente horrível, que é praticamente impossível não detestá-la. Não se trata do "ex-ficante da minha melhor amiga" ou do "noivo da minha colega recente", nem mesmo do "noivo da minha suposta melhor amiga mas que na verdade é uma vadia". Não. A protagonista está tendo de fato um caso com o noivo real da melhor amiga dela de verdade (as duas se conhecem desde a infância).

Não que seja impróprio contar essa história - é impróprio contá-la como se fosse uma comédia romântica fofinha - colocando musica romântica nas cenas de amor, como se as atitudes da protagonista não só fossem aceitáveis, mas fossem positivas!

Tirando essa falha terrível, o filme na verdade é acima da média - uma discussão moral envolvente que prende a nossa atenção do começo ao fim, se transformando quase num filme de suspense, onde Ginnifer Goodwin seria a assassina, Kate Hudson a polícia, e o noivo o cadáver.

E aguardem a cena extra que aparece depois dos créditos. Saí da sala meio passado.

Something Borrowed (EUA / 2011 / 112 min / Luke Greenfield)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Ele Não Está Tão a Fim de Você, Noivas em Guerra, O Casamento do Meu Melhor Amigo, etc.

NOTA: 6.5

Os Agentes do Destino


Baseado num conto de Philip K. Dick (Blade Runner, Minority Report) o filme é uma mistura curiosa de romance, fantasia e suspense, e talvez tivesse funcionado melhor como um episódio de Além da Imaginação. Matt Damon é candidato ao Senado quando conhece acidentalmente uma bailarina (a estranha da Emily Blunt) por quem ele se apaixona instantaneamente. Estava escrito que eles não deveriam se encontrar de novo, mas pelo visto o destino pode cometer falhas, e quando os dois se trombam uma segunda vez dentro de um ônibus, os "agentes" são enviados pra impedir que o romance aconteça (há uma explicação pra isso tudo e aparentemente o futuro do planeta depende desse relacionamento não ir adiante!). Os agentes do destino no fundo são anjos, que ficam na Terra fazendo pequenas alterações (derrubando café na sua camisa, fazendo a internet cair, etc), pra garantir que os humanos não atrapalhem o plano master de Deus (não, o filme não é uma comédia!).

Assisti ao filme interessado, mas não pela história - apenas chocado com o absurdo que estava vendo. O filme é o retrato de uma mentalidade louca, um mundo de ideias contraditórias, premissas erradas, conceitos mal definidos. Por um lado tenho que admitir que o filme é original, interessante, fala sobre ideias, só que ele parte de noções tão nonsense da realidade que o que a gente tem no final não chega a ser uma lição de moral, uma mensagem, é apenas caos. Histórias desse tipo, por mais fantasiosas que sejam, no fim sempre concretizam algum tipo de abstração que pode ser aplicada na vida real (em Matrix por exemplo, há toda uma lição de auto-estima, do poder da mente sobre a matéria, etc). Aqui não. O filme tem seu universo próprio, com regras insanas que não têm relação com nada, e qualquer tentativa de traçar um paralelo com a realidade será em vão.

A não ser, claro, que você acredite em forças do destino - que o amor é uma espécie de "sintonia" esotérica e inexplicável, e que existem anjos por aí te arrumando vagas no estacionamento.

The Adjustment Bureau (EUA / 2011 / 106 min / George Nolfi)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Sem Limites, A Origem, Presságio, Minority Report, etc.

NOTA: 6.5

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sobrenatural


Minha maior diversão antigamente era assustar as pessoas - pratiquei anos em empregadas e aprendi que susto não pode ser dado de qualquer jeito. Requer prática, originalidade, técnica. Fico frustrado quando vou ver um filme de terror e ele vai pros sustos esperados - pessoas aparecendo atrás de portas de geladeiras, espelhos de banheiro que fecham e revelam o fantasma, personagens andando de costas e trombando em alguma coisa, etc. Se você sabe de onde está vindo, não tem graça. James Wan, que criou o primeiro Jogos Mortais, sabe disso muito bem - ele é fã de David Lynch e Dario Argento, dois dos melhores artistas dessa área - e em Sobrenatural ele exercita tudo o que aprendeu com eles (há uma pitada de Kubrick e O Iluminado também).

