sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Piranha


No gênero "animais em fúria", Os Pássaros de Hitchcock e Tubarão de Spielberg são a coisa real. Daí vêm as imitações, que tentam de maneira honesta reprisar o sucesso desses filmes, mas sem a mesma qualidade, como Orca - A Baleia Assassina, Alligator, Aracnofobia, ou mesmo o Piranha original dos anos 80. Depois tem outra categoria, a da "semi-paródia" - não chegam a ser comédias, mas são filmes que ridicularizam o gênero e deixam bem claro que não se levam a sério. A esta categoria pertencem Serpentes à Bordo, Malditas Aranhas, etc.

Piranha 3D está no meio do caminho entre uma semi-paródia e uma imitação honesta. Ele quer se levar a sério, gosta do gênero, mas sabe que não tem porte pra se comparar a um Tubarão. Então, pra não correr o risco de ser levado a sério e ser considerado um filme de segunda, ele insere de vez em quando uma cena de mau gosto - como esta onde duas piranhas brigam por um pênis: assistam - só pra lembrar a platéia de que o filme não é pra valer - "viu só, é só uma brincadeira, não me julguem". Só que essas cenas são bem pontuais - todo o resto do filme corre como uma imitação honesta.

Faltou se posicionar, mas eu meio que curti. As paisagens são lindas, o elenco é lindo, tem participações de Elisabeth Shue, Christopher Lloyd, Richard Dreyfuss... O diretor Alexandre Aja (da turminha do Eli Roth) é habilidoso com cenas de suspense e terror... Só não acho as piranhas particularmente assustadoras. Pra esse tipo de filme acho que animais grandes são melhores... Mas também nem tudo funciona:



Piranha 3D (EUA, 2010, Alexandre Aja)

Orçamento: US$ 24 milhões
Bilheteria atual: US$ 74 milhões
Nota do público (IMDb): 6.5
Nota da crítica (Metacritic): 5.3
Assista o trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou de Pânico no Lago, Do Fundo do Mar, Viagem Maldita (2006), etc.

NOTA: 6.5

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Atividade Paranormal 2


Não vi nenhum tipo de variação ou desenvolvimento em relação ao primeiro filme - é apenas outro pedaço do mesmo bolo. Aliás, um bolo cuja receita já foi roubada de outros filmes. O conceito vem obviamente de A Bruxa de Blair, mas o filme também pega técnicas emprestadas de Poltergeist, Contatos Imediatos e vários outros filmes. Junto de cada cena vem aquela sensação de "já vi isso antes" (portas que fecham sozinhas, TVs que perdem o sinal, a idéia de que cachorros, crianças e babás étnicas "sabem mais").

O filme se limita a tentar provocar "sensações" momentâneas. E essas sensações são intercaladas por trechos onde nada acontece. Os personagens são todos burros, dos tipos que permanecem na casa mesmo assim e entram na internet pra entender as diferenças entre "fantasmas" e "demônios".

Ou seja, não havia a menor necessidade de existir essa continuação, que sem dúvida só foi feita por causa do dinheiro: o primeiro custou 100 mil dólares e faturou quase 200 milhões; este custou um pouco mais caro - 3 milhões - mas só essa semana já faturou 70. Quem vai se importar com qualquer coisa quando estamos falando de lucro garantido?

Atividade Paranormal 2
Paranormal Activity 2 (EUA, 2010, Tod Williams)

Orçamento: US$ 3 milhões
Bilheteria atual: US$ 70 milhões

Nota do público (IMDb): 6.5

Nota da crítica (Metacritic): 5.3

Assista o
trailer

INDICAÇÃO: Quem gostou do primeiro ficará bastante satisfeito.

NOTA: 5.0

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Solteirão


Uma das melhores surpresas dessa temporada. O filme gira em torno do personagem de Michael Douglas - um homem atraente de sessenta e poucos anos que descobre que tem um problema no coração e muda sua maneira de lidar com a vida. Ele largou a esposa (Susan Sarandon), perdeu o emprego, e está tentando ir pra cama com o maior número de mulheres possível (quanto mais jovem melhor), enquanto tenta resgatar sua carreira.

