quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Milk - A Voz da Igualdade


Gus Van Sant é um dos diretores mais esquizofrênicos em atividade. Começou a carreira com filmes cults sobre jovens rebeldes ("Drugstore Cowboy", "Garotos de Programa"), chegou à consagração com "Gênio Indomável", depois começou a pirar. Primeiro veio o infame remake colorido de "Psicose". Depois parece que ele se apaixonou pelo plano-sequência (longas cenas filmadas de uma vez só, sem cortes) e fez vários filmes sobre jovens alienados ("Gerry", "Elefante", "Last Days", "Paranoid Park"), todos muito chatos, silenciosos e sem muito conteúdo, quase exercícios fotográficos (o diretor favorito dele é o Kubrick - ele inclusive filmou alguns de seus filmes no formato 1.37 : 1, vulgo "fullscreen", assim como Stanley, mas as semelhanças param por aí).

Agora ele reaparece com um filme narrativo completamente mainstream (considerando o tema), dirigido da maneira mais direta e tradicional possível, sem nenhum vestígio de sua loucura! O que será que isso significa?! Será que ele percebeu que estava viajando demais e resolveu fazer as pazes com o público? Será que ele só estava precisando de dinheiro, e daqui a pouco ele vem com uma sequência em 3D de "Cidadão Kane"? Não sei, acho que nem ele sabe. Mas o filme é realmente bom, com um elenco brilhante, um dos melhores "ensembles" do ano. É a boa e velha história do homem contra o sistema, mas com o frescor de ser o primeiro filme importante sobre o movimento dos direitos gays.

Infelizmente, o filme ganhou um novo sentido depois que a "Proposition 8" foi passada na Califórnia no final do ano passado (a lei que voltou a proibir o casamento gay). É como se as conquistas de Harvey Milk tivessem se tornado um pouco menos relevantes de uma hora pra outra. É irônico que um filme que fala justamente sobre o poder da persuasão tenha perdido essa oportunidade tão óbvia - muitos acreditam que se o filme tivesse saído apenas alguns meses antes nos EUA, a lei não teria sido aprovada. É possível... Agora só podemos torcer pra situação sensibilizar os votantes da Academia e favorecer o filme no Oscar - o que valeria também como pedido de desculpas a "Brokeback Mountain", rs.

Indicado a 8 Oscars: Melhor Filme, Diretor, Ator (Sean Penn), Ator Coadjuvante (Josh Brolin), Roteiro Original, Trilha Sonora, Edição, Figurino.

Milk (EUA, 2008, Gus Van Sant)

INDICADO PARA: Quem gostou de "Erin Brockovich", "Fahrenheit 11/9", "A Mulher Faz o Homem", etc.

NOTA: 8.5

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sim Senhor


Eu ODEIO esse tipo de filme que se apresenta como comédia, mas que no fundo é um melodraminha tímido vendendo idéias convencionais. O filme conta a história de um homem que atende a uma palestra de auto-ajuda e depois passa a dizer "sim" a todas as propostas que recebe. Antes de ver o filme, eu imaginava que haveria uma razão muito importante pra ele só poder dizer "sim". Algo como em "O Mentiroso", onde Jim Carrey perde a habilidade de mentir por causa de um desejo de aniversário de seu filho. É uma fantasia, mas é uma idéia clara e absoluta. Aqui, ele simplesmente sai alterado da palestra e começa a dizer sim pras coisas mais absurdas (como dar todo o seu dinheiro a um mendigo, só porque ele pediu!). O personagem pode sair dessa situação a qualquer momento, simplesmente não tem graça! E as situações pelas quais ele passa são tão bobinhas, sem ousadias (exceto uma envolvendo a Fionnula Flanagan, mas que também não é original). Enfim, simplesmente não consigo rir de um filme cuja mensagem é "embora você deva estar mais aberto às oportunidades, dizer sim à tudo pode te criar problemas". Profundo...

