O tablet como ameaça aos brinquedos tradicionais é um ótimo gancho, e eu estava achando o filme impecável nesse primeiro momento, quando o conflito central é estabelecido. Mas depois que Jessie é separada de Bonnie e vai parar na fazenda de sua dona original (a de Toy Story 2), a história se afasta do assunto que nos prendeu inicialmente e começa a criar uma série de contratempos aleatórios para atrapalhar os planos dos personagens e encher linguiça: um personagem se perde do resto do grupo por algum motivo desnecessário, daí inicia-se uma missão de resgate; depois, outro personagem vai parar no lugar errado, e os bonecos passam o filme todo correndo de um canto para outro, enquanto o coração da história — a relação de Jessie com sua dona — fica em segundo plano.
As próprias reflexões sobre tecnologia são mais breves e superficiais do que se poderia esperar. No fim, vira uma história sobre Jessie (que não é das personagens mais gostáveis) ajudando Bonnie a se entrosar socialmente sem sacrificar sua integridade no processo — algo que Divertida Mente 2 fez bem melhor, pois a ansiedade social era o tema central daquele filme.
Os temas de abandono e fim da infância também já foram explorados à exaustão em outros filmes da franquia Toy Story. Assim, ao aproveitar mal a discussão sobre tecnologia, essa sequência acabou ficando sem uma identidade forte, sem um enredo envolvente ou uma mensagem profunda que a fizesse parecer distinta e necessária. A sofisticação típica das produções da Pixar ainda está lá e torna o filme melhor do que a maioria das animações lançadas no ano, mas as peças da história simplesmente não se encaixaram tão bem.
"Toy Story 5" prova que uma franquia veterana ainda pode demonstrar muito fôlego diante dos dilemas do mundo real, tratando-os de forma leve, descontraída e extremamente convidativa para todas as idades.
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