A história remete a Poltergeist e envolve uma criancinha perdida em outra dimensão dentro de uma casa e uma vidente tentando trazê-la de volta para a "luz". Nada de extremamente elaborado ou original, mas muito mais bem feito do que de costume. Wan tem total domínio da atenção do público.

"Nós acreditamos em técnica ("craft"). E a ironia sempre foi que os filmes de terror são desconsiderados pela crítica, mas frequentemente são os filmes mais bem feitos que você vai encontrar em termos de técnica. Você não consegue assustar as pessoas se elas enxergarem as emendas." - James Wan

Insidious (EUA / 2010 / 103 min / James Wan)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Atividade Paranormal, Arraste-Me Para o Inferno, A Órfã, REC, O Grito, etc.

NOTA: 7.5

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Piratas do Caribe 4 - Navegando em Águas Misteriosas


Com orçamento reduzido, mais curto (ainda assim com 137 min), sem 2 dos atores centrais (Keira Knightley e Orlando Bloom) e sem o diretor fixo da série (Gore Verbinski, que foi substituído por Rob Marshall, de Chicago, Memórias de uma Gueixa e Nine), esse é provavelmente o melhor dos Piratas. No terceiro capítulo, a série tinha ficado tão grande (e ruim) que já não tinha mais pra onde "crescer" - a Disney então decidiu fazer um filme menos exagerado, mas foi esperta e contratou um diretor muito melhor. Marshall é um técnico brilhante e se o filme de fato custou menos que o último, isso não aparenta - visualmente ele é tão mais bonito que os anteriores, que parece até ser mais caro. A história também é melhor, mais simples (uma corrida em busca da Fonte da Juventude), e em vez de ficar insistindo em sub-tramas incompreensíveis e computação gráfica, o filme se volta um pouco mais pros atores, pro humor, deixando a aventura mais leve e despretensiosa, como deve ser.

Minha única crítica é que falta um clímax. O filme é inteiro bem feito, tem várias cenas legais (com a das sereias), mas nenhum grande instante, nenhum pico, que pra mim é o que torna qualquer filme memorável e faz a gente querer ver de novo. Mas vale por toda a produção e pelo elenco (a química entre Depp e Penélope Cruz funciona e nem dá pra perceber que ela estava grávida nas filmagens).

Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides (EUA / 2011 / 137 min / Rob Marshall)

INDICAÇÃO: Quem gostou de A Máscara do Zorro, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, etc.

NOTA: 7.0

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Reencontrando a Felicidade


Indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Nicole Kidman, que também é produtora aqui) e dirigido por encomenda por John Cameron Mitchell (Hedwig, Shortbus), o filme é um drama sobre o luto e mostra a deterioração de um casal após a perda do filho único de 4 anos num atropelamento.

O começo é interessante, pois o roteiro não nos avisa de cara o que foi que aconteceu - a gente vai juntando as peças pouco a pouco, até sacar que morreu uma criança. Depois disso, senti que o filme estava apenas querendo me fazer sentir pena da personagem, como se toda cena tivesse uma legenda invisível dizendo "pobrezinha, veja como a vida foi dura com ela".

Não embarquei no sofrimento da Nicole, apesar dela estar bem no papel - ela passa certa força e agressividade que deixam o filme mais interessante, mas a história teria que ter sido mais do que isso... Por mais grave que seja uma tragédia (podia ter sido até o 11 de Setembro), apenas meditar sobre a tristeza de alguém não faz um filme (nem sobre a felicidade, só pra deixar claro - embora isso fosse mais justificável). Sempre precisaremos de uma boa história.

Funcionaria se fosse um retrato do luto especialmente sensível e inteligente. Me lembrei do francês A Liberdade é Azul, onde Juliette Binoche perdia o marido e o filho... Ali tinham algumas cenas tão impressionantes, como aquela onde ela não tinha coragem de matar a ratazana no porão que tinha acabado de dar cria, porque ela se via no lugar da mãe - eram detalhes desse tipo que tornavam o filme rico e interessante, não o fato dela estar sofrendo.

Enfim, é um filme de bom gosto, bem realizado, com bons atores, mas pra mim faltou certa originalidade e intensidade.

Rabbit Hole (EUA / 2010 / 91 min / John Cameron Mitchell)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Traídos pelo Destino, O Quarto do Filho, Entre Quatro Paredes, Gente como a Gente, etc.