Acho engraçado que as distribuidoras às vezes tentam tornar um filme mais comercial substituindo o nome original por um título mais engraçadinho. "O Solitário" sem dúvida seria menos atraente pra um público de shopping. Mas o público que entra pra ver "O Solteirão" provavelmente não irá gostar muito de Solitary Man. E os que iriam gostar, talvez se espantem com a tradução, que dá mais a idéia de uma dessas comédias rotineiras com o Matthew McConaughey.

O filme é marcado pela performance excelente de Michael Douglas (no elenco também estão Danny DeVito e Mary-Louise Parker) e também pelos diálogos brilhantes. Vejam Danny DeVito, quando Michael Douglas pergunta por que ele nunca traiu a esposa com nenhuma das meninas que frequentam seu restaurante:

"Quando meu pai me deu este lugar há anos atrás, eu sonhava com essas garotas. Todas as noites; sonhos de todos os tipos com elas. Mas daí eu as via voltando após a formatura. Elas vinham a festas, vinham ver jogos... Elas se sentavam nas mesmas mesas, comiam a mesma comida. E eu percebi que elas não permanecem assim. Nenhuma delas. Elas ganham anos e quilos e rugas. E eu tenho uma dessas lá em casa - uma com quem eu posso conversar."

Solitary Man (EUA, 2010, Brian Koppelman / David Levien)

Orçamento: US$ 15 milhões

Bilheteria atual: US$ 4 milhões

Nota do público (IMDb): 6.6

Nota da crítica (Metacritic): 6.9

Assista o trailer


INDICADO PARA: Quem gostou de Amor Sem Escalas, filmes mais antigos do Woody Allen.

NOTA: 7.5

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Cinema no Google Street View

Essa tecnologia da Google é pra mim uma das invenções mais fantásticas dos últimos tempos. Com o mundo inteiro ao alcance, não tive dúvidas de por onde iria começar... 

E.T. - O Extraterrestre (E.T.: The Extra-Terrestrial, 1982)
A casa de Elliott.

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Mudança de Hábito (Sister Act, 1992)
O convento de Saint Katherine.

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Grease - Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978)
Rydell High.

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Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977)
Devil's Tower National Monument, o ponto de encontro dos extra-terrestres.

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Uma Linda Mulher (Pretty Woman, 1990)
Loja na esquina da Santa Monica Boulevard com a Rodeo Drive onde Julia Roberts é esnobada (e depois tem sua vingança).

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De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985)
A casa de Marty McFly e a rua de onde o DeLorean decola no final do filme.

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O Exorcista (The Exorcist, 1973)
A casa dos MacNeil.

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Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961)
Tiffany & Co da 5ª Avenida, onde Audrey Hepburn come um lanche no começo do filme.

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Rocky - Um Lutador (Rocky, 1976)
Os 68 degraus do Museu de Arte de Philadelphia onde treina Rocky Balboa.

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O Iluminado (The Shining, 1980)
Estrada por onde Jack Torrance (Jack Nicholson) dirige no início do filme (infelizmente o Street View ainda não chegou onde seria o Overlook Hotel).

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Esqueceram de Mim (Home Alone, 1990)
A casa dos MacAllister.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os melhores filmes cult

O que é um filme cult? O Wikipédia diz "filmes que agregam grupos de fãs devotos, mas que não alcançam uma fama ou reconhecimento considerável". É uma boa definição, mas ainda deixa margem pra dúvida. Laranja Mecânica por exemplo é considerado cult, mas é extremamente famoso e reconhecido. Por outro lado, filmes do Woody Allen têm fãs devotos, não são muito famosos, e nem por isso são considerados cult.

