quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A Grande Beleza (anotações)

- Estilo parece ser o destaque do filme. Movimentos de câmera, ritmo, direção de atores - tudo é extremamente excêntrico, surpreendente, o que o torna divertido de assistir. Gosto da intenção, mas acaba parecendo aleatório, exibicionismo do diretor, pois não está ligado ao conteúdo.

- Hilária a performance da cabeçada no muro. Filme está zombando dos artistas modernos.

- Naturalismo: personagem sem objetivo / história sem estrutura. Filme pula de um evento para o outro e inclui cenas de maneira aleatória. A intenção é explorar personalidades e expor um estilo de vida. Mas caracterizações são bem feitas.

- Diálogos muito vigorosos (como quando Jep ataca a mulher na roda de amigos). Mas não gosto pessoalmente do protagonista, que é extremamente cínico. Se a intenção do filme é retratá-lo negativamente, então está sendo bem sucedido.

- Clara a influência de Fellini e A Doce Vida.

- História só seria defensível sob o ponto de vista de que o filme está tirando sarro e criticando essas pessoas (inclusive o protagonista). Mas não há de fato um julgamento. Jep é retratado como se fosse sábio, tivesse algum tipo de maturidade por aceitar a própria decadência.

- Filme se mantém interessante porque tem sempre algo de exótico acontecendo na tela. Girafas, flamingos, anões... Colocaram até o Costa Concordia. Subconscientemente, o diretor parece ter um desejo de entreter, manter as coisas sempre divertidas e interessantes - mas num nível mais consciente (na história que resolveu contar) ele diz de fato que a vida é um tédio e o homem é desprezível.

- Jep é um cínico completo. Não tem nada que considere importante na vida. Ele despreza o amor, o sexo, a arte, a religião, os amigos com os quais anda, as festas que frequenta, a própria carreira. O engraçado é que, pra muita gente, isso faz ele parecer "sofisticado", "intelectual", mas na verdade é uma pessoa extremamente frustrada e infeliz.

CONCLUSÃO: Estilo torna o filme original e interessante de assistir, mas pessoalmente não gosto dos personagens e da filosofia por trás da história.

(La Grande Bellezza / Itália, França / 2013 / Paolo Sorrentino)

FILMES PARECIDOS: A Doce Vida.

NOTA: 7.0

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ender's Game - O Jogo do Exterminador (anotações)

- Filme apresenta bem as qualidades do protagonista (e não é um personagem arrogante como o de Círculo de Fogo, então é possível simpatizar por ele).

- Diálogos muito mais sofisticados e adultos do que eu esperava. Achava que era um filme de ação adolescente, mas está mais pra uma ficção-científica ambiciosa tipo Avatar.

- Filme não é nada clichê. Estilo e conteúdo soam autênticos (não parecem imitação de outros filmes, mas algo totalmente independente). Com um diretor mais talentoso poderia ter sido um filme de sucesso.

-Ator principal me parece um erro grave de casting. Não tem força, carisma, "star power" pra um papel desse tipo.

- Falta um pouco de ação na história. Eles ficam apenas discutindo teorias, estratégia militar, mas cadê as batalhas, os aliens, o suspense? Faltam eventos, experiências reais...

- Ender vai se tornando cada vez mais robótico e desinteressante como personagem conforme a história progride (principalmente depois que é promovido). Ator não convence como líder, durão...

- 1 hora e meia filme adentro e eles ainda estão lutando em simuladores! E tudo é mostrado como se a simulação fosse empolgante pra plateia assistir!!!!!!!!!!

- SPOILER: Surpresa final é um anticlímax!! A única batalha do filme inteiro que era pra valer nós não vivenciamos, pois achávamos que era uma simulação!!

- SPOILER: Por que a revolta de Ender no final (ao saber que ele de fato exterminou os aliens)??????????????????? Se ele faz algo na simulação que jamais faria na realidade, então ele não era a pessoa certa pra estar no comando! Filme quer sugerir que ele é tão "superior" que consegue amar o próprio inimigo! Final horrível!!

CONCLUSÃO (SPOILER): O filme é um erro - não é a toa que fracassou nas bilheterias... Uma simulação interminável de uma batalha que nunca acontece, e que, depois que eles vencem, o herói muda de ideia e resolve salvar o inimigo!

(Ender's Game / EUA / 2013 / Gavin Hood)

FILMES PARECIDOS: Depois da Terra, Elysium, A Hospedeira, O Último Mestre do Ar.

