segunda-feira, 28 de julho de 2014

Senso de Vida

[Nota inicial: embora o termo Senso de Vida ("sense of life") tenha sido criado pela Ayn Rand, eu não estou falando aqui em nome dela, estou apenas emprestando o conceito pra explicar minhas noções estéticas pessoais. A maioria das ideias aqui foram tiradas do livro "The Romantic Manifesto", pois de fato eu concordo com ele em quase tudo, mas várias outras coisas foram elaboradas por mim e podem não estar de acordo com as ideias de Rand.]

"Senso de Vida" é soma integrada dos valores fundamentais de um homem. É uma avaliação subconsciente que fazemos do ser humano e da existência, e que estabelece a natureza das nossas reações emocionais e a essência do nosso caráter.

Nosso senso de vida não vem primeiramente de nossas convicções explícitas - é algo formado subconscientemente, baseado em nossas experiências pessoais, e que pode estar ou não em harmonia com nossas opiniões conscientes.

Mesmo sem entender nada a respeito de filosofia, ao longo da vida um homem tem que fazer escolhas, formar uma opinião a respeito dele próprio e do mundo ao seu redor (em particular de sua capacidade de lidar com o mundo). Através de suas conclusões, ele chega a um sentimento generalizado em relação à existência - uma emoção básica que está por baixo de todas as suas experiências.

Embora suas conclusões sejam baseadas em suas experiências particulares, elas acabam se tornando um sentimento generalizado a respeito do universo como um todo.

A importância de entender o que é "senso de vida" é que ele é a principal ferramenta de avaliação das pessoas. É com base em nosso senso de vida que nós escolhemos os nossos amigos, nossos pares românticos, nossas músicas e filmes favoritos - praticamente tudo o que envolve nossas emoções. Nós aprovamos e nos sentimos atraídos pelas coisas que estão em harmonia com nosso senso de vida, e rejeitamos aquelas que não estão.

Na medida em que uma pessoa domina seus processos mentais, o senso de vida pode ser moldado por ela própria ao longo de sua formação, e chegar à vida adulta em harmonia com uma filosofia consciente. Na maior parte dos casos, o senso de vida de uma pessoa é formado por influências aleatórias, imitações, osmose cultural, e frequentemente é cheio de contradições e está em conflito com suas ideias. De qualquer forma, ninguém pode evitar de formar um senso de vida.

A filosofia é dividida em ramificações como: metafísica, epistemologia, ética, política e estética. Nosso senso de vida é formado principalmente pelas conclusões que chegamos (ou aceitamos sem pensar) a respeito de metafísica, epistemologia e ética - que são a base da filosofia e formam nossos valores mais fundamentais.

Vou listar a seguir alguns exemplos de perguntas filosóficas que são essenciais na formação de um senso de vida:

- O universo é um lugar governado por leis naturais, estável, absoluto, ou é um caos incompreensível para o homem?
- Nossa mente é capaz de compreender a realidade, ou a razão é impotente?
- O homem tem livre arbítrio ou suas escolhas são determinadas por outros fatores (cultura, genética, classe social, emoções)?
- O homem é capaz de atingir sucesso, felicidade, ou a vida é feita de dificuldades e frustrações?
- O homem é essencialmente bom, admirável, ou ele é mau e desprezível por natureza?
- As pessoas podem conviver em harmonia, ou seus interesses mais básicos estão em conflito?
- O homem deve buscar seus objetivos, ou ele deve se sacrificar (pelos outros, pela sociedade, etc)?
- O homem deve ter ambição, autoestima, sonhar alto, ou ele não deve se sobressair?
- Sua vida deve ser importante, extraordinária, ou simples e comum?
- É importante lutar pelos seus valores - ou é importante não contrariar ninguém?
- É importante ser independente e realizar algo de valor - ou é importante ganhar dos outros?
- A felicidade é importante  - ou a abnegação é importante?

Respostas diferentes para as perguntas acima resultarão em pessoas com sensos de vida diferentes e irão interferir diretamente em todas as suas escolhas, preferências, em suas reações a outras pessoas e a obras de arte.

