segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quero Matar Meu Chefe


Parece um subproduto de Se Beber, Não Case (no sentido de que são 3 homens adultos irresponsáveis se metendo em confusões). A proposta é parecida mas a história é totalmente distinta: aqui são 3 amigos, cada um num emprego diferente, que são explorados por seus chefes até que decidem armar um plano para matá-los (a sinopse remete a Como Eliminar Seu Chefe com Dolly Parton e Jane Fonda).

O ponto fraco do filme é que essa história não é muito convincente. A premissa é um pouco forçada; por mais injustos que sejam os chefes, por mais ingênuos que sejam os protagonistas, o plano de assassiná-los de fato não soa nem um pouco provável. Não acreditei que aquelas pessoas, naquela situação, iriam fazer aquelas coisas. A trama se torna meio falsa e desinteressante (se fossem os Três Patetas, personagens realmente insanos e caricatos, a situação estaria explicada, mas não se trata desse tipo de comédia).

Mas aos poucos o filme vai melhorando, o humor funciona sem grosserias (sem grosserias visuais, pois há muitos palavrões e a boca mais suja é a da Jennifer Aniston), os personagens são divertidos e há várias participações especiais, como Colin Farrell, Donald Sutherland e Jamie Foxx. É menos original e extremo que Se Beber, Não Case, mas confesso que achei mais agradável.

Horrible Bosses (EUA / 2011 / 98 min / Seth Gordon)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Se Beber, Não Case, Superbad - É Hoje, etc.

NOTA: 6.5

sábado, 6 de agosto de 2011

Os Smurfs


A campanha de marketing desse filme foi tão exaustiva ("Dia do Smurf" não sei onde, uma cidadezinha inteira pintada de azul na Europa, chapeuzinhos especiais nos funcionários do McDonald's...) que começou a gerar certa desconfiança: se o filme fosse de fato um bom entretenimento, teria sido necessário implorar tanto pras pessoas irem assistir?

O diretor Raja Gosnell tem a pior filmografia entre todos os diretores que eu conheço: Esqueceram de Mim 3, Nunca Fui Beijada, Scooby-Doo (1 e 2), Vovó... Zona, Beverly Hills Chiuaua, entre outros. Como é possível, nessa era de YouTube e de talentos incríveis aparecendo no mundo todo, alguém como Raja Gosnell ainda ser contratado pra dirigir uma produção de 100 milhões de dólares? Dos 100 milhões, acho que só uns 10 sobraram pra fazer o filme, considerando a campanha de marketing - os Smurfs são efeitos pobres e sem vida e a produção é de segunda linha, lembrando programas infantis da TV brasileira dos anos 80.

A história é nula - os Smurfs vivem uma vida sem graça numa espécie de vilarejo semi comunista quando, perseguidos pelo vilão Gargamel, vão parar acidentalmente em Manhattan (como isso acontece está além do meu poder de compreensão). Lá eles invadem o apartamento de um publicitário e sua esposa e atrapalham a vida dos dois. Boa parte da trama são os Smurfs fugindo de Gargamel e tentando conseguir um telescópio, que por algum motivo os ajudará a voltar pro vilarejo semi comunista. E há uma trama paralela, onde os Smurfs quase fazem o publicitário perder o emprego (o desfecho dessa história levanta sérias questões quanto ao caráter do homem).

Já sabia que o filme seria ruim então fui ver dublado e 2D mesmo, às vezes prefiro ver um filme horrível do que um filme fraco apenas. 

The Smurfs (EUA / 2011 / 103 min / Raja Gosnell)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Os Pinguins do Papai, Alvin e os Esquilos, etc.

NOTA: 3.5

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Melancolia

O filme é dividido em duas partes - "Justine" e "Claire" - e se passa numa mansão no campo onde 2 irmãs (que nomeiam os capítulos) reagem de maneira diferente à notícia de que um enorme planeta chamado Melancolia está cruzando o sistema solar e poderá se chocar contra a Terra. A proposta do filme é clara: reproduzir, através de símbolos e metáforas, o sentimento de depressão - a sensação de que a vida não faz sentido e de que tudo não passa de uma espera vazia pela morte (dá pra imaginar sinopse mais comercial?? Rss).