NOTA: 5.0

sábado, 4 de janeiro de 2014

Frozen: Uma Aventura Congelante (anotações)

- Não sabia que era musical! Fiquei mais interessado agora.

- Começo estranho com os homens cortando gelo. Se a história é sobre as duas princesas e a maldição de Elsa, filme devia começar estabelecendo isso, que já é complexo o bastante.

- Elsa precisaria cortar totalmente relações com a irmã só por tê-la machucado 1 vez sem querer? Muito artificial a trama.

- Imagens bonitas. Animação transmite classe e sofisticação.

- 3 primeiras músicas são ruins. Composições genéricas / clichês de musical.

- Princesa Anna é divertida. Mas Elsa é distante e sinistra. Amizade entre as irmãs é mal estabelecida. Não me faz torcer por uma união.

- Nada a ver a música em que Elsa foge e constrói o castelo de gelo. É dramática e triunfante, mas não há nada de triunfante nesse ponto da história (parece que estão querendo imitar o momento "Defying Gravity" de Wicked, mas totalmente fora de contexto). *agora postando no blog fui ver que a voz de Elsa é feita pela Idina Menzel, o que apoia essa teoria

- História desinteressante e relacionamentos desinteressantes: Anna ter que ir procurar a irmã antipática pra que ela traga o verão de volta. Não é uma meta que me empolga.

- É pra gente querer que Anna fique com Hans ou com Kristoff? Parte romântica não funciona.

- Péssima ideia a Elsa criar um monstro de neve pra expulsar irmã do castelo. Isso não foi acidental. Ela quase mata a irmã. Elsa de fato é uma vilã (é totalmente diferente de Wicked). Anna deveria cortar relações com ela.

- Trolls são feios e não parecem pertencer à esse filme. Produtores acham que todo desenho precisa ter criaturinhas pequenas e engraçadas, então enfiam esse tipo de coisa mesmo onde não cabe.

- Filme ensina que auto-sacrifício é sinônimo de amor. Detona Ralph também tinha essa ideia (e é dos mesmos criadores).

CONCLUSÃO: História mal elaborada, confusa e cheia de ideias ruins. Filme parece ter sido feito por executivos insensíveis que não têm nenhum interesse real em entretenimento. Só querem o dinheiro, e usam um monte de fórmulas de filmes infantis de maneira aleatória, sem refletir sobre as funções reais delas.

(Frozen / EUA / 2013 / Chris Buck, Jennifer Lee)

FILMES PARECIDOS: Enrolados, Detona Ralph, A Princesa e o Sapo.

NOTA: 4.0

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Álbum de Família (anotações)

- Meryl Streep dá show desde a primeira cena! Incrível como ela é expressiva e a cada segundo está fazendo algo curioso com o rosto / corpo / voz que transmite uma ideia e torna a cena mais interessante.

- Elenco espetacular! Meryl, Julia Roberts, Abigail Breslin, Ewan McGregor, Benedict Cumberbatch.. Filme é um desfile de atores e personagens interessantes. Só se o roteiro for muito ruim pra estragar.

- Filme consegue tornar uma situação trágica (sumiço do pai, brigas de família, etc) fascinante e divertida de alguma forma. Primeiro porque há bastante humor... Além disso os personagens principais são inteligentes, cheios de personalidade, os ambientes são bonitos, os diálogos são divertidos...

- Há algo de atraente em ver essa família discutindo e vivendo situações trágicas. O filme não se torna negativo (talvez por que, pra mim, conflito/drama já seja uma qualidade - por ser o oposto da monotonia, do tédio). Pra maioria das pessoas, as relações familiares nunca chegam a esse nível de intensidade. Nós raramente vivemos situações onde mães e filhas saem no braço durante o almoço, etc. No dia a dia, mesmo quando há problemas, as pessoas costumam ser mais tímidas, os assuntos polêmicos são evitados, as verdades não são ditas, etc. Por mais incômoda que seja a situação, ainda assim é interessante ver essa família aparentemente convencional virando de cabeça pra baixo.

- É brutal a honestidade dos personagens. Eles falam de maneira direta, sem nenhum medo de ferir os sentimentos dos outros. Lembra a violência de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, mas menos deprimente - e os personagens não chegam a perder a dignidade.

- Julia Roberts muito boa na cena em que ataca Meryl!

- Ótima a história que a mãe conta sobre as botas que queria ganhar quando jovem. Sugere de onde vem a agressividade dela.

- SPOILER: Roteiro não tem muito propósito / direção (principalmente depois que morre o pai), mas tem reviravoltas e se mantém interessante até o final.