É importante lembrar que, entre os extremos, existem posicionamentos intermediários entre todas essas respostas. Por exemplo, uma pessoa pode sentir que: 1) A felicidade é o estado natural do homem e que conflitos são a exceção. 2) Que a vida é feita de grandes conflitos mas que eles são superáveis e que a felicidade pode ser conquistada com esforço. 3) Que conflitos não são superáveis e que a felicidade só pode ser atingida em moderação. 4) Que a vida é trágica e que a felicidade é uma ilusão.

Nosso senso de vida classifica as coisas de acordo com as emoções que elas evocam. No livro "The Romantic Manifesto", Rand cita uma série de exemplos concretos e sugere que emoções esses exemplos provocariam em pessoas com níveis diferentes de auto-estima. Por exemplo: uma nova descoberta, triunfo, um homem heroico, o horizonte de Nova York, cores puras, música extasiante - ou, o pessoal da casa ao lado, uma rotina familiar, um homem humilde, um vilarejo antigo, uma paisagem nebulosa, cores turvas, música folk. Pra uma pessoa com um nível de auto-estima elevado, os exemplos do primeiro grupo devem provocar admiração, exaltação, um senso de desafio. Os exemplos do segundo grupo devem provocar tédio, desinteresse ou repulsa. Pra uma pessoa com um nível mais baixo de auto-estima ou de ambição, as emoções unindo os exemplos do primeiro grupo devem ser de medo, culpa, ressentimento. As emoções unindo os exemplos do segundo grupo devem ser de alívio, conforto, a segurança de estar num universo não muito exigente.

O senso de vida de uma pessoa é algo que percebemos quase instantaneamente quando a conhecemos, pois envolve tudo a respeito dela: cada pensamento, emoção, gesto, sua postura, tom de voz, maneira de sorrir, de se vestir. É uma soma complexa de informações, mas que percebemos muito rapidamente, o que leva as pessoas a acharem que se trata de uma espécie de "energia" misteriosa que as pessoas emitem e que não se pode explicar (de fato é difícil de explicar um senso de vida - é algo que pode ser sentido, mas não compreendido imediatamente, a não ser por uma análise mais cuidadosa).

Numa obra de arte, o senso de vida de um artista se expressa através de seu conteúdo e de seu estilo (O QUE ele decide retratar, e a MANEIRA em que ele o retrata). Esses 2 aspectos - conteúdo e estilo - podem tanto estar em harmonia quanto podem estar em conflito um com o outro, assim como os valores conscientes e subconscientes de uma pessoa podem estar em harmonia ou em conflito.

O CONTEÚDO reflete os valores mais conscientes do artista: Que tipo de mensagem a obra transmite? Que tipo de eventos e pessoas o artista decide retratar? Heróis buscando objetivos nobres? Gente comum sem muitas características admiráveis? Ou pessoas monstruosas? Essas pessoas são retratadas positivamente (sendo eficazes, vitoriosas) ou negativamente (sendo ineficazes, derrotadas)? Um herói retratado positivamente indica um artista com um senso de vida benevolente. Uma figura desprezível retratada negativamente também pode indicar um senso de vida benevolente (é como multiplicação: + vezes + dá um resultado positivo, - vezes - também dá um resultado positivo). Já um herói (+) retratado negativamente (-), ou um monstro (-) retratado positivamente (+), gera um resultado negativo e indica um senso de vida malevolente.

O ESTILO reflete os valores mais subconscientes (e geralmente mais reveladores e verdadeiros) da obra. Por exemplo: o artista comunica suas ideias de maneira clara, precisa, compreensível? Ou de maneira nebulosa, imprecisa, caótica? Se há uma história, ela é dramática, estruturada? Tem uma direção clara, propósito, clímax? Ou ela é monótona, os eventos são aleatórios e não caminham pra nenhuma resolução? O artista cria uma experiência estimulante, prazerosa, tanto pra mente quanto para os sentidos do espectador? Ou ele cria uma experiência desagradável? Escala atores admiráveis e virtuosos, ou coloca figuras comuns na tela? Ele demonstra suas virtudes como realizador, ou se coloca em segundo plano pra não se "exibir"?

