sábado, 10 de março de 2012

John Carter: Entre Dois Mundos


Superprodução da Disney sobre um veterano da guerra civil americana que é inesperadamente teletransportado para Barsoom (Marte), um planeta desértico habitado por criaturas exóticas no estilo Star Wars/Avatar e que está no meio de sua própria guerra. O desejo de Carter é apenas voltar pra casa, mas ele acaba se vendo preso no conflito entre as cidades e no processo se apaixona por uma princesa marciana.

O filme é baseado numa série famosa de livros de fantasia; foi co-escrito e dirigido por Andrew Stanton, roteirista de filmes da Pixar e diretor de Procurando Nemo e Wall-E. Stanton recentemente deu uma palestra brilhante no TED falando sobre narrativa e revelando os segredos das grandes histórias. Assistindo John Carter, uma pergunta me assombrava: como uma pessoa pode ter um discurso tão esclarecido, dominar tão profundamente a teoria sobre algo, e na prática cometer os mesmos erros de sempre?

Pra começar, pra um filme cujo título é o nome do herói, Carter é um personagem extremamente fraco - não há nada de muito interessante ou especial nele, nem muito carisma ou personalidade tem o ator Taylor Kitsch; o filme passa mais tempo tentando fazer ele parecer gostoso do que gostável. Além disso, ele só quer ir embora de Marte e nada do que acontece lá é muito envolvente, nem pra ele nem pra plateia. Nem o romance convence (embora a heroína Lynn Collins seja uma das melhores coisas do filme).

O visual e os efeitos especiais são incríveis (vale a pena ver em IMAX 3D), a direção é elegante, mas no fim John Carter parece uma versão fraca de Avatar e de muitas coisas que você já viu. Longe de ser um fiasco, mas pela ambição e potencial do projeto, deixa muito a desejar.

John Carter (EUA / 2012 / 132 min / Andrew Stanton)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Tron: O Legado, O Príncipe da Pérsia, Star Wars: Episódio 1, etc.

NOTA: 6.5

terça-feira, 6 de março de 2012

Poder Sem Limites


Parece um desses filmes que mostram as origens dos super-heróis - 3 amigos de colegial descobrem um cristal misterioso, aparentemente extraterrestre, e a partir daí ganham superpoderes, como a habilidade de mover objetos com a mente e voar.

O filme é quase todo visto pela filmadora de um dos rapazes, no estilo found-footage (A Bruxa de Blair, Cloverfield, etc). Não há muito sentido pra essa linguagem aqui (afinal, algumas imagens não são da câmera) mas por outro lado, o melhor efeito do filme vem disso: o realismo documental das imagens em contraste com a fantasia dos eventos cria um resultado realmente fantástico - a sensação de voar nunca pareceu tão real fora de um sonho (na última década muitos filmes mostraram coisas inacreditáveis, principalmente catástrofes, filmadas de maneira realista, com câmera na mão - me parece sempre uma tentativa de reprisar o 11 de Setembro - o impacto daquelas imagens ao vivo, e esse filme tem vários desses momentos).

Mas essa técnica é a melhor coisa do filme, que não tem história. É basicamente o registro de 3 adolescentes tolos brincando com seus novos poderes, mas eles não têm nenhum objetivo. Na segunda parte o filme fica sombrio e pretensioso, explorando a "essência má" do homem, mas tudo de forma superficial (e revelando emoções conflitantes: a intenção de passar uma mensagem deprimente, ao mesmo tempo em que se utiliza de algo infantil e inocente pra agradar a plateia, fazendo-a se imaginar com poderes mágicos, capaz de tudo).

Teria gostado mais se a história fosse uma vingança contra os bullies, no estilo Carrie - A Estranha. Enfim, não é grande coisa, mas pelo menos é mais sério e original que a média.

Chronicle (Inglaterra, EUA / 2012 / 84 min / Josh Trank)

INDICAÇÃO: Quem gostou de X-Men: Primeira Classe, Kick-Ass, Cloverfield.

NOTA: 6.5

domingo, 4 de março de 2012

A Mulher de Preto


Um jovem advogado (Daniel Radcliffe) viaja sozinho a trabalho pra um vilarejo distante onde deverá regularizar os documentos de uma mansão abandonada que será vendida. A mansão tem um histórico de tragédias e é assombrada pelo espírito de uma mulher vestida de preto.