Lars von Trier é um dos meus cineastas favoritos em atividade - sempre original, filosófico, extremo; o pessimismo dele não me incomoda, pois em parte é uma farsa. A integridade artística, a ambição dos temas, o interesse em discutir valores, o desejo de chocar, de surpreender constantemente, de ser pioneiro, de transformar o sofrimento num verdadeiro espetáculo - nada disso é o produto de um artista realmente deprimido; nada feito com tanta energia assim poderia ser. É desse conflito que nascem os filmes de Trier (podemos dizer que ele tem tanto Justine quanto Claire dentro de si, e algumas coisas mais). O resultado é um retrato romantizado e estimulante da melancolia que só ele poderia ter feito.

Gostei do filme, embora não seja tão "divertido" quanto Anticristo, Dançando no Escuro, etc - até porque o estado de melancolia que o filme pretende retratar pede um filme com menos dinâmica: ele tem menos ritmo, não há conflitos tão extremos, reviravoltas, cenas chocantes, que são algumas das marcas do diretor. Ainda assim, é uma representação completamente original do apocalipse (tem elementos de Festa de Família de Vinterberg e influência de Tarkovsky), cheia de imagens inesquecíveis, boas performances (é o que mais gostei de Kirsten Dunst) e há psicologia e mistério o bastante pra manter o interesse e render uma boa discussão depois do filme.

Pra quem já viu, algumas coisas que fiquei me perguntando (SPOILERS!!!):

- Justine tem capacidades extra-sensoriais? Veja como ela percebe a nova estrela no céu antes de todos, como adivinha o número exato de grãos no pote, além da cena sugestiva dos raios saindo de seus dedos.

- Será que Justine sempre foi depressiva, ou será que no momento em que ela nota a estrela vermelha no céu, logo no começo do filme, ela já antecipa o que irá acontecer e começa a perder a vontade de viver?

- Quem está melancólico não consegue "atravessar a ponte"? Justine já não consegue atravessar desde o começo quando ninguém ainda sabe do planeta (mas talvez ela já). Claire consegue, mas não no final, quando a morte vira uma realidade concreta e o Melancolia está próximo demais pra ser ignorado.

E a intriga:

- O filme faz questão de pontuar que num campo de golfe só há 18 buracos; então porque vemos um 19º buraco no começo e no fim do filme?

Melancholia (DIN, SUE, FRA, ALE / 2011 / 136 min / Lars von Trier)

NOTA: 7.5

sábado, 30 de julho de 2011

Capitão América: O Primeiro Vingador


Teria sido o fim da civilização se um filme com o nome de Capitão América tivesse aderido à tendencia atual de transformar os heróis em losers, depressivos, cínicos, etc. Mas felizmente este filme é uma rara exceção e serve como uma boa resposta a todas as discussões recentes aqui no blog envolvendo essa questão dos heróis.

Um dos argumentos contra a minha teoria do herói envergonhado era que um personagem precisava ter falhas, pois ninguém da plateia se identificaria com um ser perfeito. Concordo em partes. Veja o Capitão América - ele não está livre de falhas. No começo, ele mostra várias, só que não são exatamente "falhas" e sim desvantagens. Desvantagens físicas, que estão além do controle do personagem. Não são falhas de caráter. Ele era magrelo, baixinho, doente - mas não era desonesto, não era injusto, não era hipócrita. Nesse contexto, até gosto quando o herói tem "falhas".

Eventualmente ele ganha um corpo digno de um herói, que vem literalmente como uma recompensa pelo seu caráter (e é isso que faz dele um herói). Suas qualidades são reveladas pouco a pouco, através de ações, em cenas específicas, ao contrário de filmes que tentam pular essa parte e jogam tudo na imaginação da plateia; basta lembrar da cena do mastro da bandeira, da cena da granada, da resposta que ele dá quando lhe perguntam se quer "matar nazistas", etc. O nível médio de inteligência aqui está alguns pontos acima do blockbuster habitual de verão.