Sensos de vida são formados por combinações de inúmeras percepções a respeito da vida, e podem ser extremamente diversificados. Ainda assim, é possível classificar, a grosso modo, sensos de vida entre mais "malevolentes" e mais "benevolentes". Um senso de vida malevolente é dominado pelas respostas negativas às questões filosóficas mais fundamentais (a vida é trágica, o universo é um lugar caótico, nossa mente não está em contato com a realidade, o homem é desprezível e está condenado ao sofrimento, seus interesses estão em conflito, etc), e um senso de vida benevolente é dominado pelas respostas positivas (a vida é boa, o universo é compreensível, o homem é admirável e capaz de atingir seus objetivos, seus interesses não estão em conflito, etc).

Você pode ser um artista com um senso de vida predominantemente benevolente tanto em conteúdo quanto em estilo (pra pegar exemplos do cinema, cito Steven Spielberg), um artista com um senso de vida predominantemente malevolente tanto em conteúdo quanto em estilo (Jean-Luc Godard), ou então uma mistura, como por exemplo Stanley Kubrick, que em seu estilo expressa um senso de vida benevolente (precisão, clareza, propósito, virtuosismo técnico, histórias dramáticas, bem estruturadas, etc) mas que no conteúdo geralmente expressa uma visão negativa da natureza humana.

Qual senso de vida está certo e qual está errado? Eu poderia tentar explicar por que eu acho (e a Ayn Rand achava) que o senso de vida benevolente é o melhor e o que está mais de acordo com a realidade humana. Mas o principal propósito dessa postagem não é o de defender o senso de vida benevolente, e sim o de explicar o conceito e como ele interfere nas nossas preferências.

No entanto, gostaria de listar algumas crenças que costumam andar lado a lado com o senso de vida malevolente e que fazem as pessoas reagirem ao senso de vida benevolente negativamente, como algo irreal ou "superficial" (vou repetir algumas coisas já ditas acima):

- A ideia de que nossos sonhos e nossos maiores valores não podem (pela natureza das coisas) ser conquistados na Terra (o que pode ser um fato se você tiver objetivos e valores morais que vão contra a natureza).
- A ideia de que nossa mente é impotente para lidar com a realidade (o que pode ser um fato se você tiver métodos impróprios de raciocínio ou problemas psicológicos involuntários).
- A ideia de que sentimentos (e não ações) definem nosso caráter (por exemplo: se você sentiu desejo pela esposa do vizinho, isto é o mesmo que traição).
- A ideia de que o auto-interesse é mau; que os interesses dos outros estão acima dos nossos e da nossa felicidade - e que moralmente devemos nos sacrificar ("Como eu posso comprar um carro de luxo enquanto há pessoas passando fome?").
- A ideia de que os interesses das pessoas estão em conflito (que pra uma se sobressair, outra precisa ser inferiorizada, de que pra uma pessoa ficar rica, outra tem que ficar pobre, etc).
- A ideia de que tudo é relativo, de que não existe certo ou errado, bom ou mau, e que tudo é uma questão de opinião.
- A ideia de que a comunicação objetiva entre as pessoas é impossível (inclusive entre o artista e o espectador).
- A ideia de que a morte é uma tragédia (que a vida só faria sentido se existissem outras vidas, Deus, "algo mais", etc).
- A ideia de que a razão leva à tristeza, que quanto mais compreendemos a realidade, mais trágica ela parece. De que a felicidade só é possível através da ignorância.