Achei o filme idiota e, antes de tudo, chato; uma versão teen e descartável de dezenas de outros filmes (foi baseado num livro de 1983 que gerou uma peça de sucesso e um filme pra TV em 89, que parece bem melhor). Ele só passa a impressão de ser mais sério que um Atividade Paranormal por ser de época, ter uma produção mais rebuscada. Mas no fundo é apenas uma maquininha vazia de dar sustos que produz um "boo" a cada 5 minutos pra não matar a plateia de tédio, usando apenas clichês e truques baratos.

Não há força na trama, nos personagens. Por que Daniel quer investigar os mortos? É um clichê desse tipo de filme: quando um personagem se depara com uma assombração, o procedimento é tentar descobrir sua identidade, puxar a árvore genealógica do espírito, investigar as circunstâncias de sua morte... Quem agiria assim?!

Daniel passa boa parte do filme seguindo pegadas, barulhos, mostrando que quer encontrar os fantasmas. Daí quando ele encontra, faz cara de pânico e foge. Logo em seguida, começa a perseguir outros barulhos, e depois foge de novo - ele quer ou não quer achar os espíritos? Se quer, por que? Qual o interesse dele? Até onde sei isso não faz parte do seu trabalho nem de seu interesse pessoal. Se ele não quer, por que fica voltando à casa? A resposta mais provável é: porque o filme precisa ter 90 minutos.

The Woman In Black (Inglaterra, Canadá, Suécia / 2012 / 95 min / James Watkins)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Atividade Paranormal, O Orfanato, A Chave Mestra.

NOTA: 3.5

quinta-feira, 1 de março de 2012

Drive


O ator mais quente do momento (Ryan Gosling) interpretando um fora-da-lei com uma jaqueta descolada, carros, ultraviolência, estilo retrô, um toque europeu (o diretor é dinamarquês), e você tem o filme mais "cool" dos últimos tempos.

A história é sobre um piloto calado e habilidoso que, além de ser dublê em cenas de carro em Hollywood, trabalha numa oficina mecânica e presta serviços pra mafiosos, dirigindo em assaltos e fugas.

O filme é extremamente estiloso, com uma estética anos 70/80 meio underground (me lembrou coisas antigas do Luc Besson, Cronenberg, Scorsese, Brian De Palma - o diretor claramente é cinéfilo), é super bem fotografado, com movimentos de câmera precisos, trilha sonora pop, mas por trás disso infelizmente não há um roteiro à altura; o estilo está acima do conteúdo. Tudo de fato é muito "cool", mas esse parece ser o maior objetivo do filme.

O roteiro na primeira metade é um registro arrastado do personagem; só ganha movimento mais pro final quando ele passa a ser caçado por mafiosos. Mas aí é apenas ação (ou reação); não há muito conflito ou envolvimento. O personagem é misterioso, quase robótico (não tem nem nome, remetendo às figuras míticas dos faroestes de Sergio Leone) e isso cria um distanciamento da história, tornando difícil de se importar se ele vai viver ou morrer, se vai ficar com a garota ou não, afinal não sabemos o que ele pensa (além disso ele é criminoso - não seria exatamente trágico se ele fosse pego pelos bandidos).

Vale mesmo pela beleza da direção e por algumas performances interessantes.

Drive (EUA / 2011 / 100 min / Nicolas Winding Refn)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Deixe Ela Entrar, Bastardos Inglórios, Crash - Estranhos Prazeres, Subway, Taxi Driver, Bullitt...

NOTA: 6.5

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tão Forte e Tão Perto


Drama psicológico sobre um garotinho extremamente inteligente e precoce (e ao mesmo tempo obsessivo, neurótico, que aparentemente sofre de uma tal de Síndrome de Asperger) que perde o pai (Tom Hanks) nos ataques de 11 de Setembro. O pai era um ídolo pro menino e vivia criando charadas e enigmas pra ele decifrar.

Depois que ele morre, o menino (Thomas Horn, numa das performances infantis mais marcantes que eu já vi) encontra uma chave misteriosa no quarto do pai e passa o resto do filme numa aventura pela cidade pra encontrar a fechadura que ela abre, acreditando que se trata de mais uma charada (o interessante é que ele tem plena consciência de que está fazendo isso pra adiar a sensação da perda, embora acredite de fato que a chave revelará algo importante). A premissa lembra muito a primeira parte de A Invenção de Hugo Cabret, só que levada adiante e desenvolvida num filme inteiro.

É um drama intenso, pesado, com um texto extremamente elaborado, literário, uma direção estilizada, fora do padrão, e até por isso irá dividir a plateia, assim como dividiu a crítica. Eu achei um dos melhores do ano. Adoro a honestidade e a maneira direta do garoto (e do filme) lidar com questões tão adultas, e também o fato dele ser uma pessoa forte e estar lutando pra superar seus problemas - não é um filme sobre alguém apenas sofrendo e sentindo pena de si mesmo.