Yes Man (EUA, 2008, Peyton Reed)

INDICADO PARA: Quem riu muito em "A Volta do Todo Poderoso", "Click".

NOTA: 4.0

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Foi Apenas um Sonho


Quarto filme de Sam Mendes ("Beleza Americana", "Estrada para Perdição" e "Soldado Anônimo"), estrelando sua esposa Kate Winslet e Leonardo DiCaprio. Como todo filme de Mendes, o filme é um primor em todos os sentidos, e diferente do que falei sobre "Benjamin Button", suas várias qualidades individuais (como edição, trilha sonora) trabalham junto com a história e engrandecem a experiência como um todo. Talvez o maior mérito do filme seja as performances. Leonardo DiCaprio pela primeira vez me conquistou como ator, e Kate Winslet está monumental - eu chorava só de vê-la na tela. Uma grande atriz (e isso vale pra cantores, bailarinos, escritores, modelos...) deixa a gente tão seguro em relação a sua performance que, mesmo que ela se arrisque, vá até seus limites, a gente não fica com medo dela se sair mal. Mesmo que ela tropece ou engasgue, ela ainda está dentro do papel. Atrizes mais limitadas (como Angelina Jolie em "A Troca") deixam a gente desconfortável, consciente da interpretação.

Algumas pessoas que leram o livro criticaram o filme, dizendo que o material não funciona tão bem pro cinema, e que algumas coisas foram deixadas de fora. Eu achei tudo muito coeso e envolvente. Se senti falta de alguma coisa, foi talvez de uma análise um pouco mais abrangente da situação. Será que a sociedade era de fato a vilã? Será que simplesmente eles não eram feitos um pro outro, e num outro casamento a April estaria mais disposta a aceitar uma vida normal? Duvidinhas assim que me impediram de sair do filme dizendo "Esta é a mais brilhante análise de um casamento que eu já vi". Mas acho que isso não compromete, pois essas questões também fazem parte da complexidade das relações, que é justamente o tema do filme. Uma história mais mastigada e fácil de digerir provavelmente teria sido menos memorável.

Indicado a 3 Oscars: Melhor Ator Coadjuvante (Michael Shannon), Figurino, Direção de Arte.

Revolutionary Road (EUA/RU, 2008, Sam Mendes)

INDICADO PARA: Público adulto, fãs de dramas sensíveis. Quem gostou de "Pecados Íntimos", "Longe do Paraíso", "Gata em Teto de Zinco Quente", "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", etc.

NOTA: 8.5

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button


Não se vê muitos filmes assim em um ano... Filmes com um rigor técnico tão elevado e um capricho tão grande em todos os "quesitos" cinematográficos. E são quesitos mesmo, como na Sapucaí. Tem filme que se comporta um pouco como escola de samba e este é um deles - quer ter nota 10 em todas as categorias (acho isso muito estimulante no geral). Só que em vez de "alegoria", "samba-enredo" e "comissão de frente", as categorias são direção de arte, trilha-sonora e atriz, por exemplo. E em vez da praça da apoteóse, os filmes caminham em direção ao Kodak Theater em Los Angeles. "Benjamin Button" teve 13 indicações ao Oscar - poderia facilmente ter chegado às 14 (que é o recorde de "A Malvada" e "Titanic"), mas surpreendentemente a Cate Blanchett não foi indicada.

Será que é pra tanto? Acho que não. Realmente ele merece a maioria das indicações, mas o fato dele ter várias qualidades individuais não significa que o conjunto seja excepcional. É um bom filme certamente e é bastante original, considerando que quase ninguém viu o "Youth Without Youth" do Coppola (sobre um idoso que é atingido por um raio e começa a rejuvenecer). Mas há algo sobre a natureza dessa história que impede a gente de se envolver completamente. O personagem de Brad Pitt é uma tela em branco; não tem muita personalidade, caráter, conflitos, nada que crie muita empatia. O da Cate Blanchett é mais humano, mas a história se passa ao longo de tantas décadas que a gente eventualmente a perde de vista. O filme tem mais força no meio, quando os dois chegam a uma idade compatível e há a possibilidade de um romance. Na porção inicial e na final, acaba sendo mais um ensaio sobre pedofilia e deformações genéticas - tudo filmado com muita destreza e elegância.