Chris Evans foi uma ótima escolha pro papel; aliás, um dos melhores efeitos especiais que eu já vi foi na primeira parte deste filme, quando Evans aparece numa versão "subnutrida" de si próprio, algo que teria sido impossível de fazer alguns anos atrás. Uma união perfeita de técnica e conteúdo (há algo de brilhante na ideia do corpo perfeito do herói ser o corpo real do ator, e dos efeitos terem sido necessários pra mostrar o contrário; como ele seria se fosse "normal"!).

Achei o filme realmente acima da média; bem escrito, bem dirigido (por Joe Johnston, de Querida, Encolhi as Crianças e Jumanji); tudo aquilo que se espera de uma superprodução de estúdio (ou seja, que não chega ainda a ser um trabalho autoral, com ideias mais elaboradas, etc).

Não percam e não saiam da sala antes do fim dos créditos; o que aparece depois vai muito além de uma cena extra...!

Captain America: The First Avenger (EUA / 2011 / 124 min / Joe Johnston)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Thor, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Superman (1978), etc.

NOTA: 8.0

terça-feira, 26 de julho de 2011

Assalto ao Banco Central


Inspirado na história real de um grupo de ladrões que roubou em torno de 165 milhões de Reais do Banco Central de Fortaleza, no Ceará, cavando um túnel de 84 metros que saía diretamente dentro do cofre, de onde eles tiraram 3 toneladas de notas de 50 Reais (até hoje apenas uma pequena parte do dinheiro foi recuperada).

É um típico filme de assalto, gênero não muito comum no cinema nacional. Os "heist films" ficaram populares nas décadas de 40 e 50, quando filmes como O Segredo das Joias de John Huston ou Rififi de Jules Dassin definiram as convenções do gênero.

Sem grandes surpresas, o filme evita aquela sensação de "já vi isso 20 vezes antes" usando uma narrativa não-linear, que intercala o planejamento do assalto com cenas que se passam depois de tudo, quando alguns dos ladrões já estão sendo interrogados pela polícia. Mas o roteiro toma cuidado pra não revelar demais, mantendo a atenção até o final.

A trama se concentra nos aspectos mecânicos do assalto, evitando julgar e tomar partidos - às vezes sentimos prazer pela eficácia dos bandidos, às vezes pela eficácia da polícia, às vezes pelo fracasso dos bandidos, às vezes pelo fracasso da polícia. Mas funciona até porque o elenco está muito bem, em particular os policiais - Lima Duarte e Giulia Gam, que faz uma lésbica (algo gratuito e inesperado na trama, mas que dá certo charme à personagem). Quem aparece também é Vinícius de Oliveira, o menino de Central do Brasil, que está adulto e continua um pouco forçado. Nada de espetacular mas é bem feito e interessante.

(BRA / 2010 / 104 min / Marcos Paulo)

INDICAÇÃO: Quem gostou de O Plano Perfeito, Uma Saída de Mestre, A Cartada Final, etc.

NOTA: 6.5

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vejo Você No Próximo Verão


Estreia modesta do ator Philip Seymour Hoffman como diretor (vencedor do Oscar por Capote). Ele também estrela o drama como Jack - um homem ordinário, pouco atraente, de meia idade, motorista de limousine em Nova York, tímido, frustrado, que nunca teve um relacionamento, e que conhece Connie - uma mulher complexada e insegura.

Ao longo do filme, os dois vão se conhecendo e tentando fazer acontecer um romance com muita dificuldade e desconforto (nem preciso dizer que pra mim isso não é amor e sim fuga da depressão). Enquanto isso, ele aprende a nadar, a cozinhar, na tentativa de se tornar mais atraente pra mulher (esse é o aspecto mais positivo do filme).

Apesar de não incomodar, não gosto do filme basicamente por ele ser dessa escola naturalista - é um retrato comum de pessoas comuns vivendo coisas comuns (na verdade acho as pessoas aqui infelizes demais pra serem consideradas comuns, mas precisaríamos de dados estatísticos pra poder dizer!). O resultado disso pra mim é tédio, desinteresse. Pra eu gostar de qualquer filme, ele tem que pelo menos estar tentando ser bom, mostrar algo de especial, fascinante, superior ao cotidiano, nem que seja na maneira de contar a história.