A maioria dos filmes sobre perda são parados e parecem mais uma contemplação da dor. Este não é assim - introduzindo o elemento da chave e da busca pela fechadura, o filme consegue transformar a questão emocional numa ação concreta, cinematográfica ("filmável"), que se desenvolve num enredo estruturado e satisfatório. O elenco está excelente e é outro ponto forte do filme (além do garoto e Hanks, há também Sandra Bullock e Max Von Sydow, indicado ao Oscar).

Extremely Loud & Incredibly Close (EUA / 2011 / 129 min / Stephen Daldry)

INDICAÇÃO: Difícil comparar com qualquer coisa... Pra quem gosta de dramas familiares adultos como Foi Apenas um Sonho, ou então "provocadores de lágrimas" do tipo Uma Prova de Amor, Lado a Lado, etc.

NOTA: 8.5

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Previsões do Oscar 2012


Essas são as previsões para o Oscar 2012 nas categorias principais, de acordo com os experts do AwardsDaily.com:

Filme: O Artista
pra quem eu daria: Cavalo de Guerra (em segundo lugar pra Meia-Noite em Paris; esses são meus 2 filmes favoritos do ano - dos que vi, claro)

Diretor: Michel Hazanavicius (O Artista)
pra quem eu daria: Spielberg (que não está indicado - entre os indicados fico com Woody Allen)

Atriz: Viola Davis (Histórias Cruzadas)
pra quem eu daria: Meryl Streep (ainda não vi Albert Nobbs nem My Week with Marilyn - essa categoria é a maior polêmica da noite; se Viola de fato ganhar será um verdadeiro choque, pois apesar dela estar muito bem, seu personagem é bem menor que o de Meryl, que além de estar brilhante já foi esnobada demais pela Academia)

Ator: Jean Dujardin (O Artista)
pra quem eu daria: sem grandes favoritos aqui; Dujardin faz uma imitação excelente mas, como o personagem é superficial, a performance não tem grande impacto (teria pelo menos indicado o garotinho de Tão Forte e Tão Perto que é impressionante)

Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
pra quem eu daria: também sem grandes favoritas (ainda não vi Albert Nobbs)

Ator Coadjuvante: Christopher Plummer (Beginners)
pra quem eu daria: gosto do Plummer mas o filme ainda não estreou; por enquanto prefiro o Max Von Sydow (Warrior e Marilyn também não estão estrearam, então não tenho muito o que palpitar aqui).

Roteiro Original: Meia-Noite em Paris
pra quem eu daria: Meia-Noite em Paris (teria lembrado de Melancolia aqui)

Roteiro Adaptado: Os Descendentes
pra quem eu daria: entre os finalistas, ficaria com O Homem que Mudou o Jogo, mas ainda prefiro Cavalo de Guerra, Tão Forte e Tão Perto, Histórias Cruzadas e até A Pele que Habito, que não foram indicados.

Edição: O Artista
pra quem eu daria: Cavalo de Guerra, que não foi indicado (dos indicados pode ser Hugo, mas O Artista é muito bom nesse ponto).

Fotografia: A Árvore da Vida
pra quem eu daria: Cavalo de Guerra (ou Hugo; A Árvore da Vida tem imagens e paisagens maravilhosas, mas prefiro fotografias que além de serem bonitas servem a uma boa narrativa)

Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret
pra quem eu daria: A Invenção de Hugo Cabret

Figurino: O Artista
pra quem eu daria: muitos dos indicados não chegaram ainda; poderia ser O Artista mesmo ou Hugo - sem grandes preferências

Animação: Rango
pra quem eu daria: Tintim (que eu não gosto muito, mas o ano foi fraco de animações - essa categoria é o maior mico do ano, afinal Tintim ganhou tanto o Globo de Ouro quanto o prêmio do sindicado dos Produtores e nem foi indicado ao Oscar, levantando dúvidas quanto à seriedade da Academia)

Trilha Sonora: O Artista
pra quem eu daria: Cavalo de Guerra (claro que a música num filme mudo tem um papel central, mas é difícil superar John Williams ainda mais trabalhando com Spielberg - além disso me incomoda que O Artista use o tema de Um Corpo que Cai assim tão descaradamente, sem nenhuma justificativa muito boa; o que tem a ver um filme com o outro?)