Me lembra um pouco a situação do filme "A Pele" com a Nicole Kidman, sobre um caso amoroso entre a fotógrafa Diane Arbus e uma aberração de circo - um homem que tem o corpo inteiro coberto de pelos. Por mais que o narrador enfeite, certas histórias simplesmente não funcionam tão bem. Tenho a impressão de que o que faz esse filme funcionar, o que mantém o espectador sentado na cadeira atento por 166 minutos, não tem nada a ver com o assunto ou as reflexões sobre a vida que o filme promove. Mas sim o fato de todo mundo querer saber o quão sexy o Brad Pitt vai ficar no final do filme. E se fosse outro ator? Você teria a mesma disposição pra ver um velhinho rejuvenecer até finalmente se transformar no Paul Giamatti? Eu não. Não com este roteiro.

Indicado a 13 Oscars: Melhor Filme, Diretor, Ator (Brad Pitt), Atriz Coadjuvante (Taraji P. Henson), Roteiro Adaptado, Efeitos Especiais, Som, Trilha Sonora, Maquiagem, Edição, Figurino, Direção de Arte, Fotografia.

The Curious Case of Benjamin Button (EUA, 2008, David Fincher)

INDICADO PARA: Público adulto em geral.

NOTA: 7.5

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Se Eu Fosse Você 2


Não sou elitista no cinema. Posso gostar perfeitamente de uma comédia tosca do Adam Sandler ou dos irmãos Wayans. Gostei inclusive de "A Dona da História", também do Daniel Filho. Mas "Se Eu Fosse Você 2" atinge níveis tão baixos de sofisticação e elegância que você começa a sentir vergonha de ser brasileiro. É tudo de quinta. A fotografia é pior que de novela das 6. Uma luz branca horrível, estourada... Movimentos de câmera frouxos... E o que é esse poster? Há também vários problemas de sincronismo de áudio - diretor de TV esquece que no cinema, mesmo num plano bem aberto, a gente ainda consegue ver os lábios dos atores! Esses se humilham diversas vezes ao longo do filme. Glória Pires é a que segura melhor. Tony Ramos nos castiga com vários daqueles momentos constrangedores que só o Nicolas Cage poderia repetir (por algum motivo quando ele vira mulher ele adquire trejeitos que a Glória Pires nunca teve... dá a impressão que no fundo ele trocou de corpo com o Leão Lobo). E o pior é que o humor é baixo e só funciona de vez em quando. A platéia só dava mais risada quando o filme apelava pras piadas de banheiro (Cássio Gabus Mendes arruina toda a sua carreira em uma única cena de flatulência). Nem o conceito da troca de corpo é bem elaborado. Se pelo menos as piadas fossem mais ousadas... Eu certamente teria incluído uma cena onde o Chico Anysio entra no banheiro e pega a Glória Pires com uma Playboy! Enfim, a sinopse é engraçadinha, mas o filme tem a equivalência cultural de um comercial das Casas Bahia. 90 minutos de varejão!

Se Eu Fosse Você 2 (BRA, 2008, Daniel Filho)

INDICADO PARA: Fãs de "Malhação", etc.

NOTA: 3.0

Gomorra


Uma espécie de "Cidade de Deus" sobre a máfia italiana. Câmera na mão, cenas violentas, adolescentes com metralhadoras, etc. O filme venceu o Grande Prêmio do Festival de Cannes e foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

Sabe aquelas pessoas que conversam com você por horas sobre gente que você não conhece e sobre assuntos que não são do seu interesse? E você vai ouvindo porque acha que é importante e porque a pessoa fala com convicção? Esse filme é exatamente isso. Uma sequência pouco envolvente de cenas que não se somam e não constroem um significado maior. Fiquei realmente surpreso com a pobreza geral do filme. Não há enredo, só fragmentos de uma trama. Não há personagens, apenas pessoas fazendo coisas. E também não há nada de ousado em termos de estilo ou violência. Nada que justifique a atenção dada ao filme. "Tropa de Elite" é infinitamente mais elaborado, e nem desse eu gostei tanto!