Jack Goes Boating (EUA / 2010 / 91 min / Philip Seymour Hoffman)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Reencontrando a Felicidade ou A Minha Versão do Amor.

NOTA: 4.5

terça-feira, 19 de julho de 2011

Cilada.com


Uma das coisas mais vulgares e constrangedoras que eu já vi. O filme conta a história de um publicitário medíocre que trai a namorada de maneira imperdoável e ela, pra se vingar, publica um vídeo no YouTube revelando pro mundo todo que ele sofre de ejaculação precoce. O resto do filme é o cara tentando produzir um outro vídeo pra provar que na verdade não tem problemas sexuais (toda sua reputação está baseada nisso) e depois tentando reconquistar a ex-namorada, que ele não merece nem ama de verdade.

O problema no fundo não é o personagem Bruno ser desprezível, ignorante, sem graça, inseguro, feio, imoral, péssimo profissional, péssimo namorado e não ter nenhuma qualidade. Em comédia existe sempre uma inversão de valores - rir de um personagem assim seria correto, desde que o filme fosse puramente cômico (que o personagem fosse estilizado, e seus defeitos fossem exagerados, deixando claro que se trata de uma piada).

Mas o filme não é pura comédia - é uma comédia romântica. Na maior parte do tempo, o filme mostra o personagem de maneira humana, simpática, realista, tentando fazer a gente se identificar com ele, torcer por ele, ter carinho por ele, num verdadeiro caos de intenções, gêneros e estilos incompatíveis de humor.

O filme é um atentado à dignidade humana - um show de vergonha alheia, de incompetência técnica, de pessoas se expondo ao ridículo, de ideias ruins, de clichês, de atores sendo humilhados (imagine o ator negro da foto acima sem roupa!), aspectos físicos das pessoas sendo motivo de piada (a mulher mais bonita do filme revela ter mau hálito e quase faz o protagonista vomitar).

É o que há de mais primitivo e barato em termos de humor, culminando numa cena durante uma reunião de autoajuda - com homens que sofrem de ejaculação precoce - onde de repente todos começam a ejacular em seus próprios rostos, impedindo a fala.

Em certo momento, um personagem tenta imaginar o que seria pior pra reputação de alguém do que cair um vídeo como aquele na internet - e ele não consegue pensar em nada pior. Bem, eu consigo - ter feito este filme é pior.

(BRA / 2011 / 107 min / José Alvarenga Jr.)

INDICAÇÃO: Evite.

NOTA: 1.0

sábado, 16 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2


Continuo achando que o melhor filme foi o 3º e que a série Harry Potter em geral não funcionou no cinema - talvez pra quem leu os livros, como uma espécie de ilustração de luxo, mas os filmes em si não se sustentam sozinhos. E o problema é roteiro - a produção é incrível, os efeitos são ótimos, a direção é bem feita, etc - mas as histórias não são claras, os conflitos são vagos, os personagens não são grande coisa, etc.

Pra eu temer / sentir ódio de Lord Voldemort, seria preciso mais do que um rosto assustador e uma voz sinistra. Eu teria que ver a essência da maldade dele, mostrada em diálogos, ações específicas.

Pra eu gostar de Harry Potter, eu teria que ver alguma qualidade nele - alunos o aplaudem, personagens secundários estão sempre nos lembrando de como ele é importante, corajoso, mas nunca vemos algo que justifique isso. Sua caracterização se limita a uma expressão mais séria, que passa um "ar" de nobreza, mas não chega a torná-lo interessante.

Pra eu me envolver numa história desse tipo, seria preciso saber os perigos que Harry corre, que ferramentas ele tem, que escolhas precisa fazer, quais seriam as possíveis consequências, etc.

Mas num mundo onde tudo é possível - onde uma varinha parece poder realizar qualquer coisa a qualquer momento, onde não há regras absolutas, onde a própria morte não é definitiva e as pessoas podem ser ressuscitadas, não faz sentido fazer cara de preocupação (ou de felicidade) com qualquer coisa.