NOTA: 6.5

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Minha Versão do Amor


Fui 3 vezes ao cinema essa semana e veja o que aconteceu: na segunda, o filme pediu pra eu torcer pra bandidos (Velozes e Furiosos 5); na terça, pra eu sentir pena de uma mulher deprimida (Reencontrando a Felicidade); na quarta, pra gostar de um fracassado. Não sei quanto a vocês, mas eu vou ao cinema sempre com a intenção de admirar alguma coisa.

A Minha Versão do Amor é basicamente o retrato de um homem completamente detestável - impulsivo, ignorante, propositalmente feio, arrogante, inconveniente, que faz tudo errado na vida e ainda prejudica os outros. E o filme mostra ele com simpatia, humor, como se fosse um ser incompreendido, mas digno da nossa atenção por algum motivo. Fica difícil aproveitar os detalhes da história quando você já não gosta da intenção inicial do filme. Quem sabe se fosse um roteiro brilhante ou houvesse algo de interessante em termos de estilo, mas não é o caso.

O que salva um pouco é que ao redor dele existem personagens melhores (dá pra falar bem do elenco, que conta com uma participação divertida de Minnie Driver, que anda meio sumida, e de Dustin Hoffman no papel do pai) mas daí fica a pergunta: se o filme é capaz de criar personagens gostáveis (como a 3ª esposa de Barney, que vai entender por que se casou com ele), então por que escolheu contar a história dele??

(Ok, é baseado num livro, mas e eu com isso?)

Barney's Version (CAN, ITA / 2010 / 134 min / Richard J. Lewis)

INDICAÇÃO: Pra quem gosta do Paul Giamatti e do tipo que ele costuma representar (como em Anti-Herói Americano).

NOTA: 6.0

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Velozes e Furiosos 5: Operação Rio


O filme se passa no Rio e pelo visto boa parte foi de fato filmada lá (destacando principalmente as favelas). A crítica americana foi surpreendentemente favorável ao filme, que até certo ponto diverte com algumas cenas de ação completamente exageradas e impossíveis. Mas a diversão é limitada, pois toda a ação física do filme é divorciada de valores e de conteúdo. Os personagens estão saltando de trens, no meio de tiroteios, em perseguições de carro, lutas de braço, e você fica assistindo tudo meio impressionado com o que está acontecendo fisicamente na tela, mas ao mesmo tempo desconectado, sem saber por que deveria estar se importando. Pra quem é pra torcer? Por que eu deveria ficar do lado do Vin Diesel e do Paul Walker se eles estão roubando coisas que não merecem e assassinando pessoas no processo? Só porque eles são os atores principais? Mas quem está certo e quem está errado? Nenhuma pista. Em determinado momento, Vin Diesel tem uma mudança surpreendente de atitude e salva um cara que até então era o seu inimigo. A partir daí eles criam um laço e começam a lutar no mesmo time - o que foi que aconteceu? Por que a mudança? Qual foi a ideia que Vin Diese reavaliou, e por que? Nada.

O propósito do filme é basicamente o de mostrar perseguições fantásticas, carros potentes, machões bombados e mulheres gostosas - suspeito que isso será o suficiente pra maioria das pessoas.

Quem for ver, fique na sala que depois de alguns minutos de créditos há uma cena extra com algumas surpresas.

Fast Five (EUA / 2011 / 130 min / Justin Lin)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Os Mercenários, Esquadrão Classe A, da série Carga Explosiva, Onze Homens e Um Segredo, etc.

NOTA: 5.0

sábado, 7 de maio de 2011

Os melhores filmes gays

No embalo da nova lei que reconhece a união gay, montei uma listinha com os melhores filmes de temática GLBT. Não tive que pensar muito, afinal não acho que há tantos filmes excelentes no gênero (que eu saiba)... Pras meninas então, há ainda menos (nenhum filme "lésbico" entrou no top 10, mas meus favoritos são Amor por Direito (2015)Eu, Minhas Mães e Meu Pai (2010), Meninos Não Choram (1999) e o clássico Infâmia (1961)). Bissexuais não são levados muito a sério no cinema - são geralmente pessoas confusas, enrustidas, ou mulheres hetero se fingindo de bi só pra atrair os homens. Há pelo menos 1 filme ótimo sobre um transexual: Hedwig - Rock, Amor e Traição (2001) - e claro, não vamos esquecer da infame trilogia de John Waters tão comentada aqui: Pink Flamingos (1972), Problemas Femininos (1974) e Desperate Living (1977). Rocky Horror Picture Show (1975) de certa forma é sobre um travesti, mas como o personagem também é extraterrestre não sei se dá pra considerar (pra um estudo mais "aprofundado" do travestismo, assista Glen ou Glenda? (1953), de Ed Wood, o pior diretor de todos os tempos).