Acho que a massa engole esse tipo de filme sem parar pra refletir. Julgam o filme pela atitude geral da obra e não por suas qualidades. Elas pensam: é uma crítica social, é violento, é verídico, é moderno... deve ser bom! Mas aposto que se instalássemos na poltrona do cinema um aparelho que monitorasse os batimentos cardíacos e a atividade cerebral do espectador, a gente poderia provar que mesmo os que dizem terem gostado do filme teriam tido uma experiência tediosa.

Gomorra (ITA, 2008, Matteo Garrone)

INDICADO PARA: Pessoas com interesse específico na Camorra.

NOTA: 3.0

sábado, 10 de janeiro de 2009

A Troca


O primeiro dos 2 filmes que Clint Eastwood dirigiu em 2008 (o outro é "Gran Torino", que me anima mais), é a história real de uma funcionária da companhia telefônica que nos anos 20 teve seu filho sequestrado, num caso que expôs o sistema corrupto do Departamento de Polícia de Los Angeles.

Olhando além do tema e da história específica, "A Troca" é antes de tudo um filme de atriz. Assim como "Monster - Desejo Assassino" foi para Charlize Theron e "Meninos Não Choram" foi para Hilary Swank, "A Troca" é um veículo para Angelina Jolie ganhar outro Oscar (ela já ganhou um de coadjuvante por "Garota, Interrompida" em 2000). E apesar do filme ter muitas falhas, o que mais compromete é o fato dela estar mal no papel. Em parte por ser limitada como atriz, em parte por ter sido uma má decisão de casting. Jolie tem uma aparência tão extraordinária que isso a impede de se passar por uma mulher comum. Nunca, em lugar algum, essa mulher seria apenas mais uma. Toda vez que ela está na tela a atenção do espectador, que deveria estar voltada pra história, acaba sendo sugada por seus lábios gigantes. E nenhuma mulher com aquele rosto seria tão humildezinha. Não dá pra acreditar no personagem, é sempre a Angelina Jolie fingindo. O filme ainda comete o erro de enfatizar sua beleza com maquiagem e figurino. E em vez de ver o filme, o espectador fica se perguntando: se ela teve tempo pra passar batom e combinar as roupas tão bem, ela não pode estar sofrendo tanto! (Como exemplos de ótimas mães desesperadas, assista "Um Grito no Escuro" ou "A Escolha de Sofia" com a Meryl Streep, ou mesmo "Dançando no Escuro"com a Bjork) .

O filme também sofre de um excesso de sub-tramas e a gente sai com a sensação de que foram enfiadas 3 histórias num filme só. Vou dar nota 6. Mas não é o 6 que daria pra um filme como "Zohan" por exemplo, que significa: até que para um filme trash eu me diverti bastante. É um 6 que diz: pra um filme de primeira linha, até que esse tem defeitos demais.

Changeling (EUA, 2008, Clint Eastwood)

INDICADO PARA: Quem gostou de "Terra Fria", etc.

NOTA: 6.0

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Bolt - Supercão


Animação decente da Disney que é mais um bom apoio pra chegada da nova tecnologia 3D. O filme conta a história do cachorro Bolt, astro de uma série de TV, que foge do estúdio e só então descobre que não é um supercão de verdade. O filme segue o formato road-movie, onde Bolt cruza a américa de volta para casa, acompanhado por uma gata de rua e um hamster numa bolha de plástico. O filme é inteligente, bem humorado e com personagens gostáveis (não é um "Toy Story", mas é um bom antídoto pra quem se irritou com "Madagascar 2").