Mixagem de Som / Edição de Som: Hugo
pra quem eu daria: Hugo está de bom tamanho; ou Cavalo de Guerra, ou Millennium.

Filme Estrangeiro: A Separação
pra quem eu daria: só vi A Separação e gostei (teria indicado A Pele que Habito aqui e quem sabe até o Tropa de Elite 2)

Documentário: Undefeated
pra quem eu daria: não vi nenhum ainda, mas teria indicado o documentário do Justin Bieber (Justin Bieber: Never Say Never) que foi um sucesso e é bem melhor do que você deve imaginar

Maquiagem: A Dama de Ferro
pra quem eu daria: A Dama de Ferro

Canção: Os Muppets - O Filme
pra quem eu daria: acho que pra nenhuma das 2 indicadas; essa categoria costuma ser uma das mais esquisitas do Oscar, com as escolhas mais arbitrárias

Efeitos Especiais: Planeta dos Macacos: A Origem
pra quem eu daria: Planeta dos Macacos: A Origem (ou Hugo)

É isso aí. Como meus filmes favoritos não devem ganhar muita coisa, vou pelo menos torcer pra Meryl que tem chances (e sem dar importância demais pra opinião da Academia, claro!). Boa festa pra vocês =)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Homem que Mudou o Jogo


História verídica de Billy Beane, gerente geral do time de baseball Oakland A, que após uma grande derrota perdeu seus melhores jogadores, teve o orçamento cortado, e pra conseguir montar o melhor time possível acabou revolucionando toda a filosofia do esporte, usando fórmulas matemáticas criadas por um estudante de economia.

O filme às vezes parece uma história motivacional "formulaica" e previsível, mas por outro lado, aborda o esporte de um ângulo totalmente interessante, original, e tem momentos de inteligência e profundidade acima da média.

Eu não me interesso por esportes e o filme me deixou curioso do começo ao fim; porque não é um filme sobre uma disputa física, e sim sobre invenções, descobertas, e sobre auto-confiança e persistência - um homem independente com um conceito inovador tendo que lutar contra a descrença de todos ao seu redor. Mais a fundo, é um conflito entre razão, ciência, o poder das ideias, versus pragmatismo, subjetivismo - e mostra aonde se pode chegar quando você vive pela realidade e não dá bola pra tradição ou pro que os outros pensam.

A única coisa estranha do roteiro é que o clímax acontece cedo demais. Afinal, a partir do momento em que sabemos que o método do Brad Pitt funciona, o resto do filme é apenas uma série de acontecimentos esperados - o fato deles ganharem ou perderem a final do campeonato não é tão relevante pro tema central da história - a verdadeira vitória já aconteceu.

Ainda assim gostei bastante do filme, que está indicado a 6 Oscars incluindo Melhor Filme, Roteiro, Ator Coadjuvante pra Jonah Hill e Ator pra Brad Pitt.

Moneyball (EUA / 2011 / 133 min / Bennett Miller)

INDICAÇÃO: Quem gostou de A Rede Social, Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme, À Procura da Felicidade, Erin Brockovich.

NOTA: 7.5

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Cada Um Tem a Gêmea que Merece


Um desses filmes onde algo de fora (um parente, uma babá, um animal) chega pra virar a rotina da família de cabeça pra baixo. Aqui, Jack (Adam Sandler) recebe a visita da irmã gêmea Jill que ele odeia, que é completamente desastrada, sem modos, ignorante, mas que no fim as crianças adoram e acaba trazendo uma espécie de alegria pra casa.

Filmes do Adam Sandler são geralmente irregulares, cheios de piadas de mau gosto e outras simplesmente fracas, mas no geral valem a pena por causa de alguns bons momentos que compensam as piadas constrangedoras. Não é o caso desse filme.

Pra mim o principal problema aqui é que Jill é muito mais desagradável do que agradável - ela chega e atrapalha a vida do irmão que estava perfeitamente bem antes (se ela tivesse entrando numa casa extremamente regrada, tradicional, ou esnobe, o filme teria um outro sentido, pois o alvo do humor seriam essas convenções chatas e ela estaria transformando a família pra melhor).

Além disso, não se trata de uma comédia de disfarce do tipo As Branquelas, onde a graça vem da reação das pessoas ao verem patricinhas agindo como trogloditas. Jill, apesar de interpretada por Sandler, não é um homem disfarçado de mulher na história - ela é de fato uma mulher sem educação, portanto quando ela se comporta de maneira grosseira, o significado da piada é completamente diferente.

