Mostrando postagens com marcador pretensioso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pretensioso. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de outubro de 2009

Distrito 9

Sucesso de público e crítica, Distrito 9 (produzido por Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis) é visto como uma ficção-científica completamente original e que também traz uma mensagem sobre os direitos humanos, fazendo uma alegoria do Apartheid.

De original eu garanto que não há muito. O filme é uma colagem de idéias de outros filmes melhores como O Dia Em Que a Terra Parou, Aliens, A Mosca, Independence Day e Cloverfield.

Quanto à mensagem, é algo tão vago e antigo que provavelmente está em um dos dez mandamentos. O filme começa apresentando uma premissa bastante elaborada em forma de "mockumentary" (falso documentário), sobre um projeto do governo de acabar com uma favela de extraterrestres no meio de Joanesburgo - mas em pouco mais de 20 minutos percebemos que era tudo um pretexto pra iniciar uma sequência de ação confusa e apelativa que basicamente é o resto do filme inteiro.

Acho que as pessoas em geral ficam impressionadas com o fato de um filme de ET's tratar de temas sérios como guerra e segregação racial, e a partir disso assistem o filme inteiro com atenção e um certo ar de respeito, mas não vêem que esses temas "sérios" foram colocados ali de maneira artificial, apenas para confundi-las e ganhar essa nota de respeitabilidade (é um pouco o problema de Bastardos Inglórios, que pelo menos tem certa beleza cinematográfica enquanto esse aqui parece mais uma galeria de imagens feias - alguém entendeu a escolha do ator principal?!).

Quando o filme quer discutri seriamente um tema, ele te dá argumentos sólidos, você sai da sala com idéias específicas, pode discutir com seus amigos, as pessoas vão ter opiniões sobre o que foi afirmado... Este filme não é sobre o Apartheid, ele só quer dar a impressão que é, o que pra mim é extremamente desonesto. Mas aviso que as pessoas têm gostado.

District 9 (EUA/NZ, 2009, Neill Blomkamp)

INDICADO PARA: Quem gostou de O Nevoeiro. E quem curte esses vídeos no YouTube com OVNI's falsos.

NOTA: 3.0

sábado, 10 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios


O novo filme de Tarantino é longo, entediante, e absolutamente vazio - há uma sensação de futilidade, de falta de importância e de significado envolvendo cada cena do filme. Me lembrou o Spielberg quando começou a querer ficar mais sério em A Cor Púrpura - ele não tinha maturidade e também não entendia nada do assunto; apesar disso A Cor Púrpura foi um grande filme porque tinha emoções genuínas e profundas. Não dá dizer o mesmo desse...

Pegue a sequência inicial - um oficial nazista visita uma casa onde uma família de judeus se esconde sob o piso. A cena é longa, com movimentos de câmera coreografados e bem pontuados, tudo feito de maneira precisa e habilidosa com a intenção de criar suspense. Mas a cena não tem força pois tanto o dono da casa quanto os judeus são vagos pra platéia, não temos nenhum envolvimento com eles (e também não temos a impressão de que Tarantino se importa realmente pela questão dos judeus). Esse sentimento se estende por todo o filme; uma sucessão de conversas longas que quase sempre terminam em tiroteio, que é sempre a saída mais fácil. Não há um personagem central; o filme não é sobre ninguém... E também não é sobre ideais ou valores. O melhor personagem é o vilão, mas não há um contraponto, um herói igualmente forte. Nem os "bastardos" formam um grupo tão interessante assim que mereça o título do filme.

Tarantino é bom pra paródias, filmes de ação, coisas assumidamente rasas que ele transforma em filmes de primeira. Aqui ele tentou fazer algo quase sério mas faltou maturidade - faltou se importar de verdade pelo material. O amor de Tarantino pelo cinema e pelos filmes dos outros fica claro em cada plano, em cada referência; mas ele não investe o mesmo interesse em seus próprios personagens. O filme foi um sucesso de público graças a Brad Pitt (que está ridículo, 100% do tempo com as sobrancelhas curvadas pra cima, se escondendo atrás de uma única expressão de deboche).

O longa parece mais uma homenagem de luxo a esse universo cinematográfico de Quentin Tarantino. Pra mim é o seu mais fraco até agora; só que o filme termina com uma cena de efeito e arranca um aplauso final da platéia - que sempre cai nesse truque e sai vibrando da sala achando que foi tudo genial.

Inglourious Basterds (EUA/ALE, 2009, Quentin Tarantino)

INDICADO PARA: Quem gostou de A Espiã, Planeta Terror, O Albergue 2...

NOTA: 5.0