Rand dizia que senso de vida não é uma ferramenta válida de avaliação estética - que ele apenas estabelece nossa reação emocional à uma obra de arte, mas que isso não é o suficiente pra provar se o trabalho é bom ou ruim. Ela dizia que pra se julgar a qualidade de um trabalho, você teria que usar critérios puramente estéticos. Eu pessoalmente discordo um pouco de Rand nesse ponto, e acredito não ser possível separar totalmente valores estéticos de senso de vida. Concordo que senso de vida não seja infalível e que não seja o suficiente pra se julgar um trabalho, mas não acho que seja possível chegar a critérios estéticos absolutos que não estejam conectados a um senso de vida ou a uma base filosófica (da mesma forma que Rand dizia que ciência vinha depois de filosofia, e não antes, eu acho que estética só pode vir depois de alguns critérios filosóficos básicos serem estabelecidos). Mesmo princípios como "clareza" ou "consistência", que parecem inquestionáveis, na verdade parecem já ser expressão de um senso de vida benevolente do artista, pelo menos no nível de estilo (reflete alguém que acredita que o universo seja inteligível, que a razão seja eficaz, que uma comunicação objetiva entre artista e espectador seja possível, etc).

Na minha visão, seria impossível um artista com um senso de vida extremamente negativo
realizar uma grande obra de arte. Se ele realmente acreditasse que o homem é desprezível (o que incluiria ele próprio e também os espectadores), incapaz de atingir seus valores, que a comunicação fosse uma ilusão, etc, ele não teria nem a motivação e nem a capacidade de realizar uma obra de arte de valor. Portanto, acho que apenas na medida em que um artista possuí valores positivos (mesmo que subconscientes) é que ele consegue realizar algo de valor estético. Se isso for verdade, só poderiam existir obras de arte dentro da área azulada do gráfico ao lado. Nas áreas pretas, estariam casos impossíveis como filmes perfeitos esteticamente, mas com um senso de vida 100% negativo.

Uma observação final: embora senso de vida seja crucial, outros elementos podem contribuir pra atrair uma pessoa a uma obra de arte ou a uma outra. Por exemplo, duas pessoas podem ter sensos de vida idênticos, mas operarem intelectualmente em níveis diferentes - uma pode ter uma capacidade de abstração maior do que a outra, uma inteligência maior do que a outra, e isso atraí-la a obras mais complexas, que estejam mais em harmonia com seu tipo de funcionamento mental.

"Quando você aprende a traduzir o significado de uma obra de arte em termos objetivos, você descobre que nada é tão potente quanto a arte em expor a essência do caráter de um homem.  Um artista revela sua alma nua em seu trabalho - e você também, caro leitor, quando você responde a ela." - Ayn Rand, The Romantic Manifesto

10 comentários:

Tiffany Noélli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiffany Noélli disse...

Olá, Caio! Adorei as fotos que escolheu para seu texto, sei que colocou as pessoas e filmes que admira... Achei que foi o mais interessante que já escreveu aqui na internet. Notei um grande amadurecimento... Sua abordagem foi muito bem discutida e algumas de suas observações, bateu o que penso também. Eu acho que cada um de nós, já nasce com um senso de vida particular, mas no decorrer da vida, ele pode mudar radicalmente.. Exemplo: Van Gogh, em um grande período de sua vida, acreditava piamente em Deus, tanto que suas obras a maioria transmite algo bonito: Estrelas, Campos, Girassol. Mas esse mesmo cara tinha fama de ter vários problemas sociais, mentais, estigma de fracassado. E no final das contas, se suicidou. Agora te pergunto, onde foi parar a fé dele e inspiração? Schopenhauer, John Wilmot, Oscar Wilde, eram pessimistas, sátiros, mas pra mim o que eles pensavam, até hoje é igual. Por que a sociedade é praticamente a mesma coisa... Eu acho que por mais que exista textos, doutrinas e terapeutas nessa vida, nunca vai se chegar ao certo, para o conceito verdadeiro da mente humana. E eu particularmente vivo o meu "Senso de Vida" no hoje, por que o amanhã ninguém sabe.

Caio Amaral disse...

Oi Tiffany, brigado pelos comentários..! Tb acho essa uma das postagens mais importantes do blog - há anos q sinto a necessidade de definir esse termo aqui.
As fotos que escolhi eram pra ilustrar sensos de vida diferentes.. Peguei alguns exemplos de coisas que gosto pessoalmente, mas outros foram mais pra ilustrar mesmo (como Bob Dylan ou o 8 1/2 do Fellini).