Pra ser cult, no geral, o filme tem que ser bastante original, estilizado, ousado, sair fora do convencional. Um filme também pode virar um cult por acidente (aqueles que de "tão ruins ficam bons"). Filmes cult são bastante populares, resistem ao tempo, são considerados pequenos "clássicos", mas fogem do mainstream e só funcionam para um público restrito. Vamos lá:

(sem uma ordem de preferência)

A Montanha Sagrada
(The Holy Mountain, 1973)

El Topo (outro cult mexicano de Alejandro Jodorowsky - que é chileno) é mais frequentemente citado nas listas de filmes cult, mas acho que nada supera A Montanha Sagrada em termos de estranheza e originalidade. É o menos conhecido e menos comercial dessa lista, mas faço questão de incluí-lo por ser provavelmente o filme mais bizarro que eu já vi.

Monstros
(Freaks, 1932)

O fato de ser tão antigo torna ainda mais chocante esse filme que é sem dúvida um dos mais polêmicos da história do cinema, mostrando uma história (nada politicamente correta) sobre um anão de circo que se apaixona por uma trapezista.



Uma Noite Alucinante - trilogia
(The Evil Dead, 81/ Evil Dead II, 87 /Army of Darkness, 93)

A trilogia foi escrita e dirigida por Sam Raimi (que depois fez sucesso com a série Homem Aranha), e é uma mistura divertida de terror "gore" com comédia. O segundo é o melhor, famoso pela maquiagem e movimentos de câmera.



O Massacre da Serra Elétrica
(The Texas Chain Saw Massacre, 1974)

Já falei sobre ele na lista dos melhores filmes de terror. Feito com baixíssimo orçamento, se tornou um enorme sucesso, influenciou incontáveis filmes e lançou toda essa tendência de realismo e violência explícita que domina o gênero até hoje.



Mamãezinha Querida
(Mommie Dearest, 1981)

Também já entrou na minha lista dos melhores "piores" filmes. É um daqueles cults acidentais - provavelmente o diretor achava que estava fazendo um filme biográfico sério (e de fato o filme tem muitas qualidades reais). Só que acabou exagerando um pouco na mão e transformou o filme em algo completamente diferente - muito melhor do que teria sido a versão "normal".

Eraserhead (1977)

David Lynch é um cineasta brilhante e ao mesmo tempo dono de uma personalidade excêntrica e pouco convencional. O resultado é que tudo que ele faz é "cult" por natureza. Poderia ter colocado aqui Cidade dos Sonhos, Veludo Azul ou a série Twin Peaks, mas escolhi seu primeiro longa que é também um dos mais experimentais. Dizem que era o filme favorito de Stanley Kubrick.


This Is Spinal Tap (1984)

Falso documentário ("mockumentary") de Rob Reiner sobre uma banda de rock dos anos 80, que no fundo é uma sátira ao comportamento dos roqueiros da época e funciona melhor pra quem conhece esse mundo dos bastidores da música. É muito popular nos EUA ficou em 1º lugar no ranking cult da revista Entertainment Weekly.


Donnie Darko (2001)

Estréia de Richard Kelly no cinema (que também fez A Caixa), o filme é uma carta de amor aos anos 80 e faz uma mistura inexplicável de ficção-científica com comédia adolescente, terror, romance, tudo de forma muito nostálgica e cheio de referências pop. Um filme singular e o mais contemporâneo dessa lista.



Pink Flamingos (1972)

Estava no topo da minha lista de comédias, mas fica melhor aqui nos cults (Problemas Femininos e Desperate Living são igualmente bons e formam uma espécie de "trilogia trash" de John Waters). Ainda estou pra ver algo tão subversivo e chocante.



Rocky Horror Picture Show
(The Rocky Horror Picture Show, 1975)

Esse é "Cidadão Kane" dos cults - uma sátira musical dos filmes B de ficção-científica dos anos 50 (!), com uma performance fantástica de Tim Curry (que fez o palhaço de It) como o "Doce Travesti da Transilvânia Transsexual". O filme tem excelentes canções e semanalmente é exibido em cinemas dos EUA à meia-noite, onde os participantes vão fantasiados e interagem com o filme durante a sessão.  