CONCLUSÃO: Drama familiar típico mas que se destaca pelos bons personagens, diálogos e o elenco estelar.

(August: Osage County / EUA / 2013 / John Wells)

FILMES PARECIDOS: O Casamento de Rachel, Em Seu Lugar, Do Jeito que Ela É, Um Amor Verdadeiro.

NOTA: 7.5

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Frances Ha (anotações)

- Atriz convence muito nesse papel! Caracterização muito bem feita - mas não é uma personagem admirável (se ela tivesse 10 anos de idade, seu comportamento teria certo charme, mas aos 27, parece apenas uma menina perdida, sem classe, um pouco inconveniente e sem auto-estima - realmente "inamorável" como diz o amigo).

- Diálogos e relacionamentos muito autênticos. Divertido ver 2 pessoas que são tão abertas e têm tanta sintonia quanto essas duas amigas. Lembra um pouco um sitcom.

- Naturalismo: filme não tem uma trama ou uma mensagem explícita. Personagens não estão atrás de algo específico - são apenas arrastados pelas circunstâncias. O maior propósito da história parece ser expor a personalidade de Frances.

- Filme está na premissa de "universo malevolente": acha que a vida é uma série de eventos desconectados que levam a lugar nenhum. É o oposto do que seria um filme inspirador - ao assisti-lo, uma pessoa jovem e não muito segura terá sérias dúvidas quanto às suas ambições, carreira, e achará que seus sonhos são insignificantes e seu destino não está sob o seu controle.

- Filme não explica por que Frances é uma "perdida". Será que ela escolheu a carreira de dançarina com bom senso? Será que ela tem algum talento ou potencial? Será que ela se esforça o bastante? Nada disso é dito. Temos apenas a sensação de que a vida é incerta - uns simplesmente se dão bem, têm talento, são bem sucedidos, têm dinheiro, têm onde morar, e outros não já não têm a mesma sorte (compare com Blue Jasmine - que também é sobre uma mulher perdida, mas que não tem o mesmo senso de pessimismo - pois o filme explica e julga a protagonista; ele mostra as decisões erradas que ela faz, as razões pelas quais ela termina no buraco, etc - aqui, Frances é retratada com neutralidade, como se ela fosse apenas uma vítima do acaso - convidando o espectador a se identificar).

- Depois que ela apresenta sua coreografia e é elogiada pelo amigo, ela diz, com ar de descaso: "Ah, obrigada, eu gosto de coisas que se parecem com um erro". Ela não leva nada a sério! Não é surpresa que esteja onde está.

- Cena da caixa de correio que explica o título do filme: confirma também o pouco caso e desleixo da protagonista, que não se esforça nem pra que seu nome seja escrito da maneira correta.

CONCLUSÃO: Lado bom: personagens e diálogos muito realistas e interessantes. Lado ruim: abordagem naturalista e premissas negativas.

(Frances Ha / EUA / 2013 / Noah Baumbach)

FILMES PARECIDOS: Elena, Antes da Meia Noite.

NOTA: 6.0

domingo, 22 de dezembro de 2013

A Vida Secreta de Walter Mitty (anotações)

- Visualmente interessante desde os créditos. Fotografia parece ser a maior atração do filme (e também o uso inesperado de efeitos especiais sofisticados).

- Personagem desinteressante. Detesto esse tipo de arquétipo - o loser metódico de meia idade, com um emprego chato de escritório e sem vida pessoal. Se ele estivesse entediado e fazendo isso apenas por uma necessidade temporária, eu ainda me identificaria. Mas não. A vida dele É assim.

- Pouco provável ninguém saber como encontrar o fotógrafo e ele precisar viajar atrás do cara. Desculpa do roteiro pro protagonista ter que sair numa aventura. Trama do filme não convence. E mesmo que convencesse, a meta de Mitty é muito banal pra plateia se importar: tentar encontrar um fotógrafo que pode ou não saber onde está um negativo, que pode ou não resultar numa foto interessante, que pode ou não salvar o emprego chato dele.

- Filme sofre do Idealismo Corrompido. Ele diz timidamente que a vida deveria ser cheia de aventura, emoção, grandes desafios, mas no fundo não acha que isso seja possível. Se o autor realmente tivesse essas convicções, ele teria feito um filme como Missão: Impossível ou algo do tipo.

- Não estou torcendo pra que haja um romance. O que essa mulher iria querer com um cara sem graça e inseguro como Mitty? Não há um elo muito forte entre eles.