As pessoas podem mudar de senso de vida sim.. Não de um dia pro outro, claro.. mas ao longo de meses ou anos, se elas mudarem de valores e de ideias a respeito da vida.. um bom termometro é música.. pq música é uma expressão muito pura de senso de vida.. não é algo tão consciente.. então quando alguém muda seu senso de vida, isso geralmente se reflete numa mudança de gosto musical também. Bjs.

Dood disse...

Olá Caio.

Eu tenho lido muito e procurado conhecer sobre Ayn Rand e suas ideias, aliás foi por vídeos no seu canal do youtube (que me fez conhecer seu blog). Eu venho comentando com um colega meu sobre essa filosofia de Rand e sobre senso de vida. Ele disse que isso era simplesmente experiência. Eu discordei e ele retrucou que era, eu discordo no ponto que experiência seria conhecimento adquirido que difere totalmente da definição de senso de vida. Provavelmente ele não entendeu realmente o que Rand quis dizer. Acredito eu que entendi, eu tenho me identificado demais com as ideias dela e tem me ajudado a superar certos defeitos meus como ser deprimido demais, mas tenho medo de estar fanatizado por isso e também posso estar errado quanto a ideia de senso de vida.

Obrigado pelo seu trabalho de expor as ideias de Rand. Sabe e tão difícil achar material dela.

Abraços.

Caio Amaral disse...

Oi Dood! Não entendi exatamente o que seu amigo quis dizer.. afirmando q senso de vida seria "experiência".. Acho sempre importante, ao discutir ideias da Ayn Rand com outras pessoas, tentar evitar a terminologia dela e dar preferência pra termos que todos entendem.. Então se eu estivesse falando de senso de vida com alguém.. em vez de "senso de vida" de repente eu falaria em termos de "visão de mundo".. e daí partiria pra tentar explicar como nossa visão de mundo é formada, por que pessoas têm visões de mundo diferentes, o quanto disso está sob nosso controle ou não, e como isso interfere nos nossos gostos, escolhas, critérios, emoções, etc..

Esse lance do fanatismo é normal, pq apesar do objetivismo não falar de deus, etc, ele oferece várias das coisas que as pessoas buscam quando se apegam a religiões.. então tem que tomar cuidado mesmo pra não virar um culto.. eu tenho mais "quilometragem" de objetivismo que vc acho, então depois posso tentar te dar uns toques em relação a isso se precisar.. Valeu, abraço! :)

Dood disse...

Realmente, visão de mundo seria mais adequado. Até porque esse conhecido vem de uma realidade diferente da minha: vive em uma comunidade (favela) tem que lidar com o descaso da segurança no local, o poder que a criminalidade exerce e convive com tiros, já eu vivo meio que fora de um meio tão duro de se viver. Pra você ter uma ideia nunca na minha vida fui assaltado, tive minha casa roubada quando eu e minha família estávamos indo para a missa de sétimo dia da minha avó em novembro de 2000.

Agora falando desse colega ele tem gostos culturais um pouco diferentes do que se vê de pessoas desse meio: curte quadrinhos, acredito que conhece mais do que eu, gosta de super heróis etc... Só que temos disparidade de ideias em muitos pontos e que eu diria em que nenhum lado quer dar o braço a torcer mas sem criar um mal estar entre nós.

Por ele ser negro ele tem aquele resquício de em determinados momentos afirmar que sofre preconceito, que a sociedade é preconceituosa. Discutimos diversas vezes sobre isso, eu até brinco e falo que não acho isso tudo e muita coisa vem do Universo Malevolente criado por ele (aí outra vez citando Rand). Uma vez ele me contou sobre a dificuldade de se achar heróis negros na cultura pop na época de criança e que os que existem não seriam épicos como os brancos e tal. Eu respondi que também nunca achei um herói que me representasse fidedignamente, que eu me apegava pelo seu estilo e conjunto de ideias. Apesar de ouvir de algumas pessoas que me comparam com o Clark Kent, a identidade do Superman nunca fui lá muito fã dele.