Deixei alguns filmes que eu adoro fora da lista como Cidade dos Sonhos (2001), Um Dia Muito Especial (1977), Os Sonhadores (2003) e Longe do Paraíso (2002), pois apesar de abordarem a temática gay, esse não me pareceu ser o tema central dessas histórias. Vamos lá:

(sem ordem de preferência)


Direito de Amar (2009)
Dirigido pelo estilista Tom Ford, é o mais novo da lista e é um dos filmes mais elegantes que eu já vi. O drama se passa nos anos 60 e mostra a vida de um professor após a morte de seu namorado num acidente.









O Talentoso Ripley (1999)
Thriller brilhante de Anthony Minghella baseado no livro de Patricia Highsmith, que já tinha sido adaptado nos anos 60 em O Sol por Testemunha com Alain Delon. É um dos retratos mais inesquecíveis e sinistros de uma paixão platônica.








Torch Song Trilogy (1988)
Baseado na peça vencedora do Tony, de Harvey Feirstein, que escreveu e estrelou tanto a produção da Broadway quanto o filme (alguns podem lembrar dele como o cara excêntrico e rouco de Independence Day). É um filme singular; um épico sobre a vida amorosa de um artista em Nova York durante os anos 80. Extremamente pessoal e reflexivo.







Querelle (1982) / O Direito do Mais Forte (1975)
Dois do prolífico e intenso cineasta alemão Rainer W. Fassbinder, que era gay assumido e morreu de overdose aos 37 anos de idade, deixando pra trás mais de 30 filmes escritos e dirigidos por ele, alguns considerados obras-primas. Querelle é baseado na obra de Jean Genet e, se desse pra descrever em poucas palavras, imagine um sonho erótico com uma ópera sobre o Village People (!). O Direito do Mais Forte é uma das histórias de amor mais pessimistas e amargas que eu já vi, uma declaração de ódio contra a humanidade, e ainda assim brilhante.




Milk - A Voz da Igualdade (2008)
Esse acho que todo mundo já viu. Um filme gay tradicional, com elenco, roteiro, produção, tudo de primeira. Conta a história real de Harvey Milk, ativista e político que foi assassinado na Califórnia enquanto lutava pelos direitos gays.








Filadélfia (1993)
Esse foi o primeiro filme "mainstream" que eu vi sobre um homossexual. Faz tempo que não assisto mas estou apostando que ele continua tão bom quanto achei na época. Tom Hanks levou o Oscar (se não me engano foi o primeiro pra um ator num personagem assumidamente gay). Acima de tudo, é um ótimo filme de tribunal.







De Repente, No Último Verão (1959) / Gata em Teto de Zinco Quente (1958)
Dois clássicos baseados em peças do premiado dramaturgo americano Tennessee Williams. Dramas de família intensos, ambos estrelados por Elizabeth Taylor, com diálogos violentos, inteligentes, e nos dois casos a temática gay é revelada com sutileza, até por causa da censura da época, mas é a chave de todo o conflito.





Shortbus (2006)
O filme mais sexualmente chocante que já vi numa sala de cinema. Comédia dramática de John Cameron-Mitchell (de Hedwig), extremamente criativo, original, pornográfico e hilário, conta a história de vários personagens em crise emocional que se encontram numa casa underground em Nova York.









C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor (2005)
Filme canadense (falado em francês) sobre um adolescente descobrindo sua sexualidade enquanto cresce numa família conservadora em Quebec nos anos 60/70. Acima de tudo é um retrato de família dos mais sensíveis que já vi, e descreve melhor do que qualquer outro filme o processo psicológico de uma criança que já sabe desde cedo não é exatamente aquilo que a família espera.