- Hahahah - paródia de Benjamin Button!! Ben Stiller devia ter transformado o filme inteiro numa comédia pastelão que é o que ele faz melhor.

- Outro problema da história: viagem inteira pode ser uma alucinação na cabeça de Walter, o que distancia a gente da ação e quebra o senso de escapismo.

CONCLUSÃO: Visualmente muito bonito mas trama é artificial e a mensagem "pare de sonhar - comece a viver" não chega a convencer.

(The Secret Life of Walter Mitty / EUA / 2013 / Ben Stiller)

FILMES PARECIDOS: O Curioso Caso de Benjamin Button, Onde Vivem os Monstros, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Viagem a Darjeeling.

NOTA: 6.0

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Como Não Perder Essa Mulher


(Esta crítica está no formato de anotações - em vez de uma crítica convencional, os comentários a seguir foram baseados nas notas que fiz durante a sessão.)

ANOTAÇÕES:

- O filme mostra um cara superficial, com valores horríveis, promíscuo e o retrata com uma ironia simpática. Ou seja, o filme quer atingir o positivo negando o negativo. Mas será que isso é o bastante? Será que haverá algo de fato positivo no filme? Ou o filme se limitará a ser cínico e rir de atitudes desprezíveis?

- Interessante o fato dele preferir filmes pornôs a relações reais com mulheres. Há algo de platônico nisso.

- Scarlett Johansson está linda, carismática e tem boa química com Joseph Gordon-Levitt.

- O filme tem ótimos toques de humor (ele rezando enquanto faz academia, menina no celular na igreja). Direção é autêntica, tem estilo próprio, etc.

- Personagens secundários são muito bons (família de Don, Julianne Moore).

- A briga sobre Don querer fazer a faxina ele mesmo é interessante (como caracterização). Será que ele tem algum tipo de TOC? É perfeccionista? Isso parece ter tudo a ver com o fato dele preferir filmes pornôs a mulheres reais.

- Passagem de tempo muito criativa (usando uma espécie de animação stop motion).

- O personagem é gostável porque ele parece inocente no fundo. Reconhece as próprias falhas e tenta melhorar. É uma pessoa limitada, mas não mal intencionada.

SPOILER: Demais quando a personagem da Julianne Moore começa a fazer ele entender sua própria psicologia! Cena de sexo muito boa!

SPOILER: Depois que ele tem uma relação satisfatória com Moore, ele não acha mais natural ir se confessar ao padre - observação incrível do roteiro!

CONCLUSÃO: Filme muito honesto e íntimo (só pode ter sido baseado em experiências pessoais de Joseph) com ótimos personagens e uma sensibilidade psicológica incomum.

(Don Jon / EUA / 2013 / Joseph Gordon-Levitt)

FILMES PARECIDOS: O Lado Bom da Vida, Amizade Colorida, 500 Dias com Ela.

NOTA: 7.5

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug (anotações)

- Produção top, efeitos de primeira, fotografia bonita, locações fantásticas, atores sérios. Tudo isso dá um ar de importância ao filme que o torna atraente independentemente da história (pelo menos até certo ponto). Entretenimento que se leva a sério (compare com uma saga como Crepúsculo, que parece tola nos efeitos, atores, diálogos, etc).

- Não há conflitos muito fortes além da ação física, e personagens não são muito interessantes (falta um protagonista forte; filmes sobre grupos geralmente são vagos e menos envolventes). Mas pelo menos a história é clara. Sabemos onde eles têm que chegar e que obstáculos precisam enfrentar.

- Sequência das aranhas muito bem feita!!

- Ideia de escapar dentro de barris divertida, mas as lutas deixam a desejar. Detesto esses personagens ultra habilidosos que sempre que aparecem esquartejam dezenas de adversários em segundos e sem nenhum tipo de esforço. É um nível de força e precisão totalmente impossível que destrói a realidade das cenas.

- Um pouco monótono o filme, no sentido de que o tom emocional é sempre o mesmo: "algo terrível está prestes a acontecer". Filme são 2 horas e meia de pessoas falando em tom sério e aguardando o próximo perigo. Cria certo suspense, mas não é o bastante (falta variedade, emoções positivas, etc). Outro problema: filme cria situações difíceis para os personagens, mas os tira de maneira fácil e desinteressante (sempre há uma arma especial, uma planta mágica, alguém fora de quadro que mata o vilão no último momento, etc). Isso impede a gente de sentir orgulho dos personagens.

- Ausência de surpresa também me entedia. Tudo é muito previsível (em termos visuais, de narrativa; os personagens são exatamente os arquétipos que aparentam, etc).