O conceito lembra "Encantada", também da Disney, e reflete o cinema atual. "Encantada" não era um conto de fadas, assim como "Bolt" não é um filme de super-herói. Nos dois casos, os personagens têm que lidar com o fato de viverem num mundo real, com todos os seus problemas e limitações. Hoje em dia as pessoas parecem estar cínicas demais pra engolir fantasia pura, então temos essa dose forte de realidade injetada nos filmes do gênero. O resultado pode não ser espetacular, mas se você tiver que escolher 1 filme de cachorro pra ver no cinema este mês, não pense duas vezes.

Bolt (EUA, 2008, Byron Howard / Chris Williams)

INDICADO PARA: Quem gostou de "A Era do Gelo", "Encantada", "Toy Story", etc.

NOTA: 7.0

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Madagascar 2 - A Grande Escapada *


Queria saber quem inventou que é engraçado ser alguém metido e ao mesmo tempo patético. Essa combinação de características na minha mente resulta num personagem detestável, e no entanto 90% dos personagens de todas essas animações 3D caem nessa categoria ("WALL-E" foi exceção). "Madagascar" é cheio dessas zebras e lêmures que falam rápido, se acham o máximo e ao mesmo tempo são imbecis! Que graça isso tem?

Enfim, não gostei do primeiro, não gostei do segundo. Quando vejo esses filmes imagino sempre um executivo burocrático e ignorante por trás, com as mais baixas noções do que é humor, do que é drama, do que é diversão. Ele se preocupa com a técnica da animação, faz uma pesquisa pra saber o que os jovens estão ouvindo, enfia centenas de referências culturais pra divertir os adultos mesmo que elas não tenham nada a ver com o filme (eles usam por exemplo a trilha do western "Três Homens em Conflito" numa cena de kung-fu!), contrata 50 celebridades pra fazer as dublagens, e aguarda o fim de semana de estréia pra saber se vai faturar o bastante pra começar a próxima sequência.

Madagascar: Escape 2 Africa (EUA, 2008, Eric Darnell / Tom McGrath)

INDICADO PARA: Quem gostou do primeiro. Esse é um pouquinho menos constrangedor até.

NOTA: 4.0

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Rede de Mentiras


Há algo de genérico em todos esses thrillers políticos que vieram com a guerra do Iraque... "Syriana", "O Suspeito", "O Reino"... Não consigo distinguir muito bem um do outro. Sei que "O Suspeito" por exemplo era com o Jake Gyllenhaal e lembro um pouco da fotografia... Mas é uma memória que pode estar vindo do trailer, dos posters ou de coisas que vi antes na internet. Não da experiência de assistir ao filme em si. Como viagens antigas que depois de um tempo a gente acha que lembra, mas na realidade só lembra das fotos.

"Rede de Mentiras" está um pouco acima da média, pois Ridley Scott é um ótimo técnico e sabe fazer imagens bonitas. Mas só. Não há nada de tão memorável na história, e os personagens são absolutamente desinteressantes. Russell Crowe está patético; sua técnica de atuação é a seguinte: franzir a testa e falar com a cabeça baixa olhando por cima da armação do óculos. Ele faz isso o filme todo. Leonardo DiCaprio é um mistério pra mim. Sempre achei ele profissional, mas nunca me cativou como ator. Não vejo profundidade, força, carisma... Apenas dedicação. Ele deve ser uma pessoa extremamente interessante fora das telas, porque muitos diretores realmente acreditam que ele é uma espécie de Robert De Niro jovem. O único que se destaca mesmo é Mark Strong, que já fez milhões de filmes e só agora começou a ser reconhecido. O resto do filme é um grande déjà vu de explosões, perseguições, gente gritando no celular e a obrigatória cena de tortura. Um filme técnico e impessoal.

Body of Lies (EUA, 2008, Ridley Scott)

INDICADO PARA: Quem gostou dos filmes citados.

NOTA: 4.5