Dogville (2003)

O melhor filme de Lars von Trier - conta a história de Grace (Nicole Kidman) uma jovem bela que busca refúgio numa cidadezinha americana durante a época da depressão. O filme ficou conhecido pelo seu cenário ousado e minimalista, onde marcações no chão indicam a rua central, as casas e as diversas áreas da cidade. Foi seguido por Manderlay (2005) que também é muito bom, embora seja menos impactante.


OUTROS ÓTIMOS FILMES CULT:

- Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 from Outer Space, 1958)
- Barbarella (1968)
- A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1968) - e a sequência
- Laranja Mecânica (1971)
- Pelos Caminhos do Inferno (Wake in Fright, 1971)
- O Homem de Palha (The Wicker Man, 1973)
- O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre, 1974)
- O Fantasma do Paraíso (Phantom of the Paradise, 1974)
- Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975)
- Suspiria (1977)
- Holocausto Canibal (Cannibal Holocaust, 1980)
- Xanadu (1980)
- O Balconista (Clerks, 1994)
- Showgirls (1995)
- As Patricinhas de Beverly Hills (1995)
- Romy e Michele (1997)
- Procura-se Amy (1997)
- Felicidade (1998)
- A Bruxa de Blair (1999)
- Quero Ser John Malkovich (1999)
- Magnólia (1999)
- Hedwig - Rock, Amor e Traição (2001)
- Donnie Darko (2001)
- Adaptação (2002)
- The Room (2003)
- O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (2004)
- As Branquelas (2004)
- O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, 2005)
- Shortbus (2006)
- À Prova de Morte (2007)
- Eu Sei Quem Me Matou (2007)
- Anticristo (2009)
- Melancolia (2011)
- Ninfomaníaca (2013)

CONFIRA OUTRAS LISTAS:

Os melhores filmes de terror
Os melhores filmes de comédia
Os melhores filmes românticos
Os melhores filmes de ficção-científica
Os melhores piores filmes
Os melhores filmes de suspense
Os melhores musicais do cinema
Os melhores filmes cult
Os melhores filmes brasileiros
Os melhores filmes de natal
Os melhores filmes gays
Os melhores filmes para a família
100 Grandes Filmes
Os Piores Filmes
Netflix - Os Melhores Filmes

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Os Vampiros que se Mordam


Aaron Seltzer e Jason Friedberg continuam conseguindo dinheiro pra produzir seus filmes, apesar de todos eles entrarem pras listas dos piores de todos os tempos (juntos, eles escreveram e dirigiram Uma Comédia Nada Romântica, Deu a Louca em Hollywood, Espartalhões e Super-Heróis - A Liga da Injustiça - tudo nos últimos 5 anos).

Este é o melhor de todos (se você for bobo o bastante), até porque eles finalmente acharam um filme digno de uma paródia. Crepúsculo, além de ser uma produção de qualidade duvidosa, virou um fenômeno cultural - a série praticamente implora por deboche.

Um dos desafios desse tipo de filme é fazer com que as piadas funcionem não só como uma referência a qualquer coisa, mas que façam sentido também de maneira independente. A cena abaixo, por exemplo, só pode ter alguma graça pra quem viu Crepúsculo e ao mesmo tempo conhece o Black Eyed Peas:

Enfim, esse é o tipo de filme que muita gente assiste, se diverte do começo ao fim, e depois sai da sala rindo, enquanto fala que o filme é péssimo (!). Como assim? Eu defendo esse tipo de humor e acho uma pena que não existam pessoas mais sérias investindo no gênero.

Vampires Suck (EUA, 2010, Aaron Seltzer / Jason Friedberg)

Orçamento: US$ 20 milhões
Bilheteria atual: US$ 60 milhões

Nota do público (IMDb): 3.3

Nota da crítica (Metacritic): 1.8

Assista o
trailer

INDICADO PARA: Quem gostou de
Todo Mundo em Pânico, filmes com o Leslie Nielsen, etc.

NOTA: 6.5

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2


O filme se passa 10 anos após o primeiro Tropa e mostra o Capitão Nascimento (Wagner Moura) se tornando sub-secretário de inteligência da Secretaria de Segurança do Estado. Agora, ele vai ter que enfrentar o verdadeiro inimigo: policiais e políticos corruptos. O filme custou mais de 15 milhões de Reais, mas foi produzido e distribuído de forma independente, tendo exibidores, distribuidores e até pessoas físicas como acionistas.