Outrora quando discutamos intervenção estatal e livre mercado, ele acha ambos ruins só que ele não vê solução pra isso (ou não se interessa). Até falei pra ele conhecer mais sobre Rand e o que ela fala sobre livre mercado (exemplifiquei até com um vídeo no Youtube), mas vejo que nem mudou muito o que ele pensa.

Eu tenho medo de ser chato com esse posicionamento meu, mas é aquilo que se tornou compatível comigo atualmente, ainda mais agora que estou seguindo em frente depois da perda de minha mãe. Conhecer Rand, suas ideias tem sido uma experiência transformadora para mim, quase religiosa mesmo. Tenho medo de me fanatizar, mas quero conhecer mais já peregrinei em livrarias em busca de material impresso (a maioria é em inglês, sorte eu saber o idioma). E eu acho o trabalho daqui fantástico em colocar em português esses conceitos, já que o material dela quase não existe em nosso idioma.

Anônimo disse...

Tem uma frase da própria Ayn Rand que eu considero aplicável na maioria dos casos: "pessoas incapazes de usar a razão. Não discuta, deixe-os sozinhos".

Caio Amaral disse...

Acho legal trocar ideias com pessoas que pensam diferente.. desde que elas conversem de maneira minimamente honesta, racional.. Com isso a gente passa a conhecer melhor nossas próprias ideias, fortalecemos nossos argumentos, entendemos as objeções comuns a eles, etc. É ruim vc ficar isolado num vácuo com suas convicções, com medo de qualquer coisa externa que possa colocá-las em jogo.. Mas também não fique tentando convencer os outros quando você não vê potencial na pessoa.. são raros os que mudam de filosofia por causa de dados e explicações lógicas.. abs!!

William Robson Teodoro disse...

"Senso de Vida" é soma integrada dos valores fundamentais de um homem.
É uma avaliação subconsciente que fazemos do ser humano e da existência, e que estabelece a natureza das nossas reações emocionais e a essência do nosso caráter.
Nosso senso de vida não vem primeiramente de nossas convicções explícitas - é algo formado subconscientemente, baseado em nossas experiências pessoais, e que pode estar ou não em harmonia com nossas opiniões conscientes."
============
Comecei a escrever porque cansei dessa filosofia tão subjetiva.
É muita escrita para pouco conteúdo prático.
Esse trecho longo que selecionei quer dizer objetivamente o que?

NADA!

Quais são os valores fundamentais de um homem?
Como fazemos uma avaliação subconsciente disso?

Eu li muitos clássicos mas ... nem sei como dizer isso ... é melhor ilustrar.

Quando alguém vai pescar, por vezes fica horas só na expectativa que algo aconteça, um peixe morda a isca.

Quando você vai na balada fica horas na expectativa que aquela garota especial apareça e aceite ficar com você ... por vezes não consegue nada.

Um jogo de futebol dura 90 minutos você vai na a expectativa que aconteça um gol de preferência do seu time, mas nada é garantido.

Agora posso expor meu pensamento.

Eu li muitos clássicos mas na maior parte do tempo era um tédio, uma encheção de linguiça. (sem generalizações)
Era um trabalho de GARIMPAGEM.
O tédio era recompensado quando eu encontrava o ouro.
Aquele trecho que objetivamente dizia alguma coisa.
Veja bem, não se trata de eu concordar ou discordar, mas encontrar algo que eu possa argumentar.

Exemplo, nesse texto que li, garimpei apenas uma exposição objetiva.

“SENSO DE VIDA BENEVOLENTE É O MELHOR E O QUE ESTÁ MAIS DE ACORDO COM A REALIDADE HUMANA.
Mas o principal propósito dessa postagem não é o de defender o senso de vida benevolente, e sim o de explicar o conceito e como ele interfere nas nossas preferências.”

Sobre isso já escrevi textos bem mais objetivos:

https://terapiadalogica.blogspot.com.br/2013/05/realista-esperancoso.html
______________________

Caio Amaral disse...

Resumindo, você não consegue absorver conceitos e princípios abstratos... prefere exemplos concretos simplistas e textos teóricos que usam expressões como "caraca" no meio.. Eu discordo. Escreva do seu jeito (que eu acho caótico e superficial) que eu escrevo do meu.