A sensação que eu tenho é a de jogar um video game caro, atual, com gráficos bem feitos, mas onde eu tenho vidas infinitas, não tenho nada de valor pra correr atrás, não perco nada se eu morrer, nem ganho nada se eu vencer.

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 (ING, EUA / 2011 / 130 min / David Yates)

INDICAÇÃO: Desnecessária.

NOTA: 5.5

terça-feira, 12 de julho de 2011

Você Não Conhece Jack


Filme produzido pra TV sobre a vida de Jack Kevorkian (o "Doutor Morte"), médico americano polêmico que desafiou a lei nos anos 90 e começou a realizar diversos suicídios assistidos em pacientes com doenças terminais (ele não podia ser preso pois não havia nenhuma lei que proibisse alguém de ajudar um suicida).

O cartaz do filme mostra um close de Al Pacino - um rosto sem cor, com sombras escuras, um olhar profundo e um sorriso malicioso. Embaixo lemos a pergunta "Este é o rosto de um assassino?". Parece que era pra ser uma ironia (as pessoas olhariam a foto e pensariam "óbvio que um rosto tão confiável não pode ser de um assassino"), mas com a foto que escolheram a gente acaba ficando na dúvida - Pacino até que lembra sim um assassino! É essa falta de posicionamento que impede o filme de se tornar melhor - quando o filme acaba nós sentimos a mesma dúvida: Será que Kevorkian era um herói? Será que ele era meio insano? A justiça estava certa ou errada? Acho que o filme teria sido mais satisfatório se tivesse sido feito por alguém que realmente apoiasse a eutanásia - ou então se tivesse explorado a ambiguidade do personagem e tornado isso o tema do filme (Kevorkian estava moralmente certo quanto à eutanásia, mas mesmo assim era um cara meio excêntrico e sinistro; basta ver alguns dos quadros que ele pintava).

De qualquer forma é uma história bem narrada, sobre valores, conflitos morais importantes, e tem ótimas performances de Al Pacino e Susan Sarandon. A direção é de Barry Levinson (Rain Man). Vale a pena ficar de olho nesses filmes feitos pra TV porque o padrão de qualidade tem superado o do cinema.

You Don't Know Jack (EUA / TV, HBO / 2010 / 134 min / Barry Levinson)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Milk - A Voz da Igualdade, Uma Lição de Vida ("Wit").

NOTA: 7.5

terça-feira, 5 de julho de 2011

Os Pinguins do Papai


Foi baseado num livro que aparentemente é um clássico infantil, embora pelo filme seja difícil de entender por que. Jim Carrey faz um pai divorciado que recebe meia dúzia de pinguins em seu apartamento em NY (enviados por seu pai, que é um explorador). Apesar de detestar o presente, ele acaba usando os bichos pra agradar a ex-mulher e criar um falso laço com seus 2 filhos, que adoram os animaizinhos (a menina odeia o pai).

Os pinguins são desagradáveis - fazem ele perder o emprego, não deixam ele dormir, bagunçam o apartamento todo (contei pelo menos 5 piadas de banheiro, incluindo a imagem inesquecível de Carrey segurando pinguins sobre uma privada e espremendo uma gosma branca de dentro deles).

Os animais aqui não são personagens e sim efeitos especiais distantes e sem vida; não são carismáticos nem fazem nada de especial que compense esse transtorno.

Na superfície, é um filme leve, tradicional e inofensivo pra crianças. Se olhar mais fundo, vai ver que é a história de um homem desprezível que oferece um tipo de "amor" gratuito, sem causa, infundado, e exige o mesmo em troca (dos filhos, do pai, no trabalho, e finalmente dos pinguins - chegando ao cúmulo de fazê-los escolher entre seu "amor" e COMIDA em determinada cena; como um sacrifício pra provar que não são interesseiros!). Mas não vale a pena entrar nessa discussão aqui.

Mr. Popper's Penguins (EUA / 2011 / 94 min / Mark Waters)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Marley & Eu, Alvin e os Esquilos.

NOTA: 4.0