Achei o filme bem superior ao primeiro - menos apelativo, menos confuso, mais interessante, mais coeso, mais polêmico e melhor intencionado. Além da produção ser impecável - toda uma equipe de técnicos em efeitos especiais foi trazida dos EUA pra dar mais veracidade às cenas (gente 'grande', de filmes como Homem Aranha, Transformers, Benjamin Button, etc...).

Vai ser um sucesso merecido; tudo é incrivelmente bem feito, os atores são fortes, convincentes... Talvez um filme desse tipo não possa ser muito melhor - o que não quer dizer que ele mereça a nota máxima...

Uma vez vi uma palestra do TED que fazia uma divisão da humanidade em 5 tribos. A primeira era a que pensava "A vida é uma droga" - e a esta pertenciam os criminosos e os marginais. Depois vinha a tribo do "A minha vida é uma droga", um pouco superior. A terceira pensava "Eu sou ótimo - e você não", e por assim seguia, até chegar em Gandhi e em seres muito elevados. Quando digo que um filme "desse tipo" não poderia ser muito melhor, quero dizer um filme que, embora com muita habilidade, se limita a tratar de assuntos das tribos 1 e 2.

Ainda assim, é um dos filmes nacionais mais fortes que eu já vi.

(BRA, 2010, José Padilha)

INDICADO PARA: Quem gostou do primeiro, de Cidade de Deus e dos últimos filmes do Batman.

NOTA: 7.0

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Estão Todos Bem


Me remeteu ao clássico japonês Era uma Vez em Tóquio este filme que na verdade é uma refilmagem de Estamos Todos Bem, filme italiano de Giuseppe Tornatore com Marcello Mastroianni. A história: um senhor viúvo e solitário (Robert De Niro) se prepara para a visita de seus 4 filhos no fim de semana (entre eles Sam Rockwell, Kate Beckinsale, Drew Barrymore, que moram todos em outros estados). Mas de última hora, cada um liga desmarcando a visita com desculpas esfarrapadas. De Niro decide então ir viajar ele próprio e visitar cada um dos filhos, apesar das advertências do médico.

O filme saiu direto em DVD no Brasil e dá pra entender o motivo - além de ter sido um fracasso total, ele vende uma imagem meio Tudo em Família, Alguém Tem que Ceder, só que não entrega nada disso. É um filme muito mais sério, pretensioso, e também muito pior. Assistindo, a gente tem a sensação de que o diretor achava que estava fazendo uma pequena obra-prima, um clássico "menor" - tudo é muito preciso e calculado em termos de estilo - mas há também algo de muito impessoal e sinistro na direção que arruina tudo. É um filme sobre pessoas, relacionamentos - o tipo de história que pede enquadramentos fechados, rostos, intimidade com os atores - mas Kirk Jones fotografa tudo de longe, como se estivesse gravando Lawrence da Arábia (teve uma hora que eu só ouvia o diálogo mas não conseguia nem localizar os atores na tela de tão longe que estavam).


Há algumas idéias interessantes de roteiro e direção, mas é um filme sobre pessoas feito por alguém que parece não se interessar por elas.

Everybody's Fine (EUA/ITA, 2009, Kirk Jones)

Orçamento: US$ 21 milhões
Bilheteria atual: US$ 14 milhões

Nota do público (IMDb): 7.2

Nota da crítica (Metacritic): 4.7

Assista ao
trailer

Curiosidade:
Paul McCartney assistiu ao filme numa pré-estréia e gostou tanto que resolveu compor uma música original pro filme - "(I Want to) Come Home" - que se ouve nos créditos finais.

NOTA: 4.0

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Comer Rezar Amar


Baseado no bestseller de Elizabeth Gilbert, o filme apresenta Julia Roberts no papel de uma americana que descobre que leva uma vida fútil, sem sentido, e resolve mudar tudo. O que ela faz? Pede o divórcio e parte pra uma viagem de "auto descoberta", indo a vários lugares "exóticos".