Há momentos divertidos de Jill, mas o foco principal é no negativo - em Jill constrangendo o irmão com sua falta de educação (num filme como As Branquelas, por exemplo, o foco é no positivo - nas falsas patricinhas fazendo coisas surpreendentes e se tornando muito mais verdadeiras e divertidas que as originais).

Enfim, a intenção parecia boa, mas Sandler dá tiro pra todo lado fazendo todo tipo de palhaçada sem parecer se importar com o alvo das piadas.

Jack and Jill (EUA / 2011 / 91 min / Dennis Dugan)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Norbit, A Casa das Coelhinhas, Zohan - O Agente Bom de Corte.

NOTA: 4.0

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret


Primeiro filme "família" de Scorsese, sobre um garoto órfão que vive numa grande estação de trem em Paris na década de 30 e cruza o destino de Georges Méliès, que foi um dos nomes mais importantes do cinema mudo e um pioneiro dos efeitos especiais. No filme, Méliès se tornou um velho amargurado que abandonou o cinema e virou dono de uma lojinha de brinquedos na estação - até que surge o garoto pra resgatar suas memórias.

Tecnicamente é um milagre e um dos filmes mais impecáveis já feitos. As imagens são nítidas e perfeitamente enquadradas, os vôos de câmera em 3D são de tirar o fôlego (James Cameron disse que é o melhor uso de 3D que ele já viu), cada canto de cada cenário é rico em detalhes, as superfícies metálicas são brilhantes e polidas, as cores enchem os olhos - o filme todo parece um brinquedo de última geração e às vezes fica difícil de acreditar que não seja uma animação completa do tipo O Expresso Polar.

Já o roteiro não funciona tão perfeitamente. Tudo começa com o mistério do autômato e a busca do menino por uma mensagem do pai - na segunda metade, o filme vai se transformando na história do velho que abandonou os sonhos - no fim, vira a biografia do Georges Méliès e uma aula de história do cinema. Essas partes todas não parecem se encaixar tão bem quanto as diversas engrenagens do filme e a história acaba perdendo a força (as cenas envolvendo o inspetor feito por Sacha Baron Cohen parecem fazer parte de ainda um outro filme).

O garoto (que adora fazer auto-análises e se fazer de coitado) diz no meio do filme que não sabe qual o seu propósito na vida - isso indica por que a própria história também parece não ter propósito. Felizmente, o trecho final do filme funciona muito bem - a homenagem ao cinema mudo (remetendo a O Artista) - que é onde Scorsese brilha e assume o papel de professor/historiador que ele faz tão bem - e onde ele está muito mais à vontade do que no resto do filme, onde tem que sair da sua zona de conforto pra tentar entreter a família, coisa que nunca foi o seu forte.

Hugo (EUA / 2011 / 126 min / Martin Scorsese)

INDICAÇÃO: Quem gostou de As Aventuras de Tintim, Os Fantasmas de Scrooge, Oliver Twist, Desventuras em Série.

NOTA: 7.5

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Viagem 2: A Ilha Misteriosa


Depois do sucesso de Viagem ao Centro da Terra (2008) resolveram fazer essa sequência mesmo sem Brendan Fraser, que foi trocado pelo The Rock dando menos credibilidade ao filme (alguns atores parecem ter a habilidade de deixar qualquer produção com cara de filme de segunda linha, tipo The Rock, Nicolas Cage, etc). Ainda tem a Vanessa Hudgens, que eu acho simpática mas que não ajuda muito aqui nesse sentido. O garoto Josh Hutcherson é o único que permanece (e há uma participação de Michael Caine como o avô "Indiana Jones" do menino).

É um genérico de Jurassic Park, Avatar, só que bem mais bobinho, com uma premissa pouco convincente onde tudo é resolvido de forma muito rápida - em questão de minutos todo mundo já chegou na ilha sem grandes problemas (essa ilha seria o lugar que inspirou clássicos da literatura como As Viagens de Gulliver e A Ilha do Tesouro).

O filme é bem intencionado, agradável, mas infantil demais, sem seriedade. Pra criar fantasia, você precisa do real o tempo todo como referência. A regra pra esse tipo de filme é - quanto mais sério for o tom da produção, quanto mais inteligente e científica for a premissa, quanto mais dramáticos forem os atores, melhor será o resultado.

Journey 2: The Mysterious Island (EUA / 2012 / 94 min / Brad Peyton)

INDICAÇÃO: Quem gostou de Viagem ao Centro da Terra, A Ilha da Imaginação, Uma Noite no Museu, etc.

NOTA: 5.5