 
O Segredo de Brokeback Mountain (2005)
Pra mim continua sendo um marco no cinema e na nossa cultura. O que mais me impressiona é a capacidade do filme de tornar a questão deles serem homens quase irrelevante - o romance é contado em termos essenciais, registrando personalidades na tela - duas almas distintas, de forma tão habilidosa que qualquer adulto assistindo o filme é capaz de se identificar com a história, independentemente de sua orientação. Ennis é um dos personagens mais perturbadores que eu já vi. Alguém tão atormentado por medos, conflitos, traumas, que se torna incapaz de perseguir sua felicidade ou mesmo de saber onde ela está ou mesmo se existe. A dor do final do filme é muito maior que a dor do fim de um relacionamento ou da perda de alguém - é a sensação trágica de não ter vivido a própria vida; de ter traído a própria consciência; desperdiçado o maior valor que já teve, derrotado pelo medo, pela confusão, pela falta de auto-conhecimento, de auto-estima e de estrutura psicológica.




Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)
Meu atual filme brasileiro favorito. Simples, singelo, porém um acerto completo em termos de roteiro, elenco, direção, contando uma história tocante de amor entre 2 garotos, porém de forma universal.








Uma dica excelente também são os curta-metragens do diretor Branden Blinn que podem ser vistos diretamente no site oficial dele (e pelo menos o Treze Minutos ou Perto Disso tem no YouTube legendado).

Algumas outras dicas:

Juventude Transviada (1955)
O Criado (1963)
Morte em Veneza (1971)
Um Dia Muito Especial (1977)
Victor ou Victória? (1982)
O Beijo da Mulher Aranha (1985)
Banquete de Casamento (1993)
Três Formas de Amar (1994)
O Outro Lado de Hollywood (1995)
Será que Ele É? (1997)
Procura-se Amy (1997)
Saindo do Armário (1998)
Meninos Não Choram (1999)
Plata Quemada (2000)
Tempo de Recomeçar (2001)
Hedwig - Rock, Amor e Traição (2001)
E Sua Mãe Também (2001)
Kinsey - Vamos Falar de Sexo (2004)
Mistérios da Carne (2004)
De-Lovely - Vidas e Amores de Cole Porter (2004)
Verdade Nua (2005)
De Repente, Califórnia (2007)
Canções de Amor (2007)
Orações para Bobby (2009)
Amor por Direito (2015)

CONFIRA OUTRAS LISTAS:

Os melhores filmes de terror
Os melhores filmes de comédia
Os melhores filmes românticos
Os melhores filmes de ficção-científica
Os melhores piores filmes
Os melhores filmes de suspense
Os melhores musicais do cinema
Os melhores filmes cult
Os melhores filmes brasileiros
Os melhores filmes de natal
Os melhores filmes gays
Os melhores filmes para a família
100 Grandes Filmes
Os Piores Filmes
Netflix - Os Melhores Filmes

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Água para Elefantes


Baseado no best-seller de Sara Gruen, o filme conta a história de um estudante (Robert Pattinson) que durante a depressão americana dos anos 30 perde os pais num acidente de carro e a casa onde morava. Viajando sem rumo, ele acaba indo parar num circo onde passa a trabalhar como veterinário. Lá, ele se sente imediatamente atraído por Reese Witherspoon, que faz a atração principal do circo, mas que é casada com o dono - Christoph Waltz, de Bastardos Inglórios, que dá outro ótimo vilão aqui, usando aquele sorriso simpático pra camuflar a violência e a frieza nos olhos.

História interessante, conflitos envolventes, produção deslumbrante, boas cenas, ótimo final... Fiquei realmente surpreso com o filme, que a princípio me parecia mais uma dessas versões pioradas de Diário de uma Paixão. O filme tem um aspecto clássico, não só no visual, mas na qualidade da narrativa, dos diálogos, na universalidade dos conflitos. As cenas envolvendo o elefante e a montagem do circo estão entre as melhores desde Dumbo (!). Talvez tivesse sido preciso um diretor mais ousado pra tornar o filme "importante", material pra Oscar, etc (fico imaginando um Benjamin Button) mas numa proporção mais modesta, é um raro bom filme dirigido pro público geral.

Water for Elephants (EUA / 2011 / 120 min / Francis Lawrence)

INDICADO PARA: Quem gostou de Diário de uma Paixão, O Encantador de Cavalos, Titanic, Lendas da Paixão, etc.