Embora eu goste de Julia Roberts, minha reação pessoal ao filme foi a de total repulsa e nojo. Pra mim, ele é o retrato da confusão, do desespero; a glamourização de uma mulher completamente perdida, que joga sua vida no lixo, que busca uma fuga completa da realidade, da responsabilidade, em todos os sentidos. Ela viaja pela Ásia e pela Europa, com sua superioridade ignorante de classe média, se perguntando "Por que a vida não pode ser assim, simplinha? Veja os italianinhos, com suas vidinhas pequenas, seus probleminhas, só comendo macarrãozinho e fazendo amor - e os indianos, com seus elefantinhos, seus deusezinhos, seus dentinhos estragados". Além de superficial o filme é racista.

A idéia dela de felicidade parece ser a de alguém com os olhos lacrimejando, a expressão de quem acabou de vomitar, e uma vida sem propósito e ambição. Ela é tão desorientada que pra saber se ama o namorado, vai pedir conselhos a um místico, que a convence com a idéia doentia de que "um relacionamento desequilibrado faz parte de uma vida equilibrada" (!).

No fundo, é mais um Sob o Sol da Toscana, um Sex and the City - um filme feito para mulheres como ela que sonham em largar o marido e sair por aí torrando dinheiro e dormindo com caras mais atraentes. Mas acho que esse tem idéias ainda mais deturpadas e nocivas.

Eat Pray Love (EUA, 2010, Ryan Murphy)

Orçamento: US$ 60 milhões

Bilheteria atual: US$ 120 milhões

Nota do público (IMDb): 4.8

Nota da crítica (Metacritic): 5.0

Assista o trailer

INDICADO PARA: Quem gostou de Sex and the City 2, Cartas para Julieta, Um Bom Ano, Mamma Mia!, Sob o Sol da Toscana, Divã, etc.

NOTA: 4.0

domingo, 3 de outubro de 2010

O Último Exorcismo


Um dos trabalhos de direção mais bem feitos e impressionantes que eu vi este ano. O filme é uma mistura de O Exorcista, A Bruxa de Blair, [REC], Atividade Paranormal, com um toque de O Bebê de Rosemary. E ainda assim parece autêntico e original - não por causa da história, do enredo, mas por causa da técnica, do que está por trás das cenas (as interpretações estão entre as mais realistas que eu já vi - não sei como foi possível arrancar tanta naturalidade e de todos).

O filme parte de uma premissa interessante - um ex-pastor evangélico, agora cético, resolve fazer um documentário pra denunciar a prática do exorcismo como sendo apenas um truque, aplicado por charlatões. Ele encontra uma garota possuída por um "demônio" e vai até a casa da família pra fazer o exorcismo diante das câmeras. Mas o roteiro esconde um dado do público que é revelado neste momento. É uma sequência poderosa, ousada e ao mesmo tempo muito instrutiva - tenho certeza que irá contribuir pro aumento do senso crítico de muita gente.

A maioria dos filmes de espíritos assume que o espectador já acredita em espíritos e pula direto pra questão seguinte: "será que o espírito vai ou não matar a personagem?". Uma das coisas legais de O Último Exorcismo é que ele começa uma etapa antes, levantando primeiro a questão: "espíritos existem?". É um filme bem mais sério e inteligente do que você provavelmente imagina. Pena que o título, assim como o cartaz e o trailer, dão a idéia errada de um filme cheio de ação, sustos, e isso certamente irá frustrar aqueles que entrarem na sala buscando um entretenimento mais leve.

The Last Exorcism (EUA/FRA, 2010, Daniel Stamm)

Orçamento: US$ 2 milhões
Bilheteria: US$ 40 milhões
Nota do público (IMDb): 5.9
Nota da crítica (Metacritic): 6.3
Assista o trailer

INDICADO PARA: Quem gostou de [REC], Atividade Paranormal, embora esse seja mais pra pensar do que pra levar susto.

NOTA: 7.0