- Dragão muito bem feito! Cara assustadora.

SPOILER: Por que o ouro está sólido mas vira líquido de um segundo pro outro? E por que o dragão consegue se livrar tão facilmente? Final frustrante.

CONCLUSÃO: Produção de primeira com algumas cenas de ação bem feitas, mas pobre em narrativa, direção, personagens, etc.

(The Hobbit: The Desolation of Smaug / EUA, Nova Zelândia / 2013 / Peter Jackson)

FILMES PARECIDOS: Oz: Mágico e Poderoso, Branca de Neve e o Caçador, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, O Senhor dos Anéis.

NOTA: 7.0

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Carrie, a Estranha (anotações)

- Essa atriz não é um pouco bonitinha demais pra fazer papel de uma nerd excluída? Ela vai ter que compensar com a interpretação.

- Performance da menina totalmente exagerada e teatral! Julianne Moore também como a mãe! Raro isso hoje em dia... Torna o filme divertido de ver! (Às vezes provoca certas risadas na platéia e vira um pouco "kitsch", mas eu perdoo pois a intenção é tornar tudo mais intenso e dramático).

- Figura de Jesus sangrando - não faz sentido! Filme não é sobre telecinésia? Ou ela é filha do diabo ou algo do tipo?

- Um pouco forçado todo mundo humilhar Carrie no colégio. Poucas pessoas seriam tão cruéis com uma menina inocente e claramente problemática. Por outro lado, não incomoda tanto o exagero nesse caso. É divertido ver as pessoas sendo cruéis e injustas com Carrie - quando você sabe que ela tem poderes secretos que ninguém sabe.

- Roteiro é sensível  na sequência em que Tommy pede pra Carrie a ir ao baile com ele. Seria falso se ela aceitasse de cara, pois de fato parece uma armação. Mas a maneira como ele insiste - e o detalhe dele lembrar do poema que ela leu na classe - fazem a gente acreditar que ela compraria a história.

- SPOILER: Filme passa do ponto ao tentar superar o clímax do original (rachaduras na rua, cena do posto, etc). Fica muito over. E senti falta da cena da mão que era uma das mais marcantes do primeiro..!

CONCLUSÃO: História continua ótima em sua simplicidade. Seria difícil fazer um filme desinteressante desse livro, pois ele lida com questões muito básicas de auto-estima, além de ser uma história irresistível de vingança. Filme deve ter sido mal recebido principalmente por ser um remake de um clássico cultuado, pois ele é muito mais bem feito que a maioria dos remakes recentes.

(Carrie / EUA / 2013 / Kimberly Peirce)

FILMES PARECIDOS: A Morte do Demônio (2013), Carrie, a Estranha (1976).

NOTA: 7.0

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Última Viagem a Vegas (anotações)

- Mau gosto: filme tira sarro da velhice logo nas primeiras cenas (cena da hidroginástica) - acredita que ser idoso é algo constrangedor que precisa ser lidado com humor.

- Premissa já não é das mais interessantes. Não espero que coisas realmente fantásticas aconteçam nessa viagem. Não pelo fato deles serem mais velhos, mas por serem personagens convencionais, não muito interessantes. Não há grandes conflitos, questões de vida ou morte... É tudo muito tímido e comportado pra uma comédia do tipo Se Beber, Não Case!

- É o tipo de situação que seria divertida na vida real mas que não é incrível o bastante pra se fazer um filme a respeito. É como mostrar pra um amigo o vídeo daquela viagem incrível que você fez com sua família, e perceber que filmado não tem a mesma graça.

- Tentativa de tornar idosos "cool" pro publico jovem. Intenção é boa, mas estratégia é errada. Filme quer mostrar que, apesar da idade, eles são iguais aos jovens e só querem saber de curtir o momento, aprontar, beber, ir pra balada, caçar meninas novas... Acaba sendo meio deprimente, até porque não acontecem coisas muito ousadas ou extremas (como em Se Beber, Não Case ou mesmo o italiano Meus Caros Amigos). Seria mais interessante ver um personagem como o Woody Allen numa despedida de solteiro (alguém que fosse o oposto desse tipo de curtição).

CONCLUSÃO: Elenco simpático, mas história não é das mais engraçadas e humor é ameno demais pra esse gênero de filme.

(Last Vegas / EUA / 2013 / Jon Turteltaub)

FILMES PARECIDOS: Se Beber, Não Case! Parte III, Minha Mãe É uma Viagem, Antes de Partir, etc.

NOTA: 5.5