NOTA: 7.5

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Como Você Sabe


James L. Brooks (Laços de Ternura, Melhor É Impossível) é um dos meus roteiristas/cineastas favoritos e este filme não é só fraco pros padrões dele - é fraco sob qualquer ponto de vista. Na verdade é uma das histórias de amor mais desinteressantes que eu já vi, pra não dizer pior.

O "como você sabe" do título quer dizer "como você sabe quando ama alguém?" - a história é sobre uma mulher (Reese Witherspoon) que se envolve com 2 caras ao mesmo tempo (Owen Wilson e Paul Rudd), e precisa decidir com qual dos dois vai ficar. Mas não é como em Crepúsculo, onde a menina tem 2 caras altamente desejáveis, ambos loucamente apaixonados por ela. Não... Aqui são todos fracassados, inseguros, pessoas paradas no tempo, que parecem mais estar mendigando do que indo atrás de uma grande paixão. Ninguém de fato ama ninguém - o personagem de Paul Rudd, por exemplo, só precisa de companhia - alguém pra amenizar o seu senso de frustração pessoal.

Ela, por outro lado, não é uma frustrada completa - é apenas alguém sem imaginação que, por nunca ter visto nada melhor na vida, acaba aceitando a mediocridade ao seu redor. É como alguém que sai pra comprar um sapato e, não gostando muito de nenhum, levanta os ombros e leva o melhor que viu pela frente. Nesse filme, a dúvida dela não é entre 2 sapatos ideais, ou quase ideais... É entre um que é mais ou menos bonito porém não serve no pé, e outro que é horroroso, mas que encaixa melhor, embora ainda pegue um pouco dos lados.

Como você sabe? Dica: se você estiver com um sorriso cansado na cara como o da Reese Witherspoon no final desse filme, é porque a resposta é NÃO.

OBS: Não estou desaprovando o filme só porque eu discordo da visão de amor dele, mas porque além de tudo o roteiro é fraco, não há grandes diálogos, cenas, piadas, performances, nem a sensibilidade habitual de Brooks. Nem Jack Nicholson salva.

How Do You Know (EUA / 2010 / 121 min / James L. Brooks)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Cartas para Julieta, Coincidências do Amor, Eu Meu Irmão e Nossa Namorada, Três Vezes Amor, etc.

NOTA: 4.0

terça-feira, 3 de maio de 2011

Thor


Filme de super-herói da Marvel dirigido por Kenneth Branagh?! (Branagh é o aclamado diretor/ator irlandês, que é o mais conhecido intérprete de Shakespeare de sua geração). Uma combinação estranha, mas que sem dúvida resultou num filme bem mais sério e bem acabado do que provavelmente teria sido. No entanto o que mais impressiona no filme (além do corpo de Chris Hemsworth, talvez o mais chocante desde Schwarzenegger) é o design de produção de Bo Welch (Edward Mãos de Tesoura, Beetle Juice, MIB) - a cidade de Asgard é um dos cenários mais fantásticos e grandiosos vistos recentemente - uma coisa espacial/retrô/futurista/fantasiosa que tem um 'q' de A História Sem Fim, Star Wars, mas tudo criado com efeitos de primeira e fotografado com elegância, definição, cores densas (o visual está no nível de um Tron). Mas não é unanimidade - meu colega Rubens Ewald Filho achou as imagens feias, as combinações de cores infelizes e chamou todo o visual de um grande desastre (!).

Enfim. A história no entanto dá uma enfraquecida quando Thor vem para a Terra e começa a conviver com humanos (Rubens acha o contrário, que é na Terra que o filme segura, rs). A adaptação do herói simplesmente não convence - eu ficava me perguntando o tempo todo 'por que ele fala inglês?', 'como ele pode ser cool e charmoso se essas coisas são 100% culturais?', 'como ele tem senso de humor?', 'como ele pode ter interesse romântico se ele é um deus?', 'por que ele está usando maquiagem?!'. Estamos falando de um deus extraterrestre recém chegado ao planeta! Em Superman, por exemplo, essas questões não são um problema. Aqui, tudo soa absurdo, mal explicado demais, e deixa os personagens meio distantes... Natalie Portman faz um papel secundário que nem sei por que aceitou.

De qualquer forma, está acima da média. Recomendo pra quem gosta de fantasia, de viajar pra outros mundos.

Thor (EUA / 2011 / 114 min / Kenneth Branagh)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Tron, Homem de Ferro, Beowulf, Tróia, etc.

NOTA: 7.0